Fernando Correia Dias (Lamego, — Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1935) foi um artista plástico luso-brasileiro.

Ao lado de Cristiano Cruz, Correia Dias foi um dos introdutores de uma nova visão estética, que veio a se desenvolver no modernismo português. Tem colaboração em publicações periódicas, como é o caso de A Sátira, em 1911.A sátira : revista humorística de caricaturas (1911) cópia digital, Hemeroteca Digital

Foi também o primeiro marido da célebre poeta brasileira Cecília Meireles, para cujos livros ele fez belas ilustrações.

Biografia Nascido num casarão à beira do rio Douro, em Moledo de Penajoia, em Lamego, Correia Dias bem cedo foi mandado para estudar gravura, pintura e desenho no Liceu de Coimbra, onde cofundou o jornal estudantil "O Gorro", em 1909. Foi por esta época que começou a fazer suas caricaturas bastante irónicas. Segundo Virgílio Correia, este grupo de jovens artistas de Coimbra, do qual Correia Dias fez parte, "não gerou senão artistas equilibrados e sãos". Além disso, de acordo com Veiga Simões, "a graça e a malícia são peculiares na sua obra (caricaturista) em que o exagero consegue ter um sentido piedoso".Fernando Correia Dias, a síntese Caricatural

Após estudar em Coimbra, Correia Dias se mudou para o Brasil em abril de 1914, aos vinte e um anos. No cais em que ele desembarcou havia artistas e escritores à sua espera, entre eles Ronald de Carvalho. Correia Dias de imediato teve seu talento para as artes reconhecido no Rio de Janeiro. Em 1920, ele ilustrou a capa do livro "Últimas Cigarras", do escritor Olegário Mariano.Um Homem Ilustre de Moledo da Penajóia

Em 24 de outubro de 1922, na Igreja de São João Batista em Botafogo, Correia Dias desposou a poeta brasileira Cecília Meireles. Eles haviam se conhecido, provavelmente, na redação da Revista da Semana. Tiveram três filhas juntos: Maria Elvira, Maria Matilde e a atriz de teatro Maria Fernanda.

Foi Correia Dias quem apresentou Cecília Meireles, durante a viagem deles a Portugal em 1934, aos intelectuais e artistas portugueses de sua época, tais como Manuel Mendes, Carlos Queirós e Almada Negreiros. Embora não tenha conseguido conhecer pessoalmente Fernando Pessoa, em sua estada em Lisboa, Cecília Meireles recebeu deste um exemplar autografado de Mensagem.Vidas Lusófonas - Cecília Meireles

Durante a década de 1920, Correia Dias se dedicou à produção de cerâmica, utilizando motivos que recuperaram a tradição artesanal dos povos nativos da Ilha de Marajó. Seus vasos e pratos fizeram tanto sucesso que chegaram a ser fabricados pela Companhia Cerâmica Brasileira a partir de 1928. Além disso, a revista O Cruzeiro, em 1930, escreveu um artigo a respeito de Correia Dias e de sua cerâmica de inspiração marajoara, sob o título "Cerâmica Brasileira, a Obra Nacionalista de Correia Dias".

Correia Dias sofria de crises de depressão, tendo jamais aceitado se submeter a tratamentos, e cometeu suicídio nove dias após seu aniversário de quarenta e três anos. Cinco anos depois, Cecília Meireles se casou com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira.

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