thumb|285px|Encontro do Cristo Ressuscitado com Maria, 1640 Corredentora (em latim: Co-Redemptrix), é um título mariano usado por alguns cristãos para a Bem-Aventurada Virgem Maria, inclusive por diversos santos católicos e pontífices, destacando sua cooperação única com Jesus Cristo na Redenção da humanidade.MIRAVALLE, Mark I. Mary: Coredemptrix, Mediatrix, Advocate. Santa Barbara (CA): Queenship Publishing, 1993. .
O uso de tal título, contudo, aplicado à Virgem Maria, ainda não encontrou assentimento doutrinal e magisterial definido na Igreja Católica e nas principais confissões cristãs.O Concílio Vaticano II (1962–1965) rejeitou a formulação “co-redentora” e afirma que Maria “cooperou” de modo único, mas subordinado, com a Redenção (Lumen Gentium, 60–62).RATZINGER, Joseph. Maria: Igreja nascente. 8. ed. São Paulo: Loyola, 2010.PELIKAN, Jaroslav. Mary Through the Centuries: Her Place in the History of Culture. New Haven: Yale University Press, 1996.GAMBERO, Luigi. Maria no pensamento dos Padres da Igreja: antologia patrística. São Paulo: Loyola, 2004.BARTH, Karl. Church Dogmatics. Vol. I/2: The Doctrine of the Word of God. Edinburgh: T&T Clark, 1956.McGRATH, Alister E. Christian Theology: An Introduction. 7th ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2020.ERICKSON, Millard J. Christian Theology. 3rd ed. Grand Rapids: Baker Academic, 2013.
O papel especialíssimo da Virgem Maria na História da Salvação, por outro lado, tem fundamentação doutrinária na Igreja Católica, declarada no Concílio Vaticano II que a assumiu, explicitamente, como cooperadora na obra do Salvador:Papa Paulo VI. Constituição Dogmática Lumen Gentium]. Item 61.
Este epíteto de cooperadora, utilizado na Lumen Gentium, eleva-a a uma posição excelsa e diferenciada, pois tal implica em dizer que ela é auxiliadora e colaboradora, e que prestou ajuda ou auxílio na obra de Seu Filho Jesus Cristo.Dicionário Online de Português. Verbete: Cooperação. Neste sentido o Catecismo da Igreja Católica afirma: "a dimensão marial da Igreja antecede sua dimensão petrina".Catecismo da Igreja Católica. Item 773.Dimensão "petrina" se refere às figuras dos apóstolos, particularmente de São Pedro e seus sucessores. In, Cátedra de Pedro. Princípio Petrino da Igreja. Consultado em 7 de dezembro de 2025.
De acordo com aqueles que utilizam o termo, Corredentora refere-se a uma participação subordinada, mas essencial, da Bem-Aventurada Virgem Maria na redenção, especialmente pelo fato de ela ter dado livre consentimento para dar a vida ao Redentor, o que significou compartilhar de sua vida, de seu sofrimento e de sua morte, que foram redentores para o mundo. Relacionado a essa crença está o conceito de Maria como Mediatrix (Medianeira), que é um conceito distinto, mas habitualmente incluído pelos católicos que empregam o título de Corredentora. Alguns, em especial os adeptos das aparições marianas de Nossa Senhora de Todas as Nações, têm pedido uma definição dogmática, juntamente com o de Mediatrix.
Os proponentes veem o título de Corredentora como não implicando que Maria participe de forma igual na redenção da humanidade, pois Cristo é o único redentor. A própria Maria precisava de redenção e foi redimida por Jesus Cristo, embora ela tenha sido redimida no instante da sua concepção. O fato de ter sido redimida por Cristo implica que ela não pode ser sua igual na obra da redenção. Da mesma forma, se Maria é descrita como a Medianeira de Todas as Graças, isso “deve ser entendido de modo que nem tire nem acrescente nada à dignidade e à eficácia de Cristo, o único Mediador”Fundamentals of Catholic Dogma, Ludwig Ott, p. 212
Na piedade popular, este título é frequentemente invocado como "Advogada",Editora Cléofas, Medianeira, Co-redentora e Advogada assim ele é retratado nas orações Salve Rainha,Site Área Jesus, Oração Salve Rainha (Eia, pois, advogada nossa) de Nossa Senhora Aparecida,Site Paróquias, Oração a Nossa Senhora Aparecida (Advogada dos pecadores) de Nossa Senhora do Bom Conselho,Site Sintonia Saint Germain, Oração à Nossa Senhora do Bom Conselho (tesoureira das graças divinas e advogada dos pecadores!) etc.
O prefixo "co-" deriva do termo em latim "cum", que significa "com" (e não "igual a").
Maria coopera de forma única e subordinada com Cristo (o único Redentor) na redenção do gênero humano,Lumen Gentium 56, 61; Redemptoris Mater 38-39 mediante seu fiat na Anunciação e posterior encarnação de Cristo,Lc. 1:38 e ao acompanhar Jesus até o Calvário, onde padeceu espiritualmente com Ele.Jo. 19:25-27; Lc. 2:35
O conceito de Corredentora não é um dogma, embora petições para declará-lo (juntamente com Medianeira e Advogada) dogmaticamente tenham sido submetidos ao Papa por vários cardeais e bispos, para que esta crença possa tornar-se o quinto dogma mariano aprovado pela Santa Sé.News Report on the Mediatrix Petition to the Pope http://www.zenit.org/article-21743?l=english
Embora a declaração formal de Corredentora como um dogma mariano tenha tido tanto apoio popular e eclesiástico que milhões de assinaturas foram recolhidas, há oposição dentro de alguns círculos no Vaticano que apelam pela necessidade de maior clareza sobre o conceito.
História Por volta do ano 180 d.C., o Pai da Igreja Ireneu de Lyon, em sua obra Contra Heresias, escreveu que “Maria tornou-se a causa da salvação, tanto para si mesma como para toda a raça humana”, devido ao seu fiat.."http://www.zenit.org/article-5650?l=english O ensinamento difundiu-se desde o século XV,Ott 256 mas nunca foi declarado um dogma. São Bernardo na sua obra As Grandezas de Maria, São Luís Maria Grignion de Montfort na sua obra Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem e Santo Afonso Maria de Ligório na sua obra Glórias de Maria, referem-se inúmeras vezes, e de modo detalhado, ao modo como é que Nossa Senhora exerceu e exerce o seu papel de Corredentora da Humanidade.
São Bernardo atribui a Maria um papel aos pés da Cruz que dá lugar ao título de Corredentora e que aparece, ao que se sabe pela primeira vez, num hino anônimo do século XV conservado na Abadia de São Pedro, em Salzburgo que diz: «Pia doce e benigna / que de nenhuma dor és digna / se daqui o pranto extirpas / sofrendo com o Redentor / para o escravo transgressor / te tornas Corredentora»Em Latim: «Pia dulcis et benigna / nullo prorsus luctu digna / si fletum hinc eligeres / ut compassa Redemptori / captivato transgressori / tu corredemptrix fieres». In, De compassione BVM, 20: G. M. Dreves (ed.), Analecta Hymnica Medii Aevi, XLVI, Leipzig 1905, n. 79, 127.
Muitos teólogos discutem o conceito desde o século XIX. Os principais defensores da tese no século XX foram o Pe. Frederick William Faber,Fredrick Faber The Sorrows of Mary um mariólogo muito respeitado, e o Pe. Gabriel Roschini.Gabriel Roschini, Compendium Mariologiae, Roma 1946.
No ano de 1914, o Papa Pio X concedeu indulgência àqueles que rezassem uma oração que continha a seguinte passagem: «Bendigo o teu santo Nome, louvo o teu excelso privilégio de seres verdadeiramente Mãe de Deus, sempre Virgem, concebida sem mancha de pecado, Co-Redentora do gênero humano.» A oração encontra-se na Raccolta de 1950 com aprovação do Vaticano.
Proponentes modernos veem algum apoio na Inter sodalicia, uma carta comemorativa de 1918 do Papa Bento XV a uma sodalidade romana:
O primeiro dentre os Papas a usar o termo Corredentora foi Pio XI, em um Breve do dia 20 de julho de 1925, dirigindo-se à Rainha do Rosário de Pompéia: «Recorda-te também que no Calvário te tornaste Corredentora, cooperando por meio da crucifixão do teu coração à salvação do mundo, junto com teu Filho crucificado» Pio XI, Ad B. V. M. a sacratissimo Rosario in Valle Pompeiana, in: Sacra Paenitentiaria Apostolica, Enchiridion Indulgentiarum, Roma 1952, n. 628
Em uma alocução a peregrinos de Vicenza em 30 de novembro de 1933, Pio XI disse: "Pela natureza de Sua obra, o Redentor devia ter associado sua Mãe à sua obra. Por isso, invocamo-la sob o título de Corredentora. Ela nos deu o Salvador, acompanhou-o na obra da redenção até a própria Cruz, compartilhando com Ele as dores da agonia e da morte em que Jesus consumou a Redenção da humanidade."
Finalmente, em uma mensagem radiofônica por ocasião do encerramento do Jubileu da Redenção em Lourdes (28 de abril de 1935), Pio XI afirmou: "Mãe fidelíssima e misericordiosíssima, que como Corredentora e participante das dores de teu querido Filho o assististe enquanto Ele oferecia o sacrifício de nossa Redenção no altar da Cruz... conserva em nós e aumenta cada dia, nós te suplicamos, os preciosos frutos de nossa Redenção e de tua compaixão."
O Papa Pio XII descreve Maria como intimamente associada a Cristo na obra da redenção. Em sua encíclica Mystici Corporis Christi, ele menciona: " Foi ela, a Imaculada, isenta de toda a mancha original ou atual, e sempre intimamente unida com seu Filho, que, como outra Eva, juntamente com o holocausto dos seus direitos maternos e do seu materno amor, o ofereceu no Gólgota ao Eterno Pai por todos os filhos de Adão, manchados pela sua queda miseranda."Mystici Corporis Christi https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi.html Na encíclica Ad Caeli Reginam, relaciona:
Na encíclica Haurietis aquas, Pio XII afirma: "Foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a santíssima virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe."Haurietis aquas https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_15051956_haurietis-aquas.html
O Papa João Paulo II se referiu a Maria como "Corredentora" em pelo menos sete ocasiões.
Entretanto, quando ainda era apenas cardeal, o Papa Bento XVI não concordava com o termo, afirmando que o título mariano causava confusão e não refletia suficientemente as Escrituras. Em pelo menos três ocasiões, o Papa Francisco expressou sua clara oposição ao uso do título "Corredentora".
Em 4 de novembro de 2025, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou Mater populi fidelis, uma nota doutrinal sobre os títulos marianos e o papel de Maria na salvação. Assinada pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández e pelo Monsenhor Armando Matteo, esclareceu que o título Corredentora é sempre inoportuno para definir a cooperação de Maria, pois esse título corre corre o risco de obscurecer a única mediação salvífica de Cristo. O documento foi aprovado pelo Papa Leão XIV em 7 de outubro de 2025. Mater Populi Fidelis. Dicastério para a Doutrina da Fé. Consultado em 6 de novembro de 2025.
Os Dogmas e doutrinas marianas da Igreja Católica, entretanto, vêm se constituindo desde os primeiros séculos do cristianismo, paulatinamente.HACKMANN, Geraldo Luiz Borges.Maria na Lumen Gentium: os dogmas marianos. Anais do Congresso de Mariologia: piedade popular, cultura e teologia. O documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, acima citado, não significa encerramento dos debates teológicos. O mesmo documento afirma:Mater Populi Fidelis. Dicastério para a Doutrina da Fé. Consultado em 6 de novembro de 2025.
Ensinamentos papais Os Papas começaram a mencionar o conceito da Virgem Maria como Corredentora em documentos oficiais da Igreja na parte mais tenra do século XX, e continuam a fazê-lo neste século.Ott 256. Dentre os papas que defenderam este conceito estão o Papa Leão XIII,Bäumer, 96 o Papa Pio X,Ad diem Illum 14 o Papa Bento XV,AAS, 1918, 181 o Papa Pio XII,Mystici Corporis Christis, n. 110 e o Papa João Paulo II.(Inseg VIII/1 (1985) L'Osservatore Romano 880:12).
Citações na Bíblia As Sagradas Escrituras são comumente citadas em favor deste ensinamento: Do we find support for the proposed Dogma of Mary Coredemptrix, Mediatrix of all Graces and Advocate in Scripture?