thumb|370px|Manuscrito nos Arquivos do Vaticano do Dictatus Papae, um documento sobre a autoridade papal, do , que registra o processo histórico pelo qual, o título "Papa" passou a ser usado apenas pelo Bispo de Roma. Em sua proposição XI, ele diz: «Quod hoc unicum est nomen in mundo» («Que este nome [Papa] é único no mundo»)
Os Títulos do Bispo de Roma, mais frequentemente designados por Títulos papaisExemplos dessa aplicação podem ser observadas nas seguintes páginas sobre os títulos do Bispo de Roma: Papal Titles (Challies.com) Papal Titles (Tu Es Pestrus, The Papacy) referem-se aos diversos títulos utilizados pelo protocolo, como pronome de tratamento ou designando uma realidade teológica ou secular do Bispo de Roma. A Igreja Católica acredita que eles “constituem o que se denominou de primazia de honra. Essas prerrogativas não são, como seus direitos de jurisdição, ligados ao jure divino do seu cargo. Eles cresceram no decorrer da história, e foram consagrados pelo uso de séculos, mas eles não estão livres de modificações”.
Originalmente os títulos do Bispo de Roma eram usados como expressões de respeito, poder e veneração, posteriormente muitos tornaram-se firmemente associados ao seu cargo, tornando-se títulos distintivos e específicos. O uso dos títulos mais antigos, são o de "Papa"Oxford Dictionary of the Christian Church (Universidade de Oxford - 2005) ISBN 978-0-19-280290-3), artigo "Pope" e "Pontífice", que remontam a meados do , os demais títulos surgem a partir do , e se desenvolvem ao longo de toda a Idade Média. O Anuário Pontifício, o diretório da Santa Sé, publicado desde 1716, lista os que são considerados, os títulos oficiais papais desde então."Annuario Pontificio", publicado anualmente pela "Libreria Editrice Vaticana", p. 23. Edição de 2009. ISBN 978-88-209-8191-4. No entanto, a lista oficial não inclui todos os que são usados; além de que, durante a história, os papas portaram diversos outros títulos, às vezes por séculos, que em determinado momento foram abandonados.
Títulos oficiais A lista oficial dos títulos do Papa, na ordem em que são ditados pelo Anuário Pontifício em 2009 é: “Bispo de Roma (Episcopus Romanus), Vigário de Jesus Cristo (Vicarius Iesu Christi), Sucessor do Príncipe dos Apóstolos (Successor principis apostolorum), Sumo Pontífice da Igreja Universal (Summus Pontifex Ecclesiae Universalis), Primaz da Itália (Primatus Italiae), Arcebispo Metropolitano da Província Romana (Archiepiscopus metropolitanus provinciae Romanae), Soberano do Estado da Cidade do Vaticano (Superanus sui iuris civitatis Vaticanae) e Servo dos Servos de Deus (Servus Servorum Dei)”.
Papa thumb|140px| ordenou que o título de "Papa" fosse reservado exclusivamente para o Bispo de Roma. Manuscrito desconhecido do
O termo "Papa" (provém do Latim "Papa", do Grego πάππας, Pappas uma palavra carinhosa para pai) é o título mais famoso e associado ao Bispo de Roma, sendo usado no protocolo, documentos e assinaturas. Existem diversas interpretações sobre o significado e a aplicação do título, dentre elasEdição especial do Correio da Manhã- "Os Papas - De São Pedro a João Paulo II" - Fascículo I, "Como se elege o Santo Padre", página 22, ano 2005. que "papa" seria um acrônimo em latim, onde cada letra corresponderia a uma palavra: Petri Apostoli Potestantem Accipiens ("o que recebe o poder do apóstolo Pedro"); ou ainda Petrus Apostolus Princeps Apostolorum ("Pedro Apóstolo, Príncipe dos Apóstolos"). Também foi proposta como origem a união das primeiras sílabas das palavras latinas Pater ("Pai") e Pastor ("Pastor").
Desde o início do o termo "papa" era utilizado como uma expressão de veneração afetuosa, tanto para o Bispo de Roma, quanto para os outros bispos do Ocidente. No Oriente inicialmente era usado para sacerdotes, mas após a eleição do 13.º Patriarca de Alexandria, Héraclas e da sua denominação papa,Iris Habib Elmasry. History of the Coptic Church. o título nessa região passa a ser usado apenas para o Patriarca de Alexandria.
Há divergência de opiniões entre os historiadores sobre qual seria o primeiro bispo de Roma que utilizou o título. Alguns sugerem que foi Marcelino , Dâmaso , Sirício , e outros. No fim do a palavra Papa aplicada ao Bispo de Roma começa a exprimir mais do que veneração afetuosa, e tende a tornar-se um título específico, como pode ser observado nas cartas da chancelaria imperial de Constantinopla e na correspondência de Sirício e Símaco . No a expressão tornou-se firmemente associada aos bispos de Roma, até que no o "prescreveu que ele deve ser limitado apenas aos sucessores de Pedro".
No que se refere especificamente ao termo "papado" (papatu), não existe um estudo completo sobre sua origem, tal como para a palavra "papa",Congar, Yves. Igreja e Papado (Eglisé et papauté). Les Éditions du Cerf. Pág.: 11 (Capítulo 1, "O Papa, Patriarca do Ocidente".); pág.: 111, 120 (Capítulo 6, "O Lugar do Papado no âmbito da piedade eclesial dos reformadores do "). 1994. ISBN 2-204-05090-3 no entanto o termo tem origem por volta do , para referir-se exclusivamente ao sistema eclesiástico governamental do papa.
Vigário de Cristo thumb|esquerda|250px|Documento emitido pelo Senado Romano em 1615 que concede o título honorário de cidadão romano a Hasekura Tsunenaga, em que o papa é descrito como "Pontífice de Roma e Pastor da Igreja Católica Universal, pai de todo o mundo, e Vigário de Jesus Cristo, Filho Onipotente de Deus". Museu de Sendai
Vigário de Cristo (em latim Vicarius Christi), é o título mais significativo do papa, implicando sua suprema e universal primazia. Baseia-se na promessa de em que Cristo entrega a Pedro as chaves do reino dos céus. Em todos os países a chave é um símbolo de autoridade. Deste modo, para o catolicismo as palavras de Cristo são uma promessa que Ele vai conferir a Pedro o poder de governar a Igreja em seu lugar, como seu vigário.
O primeiro registro de um título que reflete um papel do papa como "Vigário" consta em uma carta de 445, do a Dióscoro de Alexandria, em que designa o Bispo de Roma, como "vigário terreno dos sucessores de Pedro"; pouco tempo depois, em 495, os decretos de um sínodo denominam o como "vigário de Cristo".Macbrien, Richard P. Os Papas. Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II (Lives of the Pope. The Pontiffs to St. Peter to John Paul II). Pág.: 37, 54, 85. 1997. ISBN 0-06-065303-5 Assim no início da Idade Média existiam diversas variantes desse título, como “Vigário de Pedro” (Vicarius Petri), indicando que os papas sucediam São Pedro, "Vigário do Príncipe dos Apóstolos" (Vicarius Principis Apostolorum) ou “Vigário da Sé Apostólica” (Vicarius Soles Apostolica), dentre outros. O fato de que tanto o título de "Vigário de Pedro" quanto "Vigário de Cristo" eram utilizados, pode ser observado pelo fato de que no final do , o juramento de fidelidade de São Bonifácio ao utiliza o primeiro, enquanto algumas décadas depois, o , utiliza o segundo. Ainda atuamente, o Missal Romano em suas orações para um papa morto, designa-o de "Vigário de Pedro". A designação de Vigário de Cristo para os papas tornou-se de uso regular a partir do , devido às reformas empregadas pelo , conforme pode ser observado já em 1199 na carta de Inocêncio ao rei da Armênia ,. Faus, José Ignacio Gonzáles. "Autoridade da Verdade - Momentos Obscuros do Magistério Eclesiástico". Edições Loyola. ISBN 85-15-01750-4. Pág.: 33. Inocêncio frequentemente apelou para este título como prerrogativa para nomear os bispos. Outros historiadores sugerem que este título foi mais associado aos papas no pontificado de e depois consolidado por Inocêncio. O usou o termo Vigário de Deus (uma referência a Cristo como Deus) como um título equivalente. Atualmente o , ensina que todos os bispos são "vigários e embaixadores de Cristo".
Com diferentes significados teológicos e seculares, o título também foi utilizado em uma observação pessoal por Tertuliano no para referir-se ao Espírito Santo e no cesaropapismo nos séculos V ao IX para referir-se a governantes e autoridades públicas,Oxford Dictionary of the Christian Church (Oxford University Press 2005 ISBN 978-0-19-180190-3), article Vicar of Christ tais como reis, juízes e mais proeminentemente ao imperador bizantino.
Príncipe dos Apóstolos Príncipe dos Apóstolos (em latim Principis Apostolorum) é um título reservado individualmente para São Pedro,Exemplos dessa aplicação podem ser observadas nas seguintes biografias de São Pedro: São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos (NetSaber Biografias)
St. Peter, Prince of the Apostles (Eternal World Television Network) como maneira de demonstrar sua liderança entre os Apóstolos (Principis significa "Primeiro" ou "Principal"Cassell's Latin Dictionary, ed. Marchant & Charles, 260th thousand). Seus primeiros registros remontam aos sermões do no , que o uso como demonstração de seu primado:
O título é aplicado apenas indiretamente ao papa, que é referido oficialmente como "Sucessor do Príncipe dos Apóstolos" (Successor principis apostolorum), ou também como "Vigário do Príncipe dos Apóstolos", dentre outras variantes.
Pontífice thumb|Moeda de Bolonha, Estados Papais do em que está escrito "Pius Sextus Pontifex Maximus MDCCXCV" ou seja "Pio VI Pontífice Máximo 1795"
O termo "Pontífice" (Pontifex), cujas variações incluem "Romano Pontífice" ou "Pontífice Romano", "Supremo Pontífice", "Soberano Pontífice" e "Pontífice Máximo" (Pontifex Maximus), sendo a denominação oficial "Sumo Pontífice" (Summus Pontifex) ou mais completamente, "Sumo Pontífice da Igreja Universal" (Summus Pontifex Ecclesiae Universalis) é um dos títulos oficiais do Papa. Do substantivo "Pontífice" foram formados os adjetivos "pontifício" e "pontifical", o primeiro referindo-se às cerimônias e instituições ligadas ao papa, tais como as "Pontifícias Universidades Católicas" (universidades mantidas pela Santa Sé e pelo papa) e o segundo referindo-se aos bispos em geral, como pode ser observado na expressão "Pontifical Romano" (um livro que contém os ritos reservados para os bispos, como confirmação e ordenação).The Oxford Dictionary of the Christian Church (Oxford University Press 2005 ISBN 978-0-19-180190-3), artigo Pontifical O termo Pontífice Máximo é comumente encontrado em inscrições em edifícios, pinturas, estátuas e moedas sobre os papas, sendo normalmente abreviado como "Pont Max" ou "P M". Desde a Idade Média, a Igreja a partir da eleição de um papa, começa a contar um novo calendário em "Anos de Pontificado" ou "Anos Papais" (Anno Papalis - A.P.), que coexiste com o do calendário cristão, contando a partir do nascimento de Jesus Cristo em "Anos do Senhor" (Anno Domini - A.D.). O uso dessas duas datas podem ser vistas em vários monumentos de Roma,Blech, Benjamim; Doliner, Roy. Os Segredos da Capela Sistina: As mensagens secretas de Michelangelo no coração do Vaticano. págs.:159-160. 2011. Editora Ponto da Leitura. ISBN 978-85-390-0272-6. e em todos os decretos papais e alguns documentos da Igreja.