Luísa Augusta Guilhermina Amália de Meclemburgo (em alemão: Luise Auguste Wilhelmine Amalie zu Mecklenburg; Hanôver, 10 de março de 1776 – Hohenzieritz, 19 de julho de 1810) foi esposa do rei Frederico Guilherme III e Rainha Consorte da Prússia de 1797 até a sua morte. Foi mãe do primeiro imperador alemão, Guilherme I, e da imperatriz Alexandra Feodorovna da Rússia.
Luísa era filha de Carlos II, Grão-Duque de Meclemburgo-Strelitz, príncipe alemão que prestava serviço como marechal de campo e que mais tarde se tornou governador-geral do Eleitorado de Hanôver. Após as mortes da sua mãe e madrasta, Luísa de seis anos e os seus irmãos foram viver com a avó em Darmstadt, onde foram criados de forma simples e com uma forte consciência para educação e caridade. O seu casamento com o príncipe-herdeiro prussiano em 1793 e ascensão ao trono como rainha-consorte quatro anos depois levaram a que Luísa se tornasse o centro da corte real. A rainha era popular e conhecida pela sua beleza e charme, fazendo questão de se manter a par dos assuntos de estado, o que levou a que formasse poderosas alianças com os ministros do governo. O seu casamento feliz, ainda que de curta duração, deu origem a nove filhos, incluindo os futuros monarcas Frederico Guilherme IV da Prússia e o primeiro imperador alemão Guilherme I.
O seu legado ficou ainda mais fortalecido após o seu encontro infame com Napoleão Bonaparte em Tilsit (atual Sovetsk) em 1807 — Luísa encontrou-se com ele com o objectivo de lhe pedir termos favoráveis ao Reino da Prússia depois das derrotas desastrosas durante as invasões napoleónicas, algo que não conseguiu. Já muito amada pelos seus súbditos, este encontro fez com que Luísa fosse reverenciada como a alma da virtude nacional. A sua morte prematura aos 34 anos preservou a sua memória para a posteridade e fez com que Bonaparte tivesse afirmado que o rei perdeu o seu melhor ministro. A Ordem de Luísa foi instaurada pelo seu marido desgostoso quatro anos após a sua morte como contra-parte à Cruz de Ferro. Na década de 1920, as mulheres alemãs conservadoras fundaram a Liga da Rainha Luísa, e a própria rainha seria usada na propaganda nazi como um exemplo da mulher alemã ideal.
Início de vida Nascimento thumb|left|160 px|Luísa em 1784 A duquesa Luísa Augusta Guilhermina Amália de Meclemburgo-Strelitz nasceu no dia 10 de março de 1776 numa villa de um andar,Na mesma residência em que o amante de Sofia de Celle, esposa do rei Jorge I da Grã-Bretanha tinha sido assassinado. nos arredores da capital do ducado em Hanôver.Maxwell Moffat, p. 16.Chisholm (1911a) (ed). Era a quarta menina e sexta filha de Carlos II, Grão-Duque de Meclemburgo-Strelitz e da sua esposa, a condessa Frederica de Hesse-Darmstadt, uma neta de Luís VIII de Hesse-Darmstadt. A sua avó materna, a condessa Maria Luísa de Hesse-Darmstadt, e a sua prima direita paterna, a princesa Augusta Sofia do Reino Unido foram as suas madrinhas de baptismo; o seu segundo nome foi dado em honra da princesa.Maxwell Moffat, p. 17
Quando Luísa nasceu, o seu pai ainda não era governante de Meclemburgo-Strelitz (viria a suceder o seu irmão como duque apenas em 1794), e consequentemente, ela não nasceu na corte, mas sim numa casa menos formal. Carlos era marechal de campo da brigada doméstica de Hanôver e pouco depois do nascimento de Luísa tornou-se governador-geral do território por ordem do rei Jorge III da Grã-Bretanha e Hanôver.Hudson (2005a), p. 156. A família mudou-se mais tarde para Leineschloss, a residência dos reis de Hanôver, apesar de continuar a morar em Herrenhausen no verão.
Luísa era muito próxima à sua irmã Frederica, que era dois anos mais nova, bem como ao irmão Jorge. Luísa e os irmãos eram cuidados pela sua governanta fraulein von Wolzogen, uma amiga da mãe.Maxwell Moffat, p. 19. Quando Luísa tinha apenas seis anos de idade, perdeu a mãe quando ela dava à luz, algo que deixou uma marca permanente na jovem duquesa; quando se encontrava com crianças órfãs, Luísa dava-lhes sempre dinheiro, afirmando que ela é como eu, não tem mãe. Após a morte da duquesa, a família trocou Leineschloss por Herrenhausen, por vezes chamada de uma miniatura de Versalhes. O pai de Luísa voltou a casar-se dois anos depois com a irmã mais nova da sua antiga esposa, Carlota, tendo um filho dela, Carlos. Luísa afeiçoou-se à sua nova madrasta, mas esta também viria a morrer um ano depois do casamento.Kluckhohn, p. 4. O duque ficou destroçado e decidiu levar os seus filhos para Darmstadt, entregando-os ao cuidado da sua sogra, a condessa viúva de Darmstadt e avó materna de Luísa.
Educação thumb|right|200px|Princesa real LuísaJohann Friedrich August Tischbein, 1796.
A avó de Luísa preferiu educar os netos de forma simples e eles faziam as suas próprias roupas.Faithfull, Francis G. "Queen Louise of Prussia (1776-1810)". Retirado a 28 de dezembro de 2010. Foi contratada uma nova governanta da Suíça, madame Gelieux, que deu lições de francês às crianças, como acontecia frequentemente com crianças da aristocracia da época, Luísa tornou-se fluente e aprendia as outras lições em francês, negligenciando o seu alemão nativo.Kluckhohn, p. 5. A sua educação religiosa foi dada por um clérigo da Igreja Luterana.Maxwell Moffat, p. 28. Para além das suas lições, Luísa aprendeu também o valor da caridade, acompanhando frequentemente a sua governanta quando esta visitava casas de pobres e necessitados. Luísa era encorajada a dar tanto quanto podia, mesmo apesar de arranjar frequentemente problemas com a avó por dar demasiado dinheiro à caridade.Maxwell Moffat, p. 25. Desde os dez anos até ao seu casamento aos dezassete, Luísa passou a maior parte do tempo na companhia da sua avó e da governanta, ambas bem-educadas e refinadas.Maxwell Moffat, p. 24. Quando tinha apenas nove anos de idade, Luísa assistiu à leitura do primeiro acto de "Don Carlos" pelo poeta Friedrich Schiller, algo que fomentou o seu amor pela literatura alemã, principalmente pelos trabalhos de Schiller.Maxwell Moffat, p. 21. Luísa adorava história e poesia e, além de Schiller, também gostava de Goethe, Paul, Herder, Shakespeare e tragédias gregas.Knowles Bolton, pp. 19-20.
Em 1793, Maria Luísa levou as suas duas netas mais novas a Frankfurt quando foi dar condolências ao seu sobrinho, o rei Frederico Guilherme II da Prússia.Kluckhohn, p. 7. Luísa tinha-se tornado numa jovem mulher bonita, com uma aparência requintada e grandes olhos azuis e era graciosa por natureza.Knowles Bolton, p. 15. O tio de Luísa, o duque de Meclemburgo, tinha esperanças de fortalecer os laços entre a sua casa real e a Prússia.Drumin, Dawn, "Queen Louise of Prussia", King's College. Retirada a 28 de Dezembro de 2010. Consequentemente, numa noite planeada cuidadosamente pelo duque, Luísa de dezassete anos conheceu o filho e herdeiro do rei, o príncipe-herdeiro Frederico Guilherme. O príncipe-herdeiro tinha vinte e três anos, era sério e religioso.Kluckhohn, p. 11. Luísa impressionou-o tanto que ele decidiu imediatamente que queria casar com ela.Kluckhohn, p. 8. Entretanto, a irmã de Luísa, Frederica, chamou a atenção do irmão mais novo de Frederico, o príncipe Luís Carlos, e as duas famílias começaram a planear um noivado duplo que foi celebrado um mês depois, no dia 24 de abril de 1793 em Darmstadt. Frederico e Luísa casaram-se no dia 24 de dezembro do mesmo ano, com Frederica a contrair matrimónio dois dias depois.Hanne Bahra: Königin Luise. Von der Provinzprinzessin zum preußischen Mythos. Bruckmann-Verlag, München 2009, ISBN 978-3-7658-1825-7.
Prússia Princesa herdeira thumb|left|180px|Frederico Guilherme III e rainha Luísa no jardim do Palácio CharlottenburgFriedrich Georg Weitsch, 1799, Schloss Pfaueninsel.
A chegada de Luísa a Berlim, a capital prussiana, provocou grande sensação e ela foi agraciada com uma grande recepção por parte dos cidadãos alegres da cidade.Clark, p. 316.Kluckhohn, p. 9. Quando quebrou o protocolo para pegar numa criança e beijá-la, o escritor prussiano Friedrich de la Motte Fouqué comentou que a chegada da princesa angelical espalha um esplendor nobre nestes dias. Todos os corações saem para a conhecer e a sua graça e bondade não deixam ninguém indiferente. Outro escreveu que quanto mais uma pessoa conhece a princesa, mas fica cativada pela sua nobreza interior e pela bondade angélica do seu coração.Kluckhohn, p. 10.
O sogro de Luísa, o rei Frederico Guilherme II, deu o Palácio de Charlottenburg ao casal, mas o príncipe-herdeiro e a sua esposa preferiam viver no Palácio de Paretz, nos arredores de Potsdam, onde Luísa se mantinha ocupada com os afazeres da casa.Knowles Bolton, p. 18. Paretz ficava longe da confusão da corte, já que o casal se sentia mais feliz no abrigo rural da vida no campo.Kluckhohn, p. 10, 12. O casamento foi feliz e Luísa era muito amada pelo marido que lhe chamava a princesa das princesas e lhe deu um palácio em Oranienburg.Knowles Bolton, p. 19.
A princesa-herdeira via como seu dever apoiar o marido em todas as suas decisões e o casal gostava de passar tempo junto a ler Shakespeare e Goethe.Drumin, Dawn, "Queen Louise of Prussia", King's College. . Retirado a 28 de dezembro de 2010. Luísa não demorou a ficar grávida, dando à luz, para sua tristeza, uma bebé morta no dia 1 de outubro de 1794. No entanto, pouco depois, seguiram-se nove filhos saudáveis com pouca diferença de idades entre eles, apesar de dois deles terem morrido na infância: Frederico Guilherme (1795), Guilherme (1797), Carlota (1798), Frederica (1799), Carlos (1801), Alexandrina (1803), Fernando (1804), Luísa (1808) e Alberto (1809).The Peerage
O espírito caritativo de Luísa nunca esmoreceu durante a sua vida e, em certa ocasião, enquanto participava num festival de colheitas, comprou presentes e distribuiu-os pelas crianças locais. No primeiro aniversário de casamento, quando o rei Frederico Guilherme II pediu à sua nora o que ela queria de presente, ao que Luísa respondeu que queria dinheiro para distribuir pela cidade e partilhar a sua alegria com o povo. O rei sorriu e deu-lhe uma grande quantia para a tarefa.Kluckhohn, pp. 12-13.
Rainha consorte thumb|right|200px|Rainha Luísa da PrússiaJohann Friedrich August Tischbein, 1798, Hermitage. A 16 de novembro de 1797, o seu marido sucedeu ao trono do Reino da Prússia como rei Frederico Guilherme III, após a morte do seu pai. Luísa escreveu à sua avó: Agora sou rainha e o que mais me alegra é a esperança de que a partir de agora não tenho de escolher as minhas obras de caridade com tanto cuidado.Citada em Kluckhohn, p. 13. O casal teve de abandonar a solicitude do Palácio de Paletz e começou a viver sob a repressão da corte real.Faithfull, Francis G. "Queen Louise of Prussia (1776-1810)". Retirado a 28 de dezembro de 2010 Começaram uma viagem pelas províncias orientais do país com dois objectivos: o rei queria conhecer melhor os seus novos súbditos e apesar da invulgaridade de uma consorte acompanhar o rei para além da capital, Frederico Guilherme também queria que o povo conhecesse a sua rainha.Hudson (2005b), p. 1. Luísa foi recebida com festejos em todo o lado. Pela primeira vez na história da Prússia, a rainha surgia como uma figura celebrada por direito próprio, uma vez que exercia um papel muito mais importante do que as antigas rainhas. A presença de Luísa na viagem oriental do marido foi uma inovação no papel tradicional da consorte. Contudo, o poder e legado da rainha não vinham do facto de ter uma corte separada da do marido, mas sim o oposto: ela sempre subordinou a sua inteligência e a sua destreza em favor do sucesso do marido.Clark, pp. 317-18. Também se tornou num ícone de moda, iniciando a moda de usar um lenço para a impedir de ficar doente.Clark, p. 317.