Prohairesis ( prohairesis, traduzível como "escolha", "volição", "intenção" ou "escolha moral"Keith Seddon. Epictetus’ Handbook and the Tablet of Cebes: Guides to Stoic Living. Routledge; 2006. ISBN 978-1-134-34605-9. p. 228.) é um conceito fundamental na filosofia estoica de Epiteto que representa a escolha envolvida em dar ou recusar a aprovação de impressões. Esta palavra grega foi usada pela primeira vez na filosofia por Aristóteles em sua obra Ética a Nicómaco.Chamberlain C.: "The meaning of Prohairesis in Aristotele's Ethics" in Transactions of the American Philological Association 114 (1984) 147-157
Definição por Epiteto De acordo com Epiteto, nada é devidamente considerado bom, ou mau, além daquelas coisas que estão sob nosso próprio controle e a única coisa totalmente em nosso poder é a nossa própria vontade. Assim, temos que dar total atenção ao que está sob nosso controle, o que consiste basicamente no uso de nossas "impressões" (phantasiai), isto é, nossa escolha (prohairesis), .Donald J. Zeyl. Encyclopedia of Classical Philosophy. Routledge; 2013. ISBN 978-1-134-27078-1. p. 206.. Por exemplo, se uma pessoa diz algo crítico para nós, isso não é ruim, ou, se algo elogioso é dito, igualmente isso não significa ser bom, porque essas coisas são externas e estão além do nosso poder de controlá-las. Ao exercer o poder de escolha, é possível manter a equanimidade em face de tanto críticas quanto elogios, o que é um bem moral. Por outro lado, quando as pessoas ficam perturbadas pela crítica, ou exultantes pelo elogio, isto é um mal moral, porque elas têm impressões mal-interpretadas ao pensar que as coisas fora de seu poder (como a crítica ou o elogio) têm algum valor, de modo que depositam uma medida de controle de sua própria vida nas mãos de outros.John Sellars. Stoicism. University of California Press; 2006. ISBN 978-0-520-24908-0. p. 114 – 115.
Para Epiteto esta é a faculdade que distingue os seres humanos de todas as outras criaturas. O conceito de Prohairesis desempenha um papel central em suas obras Discursos de Epicteto e o Manual de Epicteto: os termos ‘Prohairesis’, ‘Prohairetico’ e ‘Aprohairetico’ aparecem cerca de 168 vezes.Cassanmagnago C.: "Il problema della prohairesis in Epitteto" in Rivista di Filosofia Neoscolastica LXIX, 232-246 (1977)Dobbin R.: "Prohairesis in Epictetus" in Ancient Philosophy XI, 111-135 (1991) Ele definiu-a como:
uma faculdade racional capaz de entender o todo e assim manipula ao seu acordo Epicteto, Discursos II.23.6-15; II.23.20-29 uma faculdade capaz de usar impressões e entender seu usoEpicteto, Discursos II.8.4-8 uma faculdade auto-teórico capaz de avaliar todas as outras faculdades humanasEpicteto, Discursos I.1.1-13; I.17.1-3; I.20.1-6 uma faculdade que serve para interpretar e seguir as ambições dos sentimentos, sendo subordinada a eles.
Esta faculdade não está presente em outros seres que não os seres humanos visto que os primeiros lidam com as impressões (phantasiai)Pauliina Remes; Juha Sihvola. Ancient Philosophy of the Self. Springer; 2008. ISBN 978-1-4020-8596-3. p. 46. externas de um modo que não é refletido, enquanto que nos segundos lidam de modo refletivo. É também esta faculdade que compreende o verdadeiro ser de cada indivíduo.
A prohairesis pode ser interpretada como algo que se usa, mas também com algo que se é. Ao contrário de Platão e Aristóteles, que viam o verdadeiro ser no nous, expresso no conhecimento teórico, a prohairesis é apresentada no âmbito da existência prática. Epicteto diz que ela está em nosso poder e que, referindo-se a ele próprio, nem mesmo Zeus lhe a pode tirar, por outras palavras, nenhuma força externa nos pode tirar esta faculdade. Ela não pode ser tirada mas pode ser reduzida em momentos de muito sofrimento, e ate levar a loucura que e a morte parcial dessa faculdade.Pauliina Remes, Juha Sihvola - Ancient philosophy of the self - Springer, 2008
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