A Fieseler Fi 103R (Reichenberg) foi uma versão tripulada da Fi Fieseler 103 mais conhecida como V-1 bomba voadora, produzido para as missões que deveriam ser realizadas pelo Esquadrão Leónidas, Staffel 5 da Kampfgeschwader 200 (KG200) da Luftwaffe, nos finais da Segunda Guerra Mundial.
História Antecedentes
O Esquadrão Leónidas, parte do KG200, tinha sido criado como um esquadrão suicida. Os voluntários foram obrigados a assinar uma declaração que dizia:
"Tenho a honra de me apresentar voluntariamente para ser inscrito no grupo de suicídio, como parte de um planador/homem-bomba. Compreendo perfeitamente que o emprego nesta capacidade implicará a minha própria morte."
Inicialmente , tanto o Messerschmitt Me 328 e a Fi Fieseler 103 foram consideradas como aeronaves adequadas, mas a Fi 103 foi preterida em favor do Me 328 equipado com uma bomba de 900kg (2.000 lb).
No entanto, foram sentidos problemas em converter o Me 328, e Heinrich Himmler queria cancelar o projecto. Otto Skorzeny, que estava a investigar a possibilidade de utilização de torpedos-tripulados contra os navios Aliados, foi instruído por Hitler a reavivar o projecto. Skorzeny contactou a famosa piloto Hanna Reitsch. A Fi 103 foi reavaliada e uma vez que pareceu oferecer ao piloto uma pequena hipótese de sobreviver, foi adoptado para o projecto.
O projecto foi dado o nome de código "Reichenberg", após a capital do antigo território da Checoslováquia "Reichsgau Sudetenland" (actual Liberec). Quanto à aeronave era conhecida por "Reichenberg-Geräte" (aparelho Reichenberg).
DFS
No Verão de 1944, o "DFS - Deutsche Forschungsanstalt für Segelflug" (Instituto Alemão de Pesquisa para Planadores de Voo) em Ainring, assumiu a tarefa de desenvolver uma versão tripulada da Fi 103. Um exemplar foi preparado para teste em poucos dias e foi estabelecida uma linha de produção em Dannenberg.
A V-1 foi transformada na Reichenberg adicionando um cockpit pequeno, apertado em frente da entrada do pulsorreactor, onde no V-1 padrão, estavam montados os cilindros de ar comprimido. O cockpit teve instrumentos básicos de voo e um assento cúbico de madeira contraplacada. A canópia era uma peça única que incorporava um painel frontal blindado e de abertura lateral para permitir a entrada. Os dois cilindros de ar comprimido, foram substituídos por um, montado na traseira, no espaço que normalmente destinado ao piloto automático da V-1. As asas foram equipados com bordas endurecidas para cortar os cabos dos balões barragem.
Foi proposto que um bombardeiro He 111 levaria um ou dois Reichenberg debaixo de suas asas, liberando-os perto do alvo. Depois os pilotos das Reichenberg, teriam de dirigir as suas aeronaves para o alvo, ejectando a canópia do cockpit e abandonar a aeronave, antes do impacto. Estima-se que as hipóteses de um piloto sobreviver a um salto das suas Reichenberg seriam inferiores a 1%, devido à proximidade da entrada da pulsorreactor ao cockpit.
Versões
Havia quatro versões: até Outubro de 1944 cerca de 175 R-IV estavam prontos para a acção.
R-1 - planador monolugar básico. R-II - tinha um segundo cockpit montado, onde estaria a ogiva. R-III R-IV - o modelo operacional padrão.
Treino
Os voluntários eram treinados em planadores básicos para sentirem os efeitos de um voo de planagem, então progrediram para planadores especiais com asas encurtado susceptíveis a mergulhos em velocidades até 300 quilómetros por hora (190 mph). Após estes treinos, passavam para a versão R-II.
Os treinos nas versões R-I e R-II embora com aterragem difícil sobre skis , demonstravam bom comportamento por parte da aeronave e antecipava-se o seu uso por parte do Esquadrão Leónidas. Albert Speer escreveu a Hitler no dia 28 de Julho 1944 a dizer que se opôs ao desperdício de homens e máquinas nos Aliados em França e sugeriu seria que melhor utiliza-los contra centrais energéticas Soviéticas.
Voos de teste
O primeiro voo foi realizado em Setembro de 1944 em Larz, com o Reichenberg largado de um He 111. Contudo, após o piloto ter perdido controle do seu aparelho quando acidentalmente ejectou a canópia, levou ao despenhamento desse aparelho. No dia seguinte, um segundo voo também terminou em desastre, e voos de teste subsequentes foram realizadas pelos pilotos de teste Heinz Kensche e Hanna Reitsch. Reitsch sofreu vários despenhamentos mas sobreviveu incólume. A 5 de Novembro de 1944, durante o segundo voo de teste do R-III, uma asa caiu devido a vibrações e Kensche Heinz conseguiu saltar e abrir o paraquedas em segurança, embora com alguma dificuldade devido ao cockpit apertado.
Cancelamento
Em 5 de Março de 1945, Heinz Kensche morreu quando um Fi R-103R-III modificado,com asas encurtadas, perdeu as duas asas durante um voo de teste. Werner Baumbach, o comandante da KG200, ficou farto do programa e pediu ajuda a Albert Speer. Werner Baumbach e Speer reuniram-se com Hitler a 15 de Março de 1945 e conseguiram convencê-lo que as missões suicidas não eram parte da tradição guerreira Alemã e mais tarde nesse dia Baumbach ordenou o dissolução dessa unidade. O programa foi cancelado em favor do Mistel.
Aparelhos sobreviventes
Museu de Guerra Canadiano (Canadian War Museum), em Courtenay no Canadá (aparelho em restauração).
Museu da Guerra Aérea (Lashenden Air Warfare Museum), em Kent no Reino Unido.
Museu da Segunda Guerra Mundial La Coupole( La Coupole - Musée de la Seconde Guerre Mondiale - Nord Pas de Calais), em Calais, França.
Ficção "Operation Crossbow" - filme de ficção britânico de 1965, baseado numa operação militar com o mesmo nome idealizada por Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial.
Ver também Esquadrão Leónidas JATO (decolagem com propulsão extra fornecida por foguetes). Kamikaze Mistel Natter Ohka Sonderkommando Elbe ZLTO (lançamento de aviões anexados a foguetes).
Bibliografia Hyland, Gary (1999). Last Talons of the Eagle. Headline. Kay, Antony L. (1977). Buzz Bomb. Boylston: Monogram Aviation Publications. Kay, Antony L.; J. Richard Smith, Eddie J. Creek (2002). German Aircraft of the Second World War. Naval Institute Press. O'Neill, Richard (1981). Suicide Squads: Axis and Allied Special Attack Weapons of World War II : Their Development and Their Missions. London: Salamander Books. Renneberg, Monika (1999). Science, Technology, and National Socialism. Headline. pp. 115. Young, Richard Anthony (1978). The Flying Bomb. New York: Sky Book Press. Zaloga, Steven J.; Jim Laurier (2005). V-1 Flying Bomb 1942-52. Botley, Oxford, UK: Osprey Publishing.
Ligações Externas 12px|link=|alt= Conteúdo relacionado com no Wikimedia Commons. http://www.militaryfactory.com/aircraft/detail.asp?aircraft_id=213 https://web.archive.org/web/20081230051247/http://greyfalcon.us/Fiesler%20Fi.htm https://web.archive.org/web/20110128030941/http://lashendenairwarfremuseum.giving.officelive.com/66.aspx http://www.luftwaffe39-45.historia.nom.br/aero/fi103.htm
Categoria:Aviões a foguete Categoria:Aviões da Segunda Guerra Mundial Categoria:Equipamento e tecnologia da Segunda Guerra Mundial Categoria:Aeronaves da Fieseler