Ilha Caroline ou Atol Caroline (também conhecida como Ilha Millennium), é o mais oriental dos desabitados atois de corais que compreendem o sul das Espórades Equatoriais no centro do Oceano Pacífico.
Primeiramente avistada por europeus em 1606, reivindicada pelo Reino Unido em 1868 e parte da República do Quiribáti desde a independência deste país insular em 1979, a Ilha Caroline permaneceu relativamente intocada e é considerada uma das ilhas tropicais mais puras do mundo, apesar da mineração de guano, colheita de copra e habitação humana nos séculos XIX e XX. É o lar de uma das maiores populações de caranguejo-dos-coqueiros no mundo e é um local de procriação importante para aves oceânicas, especialmente a andorinha-do-mar-escura.
Este atol é mais conhecido por seu papel em celebrações acerca da chegada do ano 2000 — um realinhamento da Linha Internacional de Data em 1995 fez da Ilha Caroline um dos primeiros pontos de terra no planeta a ver o nascer-do-sol em 1 de janeiro de 2000.
História Pré-história
Supõe-se que a Ilha Caroline se originou de um ponto quente vulcânico o qual erodiu e tornou-se lar para um recife de corais que cresceu acima do nível do oceano. Apesar de se conhecer pouco de tais processos geológicos, a orientação das Espórades Equatoriais (aproximadamente norte-sul) sugere que o arquipélago foi formado há mais de 40 milhões de anos, antes da Placa do Pacífico mudar sua direção de viagem. O mesmo ponto quente, mais recentemente, deu origem ao Arquipélago Tuamotu.
Há evidências de colonização por povos polinésios nos ilhéus maiores antes do contato europeu. Túmulos e modelos de plataformas foram descobertos pelas primeiras expedições à ilha e um grande marae existe no lado oeste do Ilhéu Nake. Até hoje, estes artefatos não foram analisados por arqueólogos.
Séculos XVII a XIX thumb|right|Expedições francesa e estado-unidense convergiram à Ilha Caroline em maio de 1883 para observar um extraordinariamente longo eclipse solar total. Um membro da expedição fez este desenho.
O primeiro avistamento registrado da Ilha Caroline por europeus foi em 21 de fevereiro de 1606, por Pedro Fernandes de Queirós, explorador português que navegava em nome da Espanha; seu relato nomeia a ilha de "San Bernardo". O atol foi "redescoberto" em 16 de dezembro de 1795 pelo Capitão William Robert Broughton do HMS Providence, que deu ao atol o nome de Carolina (o qual mais tarde se tornou Caroline) "em cumprimento à filha de Sir P. Stephens do Almirantado." A ilha foi novamente avistada em 1821 pelo navio baleeiro inglês Supply e foi então nomeada de "Ilha Thornton" em homenagem ao capitão do navio. Outros nomes prévios para o atol incluem Ilha Hirst, Ilha Clark, e Ilha da Independência. Entre outras visitas prévias que deixaram relatos da ilha, estão aquelas do USS Dolphin em 1825 (registrada pelo Tenente Hiram Paulding), e de um navio baleeiro em 1835 (registrada por Frederick Debell Bennett em sua Narrative of a Whaling Voyage Round the Globe From the Year 1833–1836).
Em 1846, a firma taitiana de Collie e Lucett tentou estabelecer um pequena comunidade de criação de gado e copra na ilha, uma operação que foi alcançada com sucesso financeiro limitado. Em 1868, Caroline foi reivindicada pelo navio britânico HMS Reindeer, que notou 27 residentes em um assentamento no Ilhéu do Sul. Este assentamento durou até 1904, quando os seis polinésios restantes foram deslocados para Niue.
Em 1872, a ilha foi arrendada pelo governo britânico para Houlder Brothers, que conduziram uma mineração mínima de guano no local. Em 1881 o arrendamento foi tomado pelo gerente de operação da mineração, John T. Arundel (homenageado tendo um dos ilhéus com o seu nome). A mineração de guano, que começou em 1874, forneceu um total de cerca de toneladas de fosfato até as reservas ficarem exaustas por volta de 1895.
Em 1883, uma expedição de astrônomos estado-unidenses viajou do Peru até à Ilha Caroline a bordo do USS Hartford para observar um eclipse solar total em 6 de maio. Uma expedição francesa também observou o eclipse de Caroline, e a Marinha dos Estados Unidos mapeou o atol.Johann Palisa, um membro da expedição, descobriu um asteroide mais tarde naquele ano o qual ele nomeou de Carolina "em lembrança de sua visita à ilha".
Século XX
Arrendada à S.R. Maxwell and Company, um novo assentamento foi estabelecido em 1916, desta vez construído inteiramente com base na exportação de copra. Uma grande parte do Ilhéu do Sul foi desflorestado para abrir espaço para as palmeiras de coqueiro, uma planta não-indígena. A aventura empresarial, entretanto, entrou em dívidas, e o assentamento da ilha decresceu lentamente em população. Em 1926, restavam somente dez residentes e em 1936, o assentamento consistia apenas de duas famílias taitianas antes do abandono em algum momento no final dos anos 1930.
Ilha Caroline permaneceu inabitada e não-perturbada através da Segunda Guerra Mundial e posteriormente. Permaneceu sob jurisdição britânica, foi retomada pela Alta Comissão do Pacífico Ocidental Britânico em 1943 e governada como parte das Ilhas Centrais e Equatoriais do Sul. Em janeiro de 1972, as Ilhas Centrais e Equatoriais do Sul, incluindo Caroline, foram unidas com a colônia britânica de Ilhas Gilbert e Ellice, que havia se tornado autônoma em 1971 como parte dos esforços britânicos de descolonização.
Em 1979, as Ilhas Gilbert se tornaram a nação independente de Quiribáti; Ilha Caroline foi então e continua a ser o ponto extremo oriental de Quiribáti. A ilha inteira atualmente pertence ao governo da República de Quiribáti, supervisionada pelo Ministério dos Grupos da Linha e Fénix, o qual possui sede em Quiritimati. Reivindicações rivais de soberania sobre a ilha pelos Estados Unidos (sob o Guano Islands Act) foram abandonadas no Tratado de Taraua de 1979, ratificado pelo Senado dos Estados Unidos em 1983.
A ilha foi brevemente habitada novamente de 1987 a 1991 por Ron Falconer, sua esposa Anne, e seus dois filhos, que desenvolveram um assentamento em boa parte autosuficiente no atol. Seguindo uma transferência de posse, Falconer foi despejado da ilha pelo governo de Quiribáti. Um livro, Together Alone (ISBN 1-86325-428-5), escrito por Falconer, documenta a história de sua residência na Ilha Caroline.
Na década de 1990 a ilha foi arrendada a Urima Felix, um empreendedor franco-polinésio; este estabeleceu uma pequena propriedade em um dos ilhéus e alegadamente possuía planos para o desenvolvimento do atol. A ilha é também ocasionalmente visitada por recoletores de copra polinésios sob acordos com o governo de Quiribáti em Taraua.
Realinhamento do fuso horário thumb|Seguindo um realinhamento do fuso horário em 1995, a Ilha Caroline (ponto vermelho a leste do mapa) tornar-se-ia a terra mais oriental a oeste da Linha Internacional de Data
Em 23 de dezembro de 1994, a República de Quiribáti anunciou uma mudança no fuso horário para as Espórades Equatoriais, a serem efetivadas em 1 de janeiro de 1995. Este ajuste efetivamente moveu a Linha Internacional de Data mais de 1000 km a leste dentro de Quiribáti, posicionando Quiribáti no lado asiático ou ocidental da linha de data, apesar do fato da longitude de 150 graus oeste de Caroline corresponder a UTC-10 ao invés de seu fuso horário oficial de UTC+14. Ilha Caroline agora está no mesmo horário que o Arquipélago do Havaí (Horário de Havaí-Aleutas), porém um dia mais tarde. Esta mudança fez da Ilha Caroline tanto a terra mais oriental no fuso horário mais cedo (em algumas definições, o ponto mais oriental da Terra), e um dos primeiros pontos de terra que veriam o nascer do sol em 1 de janeiro de 2000 — às 5:43, como calculado pelo tempo local.
A razão alegada para a mudança foi uma promessa de campanha do Presidente de Quiribáti, Teburoro Tito, para eliminar a confusão da dupla Linha de Data de Quiribáti, estando constantemente em dois dias diferentes. Entretanto, os oficiais de Quiribáti não ficaram relutantes em tentar capitalizar sobre a nova situação da nação como donos da primeira terra a ver o nascer do sol em 2000. Outras nações do Pacífico, incluindo Tonga e Ilhas Chatham da Nova Zelândia, protestaram contra a mudança, se opondo por ela infringir suas reivindicações de serem a primeira terra a ver o amanhecer do ano 2000.
Em 1999, a fim de capitalizar mais profundamente sobre o interesse público massivo nas celebrações marcando a chegada do ano 2000, Ilha Caroline foi oficialmente renomeada Ilha Millennium. Apesar de desabitada, uma celebração especial foi realizada na ilha, apresentando performances de artistas nativos de Quiribáti e presenciada pelo Presidente Tito, do Quiribáti. Mais de 70 cantores e dançarinos de Quiribáti viajaram à Caroline a partir da capital Taraua, acompanhados por aproximadamente 25 jornalistas. A celebração, transmitida via satélite para o mundo, teve uma audiência estimada de até um bilhão de espectadores.
Apesar de muitas alegações do contrário por parte da mídia e do governo, Ilha Caroline não foi o primeiro ponto de terra a ver o nascer do sol em 1 de janeiro de 2000 (hora local); essa distinção pertence a um ponto de terra entre a Geleira Dibble e a Baía de Victor na costa da Antártica Oriental, em , onde o sol nasceu 35 minutos mais cedo. Uma vez que este ponto é próximo do Círculo Polar Antártico, e a área além do Círculo Polar Antártico é afetada pela luz do sol contínua em dezembro, a definição do ponto exato se torna uma questão de distinguir entre um pôr-do-sol e um nascer do sol imediato em vista dos efeitos de refração atmosférica.
Século XXI e futuro
Como a Ilha Caroline somente se estende seis metros acima do nível do mar, está ameaçada com o aumento do nível dos mares. O governo do Quiribátiestima que a ilha pode ser tomada pelo mar em 2025, e as Nações Unidas classificaram a Ilha Caroline como entre aquelas mais ameaçadas pelo aumento do nível dos mares.
Geografia e clima
O Atol Caroline está localizado próximo da borda sudeste das Espórades Equatoriais, um conjunto de atois estendendo através do equador a cerca de 1500 km ao sul do Arquipélago do Havaí no centro do Pacífico. O atol com forma ligeiramente crescente (3,76 km² de área terrestre) consiste de 39 ilhéus separados ao redor de uma estreita lagoa. Estendendo aproximadamente 9 km de norte a sul e 2 km de leste a oeste, os ilhéus alcançam uma altura de apenas 6 metros acima do nível do mar. Os ilhéus, como os presentes em todos os atois, dividem uma origem geológica comum e consistem de depósitos de areia e pedra calcário fixados sobre um recife de coral.
thumb|left|250px|Os muitos ilhéus da Ilha Caroline são separados por canais rasos. Na parte dianteira: praia de pedras de corais e arbusto Tournefortia no Ilhéu Longo. Ao fundo: floresta Pisonia e uma fileira de coqueiros não-indígenas no Ilhéu Nake
Três grandes ilhéus compõem a maior parte da área terrestre de Caroline: Ilhéu Nake (1,04 km²) ao norte; Ilhéu Longo (0,76 km²) no nordeste da lagoa e Ilhéu do Sul (1,07 km²). O restante dos pequenos ilhéus reunidos, a maioria dos quais receberam seus nomes durante a pesquisa ecológica de 1988, conduzida por Angela e Cameron Kepler, estão incluídos nos quatro agrupamentos principais: os Ilhéus Nake do Sul, os Ilhéus Leeward Centrais, os Ilhéus Leeward do Sul, e os Ilhéus Windward (ver mapa). Os ilhéus de Caroline são particularmente efêmeros— durante o percurso de um século de observação, muitos dos menores ilhéus foram documentados como aparecendo ou desaparecendo completamente seguindo grandes tempestades, enquanto as formas dos maiores mudaram de forma significativa.