A literatura de Angola nasceu antes da Independência de Angola em 1975, mas o projeto de uma ficção que conferisse ao homem africano o estatuto de soberania surge por volta de 1950 gerando o movimento Novos Intelectuais de Angola.Ana Paula Ribeiro Tavares: Cinquenta anos de literatura angolana, accessado em 24 de setembro de 2009 A literatura de Angola muitas vezes versa temas como o preconceito, da dor causada pelos castigos corporais, do sofrimento pela morte dos entes queridos, da exclusão social.

A palavra literária desempenhou em Angola um importante papel na superação do estatuto de colônia. Presente nas campanhas libertadoras foi responsável por ecoar o grito de liberdade de uma nação por muito tempo silenciado, mas nunca esquecido. O angolano vive, por algum tempo, entre duas realidades, a sociedade colonial européia e a sociedade africana; os seus escritos são, por isso, os resultados dessa tensão existente entre os dois mundos, um com escritos na nascente da realidade dialética, o outro com traços de ruptura.

História

No período de intensificação do colonialismo português, século XIX, a literatura era usada como um instrumento de expressão da dominação cultural colonialPINTO, João Paulo Henrique. Literatura e identidade nacional em Angola. Revista Hydra: Revista Discente de História da UNIFESP, v. 2, n. 3, p. 105-132, 2017.. Essa literatura adepta da relação colonial tinha em comum a:

Reprodutora do ideal imperial português, essa literatura carregava em si o projeto de assimilação e aculturação dos nativos, em subordinação à metropole. Destacavam-se nela escritores como José da Silva Maia Ferreira e António de Assis Júnior. Esse último, porém, já possuia uma relação mais ambivalente com a Angola, apesar de pertencer a literatura colonial, dado que expressou nas suas obras, entre elas destaca-se O Segredo da Morta – romance de costumes angolenses, a dualidade cultural angolana em seu jogo de conflitos e apropriações locais, e por isso ele será também considerado o fundador do romance angolano. Foi em contraposição à essa literatura colonial, e inspirados por seus dissidentes, que um movimento literário que se reivindicava propriamente angolano se formou, por volta de 1940. A publicação do Boletim Mensagem (1948-1964), pela Casa dos Estudantes do Império, propiciou, para o desagrado do regime salazarista, um espaço de desenvolvimento cultural e artistico da juventude africana lusófona que habitava passageiramente a metrópole. Esse periódico contribuiu significativamente na gestão do pensamento anticolonial e da identidade do nacionalismo literário angolano. Também importante foi a Revista Mensagem – a voz dos naturais de Angola, que comunicou as ideias dos novos intelectuais nacionalistas angolanos. O lema Vamos Descobrir Angola expressou o agrupamento de intelectuais em torno da Revista Mensagem, que passaram à se denominar Novos Intelectuais de Angola, e buscaram recuperar e dar expressão à estética e costumes considerados angolanos. Assim, afirmou ser

Essa 'verdadeira Cultura Angolana' se tratava, em um território tão diverso em povos, numa seleção por parte desses intelectuais, com base nos seus entendimentos e imaginações da nação angolana. No entanto, seu compromisso de combater a moralidade implicita no cânone literário colonial era claro.

Apesar de usar o português como base de sua expressão, o movimento também buscou valorizar o quimbundo e as alterações da lingua na oralidade das ruas. O lema de Vamos Descobrir Angola motivou a imersão em culturas locais, e registros e elaborações sobre os folclore e tradições desses povos. Academia Angolana de Letras Em 2016 foi criada a Academia Angolana de Letras e seu estatuto editado no Diário da República, edição n.º57, de 28 de Março de 2016. É uma associação privada sem fins lucrativos, de carácter cultural e científico e seus criadores tem os nomes de escritores angolanos como: Andiki Guerra, António Botelho de Vasconcelos e Boaventura Silva Cardoso.Academia Angolana de Letras comemora primeiro aniversário. Sapo. Acesso em 2 de julho de 2018.

Escritores

Escritores portugueses de Angola Colonial José da Silva Maia Ferreira (1827-1867) Joaquim Cordeiro da Matta (1857-1894) António de Assis Júnior (1887-1960) Tomaz Vieira da Cruz (1900-1960)

Escritores de Angola independente José Luandino Vieira (1935—), premiado em 2006 com o Prémio Camões Adriano Botelho de Vasconcelos (1955) Agostinho Neto (1922—1979) Ana Paula Ribeiro Tavares (1955) António Jacinto (1924—1991) Arlindo Barbeitos (1940) Henrique Abranches (1932—2002) Geraldo Bessa-Victor (1917-1985) Isabel Ferreira (1958) João Melo (1955) José Eduardo Agualusa (1960) Kardo Bestilo (1976) Luís Filipe Guimarães da Mota Veiga (1948—1998) Ondjaki (1977) Paulo de Carvalho (1960) Pepetela ou Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos (1941) Uanhenga Xitu (1924) Víctor Kajibanga (1964) Viriato Clemente da Cruz (1928—1973)

Ver também Cultura de Angola Lista de escritores de Angola Português de Angola

Ligações externas Viagem ao universo africano - Angola e Moçambique: Experiência colonial e territórios literários Primórdios da literatura angolana Site oficial da União dos Escritores Angolanos pt.shvoong.com: O Passado Presente na Literatura Angolana "Literatura Angolana" in Lusofonia - plataforma de apoio ao estudo da língua portuguesa no mundo