LAPA FA-03 foi um fuzil do tipo bullpup desenvolvido no Brasil pela empresa LAPA (Laboratório de Pesquisa de Armamento Automático), e projetado por seu proprietário, Nelmo Suzano (1930-2013). A sigla FA-03 significa "Fuzil de Assalto modelo 03".
Características O desenvolvimento e a produção do fuzil-protótipo ocorreram entre 1978 e 1983, com outros dois modelos sendo planejados (um de submetralhadora 9mm e outro de .22) com o intuito de ter armas domésticas e militares para venda interna e exportação. O FA-03 foi o único modelo bullpup feito pela LAPA e apenas um protótipo foi construído. O FA-3 era um fuzil de assalto com registro seletor de tiro baseado no sistema padrão operado por pistão com trava de ferrolho rotativo.
Uma característica do FA-03 era a ausência da posição seguro (trava de segurança) para fogo. Uma única alavanca é definida para um dos três modos de disparo: “30” para automático, “3” para rajada de 3 tiros, “1” para disparo semiautomático; e os dois modos de ação “SA” para ação única [single action] e “DA” para ação dupla [double action]). O fuzil se mantinha estável em rajadas de 3 tiros, tanto do ombro quanto do quadril (posição de assalto).
O arranjo do fuzil bullpup o tornava o mais compacto possível sem encurtar o cano a um ponto em que a eficiência balística fosse degradada. Para tanto, o gatilho foi movido para frente e o mecanismo de disparo, junto com o carregador, foi encaixado na cavidade da coronha. A janela de ejeção podia ser ajustada de forma ambidestra, porém com a ejeção apenas para o lado direito.
Desmontagem A desmontagem de primeiro escalão para limpeza de rotina era relativamente simples e não requeria ferramentas. Depois de retirar o carregador e verificar se a arma está descarregada, o retém da soleira é removido lateralmente para a direita, o que permite que a soleira junto com a mola recuperadora e seu alojamento sejam puxados para fora da coronha. O retém de desmontagem, na lateral da empunhadura da pistola, é então removido da arma lateralmente para a direita, separando o corpo em duas metades. A metade inferior, que inclui o alojamento do carregador, a empunhadura da pistola e o guarda-mão, alojam o mecanismo de disparo, que fica totalmente exposto para limpeza normal, não sendo necessária a desmontagem adicional desse grupo. Com a alavanca de manejo puxada para a posição traseira, a tampa plástica superior poderia ser removida, expondo o cano/conjunto do ferrolho. A tampa da caixa da culatra tubular de metal seria desparafusada, e isso permitiria que o ferrolho e o conjunto do ferrolho deslizassem para fora. A haste de gases e o pistão podem então ser removidos. Um procedimento invertido é usado para remontar a arma.
Ergonomia O LAPA FA-03 era ergonomicamente agradável de carregar e manejar. O retém frontal da bandoleira gira livremente em torno do cano, e acoplado a um retém traseiro de duas posições (por cima/por baixo da coronha), permite que o fuzil seja carregado em várias posições; sendo notado seu conforto em longas marchas.
Suzano, o criador, acreditava que o modo de ação dupla funcionava muito bem como trava de segurança, pois para conseguir atirar nessa posição iria precisar de uma puxada bem forte e demorada no gatilho, o que não iria acontecer por acidente ou fadiga do mecanismo. Isso também assegurava a impossibilidade de disparos acidentais quando o cão (martelo que bate no percussor) se solta por algum problema técnico que a arma poderia ter.
O fuzil LAPA FA-03 tinha um armação de plástico que protegia o mecanismo da arma contra agentes externos (água, areia, poeira, etc.) e diminuía consideravelmente o peso total da arma. Originalmente o fuzil recebeu um sistema de alimentação por um carregador plástico, mas recebeu algumas mudanças para ser alimentado pelos carregadores STANAG metálicos para facilitar a exportação para países que usavam outros tipos de carregadores.
O LAPA FA-03 era um fuzil calibrado em 5,56x45mm OTAN, munição M193 (55 grãos) americana, o passo do cano era de 1:12 (uma volta em 305mm); com planos para a futura munição padrão FN SS109 belga de 62 grãos, que viria a ser adotada como padrão pela OTAN. Os exemplares de produção teriam os canos adaptados para a nova munição SS109 da OTAN. Ronaldo Olive assim explicou os problemas com a munição durante os testes do LAPA FA-03:
Resultado miniaturadaimagem|Paraquedistas do 9º Regimento Real Malaio com o Steyr AUG durante o exercício Cooperation Afloat Readiness and Training (CARAT), 30 de julho de 2006. Os membros das forças armadas que testaram o FA-03, o descartaram com a justificativa de que ele se parecia com um brinquedo (por conta do plástico e o design bullpup) e pelo baixo peso. Apesar de diminuir o peso da arma, o plástico não afetava seu controle em fogo automático.
O desenho bullpup do FA-03 era uma novidade quando foi projetado, o que trouxe o ceticismo do comando do exército. As únicas armas da época com esta configuração eram o FAMAS francês e o Steyr AUG austríaco. Os fuzis bullpup tornar-se-iam populares na Ásia, e a Malásia chegou a se interessar pelo LAPA FA-03 mas, devido aos problemas de produção supracitados, os malásios acabaram optando pelo Steyr AUG, fabricando-o sob licença pela SME Ordnance.
O LAPA FA-03 nunca passou do protótipo e apenas um único protótipo foi produzido.
Na cultura popular O fuzil LAPA é usado pelos brasileiros, e pelo protagonista em particular, na guerra da Guiana Francesa no livro de ficção científica Selva Brasil (2010), de Roberto de Sousa Causo.
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