Panmela Castro (Rio de Janeiro, 26 de junho de 1981) é uma artista e ativista brasileira. Seu trabalho de arte aborda, de uma forma confessional, as relações estabelecidas com a vivência na rua e questões sobre o corpo do outro em diálogo com o seu, entre outras relacionadas à alteridade como a crítica cultural feminista. A artista tem seu trabalho reconhecido em âmbito nacional e internacional, e seus trabalhos fazem parte de diversas coleções e acervos ao redor do mundo. É considerada pelo O Globo uma das artistas mais proeminentes da arte contemporânea brasileira.
Biografia Panmela nasceu e cresceu no bairro da Penha, subúrbio do Rio de Janeiro. Graduada em Pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Processos Artísticos Contemporâneos pelo Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sua arte tem influência das questões relacionadas ao corpo feminino e ao diálogo com a urbe.
Anarkia Boladona
Em 2005, Panmela foi espancada e mantida em cárcere privado pelo então companheiro, e a partir desse episódio passou a dedicar-se a pintura nos murais, onde, afetada pela experiência da violência doméstica, passou a entender o grafite enquanto uma forma de denúncia, dando vida assim ao pseudônimo Anarkia Boladona, nome artístico que usou durante uma década.
No ano de 2008, criou o "Grafiteiras Pela Lei Maria da Penha", projeto que relaciona o grafite e a cultura urbana para falar sobre violência contra as mulheres.
Junto com o grupo que se formou durante o projeto, Panmela fundou a Rede NAMI, ONG de artes e direitos humanos em que, desde 2010, já investiu em mais de 9 mil mulheres.
Percurso Numa conjuntura familiar desestabilizada, Panmela abandonou a casa de seus pais e decidiu morar em Manguinhos, conhecida como uma das favelas mais perigosas da cidade.
Performance Sua primeira performance pública aconteceu em 7 de julho de 2015, na abertura da Exposição Eva, onde convidou o público a cortar totalmente o seu cabelo. No ano de 2016, apresentou suas duas performances sequentes: Porquê? realizada no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, onde caminhou com um enorme vestido pink e riscou em seu peito com uma navalha a palavra Porquê? e A Imitação da Rosa, onde convidou o público a caminhar pelos jardins do Museu da República em um vestido siamês.
Pintura Após um longo período no grafite e na performance, Panmela Castro revisita suas memórias de infância e juventude, além de resgatar sua formação acadêmica, e volta a produzir séries de pinturas em que expõe seus desejos e dilemas enquanto uma artista que, apesar de internacionalmente conhecida e não mais viver em condições precárias, precisa lidar com as fragilidades da vida, sobretudo as que são evocadas pelo passado. Em suas pinturas atuais, Panmela aborda desde questões do seu cotidiano, como visto na série Expurgo, memórias, como apresentado na série Saudade e até sobre questões de preterimento, acolhimento e racismo estrutural, como intimamente exposto na série Mulheres Negras Não Recebem Flores.
Exposições
Individual 2025
"Direito ao Afeto", Pavilhão Victor Brecheret, Rio de Janeiro, RJ “Retratos Relatos –Subvertendo a Dor”, Sesc Jaraguá do Sul, Jaraguá do Sul, SC “Retratos Relatos – Subvertendo a Dor”, Sesc Centro, Curitiba, PR “We Danced as if No One Had Ever Invented Endings”, Piero Atchugarry Gallery, Miami, EUA
2024
“Ideias Radicais Sobre o Amor”, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, RJ “Do Jardim, Um Oceano”, Galeria Francisco Fino, Lisboa, Portugal
2023
“Retratos Relatos: subvertendo a dor”, Sesc Santa Rita, Paraty, RJ “Deriva Afetiva: Dakar”, Inclusartiz Institute, Rio de Janeiro, RJ
2022
“Retratos Relatos”, Vila Cultural Cora Coralina, Goiânia, GO “Retratos Relatos”, Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, RJ “Retratos Relatos”, Galeria Cubo de Vidro – CEFET, Rio de Janeiro, RJ
2021
“Ostentar é Estar Viva”, Galeria Luisa Strina, São Paulo, SP
Coletivas 2025
“FUNK: um grito de ousadia e liberdade”, Maison Folie Wazemmes, Lille, França “Carvões Acesos”, Galatea, São Paulo, SP
2024
“Último Lote”, Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC BA), Salvador, BA “Geometria Crepuscular”, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ “Encruzilhadas da arte afro-brasileira”, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, RJ “Enciclopédia Negra”, Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, Portugal “Guanabara, o abraço do mar”, Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rio de Janeiro, RJ “Arte na Moda: MASP Renner”, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), São Paulo, SP “Um Defeito de Cor”, Sesc Pinheiros, São Paulo, SP “Dos Brasis”, Centro Cultural Sesc Quitandinha, Petrópolis, RJ “Entre materialidades e poéticas: as crianças pequenas e o acervo do MACRS”, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), Porto Alegre, RS “Hackeando o Poder”, Museu da República, Rio de Janeiro, RJ “+ Acervo: caminhos para as aquisições do MACRS”, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), Porto Alegre, RS “Uma Casa Toda Sua”, Casa Museu Eva Klabin, Rio de Janeiro, RJ “Rio: a medida da terra”, Flexa, Rio de Janeiro, RJ “Enciclopédia Negra”, Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa, Porto, Portugal “A confissão, o diário e o retrato”, Galeria Marília Razuk, São Paulo, SP “Pretagonismos no acervo do Museu Nacional de Belas Artes”, Espaço Cultural BNDES, Rio de Janeiro, RJ
2023
“Collection 1980 – Now : Tomorrow is a Different Day”, Stedelijk Museum, Amsterdam, Holanda
Rede Nami e Trabalho Social Em 2010, Panmela fundou a Rede NAMI, instituição de artes e direitos humanos que já investiu em mais de 9 mil mulheres. Em 2015, com apoio da Fundação Ford, a Rede Nami desenvolveu o programa #AfroGrafiteiras.
Prêmios e Ações Além de estudar na prestigiada Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anarkia conquistou lugar como uma das figuras mais importantes do graffiti BrasileiroE internacional: http://www.canned-goods.co.uk/graffiti-interviews/egr/100/ através de sua arte com consciência social. Hoje, Anarkia promove sua missão em diferentes lugares do mundo compartilhando sua visão através de palestras, exposições e workshops, em festivais, fóruns e conferências - das Organização das Nações Unidas, da Organização dos Estados Americanos, da Fundação Rosa Luxemburgo, da Família Ayara, do Festival Manifesto, FASE e Caramundo. Além de produzir murais e expor em diversos países, Anarkia recebeu inúmeros prêmios e reconhecimentos, incluindo o Prêmio Hutúz, como grafiteiro da década em 2009 e o Vital Voices Global Leadership AwardsCriado durante o período em que Hillary Clinton era primeira Dama: http://vitalvoices.org/awards2010 na categoria de direitos humanos, entrando assim para o grupo de seletas homenageadas como a Presidente do Chile Michelle Bachelet, a pioneira antitrafico de mulheres Somaly Mam, a premio Nobel Laureate Muhammad Yunus, e a secretária dos Estados Unidos Hillary Clinton. Em 2012 foi homenageada pela Diller Von Furstenberg Family foundation com o DVF AwardsDe acordo com o site do prêmio: http://www.dvf.com/inside/Article/inside-dvf-acticles/dvf-awards-3 da famosa estilista Diane von Fürstenberg junto de outras mulheres como Oprah Winfrey, entrou para lista da revista Newsweek Site da Publicação: http://www.thedailybeast.com/newsweek/2011/03/06/150-women-who-shake-the-world.html como uma das 150 mulheres que estão "Bombando" no mundo e em 2017 foi citada na lista de 18 nomes de ativistas da nova geração que estão fazendo a diferença da W Magazine.
Em 2015 foi homenageada com o prêmio Mulher Melhor, o prêmio Toda Extra e indicada ao prêmio Empreendedor Social de Futuro da Folha de S.Paulo. Em 2016 foi indicada ao prêmio Cláudia na categoria cultura.
Em 2022 foi Homenageada com o Diploma de Direitos Humanos Marielle Franco pelo seu trabalho com a Rede NAMI, Câmara Municipal, Rio de Janeiro, RJ. E em 2022 Indicada à “Medalha de Honra ao Mérito Cultural do Rio de Janeiro”, Rio de Janeiro, RJ. E também em 2021 indicada ao “We Empower UN SDG Challenge”, Vital Voices Global Partnership. Ligações externas
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