A Quarta Internacional (pós-reunificação) também conhecida como Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI) é a organização surgida na reunificação da Quarta Internacional no Congresso Mundial de 1963. A cisão ocorrera em 1953, em torno da tática apropriada para o período pós Segunda Guerra. No Congresso de 1951, a maioria dos delegados aprovou a proposta defendida por um de seus principais dirigentes, Michel Pablo, segundo a qual as seções da IV Internacional deveriam realizar entrismo nos partidos Comunistas, Socialdemocratas e Nacionalistas-anti-imperialistas. Essa tática, que ficou conhecida como Entrismo sui generis foi defendida como uma forma de aproximar as seções da IV, ao movimento real de massas, além de um prognóstico de que os chamados Estados operários burocratizados (URSS e Leste Europeu, etc.) e o stalinismo, iriam "inevitavelmente" a uma guerra contra o imperialismo norte-americano, retomando assim o caráter revolucionário que haviam perdido a partir da política do "socialismo em um só país".
Em 1953, um número considerável de dirigentes (como James Patrick Cannon, Pierre Lambert e Moreno) abandonam a Internacional, apoiados pela maioria das seções australianas, inglesas, chinesas, francesas (PCI), neozelandesas, suíças, americanas (SWP) e argentina (PST, que depois se tornaria o Movimiento al Socialismo - MAS). Formam então o Comitê Internacional da Quarta Internacional (CI).
A maioria da IV Internacional mantém o Secretariado Internacional (SI), enquanto instância de direção da Internacional, que se unificará em 1963 ao Comitê Internacional (CI) para formar o Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU ou SU-QI).
Durante os dez anos seguintes a divisão de 1953 da Quarta Internacional, a maioria dos dois setores desenvolveram posições semelhantes para os principais problemas internacionais: oposição ao stalinismo durante as crises de 1956 na Polônia e Hungria, o apoio à Guerra de Independência Argelina e a Revolução Cubana de 1959. Ao mesmo tempo, partes do Secretariado Internacional (SI) rejeitaram a orientação de Pablo sobre os Partidos Comunistas. Em 1960, seções da CI-QI e SI-QI se reunificam no Chile, Índia e Japão. Em 1962, a convergência política entre as maiorias dos dois setores era suficientemente forte para que o SI-QI e CI-QI estabelecessem um Comitê Paritário para preparar um Congresso Mundial conjunto. Esse congresso almejava a reunificação da Quarta Internacional.
No entanto, alguns grupos dos dois setores não apoiaram a movimentação em direção a reunificação. No processo do Congresso de 1961 os apoiadores do argentino Juan R Posadas, a liderança do Secretariado Latino-americano, entraram em desacordo com os apoiadores de Michel Pablo sobre a ênfase da revolução anticolonial: a maioria do SI-QI enfatizava o desenvolvimento das atividades na Europa. Além de Posadas e Pablo desenvolveram diferentes reações nas disputas no stalinismo: Posadas tendeu para o lado de Mao Tsé-Tung, enquanto Pablo se aproximava de Khrushchov e Tito.
Um processo semelhante ocorreu no CI-QI. Em 1961 se dividiu politicamente, o Partido Comunista Internacionalista (PCI) na França e a Social Labour League (SLL) na Inglaterra argumentaram que um Estado Operário não havia sido criado em Cuba, o que os colocava em oposição ao SWP americano e outras organizações no CI-QI. Em 1963, a divisão era também organizativa. Cada lado realizou um congresso que se reivindicou ser a maioria do CI-QI. Por um lado, as seções australianas, chinesas e neozelandesas (incluindo Nahuel Moreno) participaram do Congresso com o SWP e aprovaram a participação no Congresso de Reunificação. Por outro lado, O PCI de Pierre Lambert e o SLL de Gerry Healy convocaram uma “Conferencia Internacional dos Trotskistas” para continuarem o trabalho do CI-QI sob sua própria liderança.
Sétimo Congresso Mundial: a reunificação Em junho de 1963, o Congresso de Reunificação (sétimo) em Roma, congregou a ampla maioria das fileiras trotskistas. Dentre os grupos do CI-QI e SI-QI, somente o PCI, SLL e os seguidores de Posadas se recusaram a participar. O Congresso elegeu uma nova liderança que incluiu Ernest Mandel, Pierre Frank, Livio Maitan e Joseph Hansen.
Este também adotou uma resolução estratégica elaborada por Mandel e Hansen, “Dinâmicas da Revolução Permanente Hoje”, que se tornou o documento de referência para o Secretariado Unificado durante as décadas seguintes. Este argumentava que “as três formas da Revolução Mundial”: a Revolução anticolonial, a Revolução política nos Estados operários burocratizados e a Revolução proletária nos países capitalistas, formavam uma unidade dialética. Cada forma influencia as outras e recebe, por outro lado, poderosos incentivos ou freios ao seu próprio desenvolvimento. Refletindo sobre a Revolução Cubana, que se produziu sem um partido revolucionário, se concluiu que “a fraqueza do inimigo em países atrasados abriu a possibilidade de chegar ao poder com um exército autônomo às massas”. Esta visão foi reforçada no ano seguinte, na resolução do Secretariado Unificado “O Caráter do Governo Argelino” elaborada por Joseph Hansen.
O Congresso de Reunificação também adotou uma resolução sobre “O Conflito Chinês-Soviético e a situação na URSS e nos demais Estados operários”. A resolução apontou o declínio da autoridade do Kremlim tanto no interior dos Partidos Comunistas como entre o movimento anti-imperialista, como os de Cuba e Argélia. Este caracterizou a “desestalinização” como uma liberalização defensiva da Burocracia. A divisão Chinesa-Soviética era vista como reflexo “das diferentes necessidades das burocracias chefiadas por duas lideranças. (…). A busca de acordo, e acima de tudo um acordo global, com o Imperialismo entra em contradição com a busca dos dirigentes chineses por mais ajuda e melhores defesas contra a forte pressão do imperialismo.” A Tendência de Pablo havia construído uma conclusão mais otimista dos impactos da “desestalinização”. Esta apresentou uma contra-resolução, mas recebeu apenas o apoio de uma pequena minoria. Esta rompe publicamente com a internacional um ano mais tarde, seguida por Pablo.
Após 1963 Uma nova saída se registrou em 1964, quando a única organização de massas na Internacional, o Lanka Sama Samaja Party (LSSP) do Ceilão, foi expulso após aderir a um governo de coalização naquele país. Em 1960, o SI-QI já havia criticado fortemente a tática parlamentarista do LSSP, que por sua vez não participou do Congresso de 1961, porém se fazendo representar no Congresso de 1963 por Edmund Samarakkody.
Oitavo Congresso Mundial (1965) No Oitavo Congresso Mundial, realizado em Dezembro de 1965 na Montanha Taunus na Alemanha, Samarakkody foi delegado novamente por uma nova seção no Ceilão, o LSSP (R), formado por uma tendência “ortodoxa” no LSSP. Sessenta delegados compareceram ao Congresso, que apontou um crescimento na radicalização dos estudantes e da juventude. A principal resolução “A Situação Internacional e as Tarefas dos Marxistas Revolucionários” enfatizou a solidariedade de suas seções com os embates anti-imperialistas, como no do Vietnã, e a intervenção na radicalização da juventude e na crise no comunismo internacional. Outras resoluções importantes foram adotadas sobre a “África”, “Europa Oriental” e aprofundou o debate sobre a “ruptura Soviético-Chinesa”.
Este Congresso reconheceu dois grupos simpatizantes na Inglaterra. Um deles, a Revolutionary Socialist League, opôs-se ao que ele considerou uma forma acrítica de apoio da Internacional com os movimentos de libertação anticolonial. E considerou como antidemocrática a decisão da Internacional dar reconhecimento oficial a um segundo grupo, considerado rival. Logo após deixou a Internacional, fazendo com que o “International Group” se tornasse a seção britânica.
Nono Congresso Mundial (1969) A Internacional cresceu substancialmente nos anos 60, assim como a maioria dos grupos de esquerda. O Nono Congresso Mundial realizado em abril de 1969 na Itália reuniu cem delegados e observadores de 30 países, incluindo novas seções na Irlanda, Luxemburgo e Suécia e outras reconstruídas na França, México, Espanha e Suíça. O Congresso adotou uma resolução principal sobre a profunda “radicalização da juventude”. Ao longo dos anos seguintes, suas seções continuaram a crescer principalmente por meio da campanhaa de oposição à Guerra do Vietnã, assim como da radicalização dos estudantes e da juventude.
De 1969 a 1976, A Internacional é sacudida por um debate caloroso sobre a importância das “guerrilhas” na América Latina e demais continentes. Em 1969, o Congresso adotou uma posição favorável às táticas de guerrilhas em casos precisos, apesar da oposição de um dos dirigentes da Internacional, o Chinês Peng Shuzi e de seu texto “Retorno ao Trotskismo”.
Entretanto, a questão do apoio à guerrilhas, defendida por Livio Maitan gerará uma divisão no seio do SU-IV Internacional, desse modo surgem a Tendência Leninista Trotskista (TLT), minoritária e contrária à formação de guerrilhas e a Tendência Majoritária Internacional (TMI). Da TLT participavam o SWP e o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (La Verdad) (PRT-LV), liderado por Nahuel Moreno, que, em 1972, passaria a se denominar como Partido Socialista dos Trabalhadores, da Argentina. Na Argentina ocorre uma cisão dos trotskista e surge o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (El Combatiente) (PRT-EC), liderado por Mário Roberto Santucho que, em 1970, formará o Exército Revolucionário do Povo (ERP).Reorganização do movimento trotskista no Brasil, acesso em 04 de janeiro de 2020.
Décimo Congresso Mundial (1974) Em fevereiro de 1974, os votos no Décimo Congresso Mundial foram muito divididos (45/55) sobre a questão da luta armada, com uma grande oposição minoritária à utilização generalizada das guerrilhas na América Latina. De fato a “Tendência leninista trotskista” (sustentada principalmente pelo SWP Americano e várias outras seções) teve êxito no convencimento de uma parte da Internacional de que a orientação do congresso anterior, favorável às táticas de guerrilha, foi um erro.
Este Congresso de 1974 registrou também um aumento considerável de seus participantes, com organizações vindas de 41 países. Segundo Pierre Frank, “aproximadamente 250 delegados de 41 países diferentes participaram (no Congresso), representando 48 seções da Internacional e de organizações simpatizantes. Comparado ao Congresso anterior, a força numérica da Quarta Internacional foi dez vezes superior” No período do Décimo-primeiro Congresso, um novo nível de unidade parecia ter se desenvolvido na Internacional.
Décimo Primeiro Congresso Mundial (1979) Realiza-se em novembro de 1979 e reúne 200 delegados de 48 países. O Décimo Primeiro Congresso Mundial reflete o ascenso revolucionário mundial em declive nos últimos anos. Nenhuma nova seção é reconhecida mas se registrou um nítido aumento dos efetivos na Espanha, México, Colômbia e França. Várias resoluções sobre a situação mundial são adotadas majoritariamente: “A América Latina”, “A situação das mulheres” e “Europa Oriental”. O Congresso Mundial orienta que suas seções deveriam operar um “giro operário”, e inicia uma discussão sobre o lugar do pluralismo na “democracia socialista” que continuará até 1985. Convida-se o “Worker Socialiste League” da Inglaterra para contribuir no Congresso, uma relação que começa e se efetiva em 1987 com a entrada do “International Socialist Group” (sucessor do WSP) na Internacional.