O Jardim Florêncio Terra é um jardim público localizado na Rua de São João, na cidade da Horta, ilha do Faial, arquipélago dos Açores. Ocupa uma área aproximada de 4855 m² e apresenta planta sensivelmente rectangular, implantada numa ligeira elevação sobre o núcleo urbano.

História

O espaço resultou da demolição, em 1836, da antiga igreja matriz da cidade, então abandonada e em risco de ruína, tendo o terreno assim libertado sido convertido em passeio público, obra concluída em 1842. Da anterior edificação subsiste, contígua ao jardim, a Torre do Relógio, datável de finais do século XVIII.

A Câmara Municipal da Horta ampliou posteriormente o recinto com a incorporação de terrenos do antigo Convento e Igreja de São João Baptista, fundado no início do século XVI e demolido em 1836, na sequência da extinção das ordens religiosas decretada em 1834, aproveitando-se parte dos jardins da respectiva cerca. Antes de assumir a função de jardim, o local terá servido ainda de mercado de gado.

A planta e o orçamento do jardim foram aprovados em sessão camarária de 24 de Dezembro de 1857, ano habitualmente indicado como o da sua construção, tendo sido nomeada uma comissão para a execução dos trabalhos. Em 1859, o médico e professor José Joaquim de Azevedo Júnior, a quem foi cometido o acompanhamento das aplicações botânicas do jardim, noticiava no periódico O Fayalense que, para estar completo, ao jardim faltavam apenas os portões e a caiação dos muros, prevendo-se a sua abertura solene ao público a 16 de Setembro desse ano.

A manutenção do recinto exigiu, desde cedo, pessoal permanente: o orçamento de 1861 previa a contratação semanal de um jardineiro, um cantoneiro, dois trabalhadores, um rapaz e um guarda ao domingo.

miniaturadaimagem|200x200px|O coreto do jardim, em 2003

Em 1930, o então denominado Jardim Público foi objecto de obras de beneficiação de vulto, cujos trabalhos de jardinagem foram executados por José de Sousa, sob a direcção do alferes João Costa, tendo o espaço reaberto ao público, profundamente modificado, a 14 de Dezembro desse ano. A partir de 1944, procedeu-se ao rebaixamento progressivo dos muros que o circundavam.

Por deliberação da Câmara Municipal da Horta de 30 de Abril de 1958, tomada por ocasião do primeiro centenário do nascimento do homenageado, o Jardim Público passou a designar-se Jardim de Florêncio Terra. Outras fontes apontam, contudo, o ano de 1964 para a alteração da designação.

Em 2008, assinalando os 150 anos do nascimento de Florêncio Terra, foi colocada no jardim uma placa de bronze evocativa.

Características

miniaturadaimagem|200x200px|Exemplares de dragoeiros no jardim, em 2011

O jardim organiza-se em torno de um eixo central que liga duas escadarias em pedra, a nascente e a poente. Ao centro desse eixo situa-se um lago que delimita uma plataforma de planta hexagonal, revestida a argamassa de cimento, sobre a qual assenta um coreto de planta igualmente hexagonal, executado em madeira e pintado de branco e vermelho. A plataforma integra ainda quatro pedestais destinados a estátuas representativas das estações do ano, apresentando um deles a inscrição «1883». Os arruamentos são marcados por candeeiros de ferro e bancos de ferro fundido.

A datação do coreto não é consensual: as Crónicas do Faial da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça situam a sua construção em 1861, ao passo que o Guia do Património Cultural dos Açores o atribui ao segundo quartel do século XIX.Guia do Património Cultural dos Açores — Faial, 1.ª edição, 2003, p. 61. ISBN 972-96057-1-8.

Do património arbóreo destacam-se um conjunto de quatro dragoeiros (Dracaena draco) e um exemplar de grande porte de Araucaria excelsa, espécies protegidas ao abrigo do Decreto Legislativo Regional n.º 28/84/A, de 1 de Setembro.

A implantação em cota elevada sobre a cidade proporciona uma perspectiva pouco habitual do casario, do porto e do mar, avistando-se em frente a ilha do Pico, onde se destaca a Montanha do Pico. O acesso é livre e o recinto encontra-se, em regra, permanentemente aberto.

Florêncio Terra

miniaturadaimagem|250x250px|Placa comemorativa a Florêncio Terra, em 2010

O jardim deve o seu nome a Florêncio Terra, nascido na cidade da Horta em 18 de Maio de 1858 e falecido na mesma cidade em 25 de Novembro de 1941, que se distinguiu como escritor, publicista, professor e político açoriano.

Após frequentar o Liceu da Horta e iniciar estudos em Lisboa, regressou ao estabelecimento de ensino onde se formara, tendo sido nomeado professor efectivo em 1896 e leccionado História Natural e Matemática; exerceu funções de reitor, de forma intermitente, entre 1907 e 1919. Foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal da Horta, cuja presidência ocupou brevemente em 1914. Dirigiu, com Luís Barcelos, o periódico A Pátria e, com Marcelino Lima e Rodrigo Guerra, O Faialense.

Na literatura, notabilizou-se sobretudo no conto, género em que alcançou reconhecimento a nível nacional e no qual recorreu frequentemente a pseudónimos, tratando temas de inspiração local e da vida rural faialense; entre as suas obras conta-se Seara Alheia (1897). Cultivou também o teatro e o romance, de que são exemplo Luísa, Helena de Savignac e O Enjeitado, com menor repercussão.

Envolvente miniaturadaimagem|167x167px|O coreto do jardim, com o Departamento de Ocenografia e Pescas ao fundo, em 2021 Nas imediações do jardim localiza-se um dos mais conhecidos monumentos da Horta, a Torre do Relógio, remanescente da antiga igreja matriz demolida em 1836, bem como a sede do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

Ver também Horta Florêncio Terra Torre do Relógio (Horta)

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