O Admiral Hipper foi um cruzador pesado operado pela Kriegsmarine e a primeira embarcação da Classe Admiral Hipper, seguido pelo , , e . Sua construção começou em julho de 1935 na Blohm & Voss em Hamburgo e foi lançado ao mar em fevereiro de 1937, sendo comissionado na frota alemã em abril de 1939. Era armado com uma bateria principal de oito canhões de 203 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de dezoito mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 32 nós.

O Admiral Hipper participou de várias ações na Segunda Guerra Mundial, especialmente na Batalha do Atlântico. Participou da invasão da Noruega em abril de 1940 e depois fez duas surtidas para o Oceano Atlântico, em dezembro de 1940 e depois em fevereiro de 1941. A primeira não foi bem-sucedida, mas na segunda afundou vários navios mercantes. O cruzador foi então transferido para a Noruega para operações contra Comboios do Ártico. Isto culminou na Batalha do Mar de Barents no final de dezembro de 1942, quando afundou dois navios mas precisou recuar danificado.

A Batalha do Mar de Barents foi considerada um enorme fracasso e consequentemente o Admiral Hipper voltou para Alemanha em fevereiro de 1943, sendo descomissionado por ordens do ditador Adolf Hitler para passar por reparos. O navio nunca voltou a ficar operacional e acabou seriamente danificado em Kiel em maio de 1945 por ataques aéreos britânicos. Foi deliberadamente afundado em seu atracadouro enquanto forças soviéticas avançavam sobre território alemão, mas acabou reflutuado em julho. Seus destroços foram desmontados entre 1948 e 1952.

Características

thumb|esquerda|255px|Desenho do Admiral Hipper Os cruzadores pesados da Classe Hipper Admiral foram encomendados no contexto do rearmamento alemão após a ascensão do Partido Nazista ao poder em 1933, que repudiou as cláusulas de desarmamento do Tratado de Versalhes. A Alemanha assinou o Acordo Naval Anglo-Germânico com o Reino Unido em 1935, que proporcionou a base legal para o rearmamento. O tratado especificava que a Alemanha poderia construir cinco "cruzadores de tratado" de até dez mil toneladas. A Classe Admiral Hipper estava nominalmente dentro desse limite, porém era muito maior.

O Admiral Hipper foi originalmente construído com um comprimento de fora a fora de 202,8 metros, uma boca de 21,3 metros e um calado máximo de 7,2 metros. Sua proa reta foi substituída alguns meses após seu comissionamento por uma proa no estilo clipper, aumentando o comprimento para 205,9 metros. Seu deslocamento projetado era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a 18,5 mil toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em três turbinas a vapor Blohm & Voss que eram alimentadas por doze caldeiras de alta pressão Wagner e que queimavam óleo combustível. Seus motores tinham uma potência indicada de 133,3 mil cavalos-vapor (98 mil quilowatts), suficiente para alcançar uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 42 oficiais e marinheiros.

O armamento principal consistia em oito canhões calibre 60 de 203 milímetros em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa, com uma sobreposta a outra. Sua bateria antiaérea tinha doze canhões calibre 65 de 105 milímetros, doze canhões calibre 83 de 37 milímetros e oito canhões calibre 65 de 20 milímetros. Também era equipado com doze tubos de torpedo de 533 milímetros em quatro lançadores triplos, dois à meia-nau em cada lado da superestrutura. O Admiral Hipper era equipado com três hidroaviões Arado Ar 196, um hangar e uma catapulta. O cinturão de blindagem tinha setenta a oitenta milímetros de espessura; o convés superior ficava de doze a trinta milímetros, enquanto o convés blindado principal tinha entre vinte e cinquenta milímetros. As torres de artilharia tinham placas frontais de 105 milímetros e laterais de setenta milímetros.

O projeto inicial incluía um hangar com espaço para um hidroavião, mas as especificações foram alteradas durante a construção e o hangar foi ampliado para acomodar dois hidroaviões lado a lado. Isto forçou a transferência de dois canhões de 105 milímetros do convés da superestrutura para o convés superior, o que limitou seus arcos de disparo. O Admiral Hipper foi equipado com três hidroaviões Arado Ar 196 e uma catapulta. O hangar foi reduzido em 1941 e assim apenas dois Ar 196 eram levados.

Carreira thumb|240px|O Admiral Hipper durante seu processo de equipagem em 1937 O Admiral Hipper foi construído pelo estaleiro da Blohm & Voss em Hamburgo. Seu batimento de quilha ocorreu em 6 de julho de 1935, recebendo o número de construção 501 e o nome de contrato "Cruzador H". Foi lançado ao mar em 6 de fevereiro de 1937. O grande almirante Erich Raeder, o comandante da Kriegsmarine, que tinha atuado durante a Primeira Guerra Mundial como o chefe do estado-maior do almirante Franz von Hipper, o homônimo do cruzador, fez o discurso de batismo, enquanto sua esposa Erika Raeder realizou o batismo. A embarcação foi finalizada em 29 de abril de 1939, quando foi comissionada na frota alemã.

O capitão de mar Hellmuth Heye recebeu o comando do Admiral Hipper. O navio seguiu para o Mar Báltico a fim de realizar manobras de treinamento. Também fez paradas em vários portos da região, incluindo na Estônia e Suécia. Em agosto realizou testes de seus armamentos. O navio ainda estava realizando testes de artilharia quando a Segunda Guerra Mundial começou em setembro. O Admiral Hipper fez patrulhas mas não encontrou em combate, retornando para seus exercícios de treinamento. Voltou para a Blohm & Voss em novembro a fim de passar por modificações, que incluíram a substituição de sua proa reta por uma proa clipper e adição de uma cobertura à sua chaminé.

Testes marítimos no Báltico foram retomados em janeiro de 1940, porém o gelo do inverno acabou retendo o navio no porto. A Kriegsmarine declarou em 17 de fevereiro que o Admiral Hipper estava totalmente operacional, com o navio iniciando logo no dia seguinte sua primeira grande patrulha da guerra. Ele recebeu a companhia dos couraçados e e dos contratorpedeiros Z20 Karl Galster e Z21 Wilhelm Heidkamp para uma surtida ao Mar do Norte próximo da área de Bergen, na Noruega. Um terceiro contratorpedeiro, o Z9 Wolfgang Zenker, foi forçado a voltar depois de ser danificado pelo gelo. As embarcações operaram sob o comando do almirante Wilhelm Marschall. A formação alemã tentou encontrar navios mercantes britânicos para serem atacados, porém fracassaram e retornaram para o porto em 20 de fevereiro.

Campanha da Noruega Invasão

thumb|esquerda|170px|Tropas embarcando no Admiral Hipper em Cuxhaven O Admiral Hipper foi logo designado para as forças encarregadas da invasão da Noruega, a chamada Operação Weserübung. O navio foi colocado como a capitânia do Grupo 2, que também tinha os contratorpedeiros Z5 Paul Jacobi, Z6 Theodor Riedel, Z8 Bruno Heinemann e Z16 Friedrich Eckoldt. Heye recebeu o comando do Grupo 2 durante a operação. As cinco embarcações transportaram aproximadamente 1,7 mil tropas montanhistas cujo objetivo era capturar o porto de Trondheim; as tropas embarcaram em Cuxhaven. Os navios navegaram para a rada de Schillig, próximo de Wilhelmshaven, onde juntaram-se ao Grupo 1, que consistia em dez contratorpedeiros, mais o Scharnhorst e Gneisenau, que foram encarregados de darem cobertura aos dois grupos. Os navios deixaram a rada à meia-noite do dia 6 para o 7 de abril.

Doze bombardeiros atacaram os navios ao oeste do Skagerrak entre 14h25min e 14h48min de 7 de abril, mas não causaram danos. As condições climáticas se deterioraram ao anoitecer e vários contratorpedeiros foram incapazes de manterem a velocidade elevada de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora) e assim ficaram para trás. O Bernd von Arnim sinalizou às 9h15min do dia 8 que estava enfrentando um contratorpedeiro britânico e o Admiral Hipper recebeu ordens às 9h22min para ir investigar. O estava sozinho e inicialmente confundiu o Admiral Hipper como uma embarcação amiga, o que permitiu que o navio alemão se aproximasse e abrisse fogo primeiro. O cruzador disparou contra o contratorpedeiro e o acertou várias vezes. O Glowworm tentou fugir, porém logo ficou claro que ele não conseguiria escapar em uma perseguição, assim virou de volta para o Admiral Hipper e lançou seus torpedos, porém todos erraram. A embarcação britânica conseguiu acertar um disparo a estibordo da proa do cruzador alemão antes de um problema em seu leme colocar os dois navios em uma rota de colisão.

thumb|240px|O Glowworm lançando uma cortina de fumaça em frente do Admiral Hipper O Glowworm arrancou uma seção de quarenta metros do cinturão blindado de estibordo do Admiral Hipper e um de seus lançadores de torpedo. Pequenas inundações causaram um adernamento de quatro graus para estibordo, porém o cruzador foi capaz de continuar sua missão. As caldeiras do Glowworm explodiram pouco depois e o contratorpedeiro afundou rapidamente. Quarenta sobreviventes foram resgatados. O Admiral Hipper encerrou a ação de resgate e retomou seu curso rumo a Trondheim. Foi acompanhado de quatro contratorpedeiros, enquanto o Grupo 1 foi para Narvik. O Scharnhorst e Gneisenau assumiram uma posição ao sul de Lofoten a fim de darem cobertura para ambos os desembarques. Entretanto, o Glowworm sobreviveu o bastante para enviar uma mensagem de emergência ao quartel-general da Marinha Real Britânica, o que permitiu que o cruzador de batalha entrasse em posição para enfrentar os dois couraçados alemães, porém estes usaram suas velocidades superiores para se afastarem.

O Grupo 2 foi avistado por um avião Short Sunderland às 14h50min, enquanto informações de inteligência indicaram que navios inimigos estavam próximos. O Admiral Hipper lançou um dos seus hidroaviões às 17h50min na direção de Trondheim para clarificar a situação. O Ar 196 não relatou atividade e então fez um pouso de emergência em Eide, pois o clima estava muito ruim para pousar no mar aberto ao lado do cruzador. Os tripulantes tentaram comprar combustível dos cidadãos locais, mas foram presos e entregues para a polícia. A Serviço Aeronaval Norueguês capturou a aeronave, que foi pintada nas cores norueguesas e usada até 18 de abril, quando foi evacuada para o Reino Unido.

O Admiral Hipper navegou em velocidade máxima pelo Fiorde de Trondheim e conseguiu se fazer passar por um navio britânico por tempo suficiente para passar pela artilharia costeira. As embarcações atravessaram a parte mais estreita do fiorde entre 4h04min e 4h14min de 9 de abril e pouco depois uma única bateria costeira abriu fogo, mas sem acertar alvo algum. O cruzador respondeu disparando duas salvas de seus canhões de ré. Os dois hidroaviões restantes foram lançados para procurar locais para bases aéreas. Uma das aeronaves atacou uma bateria costeira com bombas. O Admiral Hipper entrou no porto e atracou pouco depois das 5h30min para desembarcar suas tropas.

Um navio-tanque estava programado para reabastecer o Grupo 2 em Trondheim, porém não apareceu. Um hidroavião do Scharnhorst trouxe ordens em 10 de abril para que as embarcações tentassem voltar para a Alemanha junto com os dois couraçados na noite seguinte. O Admiral Hipper zarpou às 21h30min escoltado pelo Friedrich Eckoldt, com os dois inicialmente navegando para o noroeste. O contratorpedeiro voltou para Trondheim às 2h50min do dia 11 por falta de combustível e condições climáticas ruins. Esse mesmo clima permitiu que o cruzador seguisse um caminho mais curto e direto para casa. Encontrou com o Scharnhorst e Gneisenau às 8h00min de 12 de abril e chegaram em Wilhelmshaven às 22h00min, com o Admiral Hipper estando com apenas 125 toneladas de combustível restante. Foi para uma foca seca e os trabalhadores do estaleiro logo descobriram que o navio tinha sido danificado muito mais seriamente pela colisão com o Glowworm do que se achava antes. Mesmo assim, os reparos foram realizados em duas semanas.