Iázide ibne Moáuia ibne Abi Sufiane (Yazīd ibn Mu‘āwiya ibn Abī Sufyān - lit. "Iázide, filho de Moáuia, filho de Abu Sufiane"; 645 — 683), conhecido pelo título de califa Iázide I (Yazid I), foi o segundo califa omíada de Damasco e o primeiro a herdar o título por direito de primogenitura. Reinou de 680 até à sua morte, em 683. Ao contrários dos seus antecessores no Califado, não foi eleito ou escolhido por um conselho, pois auto nomeou-se depois da morte do seu pai, Abu Sufiane.
Ascensão a califa Iázide herdou sucessoriamente o califado do seu pai Moáuia I após a morte deste. Quando tomou o poder, Iázide pediu aos governadores de todas as províncias do Califado que lhe jurassem lealdade solenemente, o que foi aceite pela generalidade, mas foi recusado por Abedalá ibne Azobair e pelo filho de Ali, Huceine ibne Ali. O pai de Iázide tinha chegado a acordar com Huceine que ele seria o seu sucessor como califa, o que tinha posto termo à guerra que ocorreu aquando da ascensão de Moáuia ao poder. No entanto, posteriormente, Huceine quebrou o acordo nomeando o seu filho como sucessor.
Huceine, juntamente com muitos dignitários muçulmanos proeminentes, não só desaprovava a nomeação de Iázide como califa, como a declarou como sendo contra o espírito do Islão. Quando a questão da nomeação foi deliberada em Medina, Abedalá ibne Azobair foi com Huceine para Meca, pois alguns muçulmanos notáveis era da opinião que Meca seria o melhor lugar para criar um reduto ou base para lançar uma campanha para virar a opinião pública contra a herança de Iázide. No entanto, antes dessa campanha tivesse sido realmente posta em marcha, Moáuia morreu e Iázide tomou as rédeas do poder.
Conflito com Huceine e Zobair
A cidade fortemente militarizada de Cufa, no que é hoje o Iraque, tinha sido a capital do califa Ali e lá viviam muitos dos seus apoiantes (opositores de Moáuia). Huceine recebeu muitas cartas de gente de Cufa oferecendo o seu apoio no caso dele clamar o califado. Enquanto Huceine preparava a sua jornada para Cufa, Abedalá ibne Abas e Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe manifestaram-se contra o seu plano e rogaram-lhe que ao menos deixasse as mulheres e filhos em Meca se estivesse determinado a ir para Cufa, mas Huceine ignorou as sugestões. No caminho, recebeu a notícia da morte do seu primo Muslim ibne Aquil às mãos dos homens de Iázide e da apatia e indiferença mostrada pelas gentes de Cufa. Os cufanos tinham passado a apoiar Iázide, tendo pedido ajuda a este contra Huceine e o seus seguidores. Tentavam assim restaurar o poder de Cufa frente a Damasco, a capital omíada, escolhendo a via diplomática às custas da rejeição Huceine.
Apesar disso, Huceine e os seus seguidores, onde os quais se encontravam familiares de Muslim ibne Aquil, continuaram decididos a prosseguir para Cufa. Enquanto isso, , governador de Baçorá, executou um dos mensageiros de Huceine, após o que se dirigiu ao povo advertindo-o a evitarem insurgir-se. Obaide enviou uma mensagem a Huceine de acordo com as instruções de Iázide: «Não podes ir para Cufa nem regressar a Meca, mas podes ir para qualquer outro sítio que queiras.» Apesar disso, Huceine dirigiu-se para Cufa e durante o caminho foi morto na Batalha de Carbala, travada a 10 de outubro de 680, onde também morreram ou foram feitos prisioneiros muitos membros da sua família.
No entanto, as complicações de Iázide para assegurar o poder não acabaram com o desparecimento de Huceine. Muitos dos companheiros de Maomé e outros muçulmanos recusaram jurar fidelidade a Iázide porque o viam como um usurpador que tinha chegado ao poder sem seguir os meios próprios de escolha do califa pela (conselho islâmico mencionado no Alcorão). Entre os opositores mais proeminentes destacava-se Abedalá ibne Azobair, que liderou uma rebelião no Hejaz, na Arábia ocidental. Em 683, Iázide enviou tropas para esmagar essa rebelião, que tomaram Medina após a Batalha de Harra. Durante o cerco a Meca que se seguiu, a Caaba foi danificada. O cerco a Meca terminou quando Iázide morreu subitamente em 683.
Situação externa
Durante o reinado de Iázide, os muçulmanos sofreram vários revezes. Em 682, Uqueba ibne Nafi foi reposto como governador do Norte de África (Ifríquia). Uqueba ganhou várias batalhas contra os berberes e os bizantinos. Uqueba marchou depois milhares de quilómetros para ocidente, chegando a Tânger e à costa atlântica, e seguidamente marchou para leste através das montanhas do Atlas. Com uma cavalaria com cerca de 300 cavaleiros, dirigiu-se para Biskra, onde caíram numa emboscada de tropas berberes comandadas por Kaisala. Uqueba e todos os seus homens morreram no combate. Os berberes chegaram mesmo a expulsar os muçulmanos de todo o Norte de África durante algum tempo, o que constituiu um sério revés, que contribuiu para o fim da supremacia naval e para o abandono das ilhas de Rodes e Creta.
Situação interna O evento pelo qual Iázide é mais célebre (tristemente, principalmente para os xiitas) na história islâmica é a Batalha de Carbala, na qual morreram o neto de Maomé, Huceine, e outros 32 membros da família do Profeta. No entanto registaram-se pelo menos mais dois acontecimentos frequentemente descritos como tragédias, que contribuíram decisivamente para a imagem negativa que perdurou ao longo da história do reinado de Iázide. O primeiro desses acontecimentos foi a Batalha de Harra e o saque de Medina que se lhe seguiu. Segundo o académico muçulmano do , os residentes de Medina rebelaram-se contra a crueldade e conduta pecaminosa de Iázide, removendo o governador e escolhendo Abedalá ibne Hanzala como seu governante. Iázide enviou então um exército de 12 mil soldados comandados por Oqba al-Murri para esmagar a revolta, com ordens claras para se renderem e obedecerem em três dias; caso resistissem, a cidade devia ser tomada e os soldados ficavam autorizados a saquear a cidade durante três dias da forma que mais lhes aprouvesse. As tropas fizeram isso mesmo e, após conquistarem a cidade, pilharam a cidade durante três dias, durante os quais mataram 10 mil residentes, incluindo 700 da aristocracia e as mulheres foram violadas indiscriminadamente.
A terceira "tragédia" cometida por Iázide foi o envio de um exército a Meca para esmagar a rebelião de Abedalá ibne Azobair, que atacou a Caaba sagrada e causou estragos na "Casa de Deus", nomeadamente incendiando a tela que a cobria, o que alegadamente teria provocado a ira de Alá, que esteve na origem na morte súbita de Iázide poucos dias depois com a idade de 38 anos.
Morte e sucessão Iázide morreu em 683 e foi sepultado em Damasco. Muitos acreditam que o seu túmulo já não existe, enquanto que outros acreditam que o seu túmulo se encontra numa ruela perto da Mesquita dos Omíadas, sem qualquer inscrição ou marca distintiva. O lugar de califa foi ocupado pelo seu filho .
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