O efeito Ettingshausen é um fenômeno termoelétrico que ocorre em condutores elétricos planos submetidos a um campo magnético aplicado de forma ortogonal à direção de uma corrente elétrica. Quando essa corrente atravessa o condutor, observa-se o surgimento de um gradiente de temperatura na direção perpendicular ao fluxo de elétrons.
Esse efeito pertence à família dos fenômenos termoelétricos e magnetotérmicos, caracterizados pela interação entre calor, eletricidade e magnetismo. Em particular, ele descreve a influência de um campo magnético sobre o transporte de calor em um condutor percorrido por corrente elétrica.
O fenômeno foi descoberto em 1886 pelo físico austríaco Albert von Ettingshausen, em colaboração com Walther Nernst, que também estudou o efeito recíproco, hoje conhecido como efeito Nernst.
Descrição teórica
O efeito Ettingshausen pode ser quantificado pelo chamado coeficiente de Ettingshausen (|P|), definido pela relação:
onde: representa o gradiente de temperatura induzido; é a componente da corrente elétrica na direção y; é a componente do campo magnético aplicado na direção z.
Assim, a aplicação simultânea de corrente e campo magnético resulta em um desvio do fluxo de calor, originando uma diferença de temperatura perpendicular a ambos.
O efeito Nernst, por sua vez, é considerado o processo inverso: uma diferença de temperatura em presença de um campo magnético pode induzir uma força eletromotriz transversal.
Importância e aplicações
Embora seja um fenômeno de difícil observação prática em comparação com outros efeitos termoelétricos, o efeito Ettingshausen tem importância teórica na compreensão dos transportes de energia em sólidos. Ele também é estudado em materiais semicondutores e sistemas de baixa dimensionalidade, onde pode ser amplificado, tendo aplicações potenciais em sensores magnetotérmicos e na caracterização de materiais.
Ver também Efeito Hall
Ligações externas
Ettinghausen