O Selo da Guiana de 1 Cent ou One Cent Magenta é como ficou conhecido o selo mais raro e mais caro do mundo, do qual resta somente um único exemplar, emitido em 1856 junto a uma série no valor de 4 cents pela agência postal da capital da Guiana Inglesa, então colônia do Reino Unido. ISBN 0873414489

Histórico e emissão A Guiana foi constituída como uma colônia britânica em 1837, após aquisição junto à Holanda dos territórios de Essequibo, Berbice e Demerara. Nesta última ficava situada a capital, Georgetown. A colônia vivia tempos difíceis, com o fim do ciclo canavieiro - principal fonte econômica e que entrara em declínio na metade do século XIX.

Assim, em 1856, o estoque de selos postais estava chegando ao fim, antes que houvesse uma reposição enviada pela metrópole. Visando a manutenção dos serviços, o chefe dos correios local deliberou que fossem impressos ali mesmo substitutos provisórios, que fossem o mais similares com aqueles emitidos em Londres. A confecção então coube ao tipógrafo do "Official Gazette", que tomou por modelo a estampa de um selo emitido em 1852.

Como ficaram muito simples as estampas, o chefe dos correios determinou que os funcionários apusessem suas assinaturas a cada venda, com o objetivo de evitar a falsificação.

Características Os selos foram impressos sobre fundo lilás-avermelhado, e tinha um formato mais largo e menos longo que os originais que serviram de modelo. Um pequeno quadrado trazia no seu interior a pequena imagem de um veleiro sobre e abaixo do qual estava escrita a expressão em latim "Damus Petimus / Que Vicissim" (Damos e tomamos por isso). Fora do quadrado, nas partes superior e inferior o nome: British / Guiana; aos lados esquerdo e direito: Postage / One Cent.

Descoberta da raridade Em 1873 L. Vernon Vaughan, jovem colegial inglês morador da Guiana, resolveu colecionar selos e encontrou o exemplar da estampa, feia, suja, mal cortado a tesoura no formato octogonal, nas quais mal se podia divisar a assinatura do funcionário dos correios - E.D.W. (de E. D. Wright) e o carimbo que assinalava a postagem: Demerara Ap 4, 1856.

O selo foi logo vendido pelo colegial a R. McKinnon, um colecionador local, por 4 shillings e por este, em 1878, junto a toda sua coleção, para um comerciante de selos chamado Ridpath, de Liverpool, num valor total de 150 Libras esterlinas.

Ridpath vendeu o selo, por sua vez, a um colecionador suíço de nome Ferrari, um dos maiores filatelistas europeus, no valor individual de 150 libras. Foi quando a raridade do exemplar foi descoberta: como a estampa tivera sido usada para a franquia de jornais, todos os exemplares existentes tinham sido descartados juntamente com os periódicos: o Selo da Guiana de 1 Cent era o único exemplar remanescente.

Trajetória do exemplar Com a eclosão da I Guerra Mundial Ferrari encontrava-se em território francês e fugiu então para a Suíça, mas não pode levar consigo grande parte da coleção, inclusive o Selo da Guiana. Morrendo em 1917, legou a peça em testamento ao Museu Real Postal de Berlim - o que transformou-a em "fortuna inimiga" para a França, que confiscou-a em seguida, como parte dos pagamentos devidos pela Alemanha.

A 6 de abril de 1922 a estampilha foi leiloada, reunindo colecionadores de todo o mundo. Foi arrematado pelo comerciante londrino Arthur E. Griebert, preposto do milionário estadunidense Arthur Hind, por 300 mil francos.

Com a morte de Hind em 1933 o selo consta no testamento como pertencente aos descendentes, devendo ser vendido e o lucro obtido devidamente repartido entre eles. A disposição foi contestada pela viúva que, judicialmente, prova ter ganho o Selo da Guiana como presente. Durante a disputa, o primeiro dono da peça, L. Vernon Vaughan, foi perguntado como se sentia vendo a valorização que o selo alcançara, respondendo: "Bem, procuro não pensar. De resto, que adiantaria?"

Dois anos mais tarde é leiloado pela casa londrina Hammer, Rooke & Co, obtendo contudo como maior lance um valor de 7.500 libras, equivalente àquele pelo qual havia sido comprado, o que não satisfez à viuva, que cancela o negócio. Vários leilões se sucedem, sem sucesso, até que em 1940 foi vendido para um comprador não identificado, e por valor não divulgado.

No dia 17 de junho de 2014 foi leiloado em Nova York por US$ 9,5 milhões, estabelecendo novo recorde mundial e superando em valor o Treskilling Amarelo, da Suécia, até então considerado o selo mais caro do mundo. Os lances partiram de US$ 4,5 milhões e em apenas dois minutos o selo foi vendido por telefone para um comprador anônimo, segundo informações de David Redden, diretor de Projetos Especiais da Sotheby's, casa de leilões que cuidou da venda.Selo de 1856 bate recorde ao ser leiloado por U$ 9,5 milhões. Acesso: 19 de junho, 2014.

Categoria:Selos postais