O Boi-Bumbá Campineiro é uma agremiação folclórica do município de Parintins, no estado do Amazonas. Tradicionalmente ligado à comunidade do Aninga, o Campineiro é reconhecido como um dos bois-bumbás históricos da cidade. Embora atualmente não participe da disputa oficial do Festival Folclórico de Parintins, mantém atividades culturais e apresentações comunitárias. História miniaturadaimagem|alt=a versão antiga do boi Campineiro|Ex-presidente Eduardo Paixão ao lado da versão antiga do Boi CampineiroA data de fundação do Boi Campineiro é controversa. Diferentes fontes apontam anos distintos para sua origem. Algumas referências indicam 1913, enquanto outras mencionam 1915 ou 1903. Há ainda relatos que atribuem o início da brincadeira à família Andrade, em 1890, na comunidade do Aninga, sendo posteriormente organizada por Emídio Souza em 1913. Caso a hipótese de 1903 seja considerada, o Campineiro seria o boi-bumbá mais antigo de Parintins.
Também não há consenso quanto ao fundador da agremiação. Enquanto integrantes da família Souza atribuem sua criação a Emídio Souza, o ex-dirigente Carlos Leocádio da Silva, conhecido como ''Camoca'', sustentava que o verdadeiro fundador foi seu pai, Leovino Leocádio da Costa, afirmando que o boi passou posteriormente aos cuidados de Emídio Souza.
Apesar das divergências sobre sua origem, o Campineiro é reconhecido como uma tradicional agremiação do bairro do Aninga, preservando forte vínculo com a comunidade local. Suas cores oficiais são o verde e o branco, embora o boi apresente uma estética característica nas cores cinza e amarela, ostentando um sol na testa como principal elemento de sua identidade visual.
Participação no Festival de Parintins
O Campineiro participou da história do Festival Folclórico de Parintins em momentos excepcionais da disputa entre Caprichoso e Garantido.
Em 1978, após a desistência do Boi Garantido da competição oficial, participou da apresentação organizada pelo boi vermelho e branco na quadra do atual Ilha Verde, em evento paralelo ao festival.
Sua única participação oficial na competição ocorreu em 1983. Naquele ano, o Boi Caprichoso retirou-se da disputa em protesto, alegando tratamento desigual na distribuição dos recursos públicos destinados ao festival. Para assegurar a realização do evento, a Prefeitura de Parintins convidou o Campineiro para enfrentar o Garantido na arena. A agremiação encerrou a edição como vice-campeã, tornando-se o único boi, além de Caprichoso e Garantido, a disputar oficialmente o Festival Folclórico de Parintins.
Desde então, o Campineiro não voltou a competir no festival.
Tentativas de retorno borda|miniaturadaimagem|290x290px|Boi Campineiro na segunda noite de apresentação do Boi Garantido no 57º Festival de Parintins Em 2013, foi lançado o livro Boi Campineiro: A História do Festival de Parintins que não Foi Contada, de autoria do jornalista Jonas Santos, com organização editorial do professor Renan Albuquerque, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A obra resgatou a trajetória da agremiação e reacendeu o debate sobre seu retorno ao festival.
Na ocasião, o então secretário de Estado da Cultura do Amazonas, Robério Braga, manifestou interesse na possibilidade de reintegrar o Campineiro ao Festival de Parintins, cogitando sua participação na abertura da edição de 2014. A proposta, entretanto, não foi implementada.
Em 2017, integrantes da comissão julgadora sugeriram a ampliação do festival com a criação de uma liga de bois-bumbás, permitindo a participação de outras agremiações tradicionais, entre elas o Campineiro. A iniciativa também não teve prosseguimento.alt=Boi Campineiro no Bumbódromo|miniaturadaimagem|Boi Campineiro em apresentação especial no Festival Folclórico de Parintins de 2024, levado à arena pelo amo do Boi Garantido, João Paulo Faria.|228x228px Retorno ao Bumbódromo O Boi Campineiro voltou ao Bumbódromo durante o Festival Folclórico de Parintins de 2024, em uma participação especial integrada à apresentação do Boi Garantido.
Durante a evolução do espetáculo, o amo do Garantido, João Paulo Faria, fez referência às edições de 1978 e 1983, quando um dos bois tradicionais não participou da disputa. Ao final da declamação, o Campineiro entrou na arena como homenagem à sua importância histórica para o festival.
Após o encerramento do evento, o boi utilizado na apresentação foi doado por João Paulo Faria ao Centro Cultural Boi-Bumbá Campineiro, sediado na comunidade do Aninga. Após a morte de Eduardo Paixão de Souza, em 2020, a continuidade das atividades do Centro Cultural Boi-Bumbá Campineiro passou a ser conduzida por seus familiares e colaboradores da comunidade do Aninga.
Ligações externas
Categoria:Festival Folclórico de Parintins