miniaturadaimagem|300px|Os presidentes Joe Biden e Xi Jinping em 2022. As relações entre China e Estados Unidos são relações estabelecidas entre a República Popular da China e os Estados Unidos da América. A maioria dos analistas caracterizam as atuais relações sino-americanas como sendo complexas e multifacetadas. Os Estados Unidos e a República Popular da China normalmente não são nem aliados e nem inimigos; o governo dos Estados Unidos e suas instituições militares não consideram a China como um adversário, mas como um concorrente em algumas áreas e um parceiro em outras.
Até a década de 1970, os Estados Unidos reconheceram a República da China em Taiwan como o governo legítimo da China continental e não mantiveram relações diplomáticas com o regime socialista da República Popular da China. Em meio à Guerra Fria, a cisão sino-soviética forneceu uma abertura para os Estados Unidos estabelecerem laços com a China continental como um meio de conter a União Soviética.História das relações entre Estados Unidos e China
Desde 2011, os Estados Unidos possuem a maior economia do mundo e a China a segunda maior, embora muitos norte-americanos acreditem que a China "é a potência econômica líder no mundo". A China possui a maior população mundial e os Estados Unidos a terceira maior, atrás apenas da Índia. Os dois países são os maiores consumidores de automóveis e petróleo, além de serem os maiores emissores de gases do efeito estufa.
As relações entre a República Popular da China e os Estados Unidos têm sido geralmente estáveis, com alguns períodos de tensão, principalmente após a dissolução da União Soviética, que removeu um inimigo em comum e deu início a um mundo caracterizado pelo domínio norte-americano. Também há preocupações relativas aos direitos humanos na República Popular da China e ao estatuto político de Taiwan.
Embora existam algumas tensões nas relações sino-americanas, também há muitos fatores de estabilização. A República Popular da China e os Estados Unidos são parceiros comerciais importantes e têm interesses comuns na prevenção e repressão ao terrorismo e a proliferação nuclear. A China e os Estados Unidos são os maiores parceiros comerciais mútuos, excluindo a União Europeia. A China é também o maior credor externo dos Estados Unidos. Os desafios e as dificuldades da China são principalmente internas, e há um desejo de manter relações estáveis com os Estados Unidos. O relacionamento sino-americano foi descrito por líderes e acadêmicos como a relação bilateral mais importante do mundo no Século XXI.Departamento de Estado dos Estados Unidos - Background Note: China
História Guerra da Coreia
No cenário geopolítico da década de 1950, eram claras as intenções do Governo Truman em abandonar o governo de Chiang Kai-Shek e reconhecer diplomaticamente a República Popular da China. Porém, os planos foram drasticamente alterados com a eclosão da Guerra da Coreia em junho de 1950. Tropas da Coreia do Norte invadiram a Coreia do Sul (apoiada pelos Estados Unidos), levando à formação de uma coalização internacional encabeçada pelo governo estadunidense. Em seguida, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a "Resolução 82", declarando oficialmente guerra a Coreia do Norte. A resolução foi adotado principalmente porque a União Soviética, um dos membros permanentes da organização, vinha boicotando propostas dos Estados Unidos desde janeiro daquele ano em protesto ao alinhamento com Taiwan.Malkasian, Carter (2001). The Korean War: Essential Histories. Osprey Publishing. p. 16. thumb|left|230px|Zona Desmilitarizada da Coreia. As forças encabeçadas pelos Estados Unidos fizeram recuar o Exército Popular da Coreia até o Paralelo 38 N, aproximando-se do rio Yalu na fronteira com a China. As exigências chinesas de que suas fronteiras não fossem invadidas foram ignoradas pelas tropas norte-americanas, levando a um contra-ataque massivo de Pequim. O exército chinês partiu em ataque ao longo do rio Chongchon e abateu diversas divisões sul-coreanas. A derrota imposta ao 8º Exército dos Estados Unidos é ainda hoje a maior derrota sofrida por um contingente militar estadunidense. Ambos os lados sofreram sucessivas baixas até que as forças aliadas puderam fazer recuarem os exércitos chineses até a divisão original. No fim de março de 1951, quando o exército chinês moveu tropas na proximidade da fronteira com a Coreia, os Estados Unidos ativaram diversos postos de armamento de bombas em Kadena. Em abril do mesmo ano, o Estado-Maior Conjunto ordenou o contra-ataque imediato com uso de armas nucleares contra as bases da Manchúria como forma de evitar um maior ataque dos chineses. No mesmo dia, Truman aprovou a transferência de armas nucleares para a Base de Beale que deveriam ser usadas contra os norte-coreanos e chineses. Após dois anos de conflito, ambas as partes assinaram o Acordo de Armistício Coreano em 27 de julho de 1953. Desde então, uma Coreia dividida têm sido fator importante nas relações sino-americanas.
Esfriamento Nos anos seguintes, os Estados Unidos continuaram trabalhando para evitar que a China aderisse às Nações Unidas e encorajou seus aliados a evitar negociações com Pequim. Não obstante, impuseram um embargo comercial contra a China. O governo chinês, por sua vez, passou a desenvolver armas nucleares a partir de 1964 e, de acordo com documentos revelados posteriormente, o Presidente Lyndon B. Johnson chegou a considerar um ataque presuntivo contra o programa nuclear chinês. Por conta dos altos riscos bélicos, o plano não entrou em vigor.
Durante mais de 22 anos, mais especificamente entre 1949 e 1971, as relações sino-americanas foram altamente hostis, com Mao Tsé-Tung frequentemente referindo-se aos Estados Unidos como "a mais perigosa potência imperialista" e os sucessivos ataques de Washington à propaganda política chinesa. John F. Kennedy descrevia a política dos Estados Unidos contra a China como "sem sentido" e considerou restabelecer relações formais com o país em seu segundo mandato. Contudo, seu assassinato em 1963, a eclosão da Guerra do Vietnã e a Revolução Cultural na China, afastara por mais algumas décadas quaisquer possibilidades de contato diplomático direto entre os dois países.
Apesar de não reconhecerem um ao outro oficialmente, China e Estados Unidos tiveram 136 encontros bilaterais de 1954 a 1970, inaugurados pela reunião bilateral em Varsóvia em 1958.
Reaproximação O fim da década de 1960 trouxe um período de grandes transformações. Para a China, quando o Lyndon B. Johnson deu início às negociações para a rendição do Vietnã do Norte em 1968, houve uma impressão de que os Estados Unidos não tinham mais interesse em influenciar a Ásia, enquanto a União Soviética tornava-se uma ameaça mais sólida, especialmente após a Invasão da Tchecoslováquia para derrubada do governo comunista ali no poder.
Visita de Richard Nixon à China em 1972 A visita de 1972 do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, à República Popular da China foi uma importante abertura diplomática que marcou o ponto culminante da retomada das relações harmoniosas entre os Estados Unidos, resultando no Comunicado de Xangai.
Questão de Taiwan
As relações posteriores a 'Normalização' foram ameaçadas em 1981 pelas pretensões de Pequim sobre as vendas de armamentos norte-americanos à República da China. O então Secretário de Estado Alexander Haig visitou a China em junho de 1981 numa tentativa de resolver as questões chinesas sobre as relações não-oficiais dos Estados Unidos com Taiwan. O então Vice-presidente, George H. W. Bush, repetiria a visita em maio de 1982. Após meses de negociações, os países publicaram o "Comunicado Conjunto EUA-China" em 17 de agosto de 1982, no qual o governo estadunidense afirmava sua intenção de reduzir gradativamente a venda de armamentos a Taiwan enquanto a China se comprometia a buscar soluções pacíficas para as disputas com a ilha. O "Ato de Relações com Taiwan", aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos em 10 de abril de 1979, vinha permitindo tais relações não-oficiais entre os dois governos. Após o anúncio oficial da Casa Branca de abertura de relações diplomáticas com a ilha asiática em dezembro de 1978, Pequim condenou os Estados Unidos, gerando fortes protestos em ambos os países.
Década de 2000: Bush, Zemin e Jintao thumb|right|230px|George W. Bush e Hu Jintao cumprimentam-se em Zhongnanhai, 2008. Inversamente as relações sino-americanas experimentaram melhorias após os Ataques de 11 de setembro de 2001, que marcaram também o primeiro ano de governo de George W. Bush. Inclusive dois cidadãos chineses estavam entre as vítimas dos ataques terroristas contra o World Trade Center, em Nova Iorque. Em resposta aos atentados, o governo da República Popular da China ofereceu apoio logístico e financeiro na "Guerra ao Terror", votando a favor também da "Resolução 1373" do Conselho de Segurança das Nações Unidas que apoiavam a Intervenção militar internacional no Afeganistão. Pequim e Washington, D.C. iniciaram um longo processo de diálogos contra o terrorismo após os ataques de setembro de 2001.
Nos Estados Unidos, os ataques terroristas de 2001 acabaram por mudar totalmente o foco das relações internacionais. Já não era mais recorrente da Casa Branca colocar Pequim como seu rival internacional, já que as atenções estavam voltadas para o Oriente Médio. Esta mudança de foco, acabou por abrir o cenário regional asiático para a influência política e comercial chinesa.
O governo chinês, no entanto, passou a temer que a Guerra contra o terrorismo promovida pelos Estados Unidos desencadeasse em esforços contra Pequim, já que as Forças Armadas estadunidenses estabeleceram diversas bases militares em países da Ásia Central, como Usbequistão e Tajiquistão e renovou medidas contra o Iraque. Entretanto, a crescente cooperação entre os dois países durante e após o ápice da Guerra do Iraque diminuiu o sentimento de rivalidade política comum na década de 1990.
Década de 2010: Era Obama thumb|230px|O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da República Popular da China, Hu Jintao, em um encontro na Casa Branca, em 2011. As eleições presidenciais estadunidenses de 2008 centraram questões de guerra e recessão econômica, porém os candidatos Barack Obama e John McCain também abordaram com profundidade suas posições sobre as relações diplomáticas com a China. Ambos os candidatos eram a favor de uma maior cooperação com o país asiático na maioria das questões internacionais, divergindo somente no relativo à política comercial. Enquanto Obama defendia que o valor da moeda chinesa era propositalmente desvalorizado para favorecer seus exportadores, McCain argumentava que o livre comércio seria crucial para o continente. Posteriormente, McCain afirmaria que a China não compartilha os "valores americanos, apesar dos mesmos interesses".
Durante sua presidência, no entanto, Obama buscou ampliar a cooperação e amizade entre os dois países. Em 8 de novembro de 2008, logo após sua vitória eleitoral, Obama teve uma breve conversa telefônica com o então Presidente chinês Hu Jintao, na qual este último o parabenizou pela vitória e concordou em trabalhar para desenvolver melhores relações políticas entre as duas nações.