Live Nation Entertainment, Inc. é uma empresa multinacional de entretenimento dos Estados Unidos, fundada em 2010 após a fusão da Live Nation com a Ticketmaster. As duas marcas permanecem em operação como subsidiárias, promovendo eventos e administrando a venda de ingressos para entretenimento ao vivo em diferentes países. A empresa também possui e opera casas de espetáculos e festivais e administra carreiras de artistas musicais.
A empresa tem recebido críticas por sua posição na consolidação do setor de eventos ao vivo, por acusações de práticas anticoncorrenciais, por problemas na venda de ingressos para eventos de grande procura e por ferimentos e mortes ocorridos em eventos sob sua operação.
No início de 2023, o relatório anual da empresa informava participações de controle em 338 espaços para eventos no mundo. A própria Live Nation se apresentava como "a maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo", "a maior produtora de concertos de música ao vivo do mundo", "a principal empresa mundial de venda e marketing de ingressos para entretenimento ao vivo" e uma das maiores empresas mundiais de gestão de artistas e redes de publicidade musical para marcas corporativas.
Em maio de 2024, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e uma coalizão de estados processaram a Live Nation e a Ticketmaster por supostas violações das leis antitruste. O julgamento começou em março de 2026. Durante o julgamento, o Departamento de Justiça chegou a um acordo com a Live Nation, enquanto 33 estados e o Distrito de Colúmbia prosseguiram com suas reivindicações. Em abril de 2026, um júri federal responsabilizou a Live Nation e a Ticketmaster pelas acusações antitruste apresentadas pelos estados.
História
Em 2009, a Live Nation, empresa de promoção de concertos, e a Ticketmaster, especializada em venda de ingressos, chegaram a um acordo de fusão. A nova empresa recebeu aprovação dos órgãos reguladores e adotou o nome Live Nation Entertainment. Michael Rapino, então diretor executivo da Live Nation, assumiu o mesmo cargo na nova empresa, enquanto Irving Azoff, diretor executivo da Ticketmaster, tornou-se presidente executivo.
A fusão recebeu aprovação primeiro na Noruega e na Turquia, em 2009. A Competition Commission do Reino Unido decidiu provisoriamente contra a operação, mas reverteu a decisão em 22 de dezembro de 2009.
Nos Estados Unidos, reguladores, artistas, fãs e empresas concorrentes se opuseram à fusão, argumentando que ela reduziria a concorrência no setor e elevaria o preço dos ingressos. O músico de rock Bruce Springsteen foi um dos opositores públicos da operação.
Em 25 de janeiro de 2010, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a fusão sob determinadas condições. A Ticketmaster teve de vender sua participação na empresa de bilhetagem própria Paciolan e licenciar seu software à Anschutz Entertainment Group (AEG), permitindo que esta concorresse diretamente com a Ticketmaster. Após cinco anos, a AEG poderia comprar o software, substituí-lo por outro ou estabelecer uma parceria com outra empresa de venda de ingressos. A Live Nation Entertainment também ficou sujeita durante dez anos a uma ordem judicial que a proibia de retaliar contra casas de espetáculos que escolhessem contratos de bilhetagem concorrentes.
Nos anos seguintes, a empresa ampliou sua infraestrutura tecnológica e de distribuição digital. Em junho de 2026, a Live Nation integrou diretamente o sistema de ingressos da Ticketmaster ao Spotify por meio do recurso de bilhetagem "Reserved" da plataforma de streaming, concebido para adaptar a distribuição às interações digitais entre artistas e fãs.
Investimentos e expansão
Em 2010, a Live Nation adquiriu o Setlist.fm, site colaborativo que publica listas das músicas executadas em concertos. A aquisição foi divulgada pela primeira vez em 2012. Em 2017, a Live Nation Entertainment registrou receita de US$ 10,3 bilhões.
Em abril de 2018, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação após a AEG acusar a Live Nation de pressioná-la a usar a Ticketmaster e de evitar deliberadamente a contratação de artistas para espaços administrados pela AEG. A Live Nation afirmou que as decisões sobre a escolha de locais não eram punitivas e se baseavam no tamanho e na administração dos espaços.
Em 2020, a pandemia de COVID-19 atingiu duramente a Live Nation, quando quase todos os concertos e eventos esportivos do mundo foram suspensos. A empresa foi processada por relutar em oferecer reembolsos integrais aos clientes, mas modificou depois suas regras de reembolso. Em 25 de fevereiro de 2021, a Live Nation publicou os resultados financeiros completos de 2020, que mostraram queda de 84% na receita.
Nordeste dos Estados Unidos
Em 2016, a Live Nation adquiriu a Founders Entertainment, empresa de Nova Iorque responsável pelo Governors Ball Music Festival. Em 2017, anunciou uma joint venture com a promotora nova-iorquina Mercury East, em parceria com Michael Swier, um dos fundadores da The Bowery Presents, adquirida pela AEG. O acordo colocou os clubes independentes Mercury Lounge e Bowery Ballroom sob o controle da Live Nation, ao lado de outros espaços da empresa, como Irving Plaza, Gramercy Theatre e Ford Amphitheater at Coney Island.
Em 2021, a Live Nation anunciou uma joint venture com a Duke Concept, promotora especializada em artistas africanos. Pelo acordo, a Duke Concept ficou responsável pela produção e pela logística, enquanto a Live Nation forneceria apoio e sua rede de locais para turnês de artistas de afrobeat.
Oeste dos Estados Unidos
Em 2013, a Live Nation anunciou uma joint venture com a Insomniac Events, promotora voltada à música eletrônica dançante. A empresa manteve os investimentos em festivais e promotoras em 2017, quando comprou uma participação de controle no festival BottleRock Napa Valley, na United Concerts, promotora de Salt Lake City, e na CT Touring.
Em 2021, a Live Nation adquiriu uma participação majoritária na empresa de entretenimento por streaming Veeps.
Sul dos Estados Unidos
Em 2013, a empresa adquiriu o festival Voodoo Music + Arts Experience, realizado em Nova Orleans. A Live Nation comprou depois a C3 Presents, de Austin, no Texas, em 2014, o Bonnaroo Music and Arts Festival, no Tennessee, em 2015, a AC Entertainment, de Knoxville, em 2016, a Red Mountain Entertainment, em 2018, e a Emporium Presents.
Em outubro de 2019, a Live Nation adquiriu uma participação majoritária na Groot Hospitality, de David Grutman, que reúne casas noturnas e restaurantes na região metropolitana de Miami, entre eles a casa noturna LIV, no hotel Fontainebleau Miami Beach.
Centro-Oeste dos Estados Unidos
Em 2018, a empresa adquiriu uma participação majoritária na Frank Productions, de Wisconsin.
Europa
Em agosto de 2015, a Live Nation anunciou a criação da Live Nation Germany, em parceria com o promotor alemão Marek Lieberberg. A Live Nation Germany também ficaria responsável pelos eventos da empresa na Áustria e na Suíça. Em 2017, a empresa comprou uma participação de controle na britânica Cuffe & Taylor.
A empresa entrou em Portugal em 2024, com a aquisição da MEO Arena, em Lisboa. Em dezembro de 2025, foi anunciada a futura aquisição da Royal Arena, arena coberta multiuso de Copenhaga, na Dinamarca, por valor não divulgado. Em janeiro de 2026, foi anunciado que a Live Nation havia chegado a um acordo para adquirir a Paris La Défense Arena de sua proprietária, a Ovalto. A transação dependia da aprovação da autoridade francesa de concorrência e acrescentaria ao portfólio da empresa a maior arena coberta da Europa. Em agosto, a Live Nation anunciou planos de adquirir participações majoritárias em arenas de Praga, na Chéquia.
Ásia
Em 2017, a Live Nation adquiriu uma participação de controle na promotora israelense Blue Stone Entertainment.
Em abril de 2020, foi divulgado que o Public Investment Fund (PIF), da Arábia Saudita, havia adquirido recentemente 5,7% da Live Nation. Em 28 de abril de 2020, o investimento estava avaliado em pouco menos de US$ 500 milhões. A operação ocorreu no mercado aberto e tornou o PIF o terceiro maior acionista da Live Nation.
Em 25 de abril de 2022, a Live Nation adquiriu a promotora Music Management International (MMI), das Filipinas, para criar uma filial local. A empresária filipina Rhiza Pascua, que fundou a MMI em 1996, tornou-se diretora-gerente da Live Nation Philippines após a aquisição.
Américas
Em fevereiro de 2016, a Live Nation adquiriu a Union Events, então a maior promotora independente de concertos do Canadá.
Em agosto de 2017, a Live Nation formalizou sua expansão no Brasil com a contratação de Alexandre Faria como diretor e vice-presidente sênior de aquisição de talentos, com base em São Paulo.
Em maio de 2018, a Live Nation Entertainment adquiriu uma participação majoritária no festival brasileiro Rock in Rio, inclusive a parcela que pertencia à SFX Entertainment, que havia participado de uma tentativa fracassada de realizar uma edição do evento nos Estados Unidos, em Las Vegas. O fundador Roberto Medina continuou responsável pela operação do festival e passou a prestar consultoria à Live Nation.
África
Em março de 2016, a Live Nation adquiriu a Big Concerts International, principal promotora de concertos da África do Sul.
Divisões operacionais
Os segmentos de negócios da Live Nation Entertainment são concertos, bilhetagem, patrocínio e publicidade. A empresa promove e opera eventos de música ao vivo e administra artistas por meio de sua divisão de concertos, a Live Nation Concerts. A área de gestão de artistas, chamada Artist Nation, faz parte dessa divisão e abrange a Front Line Management e a Roc Nation. A Live Nation Entertainment possui e opera centenas de espaços para eventos no mundo. A empresa vende ingressos para eventos ao vivo por meio da Ticketmaster.
Questões jurídicas
A empresa enfrentou ações judiciais envolvendo acusações de fixação de preços de ingressos, taxas ocultas e práticas anticoncorrenciais.
O empresário Mathew Knowles, então empresário do Destiny's Child, processou a Live Nation sem sucesso em 2011, alegando que a empresa havia divulgado informações falsas sobre seus negócios com Beyoncé.
Em maio de 2022, o representante pelo 9.º distrito congressional de Nova Jersey, Bill Pascrell, informou ter enviado cartas à Comissão Federal do Comércio e ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos pedindo o desmembramento da Live Nation, citando seu histórico de segurança e outros fatores. O pedido foi repetido em novembro de 2022 após os problemas ocorridos na Ticketmaster durante a pré-venda de ingressos para a The Eras Tour, de Taylor Swift.
Em 2 de agosto de 2023, a Dynamic Ticket Systems, LLC processou a Ticketmaster e a Live Nation por violação de patente.
Em maio de 2024, a empresa confirmou rumores de um vazamento de 1,3 TB de dados na subsidiária Ticketmaster. O incidente poderia afetar mais de 500 milhões de clientes, colocando-o entre as maiores violações de segurança digital do mundo. O vazamento foi atribuído às ações maliciosas do grupo de hackers ShinyHunters, que teria atacado a infraestrutura da empresa hospedada na Snowflake, uma plataforma de computação em nuvem. O episódio resultou em uma ação coletiva.
Em agosto de 2024, o órgão de defesa do consumidor da Irlanda descartou abrir uma investigação sobre os preços dos ingressos depois que alguns deles subiram mais de 400% na Ticketmaster em questão de minutos, em meio a falhas no site da empresa durante a venda de ingressos para os concertos do Oasis previstos para agosto de 2025.