thumb|Vista aérea da Central Termoeléctrica do Carregado na margem do rio Tejo A Central Termoeléctrica do Carregado (CCG) foi uma central térmica começou a ser construída em 1965,1. Empresa Termoeléctrica Portuguesa_ Relatório exercício 1965 (págs. 12 e 13)_ edp fundação _centro de documentação_ consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt instalada na margem do Rio Tejo, no Carregado, Município de Alenquer, 1. Empresa Termoelétrica Portuguesa_ Relatório exercício 1964 (pág. 8)_ edp fundação _centro de documentação_ consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt e que esteve em serviço desde 1968 até 2010. Composta, na sua fase final, por seis Grupos Geradores eléctricos, cada um com 125 MW de potência instalada (tendo uma potência total de 750MW), a Central distinguia-se por possuir 3 chaminés de 100 m de altura (uma chaminé para cada par de grupos), e foi a primeira grande Central Termoeléctrica moderna a ser construída no País, com um elevado grau de automatismo, regulação, e controlo remoto, a partir de uma sala de comando comum para cada dois grupos geradores.
A central foi construída em três fases:Brochura "Central Térmica do Carregado - 6 x 125 MW", 1984_Gabinete de Comunicação da Electricidade de Portugal EDP.E.P.
Fase 1, Grupos I/II, com entrada em serviço em 1968 ; Fase 2, Grupos III/IV, com entrada em serviço em 1974; e Fase 3, Grupos V/VI, com entrada em serviço em 1976.
Os Grupos V/VI consumiam "fuel-óleo" e "gás natural", e os restantes só "fuel-óleo". A central possuía um parque de armazenagem de fuel-óleo, com 8 reservatórios que no total podiam armazenar até um máximo de 220.000 m3 de combustível.
Depois da entrada em serviço dos grupos 1 e 2, no final da década de 60, a Central começou a funcionar em regime de ponta, mas com o consumo anual de electricidade a crescer, em média, na ordem dos 10%/ano1. Walter Rosa "Central Termoléctrica do Carregado- Aspectos gerais do empreendimento"_ Revista ELECTRICIDADE nº 54 (págs. 276 a 279)_ Financiamento da central-pág.279_edp fundação_centro de documentação_ consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt, rapidamente passou a regime de funcionamento regular, em complemento à produção de hidroelectricidade (de notar que em 1976, dos 9.084 GWh produzidos pela EDP - Electricidade de Portugal - E.P. , a Central Térmica do Carregado contribuiu com a 50% da produção total da rede primária1. EDP.EP. _Relatório exercício 1976 (pág. 13)_edp fundação _centro de documentação_ consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt).
A energia eléctrica produzida pelos 6 grupos da central (4.500 GWh/ano, para uma utilização de 6.000 h/ano, à plena carga) era entregue à Rede Eléctrica Nacional, através da Subestação do Carregado. Esta importante subestação foi construída na mesma altura e ao lado da Central Térmica, e comportava um barramento múltiplo, interseccionado; 6 painéis de grupo; 7 painéis de linha, a 220 kV; 3 painéis de transformadores de saída 220kV/60kV ; e uma sala de comando localizada em edifício próprio.
A CCG, inicialmente propriedade da Empresa Termoelétrica Portuguesa - ETP, a partir de 1969 passou a ser detida pela Companhia Portuguesa de Electricidade - CPE S.A.R.L.Cª Portuguesa de Electricidade_ Relatório exercício 1969_ edp fundação_centro de documentação_ consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt e, a partir de 1975, pela Electricidade de Portugal- EDP. E.P. Criação da Electricidade de Portugal-Empresa Pública_DL nº 502/76 de 30 de Junho , empresa na qual se manteve a funcionar, como Central Termoeléctrica de referência, durante décadas.
Nos últimos anos do seu período de vida útil, a central passou a ser usada, na maior parte das vezes, em regime de ponta e, no final de 2010, veio a ser desactivada.EDP desactiva central termoeléctrica do Carregado_ jornal de negócios 22 de Fevereiro de 2010 _Miguel Prado_ https://www.jornaldenegocios.pt
Em Fevereiro de 2011, pela mais valia e valor acrescentado que representou para a zona do Carregado/Alenquer, foi galardoada com a Medalha de Mérito Municipal, grau prata, atribuída pelo Município de Alenquer.1. Central Térmica do Carregado galardoada com Medalha de Mérito Municipal da CM de Alenquer _ revista informarep nº51 (pág. 6)_ https://arep.pt › informarep
Contexto Histórico - Antecedentes Até à publicação da Lei da Electrificação Nacional em dezembro de 1944 (lei nº 2002)1. Lei nº 2002 da Electrificação do País_26 de Dezembro de 1944., o país dispunha de uma extrema fragmentação de potência elétrica instalada (653 centrais existentes, num total de 73 MW de potência Hídrica e 142 MW de potência Térmica (carvão importado e gasóleo).O "Estado na electrificação portuguesa" - João José Monteiro Figueira_Dissertação de Doutoramento_FEUC (pág.22) https://eg.uc.pt › bitstream › o estado na electrificação portuguesa
Com a publicação da Lei 2002, o Estado definiu as grandes linhas da Electrificação Nacional e estabeleceu que a produção eléctrica passaria a ser prioritariamente de origem hidráulica, com as centrais térmicas a exercerem apenas funções de reserva e de apoio 1. História da Electricidade_Mário Mariano_ AP Edições, Lisboa 1993. Páginas: a) págs. 124 e 125; b) pág´s. 124 e 129; c) pág. 127; d) págs. 129 e 132; e) pág. 130; https://www.colecoesfundacaoedp.edp.pt › catalog› HISTÓRIA o HISTORY 369 o que levou, a partir de 1945, que grandes Empresas de Produção e Transporte de electricidade se viessem a constituir:
Hidro-Eléctrica do Cávado - HICA e a Hidro-Eléctrica do Zêzere - HEZ (1945);
Companhia Nacional de Electricidade - CNE (1947) (estabelecimento e exploração das linhas de transporte e subestações de interligação, a 150 kV, dos sistemas do Zêzere e do Cávado).
Hidro-Eléctrica do Douro - HED (1953)
Empresa Termoeléctrica Portuguesa - ETP (1954)
Em 1951, foi ainda criado o Repartidor Nacional de Cargas (Decreto nº 38 186 de 28 /2/51) importante órgão de coordenação da exploração da então nascente Rede Primária. Estava-se assim perante o embrião da constituição do Sistema Eléctrico Nacional.
Com a energia hidroeléctrica produzida na rede primária a crescer, na década de 50, a um ritmo muito acentuado, a evoluir dos 277 GWh/ano em 1951 para 1005 GWh/ano em 1955 , o Governo encarregou, em 1954, a Empresa Termoeléctrica Portuguesa de construir, na margem direita do rio Douro, próximo das minas de S. Pedro da Cova e do Pejão, a Central Térmica a carvão da Tapada do Outeiro (CTO), com funções de reserva e apoio da rede eléctrica nacional (Dec Lei n º 39 632 ), comportando 3 grupos, de 50 MW cada , com entradas em serviço em 1960 (G1),1964 (G2) e 1967(G3).Centros Produtores de energia eléctrica_EDP- edição 1984 do Órgão Central Informação e Relações Públicas (pág. 34).
Construção da Central Térmica do Carregado - Tomada de Decisão
Segundo Walter Rosa " Contornos que estiveram na origem da decisão da construção da CCG" :
" Embora Portugal na década de 60 estivesse a ser um país essencialmente hidroeléctrico, o aproveitamento dos seus recursos hídricos por essa altura já tinha atingido cerca de 50% e como os consumos de energia eléctrica estavam a duplicar em cada 7 anos (entre 1956 e 1965 a taxa média de crescimento do consumo foi de cerca de 11%/ano), a manter-se a mesma lei de crescimento, os recursos hídricos nacionais estariam esgotados dentro de mais sete anos se apenas se construíssem centrais hidroeléctricas. Na verdade, só a concentração em potências unitárias muito elevadas, que apenas centrais térmicas o permitem, conferirá ao sistema produtor a possibilidade de acompanhar consideráveis aumentos anuais de consumo de energia "
Perante esta realidade, o governo decidiu, em 1964, encarregar a Empresa Termoeléctrica Portuguesade construir a Central Térmica do Carregado, comportando quatro grupos geradores, de 125 MW cada, com o 1º grupo a ser instalado até Setembro de 1967.
Opção fuel-óleo Nas décadas 50/60, assistia-se a um problema de escassez e encarecimento progressivo do custo do carvão para fins de produção térmica devido a um maior encarecimento da exploração mineira e a um menor rendimento na extracção do carvão.1. "A energia e as suas perspectivas actuais"_ Prof. José Nascimento Ferreira Dias Júnior Revista ELECTRICIDADE nº 1 (pág. 9, ponto 7)_ edpfundação_centro de documentação_ consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt
O carvão tornava-se assim menos competitivo para fins de produção de energia eléctrica, comparativamente ao fuel-óleo e ao gás natural.
A este propósito, Mariz Simões, na apresentação que fez, em 1964, no colóquio do Grémio de Electricidade, concluía: "...com base nos custos dos combustíveis fósseis e dos custos de exploração de centrais térmicas a carvão e a fuel -óleo, e admitindo a instalação de centrais térmicas com 4 grupos de 125 MW ou 250 MW, consumindo Fuel-óleo, GN, ou Carvão, a evolução dos preços CIF Lisboa, dos três combustíveis indicados, leva-nos a concluir que o carvão deva ser excluído das novas centrais..."Ilídio Mariz simões "Centrais Térmicas Convencionais" _Revista ELECTRICIDADE nº 32 (pág. 463 a 478)_Conclusões (pag.478 d)_edpfundação_centro de documentação_consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt
Por sua vez, Machado D´Assunção, no Relatório "Mercado de Combustíveis Convencionais Analise Conjuntural e Prospectiva" (1964), concluía que "existindo no país, em 1963, por via do aumento da capacidade de produção da Refinaria de Cabo Ruivo da SACOR, uma capacidade de refinação excedentária apta a responder a um aumento das necessidades de consumo de fuel-óleo para produção de energia eléctrica, a utilização de "fuel - óleo" e "gás natural", por analogia com o que se passava nos outos países europeus, para a produção de energia termoelétrica, poderia vir a representar um papel importantíssimo na política energética portuguesa" 1. Machado D´Assunção "Combustíveis Convencionais"_ Revista ELECTRICIDADE nº 32 (pág. 409 a 420)_Conclusões (págs. 416 , 417 e 420 )_edpfundação_centro de documentação_consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt
Tendo presente o sentido destas conclusões, o Governo decidiu que a nova Central Térmica a construir, viesse a ser projectada prevendo-se a possibilidade de a mesma poder usar como fontes primárias de energia o fuel-óleo e/ou o gás natural.1. Abílio Fernandes "Central Termoeléctrica do Carregado - Alguns aspectos de concepção e de realização do equipamento e das instalações do 1º escalão"_ Revista ELECTRICIDADE nº 60 (pág. 269- óleo combustível)_ edp fundação_centro de documentação_consulta on line. www.colecoesfundacaoedp.edp.pt
Escolha do Sítio miniaturadaimagem|Cais de descarga de fuel-óleo no Tejo
No seguimento dos estudos iniciados no decorrer de 1963, relativos à nova Central Térmoeléctrica a instalar no sul, o Governo, por portaria de 28.12.1964 do Secretário de Estado da Indústria, aprovou a localização da nova Central na povoação de Meirinha, junto ao Carregado, na margem do Rio Tejo.
Os seguintes factores contribuíram para a escolha do sítio:
" 1- Proximidade do centro de consumo de Lisboa: uma vez que as centrais hidroeléctricas se concentravam principalmente no Cavado, no Douro e no Zêzere, havia todo o interesse em ter uma grande central perto de um grande centro de consumo, como era Lisboa (em 1972 a ponta de consumo de Lisboa deveria atingir cerca de 500 MW, e a nova central térmica iria estar equipada precisamente com 500 MW).
2- Água de refrigeração: consumindo os condensadores dos grupos, um caudal de água de refrigeração bastante considerável, cerca de 25 m3/s (4 grupos), a localização da Central junto a uma grande fonte de fornecimento de água, ponderou fortemente a favor do sítio escolhido junto do rio Tejo.