Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), informalmente chamada de "CGT do Magri", foi uma central sindical brasileira.

História O movimento sindical brasileiro do período final da ditadura militar iria nascer do resultado das imensas greves de trabalhadores de 1978-1980, se dividindo em duas tendências hegemônicas e antagônicas: a primeira delas era a Unidade Sindical, que defendia a manutenção do pacto social tácito para a chamada transição lenta e gradual da ditadura para a democracia que, dentre outras coisas, pressupunha refrear as reivindicações dos trabalhadores, a conciliação com os setores empresariais e as pautas políticas e econômicas da burguesia, e; a segunda era o "Novo Sindicalismo" (ou "Bloco dos Combativos"), que recusava o controle do Estado, rompia frontalmente com o peleguismo e mantinha uma prática sindical reivindicativa. Diante desses cenários, foi pensada a convocação de uma "Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras", que buscava reunir correntes de sindicalismo em uma única entidade. Para a realização de tal evento, foi formada a seguinte comissão organizadora: Organização-Geral: Raimundo Rosa de Lima e Joaquim "Joaquinzão" dos Santos Andrade; Finanças: Arnaldo Gonçalves e Lula da Silva; Secretaria e Divulgação: Hugo Perez, Crispim da Cruz e Édson Barbeiro dos Campos.

A 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (I Conclat) — um histórico e amplo encontro intersindical realizado no Brasil em agosto de 1981, na cidade de Praia Grande (SP) — marcou a primeira grande articulação nacional dos trabalhadores do campo e da cidade desde o início da ditadura militar em 1964. A tônica do evento estava na luta pela redemocratização do país, havendo, ainda, fortes debates sobre melhorias salariais e a perseguição promovida pela ditadura contra os trabalhadores. No entanto, a proposta pela criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pelo "Bloco dos Combativos", encontrava resistência na tendência da Unidade Sindical, que defendia a manutenção da estrutura oficial. As negociações da I Conclat foram particuarmente renhidas. Sem o consenso, forma-se o Bloco da Unidade Sindical que não se filia ao grupo que daria origem à CUT.

Tentando rapidamente se contrapôr e reagir à criação da CUT (ocorrida em agosto de 1983), o Bloco da Unidade Sindical reuniu todos os setores do sindicalismo tradicional e governista, promovendo uma aliança tática com os comunistas, criando, durante o "Congresso Nacional da Classe Trabalhadora" (Conclat-83), em 6 de novembro de 1983, em Praia Grande (SP), uma nova central sindical chamada "Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora" (CONCLAT). A diretoria colegiada da CONCLAT compunha-se de Joaquinzão Andrade, Hugo Perez, Crispim da Cruz e Édson Barbeiro dos Campos.

Entre os dias 21, 22 e 23 de março de 1986, 5.546 delegados, representando 1341 entidades sindicais de todo o Brasil, foram convocados para um Congresso da Central CONCLAT. Nesse evento, a instituição teve seu nome alterado para "Central Geral dos Trabalhadores" (CGT), numa tentativa de mimetizar o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Foi eleito como presidente da CGT o nome de Joaquinzão Andrade, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Em setembro de 1988 mudou seu nome para "Confederação Geral dos Trabalhadores", mantendo a sigla CGT. Porém, no ano seguinte, surgiu uma forte uma divisão interna entre o grupo tradicional de Joaquinzão e a tendência intitulada "Sindicalismo de Resultados" liderada por Antônio Rogério Magri e Luiz de Medeiros. O grupo de Magri acabaria por conseguir assumir o comando da CGT em maio de 1989. Isso levou o grupo de Joaquinzão, apoiado fortemente pelas tendências sindicais do MR-8 e do PCB que estavam na CGT, a buscar, em 1989, a retomada do nome da Central Geral dos Trabalhadores (que, em 2004, tornou-se a CGTB), o que fez com que passassem a existir duas CGT's. No movimento sindical, para que houvesse uma separação entre as duas, criou-se a terminologia informal da "CGT do Magri", ou seja, a Confederação, e da "CGT do Joaquinzão", ou seja, a Central.

A saída de Joaquinzão, levando consigo as tendências do MR-8 e do PCB, fez com que, de 1989 até o final da decada de 1990, ocorresse um movimento de esfacelamento da "CGT do Magri". Ainda em 1989, a Corrente Sindical Classista (CSC), uma tendência comunista oriunda do PCdoB, deixou "CGT do Magri" e filiou-se à CUT. A saída dos grupos do MR-8, do PCB e do PCdoB representou o fim da aliança tática estabelecida com os comunistas em 1983. Em 1991, a maioria absoluta dos representantes da tendência "Sindicalismo de Resultados", liderada por Luiz de Medeiros, desfiliou-se para formar a Força Sindical. Em 1995, cerca de 1/3 de sindicatos desfiliou-se para dar origem à Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e mais da metade dos restantes desfiliou-se em 1997 para dar origem à Social Democracia Sindical (SDS).

Em 2007, a "CGT do Magri" se fundiu à SDS, à CAT e à dissidências da Força Sindical para dar origem à União Geral dos Trabalhadores (UGT). Quando da sua fusão para formar a UGT, a "CGT do Magri" possuía 152 sindicatos filiados, somando 4,5% da massa de trabalhadores do Brasil.

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