miniaturadaimagem|Bicicleta-fantasma na Avenida Paulista em homenagem à Márcia Prado, em 2011 Uma bicicleta-fantasma, ou no termo em inglês, ghost bike, é uma bicicleta colocada no local onde um ciclista foi morto por um veículo motorizado. É ao mesmo tempo um memorial e um recado para os motoristas para compartilharem as estradas. Em geral, bicicletas-fantasmas são bicicletas velhas pintadas de branco e presas em algum objeto próximo ao local do acidente. Nas maioria dos casos uma placa é presa a bicicleta com o nome do ciclista morto, a causa da morte e a data do acidente como forma de homenagem.

Em 2010, uma campanha na plataforma de financiamento coletivo Kickstarter para a criação do documentário Ghost Bikes Film: Portland to London foi financiada com sucesso, incluindo bicicletas-fantasma filmados na cidade de São Paulo naquele ano.

Em 2017, alunos do sexto semestre de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo criaram o filme Memória em Branco, um documentário sobre as bicicletas-fantasma e seu significado no Brasil e no mundo. O curta-metragem de seis minutos pode ser assistido na íntegra no YouTube.

Críticos às bicicletas-fantasmas a consideram como humor negro, embora reconheçam a sua importância.

Brasil

São Paulo A primeira bicicleta-fantasma da cidade foi instalada em 04 de dezembro de 2007 na Avenida Luiz Carlos Berrini, em homenagem a um ciclista que foi morto no local atropelado por um ônibus no ano anterior, um dos 84 ciclistas mortos na cidade de São Paulo em 2006. Foi removida após poucos dias.

Márcia Prado No dia 14 de janeiro de 2009, a ciclista Márcia Regina de Andrade Prado foi atropelada por um ônibus na Avenida Paulista em São Paulo, sua morte gerou uma série de manifestações de luto e homenagens a ciclista. Dentre as homenagens, esteve a divulgação do Manifesto dos Invisíveis, redigido coletivamente em 2008 e assinado por diversos ciclistas (incluindo a Márcia), e a instalação de uma bicicleta-fantasma na avenida, próximo ao local em que Márcia foi atropelada. A bicicleta-fantasma foi a segunda a ser colocada em São Paulo e é simbólica por ter sido colocada na principal avenida da cidade. Ela sofreu vandalismo ao longo dos anos. miniaturadaimagem|esquerda|Bicicleta-fantasma em homenagem a Juliana Ingrid Dias Juliana Ingrid Dias Em 2012, foi colocada uma segunda bicicleta-fantasma na mesma avenida por causa do atropelamento de Juliana Dias, a cerca de 30 metros do local onde Márcia Prado foi atropelada. Tal como Márcia, Juliana também era ativista e participava da Bicicletada, um evento que ocorre mensalmente em São Paulo e em outras cidades do mundo para promover o uso de veículos não motorizados como meio de transporte.

Fernando Couto e Antônio Dias Em 26 de outubro de 2009, o ciclista Fernando Martins Couto e o gari Antônio Dias foram atropelados por um ônibus articulado no Largo do Socorro, Zona Sul de São Paulo. O motorista do ônibus disse que perdeu o controle do veículo após ser fechado por um motociclista, mas imagens de câmeras de segurança no local não mostram nenhuma motocicleta junto ao ônibus nos instantes anteriores à colisão. Cerca de cem ciclistas instalaram uma bicicleta-fantasma junto de uma vassoura, fazendo um memorial para a morte de Fernando e Antônio.

Manoel Pereira Torres Em 20 de março de 2010, Manoel Pereira Torres, de 53 anos, porteiro, foi atropelado em uma faixa de pedestres na Avenida Vereador José Diniz por uma motocicleta que trafegava em alta velocidade, furou o sinal vermelho e atingiu o ciclista. A velocidade era tamanha que Manoel foi arremessado no semáforo a uma altura de três metros e morreu no local. No dia 27 de março foi instalada uma bicicleta-fantasma em sua homenagem.

Antônio Bertolucci Em 13 de junho de 2011, Antônio Bertolucci, 68 anos, morreu atropelado por um ônibus na Av. Sumaré, Zona Oeste de São Paulo. Bertolucci, que era presidente do conselho de administração do grupo Lorenzetti, era um ciclista experiente. Uma bicicleta-fantasma em sua homenagem – uma de suas 15 bicicletas pintada de branco – foi instalada por amigos no dia seguinte.

Francisco Jander Martins Em 04 de agosto de 2011, o camelô Francisco Jander da Silva Martins foi atropelado por um ônibus enquanto trabalhava no centro de São Paulo. A comunidade de ciclistas instalou uma bicicleta fantasma em sua homenagem no dia seguinte.

Lauro Neri Em 03 de abril de 2012, o pedreiro Lauro Neri, de 49 anos, foi atropelado na Avenida Pirajussara, na Zona Sul de São Paulo. A prefeitura de São Paulo anunciou em 2007 que a via teria uma ciclovia até 2010, mas infelizmente as obras não saíram do papel até a data prometida. Na data da colisão, a via tinha sido recentemente recapeada e estava sem sinalização horizontal. A comunidade de ciclistas realizou uma manifestação no local, instalando uma bicicleta fantasma em homenagem a Lauro e realizando de forma independente a pintura do asfalto da via, com bicicletas e uma faixa de pedestres.

Noel Moreno Leite Noel Moreno Leite, de 55 anos, circulava de bicicleta na avenida Belmira Marin, na zona sul da cidade, quando se desequilibrou devido a limo na via e foi atropelado por um ônibus, no dia 02 de fevereiro de 2015. Ciclistas instalaram uma bicicleta fantasma em sua homenagem no local.

Rio de Janeiro miniaturadaimagem|Bicicleta-fantasma de Fábio Muniz no Rio de Janeiro em 2013.|esquerda

Fábio Muniz Uma bicicleta-fantasma foi instalada na Praia de Botafogo no Rio de Janeiro após o falecimento do ciclista Fábio Muniz da Silva Oliveira de 42 anos, que morreu atropelado por um carro no dia 20 de fevereiro de 2013.

A bicicleta permaneceu no local por alguns meses até ser retirada, à pedido da família de Fábio. miniaturadaimagem|Bicicleta-fantasma em homenagem a Valdemar dos Santos, instalada em abril de 2013 em Vista Alegre, Zona Norte do Rio Valdemar dos Santos Uma bicicleta fantasma foi instalada na Estrada da Água Grande, em Vista Alegre, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 6 de abril de 2013. Em 22 de março, Valdemar, que era verdureiro e tinha 62 anos, foi atropelado por um motorista sem habilitação, bêbado e cujo carro tinha pneus carecas. Ironicamente um dos ciclistas presentes no ato também foi atropelado, embora tenha sofrido somente ferimentos leves.

O memorial permaneceu no local pelo menos até maio de 2016, segundo imagens do Google Street View.

Gisela Matta Uma bicicletada fantasma foi instalada na esquina das ruas Bartolomeu Mitre e General San Martin, no bairro do Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Gisela, que trabalhava para a Rede Globo e era co-diretora do programa Amor & Sexo, foi atropelada por um ônibus enquanto andava de bicicleta no local no dia 1.º de abril de 2013. Uma manifestação com cerca de dois mil pessoas percorreu a orla de Copacabana ao Leblon em protesto, que contou com a participação de Xuxa, Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima, que carregou a roda da bicicleta para a instalação da bicicleta fantasma.

Pedro Nikolay Pedro Nikolay era triatleta e foi atropelado por um ônibus enquanto treinava na Avenida Vieira Souto, esquina com Avenida Henrique Dumont, em Ipanema, Zona Sul do Rio, na madrugada do dia 1.º de maio de 2013. Uma bicicleta fantasma foi instalada no local, e lá permaneceu por mais de um ano, até ser removida entre setembro de 2014 e janeiro de 2015, de acordo com imagens do Street View.

A partir da morte de Pedro Nikolay, um grupo de ciclistas criou a Comissão de Segurança no Ciclismo na Cidade do Rio de Janeiro (CSC-RJ), com o objetivo de buscar melhores condições para atletas treinarem ciclismo de competição. Encabeçando a comissão, o empresário Raphael Pazos conseguiu autorização para a criação de Áreas de Proteção ao Ciclista de Competição (APCCs), em que trechos de vias da cidade são fechadas aos automóveis em horário de baixa circulação de veículos (das 4h às 5h30) afim de fornecer uma área segura para os atletas treinarem sem se misturar ao trânsito normal. Anos depois, as APCCs viraram lei municipal, sendo presentes em várias áreas da cidade.

miniaturadaimagem|Bicicletas-fantasmas de Emanoelle e Chico no Rio de Janeiro em julho de 2026. Em resposta à suas mortes, a prefeitura instalou uma ciclofaixa no local.

Emanoelle Martins e Francisco (Chico) Duas bicicletas-fantasmas foram instaladas na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, após a morte de Emanoelle Martins, de 40 anos, e seu filho Chico, de 9 anos, quando trafegavam em uma bicicleta elétrica na via em 30 de março de 2026. Ambos foram atingidos por um ônibus.

No mês seguinte a prefeitura iniciou a construção de uma ciclofaixa no local, com obras iniciadas no dia 12 de abril e previsão de conclusão em 90 dias. Em julho, a ciclofaixa encontra-se praticamente pronta, recebendo seus últimos ajustes.

Florianópolis

Rodrigo Machado Lucianetti Lucianetti foi atropelado na manhã de 3 de agosto de 2008 na Rodovia Maurício Sirotski Sobrinho, em Jurerê, enquanto treinava para uma prova de triatlo com um amigo, que também foi atingido, mas sobreviveu. O motorista do automóvel, Thiago Luiz Stabile, estava embriagado. Foi a primeira bicicleta-fantasma instalada na capital catarinense, em 9 de agosto, em uma manifestação com mais de 300 pessoas.

Rodrigo Wilmar da Costa O jovem de 24 anos morreu dia 13 de setembro de 2008 em Canasvieiras, na SC-401 (Rodovia José Carlos Daux). Rodrigo trabalhava em um supermercado local e trafegava pelo ciclofaixa, próximo ao trevo de entrada do bairro. A homenagem foi instalada dia 27 de novembro, no km 6 da rodovia.

Hector Cesar Galeano Argentino residente em Canasvieiras, 54 anos, pedalava pela mesma ciclovia onde morreu Rodrigo da Costa, em 3 de janeiro de 2012. Bicicleta-fantasma colocada em 12 de fevereiro de 2015.

Emílio Delfino Carvalho de Souza Estudante de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 21 anos, foi atropelado em 5 de fevereiro de 2012, enquanto pedalava pela SC-401, na altura do bairro João Paulo, sentido Norte da Ilha. Um colega estava com Emílio e sobreviveu. A bicicleta-fantasma foi instalada dia 11 de fevereiro, no km 18, apenas um dia antes da instalação da homenagem a Hector Galeano.

José Lentz Neto A bicicleta-fantasma em homenagem à José Lentz Neto foi instalada em Florianópolis, no dia 5 de setembro de 2012 a poucos metros da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), onde Neto trabalhava. O servidor, que estava prestes a se aposentar, foi atingido por uma moto enquanto se deslocava sentido Centro, dia 31 de agosto.

Em novembro do mesmo ano, a bicicleta foi furtada do poste. Dias depois, foi vista em uso por uma ciclista, que devolveu a bicicleta, alegando ter se tratado de um mal-entendido.

Mário Augusto Fernandes Operário da construção civil, 32 anos, morreu ao ser atropelado dia 3 de dezembro de 2012, na SC-401, perto do trevo de entrada a Cacupé. O ciclista voltava do trabalho, em Jurerê, sentido Centro, mas a bicicleta-fantasma foi instalada na outra mão da rodovia, onde havia um poste que a deixasse visível.

Lylyan Karlinski Gomes A estudante de oceanografia da UFSC tinha 20 anos e ia para a aula quando houve uma colisão lateral com um ônibus do transporte público da Capital, derrubando-a da bicicleta. Ela chegou a ser atendida no Hospital Universitário, mas não resistiu. Dia 1.º de julho de 2013, na rotatória de entrada da UFSC.

Everton Luis Machado O rapaz de 22 anos morreu em 18 de agosto de 2013, na SC-401, perto do trevo de Ratones, sentido Norte da Ilha. Ele transitava pela ciclofaixa da rodovia a poucos metros de casa quando foi atropelado.

João Victor de Abreu A mais jovem vítima homenageada com uma bicicleta-fantasma na Capital. O menino de 10 anos morreu em 09 de março de 2014, no Rio Vermelho, bairro do Norte da Ilha. Ele ia visitar o pai, que vivia a 300 m de sua casa.

Gabriel Serôa da Mota