O Escândalo do IRB, foi o nome popularmente usado para designar, o escândalo de corrupção referente a uma mesada de 400.000 reais cobrada pelo PTB ao dirigente do Instituto de Resseguros do Brasil; este conseguia o dinheiro via operações administrativas irregulares.
Entre os acusados destacam-se o ex-deputado Roberto Jefferson, o corretor de seguros Henrique Brandão e Luiz Appolonio Neto na época presidente da estatal.
O Escândalo No dia 14 de maio de 2005, sábado, chega às bancas do Brasil a edição de número 1906 da revista semanal VejaSumário Revista VEJA edição 1906, datada de 25 de maio de 2005, quarta-feira, em cuja na capa pode-se ler a manchete: "Só de uma estatal, Roberto Jefferson, do PTB, exigia 400.000 reais por mês". Na página 40, a reportagem "Mesada de 400.000 reais para o PTB" conta que a estatal supracitada seria o IRB, e que o seu na época presidente, deveria entregar mensalmente ao PTB 400.000 reais via operações administrativas irregulares. De acordo com o hebdomadário, o economista Lídio Duarte, funcionário de carreira da estatal , chegou a presidência da estatal através de indicação política de José Carlos Martinez, líder do PTB até sua morte em um acidente aéreo em 2003.
Após a morte do já citado, Roberto Jefferson passa a ser o presidente do partido. Henrique Brandão, corretor de seguros que costumava circular pelos corredores da estatal, teria entrado no gabinete de Lídio e sem pestanejar teria dito a ao presidente da estatal que gestão a partir do dia da conversa teria que mensalmente pagar 400.000 reais ao PTB. Ao verificar se Henrique realmente teria falado a verdade com Jefferson, este teria dito que era amigo de Henrique Brandão, e necessitava da "colaboração" dos presidentes de estatais indicados pelo partido.
De acordo com a publicação, a pressão para o pagamento da mesada ao PTB foram tão fortes que levaram ao pedido de demissão de Lídio Duarte. Em substituição a Lídio, o PTB, mais especificamente o ex-governador Luiz Antonio Fleury e o deputado Roberto Jefferson, indicou Luiz Appolonio Neto. O IRB que tinha o monopólio no mercado de resseguros internacionais, resolve dividi-lo entre 23 corretoras credenciadas, cada qual gerando uma participação em comissões. A corretora do amigo de Jefferson, Henrique Brandão, abocanha 10% de todos os seguros de embarcações e 20% dos de empresas aéreas, nesse ambiente os negócios dele cresciam a quantidade de 25% ao ano.Mesada de 400 000 reais para o PTB
Favorecimento de Corretoras Na edição 1907 da revista Veja, datada de 01 de junho de 2005, é relatado como o corretor de seguros Henrique Brandão tem relações políticas, familiares e comerciais com o deputado Roberto Jefferson. Segundo a revista, todo esse poder seria suficiente para fazer com que diretores de estatais fizessem de tudo, incluindo violar normas, para entregar seguros na mão de Henrique Brandão.
Na publicação, é relatado que um dos diretores da estatal Furnas, o mineiro Rodrigo Botelho Campos, teria mandado carta ao IRB entregando a operação de resseguros da empresa pública para a corretora de Henrique Brandão, a Assurê, sendo assim Henrique teria fechado um negócio de 2,2 milhões de reais. Um técnico do IRB, Roberto Carvalho, suspeitou da ação através dos seguintes questionamentos :
Furnas já tem resseguradora, a PWS; A Assurê é corretora de seguros, e não de resseguro; Cabe única e exclusivamente ao IRB indicar as resseguradoras.
Ignorando isso a direção do IRB aceitou a indicação de Furnas. Com isso a Assurê, em conjunto da resseguradora americana Acordia, que diferente da PWS não tem tradição no mercado, ganham o negócio. Na Infraero, estatal que cuida dos aeroportos no Brasil, ocorreu caso parecido, no fim do ano de 2004, a estatal lança um edital para contratar uma seguradora, e no documento afirma que para baratear custos estava proibida a contratação de corretoras. A Bradesco Seguros vencedora da licitação, teria recebido uma carta da Infraero no qual era informada que já tinha duas corretoras de seguros "únicas e exclusivas": a AON, empresa tradicional no mercado, e Assurê de Henrique Brandão. Ou seja, a Infraero mandou fazer o que seu edital proibia que era contratar uma corretora. Na época foi estimado, que Assurê, com o negócio estivesse ganhando em torno de 1 milhão de reais ao ano.
Na Eletronuclear houve esquema parecido, o diretor da estatal José Marcos Castilho admitiu que recomendou que a supracitada estatal contratasse a corretora Assurê. É calculado que neste negócio a Assurê tenha ganhado 360.000 dólares. O diretor Castilho falou também que quem pediu para a Assurê ser incluída no negócio foi outro diretor, Luiz Rondon Teixeira de Magalhães Filho, que era conhecido como homem do PTB na estatal. Segundo a revista, o principal assessor de Magalhães Filho é Marcus Vinícius Vasconcelos Ferreira, genro de Roberto Jefferson, que na época era sócio de Brandão.
Segundo a publicação, os privilégios do IRB para à Assurê começaram em 2003. Neste ano, como exemplo, à Assurê habilitou-se junto ao IRB para disputar um contrato que reúne 54% das operações de seguros do país - o maior do mercado. Por sua importância, esse contrato fica com resseguradoras conhecidas no mercado. Porém em 2003, 12,5% do contrato foi para à Assurê de Henrique Brandão, uma corretora que fazia sua estreia no mercado de resseguros.A estranha sociedade
Consequências No apresentada uma prévia do relatório final da CPI dos Correios, que investigou entre outras coisas o escândalo do IRB, nele é constatado que houve uma operação irregular no pagamento na ordem de quase 15 milhões de reais, do seguro da Companhia Fiação e Tecidos Guaratinguetá referente a um incêndio ocorrido na companhia citada. Há irregularidade estaria que à apólice de seguro da companhia estaria vencida na data do sinistro, mas mesmo assim a direção do IRB aceitou apólice emitida em 29 de setembro de 2004, retroagindo a data do incêndio, e pagando a quantia de 14,8 milhões de reais para a Companhia. A CPI também constatou que houve favorecimento de corretoras escolhidas pelo IRB para atuar no amo de resseguros facultativos no exterior.Dicionário de Falcatruas
Após a queda dos envolvidos no escândalo, foi nomeado por indicação do então Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o ex-secretário de Política Econômica, o economista Marcos Lisboa, que era conhecido por ter um ótimo currículo. Teve como primeira função limpar os quadros da estatal de apadrinhados de Roberto Jefferson.O efeito benéfico da crise
Ver também Escândalo do Mensalão Escândalo dos Correios Escândalo dos bingos Governo Lula
Categoria:Governo Lula (2003–2011) Categoria:Escândalos de corrupção no Brasil na década de 2000 Categoria:2005 na política do Brasil