thumb|278px|Interior da caverna
A caverna de Escoteino () ou caverna de Skotino, também conhecida como caverna de Agia Paraskevi (ou Agía Parasceví), é uma das maiores e mais impressionantes entre as centenas de cavernas de Creta. Foi usada como santuário pagão desde o até ao período romano, quando foi transformada num santuário cristão, uma tradição que de certa forma ainda se mantém, pois por cima dela há uma capela dedicada a Santa Parasceva, onde todos os anos se realiza uma romaria em 26 de julho. Na opinião do arqueólogo Paul Faure, a caverna poderia ter sido o célebre labirinto de Creta.
Localização e descrição A caverna situa-se no alto de uma colina, a 225 metros de altitude, a noroeste da vila de Escoteino, na de Goúves e na unidade regional de Heraclião. Em linha reta encontra-se a de Escoteino, a oeste da aldeia de Goúves e a sul da costa do mar de Creta (Cató Goúves); as distâncias por estrada são, respetivamente, , e 9 km.
A caverna tem cerca de de área, 160 m de profundidade, 36 m de largura e percorrê-la na totalidade implica um percurso de 450 metros. Tem várias formações complexas de estagmites e estalactites, algumas lembrando figuras humanas e de animais. Após a entrada, há uma câmara principal, chamada Mega Nao, com 130 m de comprimento por 33 de largura e 30 de altura. Mais abaixo e à direita há uma profusão de estalactites, algumas que chegam até ao chão. Continuando a descer, encontra-se uma câmara mais pequena, conhecida como "Altar", com 24 m de comprimento por 8,5 de largura e 25 de altura, onde eram realizados sacrifícios. No chão há drenos que provavelmente eram usados para libações e oferendas às divindades do submundo (sangue, azeite, vinho, etc.).
À esquerda da primeira câmara, há uma outra, chamada "Adyton", com 15 por 8 m e de altura, que conduz a outra entrada. A câmara considerada mais espetacular, conhecida como a "Sala de Adoração", entre o "Altar" e o "Adyton", situa-se 50 metros abaixo do nível da entrada; é abobadada e mede 12 por por 10 a 15 m de altura. No inverno esta câmara ficam alagada até um terço da sua altura. O acesso é feito por um corredor com 12 m de comprimento e 2 m de largura. Mais acima, o chamado "Quarto de Orações" tem apenas 7,5 por 5 metros; tem inúmeras estalactites e estalagmites, que formam colunas. Há ainda um outro pequeno espaço, conhecido localmente como "a capelinha", com de comprimento e 1,5 a 5 metros de largura.
A capela dedicada a Santa Parasceva situa-se na parte norte da ravina onde se encontra a entrada principal. Foi construída durante o período veneziano.
Escavações As escavações na caverna foram realizadas em 1933 por Arthur Evans e John Pendlebury, em 1953 por Paul Faure e em 1962 por Costis Davaras. Os achados indicam que o sítio foi utilizado como um santuário do período minoano médio até o período romano, quando foi transformado em um santuário cristão. A caverna era um santuário importante dedicado a uma divindade feminina da fertilidade, presumivelmente Britomártis. Durante as épocas clássicas grega e romana, a deusa da fertilidade Ártemis ou seu equivalente Diana substituiu a divindade minoica.
Entre os achados arqueológicos há um número considerável de oferendas votivas na forma de objetos de bronze e de cerâmica, uma tradição que, quatro mil anos depois do seu início, tem continuidade nos inúmeros ex-votos deixados na capela por peregrinos.
Bibliografia complementar
Escoteino Categoria:Heraclião (unidade regional) Categoria:Sítios arqueológicos minoicos de Creta Categoria:Antigos santuários de Creta