Anre ibne Cultume (; Alta Mesopotâmia, ? − ) foi um poeta árabe, autor de um dos Mu'allaqat, uma compilação de sete longos poemas árabes pré-islâmicos. Nada, ou quase nada é conhecido de sua vida, salvo que foi um cavaleiro e líder da tribo dos taglibitas, famoso no Jahiliyyah por sua glória, bravura e comportamento impiedoso na batalha. Algumas histórias sobre ele são contadas no Livro das Canções (Kitab al-Aghani) atribuído ao escritor árabe do século X Abu Alfaraje de Ispaã.

Taglibitas A grande Guerra de Albaçus, travada entre os taglibitas e os becritas, durou aproximadamente quarenta anos, até que o rei lácmida de Hira, , os instou a fazerem as pazes entre si, com a condição de que alguns de seus filhos fossem levados como reféns pelo rei. Certa vez, o rei de Hira perguntou aos seus companheiros de bebida: “Vocês conhecem alguém entre os árabes cuja mãe se recuse a servir à minha mãe?” Eles responderam: “Sim, Anre ibne Cultume.” O rei perguntou: “Por que isso?” Seus companheiros responderam: “Porque o pai dela é Almualhil ibne Rebia, seu tio é Culaibe, seu marido é Cultume ibne Maleque ibne Atabe, um cavaleiro notável entre os árabes, e seu filho é Anre ibne Cultume, chefe de seu clã.”

Depois disso, o rei mandou chamar Anre ibne Cultume, pedindo-lhe que o visitasse acompanhado de sua mãe, Laila. Cultume aceitou o convite do rei e foi visitá-lo com seus companheiros e sua mãe. Após chegarem, enquanto Laila estava sentada, a mãe do rei (tia de Inru Alcaice), Almondir, pediu-lhe que passasse o prato, ao que Laila respondeu: “Que aquele que precisa vá até onde precisa”, e quando Almondir insistiu, Laila gritou: “Que humilhação!”

Seu filho a ouviu e ficou tão profundamente comovido com o insulto que pegou sua espada e decapitou o rei de Hira, matou seus guardas e depois partiu. Essa façanha pode ser uma lenda da era omíada.

Ode

O período anterior ao surgimento do Islão conheceu intensa atividade poética na Península Arábica. Essa produção, que somente foi recolhida por escrito no segundo século da Hégira, ficou conhecida como poesia do período da Jailia, isto é, do período da “ignorância”, expressão cujo sentido está provavelmente relacionado, por um lado, com o desconhecimento do Islão propriamente dito e, por outro, com alguns hábitos beduínos específicos que essa religião condenava.

Entre os poemas mais bem-sucedidos desse período destacaram-se os conhecidos como mu‘allaqāt, vocábulo de sentido controverso que, literalmente e isolado, significa “penduradas” (ou suspensas). Em períodos mais tardios, certos historiadores atribuíram essa denominação ao facto de tais poesias terem sido premiadas, registadas por escrito e penduradas na Caaba, templo religioso de Meca. Mais recentemente, tem-se defendido a hipótese de que a palavra mu‘allaqa, na verdade, significa “comentada”. Com efeito, o verbo do qual deriva, ʿallaqa (“pendurar”), quando seguido da preposição ʿalā (“sobre”), assume o significado de “comentar”. Assim, seriam “comentadas” tais poesias pela sua qualidade, que as tornava objeto de memorização e comentários de poetas, rapsodos e ouvintes em geral. O seu número varia, conforme os historiadores, entre sete e dez. Na sua ode, os primeiros oito versos são um canto ao vinho, que talvez tenham sido acrescentados posteriormente, mas que se ajustam muito bem ao poema. A secção temática seguinte narra a partida da sua amada na sua liteira (uma cadeira colocada no dorso de um camelo que ocultava as mulheres veladas de estranhos, do pó e do sol), e a alegria do combate de espada. Finalmente, trata de vários tipos de sofrimento — as camelas pelos seus crias, as mães pelos filhos, a partida dos amantes e o sofrimento trazido pelo destino. Neste ponto da ode, aborda a filosofia da incerteza da vida e do destino. Em seguida, dirige-se ao avô da vítima — ʿAmr ibn Hind — e discute os ideais árabes, defendendo novamente a sua mãe. Louva também os seus antepassados.Pierre Larcher (trad.). Les Mu'allaqât, les sept poèmes préislamiques, prefácio de André Miquel, Saint-Clément-de-Rivière: Fata Morgana, col. Les immémoriaux, 2000, p. 87, v. 1–8. A seguinte secção apresenta o início da sua ode:

Obras Apenas quatro poemas seus sobreviveram: Ala Hobey Besahnek Fasbahina (O Muallaqah) Aagma` Sohbaty Ala Min Mobalgha En Nasrkom Ghada

Ligações externas Texto e áudio do poema (em árabe Outra recitação do poema

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