A energia nuclear foi uma prioridade estratégica nacional no Japão, apesar de existir uma preocupação sobre a capacidade das usinas nucleares japonesas suportarem atividades sísmicas. A Usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa foi completamente desligada por 21 meses depois de um terremoto em 2007.
Após o sismo e tsunami de Tohoku de 2011 e a falha nos sistemas de refrigeração da usina nuclear de Fukushima I em 11 de março de 2011, foi declarada uma emergência nuclear. Esta foi a primeira vez que uma emergência nuclear foi declarada no Japão, sendo que 140 mil habitantes em um raio de 20 quilômetros da usina foram evacuados. O volume total de material radioativo despejado não é um dado certo.
Em 6 de maio de 2011, o primeiro-ministro Naoto Kan ordenou que a usina nuclear de Hamaoka fosse desligada pois um terremoto de magnitude 8,0 ou maior possivelmente atingiria a região até 2040.Story at BBC News, 06/05/2011 . Página acessada em 08/05/2011.Story at Digital Journal . Página acessada em 07/05/2011.Story at Bloomberg, 07/05/2011 . Página acessada em 08/05/2011. Kan pretendia evitar uma possível repetição do desastre de Fukushima. Em 9 de maio de 2011, a companhia Chubu Electric decidiu cumprir o pedido do governo. Kan mais tarde anunciou uma nova política energética menos dependente da energia nuclear.
Nos meses até julho de 2011, o Japão tinha apenas 19 dos 54 reatores em operação antes do desastre de Fukushima, aumentando "o risco de uma forte escassez de energia em 2012". Problemas em estabilizar a usina nuclear de Fukushima I levaram a atitudes duras em relação à energia nuclear. Em junho de 2011, "mais de 80 por cento dos japoneses diziam que eram contra a energia nuclear e não confiavam nas informações do governo sobre a radiação". Pesquisas após o acidente de Fukushima indicaram que entre 41 e 54 por cento dos japoneses apoiavam ao desmantelamento ou redução do número de usinas nucleares".
História Em 1954, o Japão reservou em seu orçamento 230 milhões de ienes para a energia nuclear, marcando o começo de seu programa. A Lei Básica de Energia Atômica limitou as atividades para apenas propósitos pacíficos.Johnston, Eric, "Key players got nuclear ball rolling", Japan Times, 16 de julho de 2011, p. 3.
O primeiro reator nuclear no Japão foi construído pela General Electric Company, do Reino Unido. Na década de 1970, os primeiros reatores de água leve foram construídos em cooperação com empresas americanas. Essas usinas foram compradas de companhias americanas como a General Electric e a Westinghouse Electric Company com o trabalho contratual feito por companhias japonesas, que mais tarde iriam obter licenças para elas mesmas construírem designs de usinas similares. Os avanços na energia nuclear desde aquela época tiveram contribuições de empresas e institutos de pesquisa japoneses no mesmo nível que outros grandes usuários de energia nuclear.
A indústria nuclear japonesa não foi tão afetada pelo acidente de Three Mile Island ou o acidente nuclear de Chernobyl como os outros países. A construção de novas usinas continuou em alta pelas décadas de 1980 e 1990. No entanto, a partir de meados da década de 1990, houve vários acidentes relacionados à energia nuclear e uma maior cobertura por parte da imprensa, o que erodiu a percepção pública da indústria, resultando em protestos e resistência a novas usinas. Esses acidentes incluíram o acidente nuclear de Tokaimura, a explosão de vapor de Mihama, encobrimentos após um acidente no reator de Monju, entre outros, sendo o mais recente o causado pelo terremoto de Chuetsu de 2007. Apesar dos detalhes exatos estarem em discussão, está claro que a cultura de segurança na indústria nuclear do Japão passou a sofrer uma grande pressão. . As usinas canceladas incluem: Usina de Maki em Maki, Niigata— cancelada em 2003 Kushima em Kushima, Miyazaki—1997 Ashihama em Ashihama, Mie—2000 Hōhoku em Hohoku, Yamaguchi—1994 Suzu em Suzu, Ishikawa—2003
Em 18 de abril de 2007, Japão e Estados Unidos assinaram o Plano de ação de energia nuclear Estados Unidos-Japão, visando implantar uma estrutura de pesquisa conjunta e desenvolvimento de tecnologias de energia nuclear.United States and Japan Sign Joint Nuclear Energy Action Plan, United States Department of Energ] , publicado em 25/04/2007. Página acessada em 02/05/2007. Cada país irá conduzir pesquisas em tecnologias de reactor de neutrões rápidos, de ciclo de combustível, modelação e simulação computacional avançada, reatores pequenos e médios, segurança e proteção física e gerenciamento de resíduo nuclear .Fact Sheet: United States-Japan Joint Nuclear Energy Action Plan, United States Department of Energy . Publicado em 25/04/2007. Página acessada em 02/05/2007.
Em março de 2008, a Tokyo Electric Power Company anunciou que o início da operação de quatro novos reatores nucleares iria ser adiada por um ano devido à incorporação de novos dispositivos de segurando contra terremotos. As unidades 7 e 8 da usina de Fukushima Daiichi entraria em operação comercial em outubro de 2014 e outubro de 2015, respectivamente. A unidade 1 da usina de Higashidori entraria em operação em dezembro de 2015, enquanto a unidade iria abrir em 2018, no mínimo.New Japanese nuclear power reactors delayed .
Em setembro de 2008, as agências e ministérios japoneses procuravam por um aumento de 6% no orçamento de 2009. O total pedido era de 491,4 bilhões de ienes (4,6 bilhões de dólares), e o foco da pesquisa seria o desenvolvimento do ciclo reator de reprodução rápida, a nova geração de reatores leves de água, o projeto ITER e segurança sísmica.NucNet. Japan Budget Proposals Seek Increase In Nuclear Spending . 11 de setembro de 2008.
Sismicidade
O Japão tem uma longa história de terremotos e atividades sísmicas , frequentemente resultando em tsunamis, ocorrendo algumas vezes por século. Devido a isso, há uma preocupação sobre os riscos de construção e operação de usinas nucleares no Japão. Amory Lovins disse: "Uma zona de terremoto e tsunami lotada com 127 milhões de pessoas é um lugar arriscado para se colocar 54 reatores". Recentemente, o acidente sísmico mais sério foi o acidente nuclear de Fukushima I, após o sismo e tsunami de Tohoku de 2011.
O professor Katsuhiko Ishibashi, um dos sismologistas que tem interesse ativo no assunto, criou o termo a partir das palavras japonesas "energia nuclear" e "desastre sísmico" para expressar a potencial catástrofe que poderia ocorrer.Katsuhiko Ishibashi, "Why worry? Japan's nuclear plants at grave risk from quake damage" The Asia-Pacific Journal: Japan Focus (11 de agosto de 2007) Also published by the International Herald Tribune (11 de agosto de 2007). Página acessada em 24 de março de 2011Michael Reilly, "Insight: Where not to build nuclear power stations" (preview only) New Scientist (28 de julho de 2007). Página acessada em 24 de março de 2011. O Dr. Kiyoo Mogi, ex-diretor do Comitê de Coordenação para a Previsão de Terremotos,Quake shuts world's largest nuclear plant Nature, vol 448, 392-393, doi:10.1038/448392a, publicado em 25/07/2007. Página acessada em 18/03/2011. expressou preocupações semelhantes, dizendo em 2004 que o assunto é um problema crítico que pode trazer uma catástrofe para o Japão através de um desastre causado pelo homem.Two grave issues concerning the expected Tokai Earthquake Kiyoo Mogi, Earth Planets Space, Vol. 56 (No. 8), pp. li-lxvi, publicado em 2004. Página acessada em 11/03/2011.Japan Holds Firm to Shaky Science Science, Vol. 264 no. 5166 pp. 1656-1658, doi: 10.1126/science.264.5166.1656, publicado em 17/06/1994. Página acessada em 18/03/2011.
Hidekatsu Yoshii, um membro da Câmara dos Representantes do Japão pelo Partido Comunista Japonês e defensor do movimento antinuclear, avisou em março e outubro de 2006 sobre a possibilidade de danos severos que poderiam ser causados por um tsunami ou terremoto Durante um comitê parlamentar em maio de 2010, ele fez afirmações semelhantes, alertando que os sistemas de refrigeração de uma usina nuclear japonesa poderiam ser destruídos por deslizamento de terra ou terremoto. Em resposta, Yoshinobu Terasaka, diretor da Agência de Segurança Nuclear e Industrial, respondeu que as usinas eram tão bem planejadas que 'este tipo de situação é praticamente impossível'.
Depois dos danos causados na Usina nuclear Kashiwazaki-Kariwa devido ao terremoto de Chuetsu de 2007, Kiyoo Mogi pediu o fechamento imediato da Usina nuclear de Hamaoka,Nuclear crisis in Japan as scientists reveal quake threat to power plants The Times, publicado em 19/07/2007. Página acessada em 18/03/2011. que foi construído perto do centro dos terremotos de Tokai. Katsuhiko Ishibashi anteriormente pediu em 2004, que Hamaoka fosse 'considerada a usina nuclear mais perigosa do Japão'.Japan's deadly game of nuclear roulette The Japan Times, publicado em 23/05/2004. Página acessada em 18/03/2011.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também mostrou preocupação. Em uma reunião do grupo de segurança nuclear do G8, ocorrida em Tóquio, em 2008, um especialista da AIEA advertiu que um grande terremoto com magnitude de mais de 7,0 na escala Richter poderia causar um 'sério problema' para as estações nucleares do Japão.physorg.com - IAEA warned Japan over nuclear quake risk: WikiLeaks .
Padrões de design thumb|350px|Valores de aceleração horizontal experimentada e de design durante os grandes terremotos de 2007 e 2011 e eventos de terremoto-tsunami. Entre 2005 e 2007, três usinas nucleares japonesas foram atingidas por terremotos que excediam em muito a aceleração do pico do solo (PGA) máxima usada em seus projetos.Japan's nuclear plant quake protection too lax, said expert The Australian publicado em 13/03/2011. Página acessada em 06/04/2011. O tsunami que se seguiu ao terremoto de Tohoku de 2011, inundando a usina nuclear de Fukushima I, colocou um pesou mais de duas vezes maior que projetado, enquanto a aceleração do solo também excedia levemente os parâmetros projetados.Japan's Earthquake Regulations for Nuclear Power The Neutron Economy publicado em 04/04/2011. Página acessada em 06/04/2011.
Em 2006, um subcomitê do governo japonês foi encarregada de revisar os padrões nacionais de resistência a terremotos de usinas nucleares, que tinham sido revistos pela última vez parcialmente em 2001,Regulatory Guide for Reviewing Seismic Design of Nuclear Power Reactor Facilities Japanese Nuclear Safety Commission|Nuclear Safety Commission, publicado em 19/09/2006. Página acessada em 06/04/2011. resultando na publicação de um novo guia sísmico – o Guia Regulatório para Revisão do Design Sísmico dos Reatores de Usinas Nucleares. Os membros do subcomitê incluíam o professor Ishibashi, no entanto, sua proposta de que os padrões de monitoramento de falhas geológicas ativas deveriam ser revistos foi rejeitada e ele renunciou na reunião final, alegando que os processos de revisão não eram científicos e que o resultado foi manipuladoJapan Nuclear Energy Drive Compromised by Conflicts of Interest Bloomberg, publicado em 12/12/2007. Página acessada em 11/04/2011. para atender aos interesses da Associação Elétrica do Japão, que tinha 11 dos membros de seus comitê no subcomitê do governo, que tinha 19 membros. Ishibashi posteriormente alegou que, apesar de o novo guia ter trazido as maiores mudanças desde 1978, ele tinha falhas graves pois subestimou o movimento terrestre do terremoto. Ele também alegou que o sistema de execução é 'uma vergonha' e questionou a independência da Comissão de Segurança Nuclear do Japão depois que um antigo oficial da Agência de Segurança Nuclear e Industrial apareceu para afastar uma nova revisão do guia de design sísmico da NSC em 2007.