As relações entre Brasil e Venezuela são as relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a República Bolivariana da Venezuela. O Brasil mantém uma embaixada em Caracas. A Venezuela mantém uma embaixada em Brasília. Ambos são vizinhos no continente sul-americano, com uma extensão de 2.199 quilômetros na fronteira entre os dois países.

Entre os anos de 2002 a 2010, o comércio entre os dois países da América do Sul cresceu mais de 227%, elevando de 1,43 bilhão de dólares estadunidenses, em 2002, para 4,68 bilhões de dólares estadunidenses em 2010.Brasil e Venezuela vão ampliar as relações comerciais, econômicas e industriais, diz Chávez agenciabrasil.ebc.com.br

Histórico thumb|Marco fronteiriço na Fronteira Brasil-Venezuela, entre as cidades de Pacaraima, no Brasil, e Santa Elena de Uairén, na Venezuela. thumb|A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, em 1 de janeiro de 2011.

Ambos os países tiveram um relacionamento agradável, especialmente entre os anos 2002 e 2016, quando Brasil e Venezuela eram governados por presidentes com ideologias semelhantes. Hugo Chávez e Lula, eram amigos próximos, trocavam visitas com frequência. No final do governo de Hugo Chávez, a Venezuela ingressou no Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), com um forte apoio do Brasil. Após os oito anos do governo Lula, Dilma Rousseff deu continuidade a um bom relacionamento com a vizinha. Após a eleição de 2013 na Venezuela, Nicolás Maduro, novo presidente procurou reforçar os laços ideológicos e econômicos com o Brasil.

Em 2016, o impeachment de Dilma Rousseff levou Maduro a classificar tal atitude um golpe de Estado, e se recusou a reconhecer o novo governo, então presidido por Michel Temer. Esse foi o estopim para o desencadeamento de uma crise entre os dois países. Após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018 e o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos, causou ao Brasil e a Venezuela um distanciamento político e econômico.

Nicolás Maduro fez críticas a Bolsonaro e ameaças militares. Embora os dois países tenham diminuído os laços diplomáticos, ainda há movimentação comercial, mesmo muitas empresas brasileiras terem anunciado o fim de investimentos na Venezuela. Muitos venezuelanos pediram refúgio no Brasil, os quais foram recebidos pelo governo brasileiro e redirecionados por todo o país em busca de emprego.

Nos primeiros meses do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma reaproximação entre os países. Em 29 de maio de 2023, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi recebido com honras de chefe de Estado em Brasília, onde Lula defendeu seu homólogo, afirmando que Maduro precisava construir sua própria "narrativa" sobre o contexto político na Venezuela. No mês seguinte, o governo brasileiro defendeu publicamente a reintegração da Venezuela ao Mercosul, sinalizando uma nova fase de alinhamento regional entre os países vizinhos. Em outubro de 2023, Lula enviou seu assessor especial Celso Amorim a Barbados para tentar mediar o acordo eleitoral na Venezuela (Acordo de Barbados), numa tentativa de estimular a normalização democrática no país No mesmo ano, o recém-promovido General Manuel Antonio Barroso Alberto foi enviado ao Brasil como adido militar. Um oficial incondicional de Diosdado Cabello, Barros Alberto presidiu a Comissão de Administração de Câmbio (Cadivi) por sete anos, durante o seu período de maior corrupção.

No entanto, os desdobramentos das eleições venezuelanas em 2024 provocaram tensões. Em março, o Itamaraty manifestou preocupação com o processo eleitoral, após o impedimento da opositora María Corina Machado e de sua substituta de registrarem candidaturas. No final de julho, Maduro foi declarado vencedor nas eleições pela Suprema Corte venezuelana, mas Lula cobrou transparência, pedindo a divulgação das atas eleitorais . Após a negativa venezuelana e a exclusão da Venezuela do bloco BRICS em outubro, devido à articulação do Brasil, Maduro criticou Lula, acusando-o de reproduzir o "ódio de Jair Bolsonaro". No fim de outubro, a crise diplomática culminou com o retorno do embaixador venezuelano de Brasília e uma mensagem intimidatória de autoridades de segurança venezuelanas nas redes sociais, com o alerta: "Quem mexe com a Venezuela se dá mal". Essas declarações pelo governo de Nicolás Maduro fazem que as relações entre os dois países esfriarem.

Fronteira

Representações diplomáticas No Brasil

Migração e diáspora No Brasil

Operação Acolhida

Migração warao

Ver também Revolução Bolivariana Imigração venezuelana no Brasil Crise da Guiana de 2018

Bibliografia

Ligações externas As relações entre Brasil e Venezuela, segundo o Itamaraty