A Classe Tennessee foi uma classe de couraçados operada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo e . Suas construções começaram em 1916 e 1917 no Estaleiro Naval de Nova Iorque e no Estaleiro Naval da Ilha Mare, foram lançados ao mar em 1919 e comissionados na frota estadunidense em 1920 e 1921. O projeto da Classe Tennessee era essencialmente uma repetição da predecessora , incorporando apenas pequenas mudanças e melhoramentos, incluindo um sistema de proteção subaquático aprimorado, relocação da bateria secundária para o convés superior e adoção de um novo sistema de propulsão turboelétrico.
Os couraçados da Classe Tennessee eram armados com uma bateria principal composta por doze canhões de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 190 metros, uma boca de 29 metros, um calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 33 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por oito caldeiras a óleo combustível que alimentavam dois turbogeradores, que por sua vez proporcionavam energia para quatro motores elétricos até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios também tinham um cinturão principal de blindagem com 203 a 343 milímetros de espessura.
Os dois navios tiveram primeiras décadas de serviço tranquilas que envolveram principalmente exercícios de rotina. Ambos estavam presentes no Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941, com o Tennessee sendo levemente danificado e o California torpedeado e afundado. Ambos foram reparados e amplamente modernizados entre 1942 e 1944. Ao voltarem aos serviço foram empregados em funções de bombardeio litorâneo na Segunda Guerra Mundial, participando de várias ações nas Campanhas das Ilhas Aleutas, Ilhas Gilbert e Marshall, Ilhas Mariana e Palau, Filipinas e Ilhas Vulcano e Ryūkyū. Ambos foram descomissionados em 1947 e depois desmontados após 1959.
Desenvolvimento Os trabalhos de projeto na Classe Tennessee começaram em 14 de janeiro de 1915, com a equipe de projeto usando a predecessora Classe New Mexico como ponto de partida. O Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos queria construir um couraçado que deixasse de lado o "couraçado tipo padrão" sendo construído até então, especialmente na proteção de blindagem para que pudessem resistir aos novos canhões de 381 milímetros sendo adotados por marinhas europeias. Os couraçados padrão eram definidos por apenas mudanças relativamente pequenas e incrementais, algo que o Conselho Geral era contra, porém Josephus Daniels, o Secretário da Marinha, barrou isso e ordenou que os novos navios fossem essencialmente repetições da Classe New Mexico com alguns melhoramentos.
Por volta da mesma época, os europeus também passaram a desenvolver torpedos que poderiam alcançar distâncias maiores do que aquelas previstas para batalhas na época, que era entre 9,1 e 12,8 quilômetros. Consequentemente, um das principais preocupações dos projetistas passou a ser capacidade das novas embarcações de resistirem a ataques subaquáticos, seja de torpedos ou de minas navais. Eles decidiram incorporar quatro anteparas antitorpedo, que criaria quatro espaços vazios, a fim de garantir que os couraçados pudessem sobreviver a uma explosão subaquática. Destes espaços, os dois mais internos seriam preenchidos por água ou óleo combustível, o que absorveria a pressão e os gases da explosão. Este sistemas mostrou-se eficaz a foi usado em vários couraçados posteriores.
A classe foi autorizada em 3 de março de 1915, enquanto os trabalhos de projeto ainda estavam em andamento; testes no sistema antitorpedo só foram finalizados em fevereiro do ano seguinte. Enquanto isso, os trabalhos na classe seguinte de couraçados começaram, que se tornaria a Classe Colorado. Esta era essencialmente uma repetição da Classe Tennessee, com a principal mudança sendo a adoção de canhões principal de 406 milímetros sobre as armas de 356 milímetros de navios anteriores. O sistema de propulsão turbo-elétrico desenvolvido para a Classe Colorado foi retroativamente aplicado à Classe Tennessee em dezembro de 1915, antes das construções começarem.
Projeto Características Os navios da Classe Tennessee tinham 182,9 metros de comprimento da linha de flutuação, 190,2 metros de comprimento de fora a fora, boca de 29,7 metros e calado de 9,2 metros. Seu deslocamento padrão era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Combustível e munição adicionais poderiam ser armazenados em condições de emergência, o que aumentava ainda mais o deslocamento para toneladas, o que consequentemente também aumentava o calado para 10,6 metros. Os cascos tinham uma proa clipper a fim de reduzir a quantidade de água respingada no convés em mares bravios. Um fundo duplo corria por toda extensão do casco e este era amplamente compartimentalizado com o objetivo de reduzir o risco de inundações incontroláveis. Abaixo da linha de flutuação haviam 768 compartimentos, enquanto acima estavam mais 180. O convés principal corria por toda extensão das embarcações e continha a maior parte das acomodações da tripulação, que era formada por 57 oficiais e marinheiros. Possuíam dois mastros de treliça com plataformas de avistamento para a bateria principal. A direção era controlada por um único leme.
Propulsão O sistema de propulsão instalado em ambos os couraçados era turbo-elétrico. Oito caldeiras de tubos d'água Babcock & Wilcox geravam o vapor necessário para impulsionar dois geradores turbo-elétricos Westinghouse, que por sua vez impulsionavam quatro motores elétricos que giravam quatro hélices triplas, estas tendo lâminas de 4,3 metros cada. As turbinas ficavam arranjadas em compartimentos estanques separados, um à vante e outro à ré no casco, com quatro caldeiras cada. Cada caldeira tinha sua própria sala de caldeira estanque, com duas caldeiras colocadas em cada lateral das turbinas. Os motores ficavam arranjados em três salas: uma grande central para os dois que giravam as hélices internas, e uma individual para cada um que giravam as hélices externas. Cada conjunto de quatro caldeiras tinha sua exaustão despejada por uma chaminé.
Esse sistema de propulsão tinham uma potência indicada de 29 mil cavalos-capor (21,3 mil quilowatts), proporcionando uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). O Tennessee alcançou uma velocidade máxima de 21,38 nós (39,6 quilômetros por hora) a partir de cavalos-vapor ( quilowatts) durante seus testes marítimos. O carregamento normal de óleo combustível dos navios era de toneladas, mas espaços vazios no casco podiam ser usados para aumentar esse capacidade para toneladas em casos emergenciais. Sua autonomia de cruzeiro era de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora), caindo para 2,5 mil milhas náuticas (4,6 mil quilômetros) a vinte nós (37 quilômetros por hora). A autonomia mais do que dobrava com o combustível de emergência, ficando em 20,5 mil milhas náuticas (38 mil quilômetros) a dez nós e 9,7 mil milhas náuticas (dezoito mil quilômetros) a dezoito nós (33 quilômetros por hora).
Armamento thumb|esquerda|240px|Os seis canhões principais de ré do California em agosto de 1945 O armamento principal da Classe Tennessee era formado por doze canhões Marco IV calibre 50 de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, duas sobrepostas à vante e duas sobrepostas à ré da superestrutura. Diferentemente de couraçados norte-americanos anteriores, as torres de artilharia da Classe Tennessee permitiam que cada canhão se elevasse independentemente. A construção dos dois navios começou depois da Batalha da Jutlândia em 1916, que tinha demonstrado o valor de projéteis em mergulho disparados a longas distâncias, assim suas torres foram modificadas durante as obras para permitirem uma elevação máxima de trinta graus. As armas disparavam projéteis perfurantes de 680 quilogramas com uma velocidade de saída de oitocentos metros por segundo, tendo um alcance máximo de 35,1 quilômetros. Usando o projétil de alta capacidade de 578 quilogramas, a velocidade de saída aumentava para 861 metros por segundo e o alcance também crescia para 33,5 quilômetros. Essas armas sofriam de uma dispersão excessiva em cada disparo, posteriormente sendo descoberto que a causa era câmaras excessivamente longas, o que permitia um espaço entre o projétil e as cargas de propelente. O problema acabou corrigido nos canhões Marco VII.
A bateria secundária consistia em catorze canhões Marco VIII calibre 51 de 127 milímetros, dez dois quais eram montados em casamatas nas laterais da superestrutura à meia-nau e um convés acima do convés principal, com seis arranjados para dispararem para vante e quatro para ré. Os quatro canhões restantes ficavam em montagens rotatórias um convés acima das outras armas, dois nas laterais da torre de comando e os outros dois nas laterais das chaminés. Os navios inicialmente seriam equipados com 22 canhões desse tipo, porém as experiências dos britânicos no Mar do Norte na Primeira Guerra Mundial tinha demonstrado que armas instaladas ao longo do casco, como essas a mais teriam sido, seriam praticamente inutilizáveis exceto em mares calmos. Consequentemente, as casamatas foram tapadas para evitar inundações. Os canhões Marco VIII disparavam projéteis de 23 quilogramas a uma velocidade de saída de 960 metros por segundo.
As embarcações também foram equipadas com quatro canhões Marco X calibre 50 de 76 milímetros para defesa antiaérea. Estes ficavam localizados no segundo convés, dois nas laterais dos guindastes dos botes e outros dois nas laterais do mastro principal. Eles disparavam projéteis de 5,9 quilogramas a uma velocidade de saída de 820 metros por segundo. Além disso, os navios levavam consigo uma variedade de outras armas, como canhões de saudação e também um canhão de campo e metralhadoras para uso de equipes de desembarque. Além disso, também eram equipados com dois tubos de torpedo de 533 milímetros, ambos submersos em cada lateral. Seu carregamento era de torpedos Bliss-Leavitt Marco VII, tendo uma ogiva de 146 quilogramas e um alcance de 11,4 quilômetros a 27 nós (cinquenta quilômetros por hora).
Blindagem O cinturão principal de blindagem tinha entre 343 e 203 milímetros de espessura e aproximadamente 5,5 metros de altura, metade do qual ficava acima da linha de flutuação. Ele protegia as partes vitais dos couraçados, incluindo depósitos de munição e salas de máquinas, começando da barbeta da primeira torre de artilharia e correndo até a barbeta da quarta torre; a popa tinha uma blindagem menor. As duas extremidades do cinturão eram fechadas por anteparas transversais de 343 milímetros de espessura. O convés blindado principal tinha até 89 milímetros de espessura e conectava-se ao topo do cinturão principal, correndo entre as anteparas transversais blindadas. Um segundo convés blindado tinha 64 milímetros e ficava abaixo do convés principal; sua espessura aumentava mais à ré para 127 milímetros, onde era era a única proteção horizontal, enquanto na proa sua espessura ficava em 76 milímetros. As torres de artilharia tinham frentes de 457 milímetros, laterais de 254 milímetros, traseiras de 229 milímetros e tetos de 127 milímetros. Uma segunda camada feita de teca foi usada para amortecer as estruturas do impacto de projéteis. As torres ficavam montadas em cima de barbetas com 330 milímetros de espessura. As torres de comando tinham laterais de 406 milímetros e tetos de 152 milímetros. As braçarolas blindadas das chaminés tinham 229 milímetros.
Modificações