Shaman foi uma banda brasileira de power metal progressivo formada em 2000 pelos ex-membros do Angra: Andre Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. Tempo depois, o guitarrista Hugo Mariutti, irmão de Luis, se uniu ao grupo e completou a formação que durou até 2006.

Ainda no fim do mesmo ano, Ricardo Confessori anunciava o retorno da banda com uma nova formação contando com Thiago Bianchi, Fernando Quesada e Léo Mancini. Em 2013, Ricardo Confessori deixa a banda. Não querendo continuar sem o último membro original, os três novos integrantes montam a banda Noturnall.

A banda retornou novamente em 2018 para uma turnê com sua formação original, que foi interrompida em 8 de junho de 2019, por conta da morte inesperada do vocalista Andre Matos.

Em setembro de 2019, Hugo Mariutti, em uma rede social, revela que o novo vocalista da banda seria Alírio Netto. A banda seguiu até seu fim, em janeiro de 2023.

História Início A banda foi formada no segundo semestre de 2000, quando os músicos Andre Matos (vocal e teclado, ex-Viper), Luis Mariutti (baixo, ex-Firebox) e Ricardo Confessori (bateria, ex-Korzus) deixaram a banda Angra. Na mesma época, os três resolveram montar um novo projeto. Este ainda não contava com um guitarrista, sendo assim, Hugo Mariutti (Henceforth), irmão de Luis, foi chamado pelo recém formado grupo, inicialmente apenas para auxiliar nas composições.

Segundo Paulo Baron, primeiro empresário do Shaman, Andre estava muito desanimado em continuar no heavy metal. Paulo conta que passou uma semana na casa de Andre Matos por volta do final de 2000, e um certo dia ao acordar, viu Andre quebrando o disco de ouro do Angels Cry (que todos da banda receberam em 1994) e outros lançados pelo Viper, depois sentou em frente ao piano e começou a chorar, contando a Baron que não aguentava mais e não tinha mais forças para seguir no meio heavy. Já que um ano antes lançou o projeto Virgo, mais voltado para o pop rock, em parceria com Sascha Paeth. Paulo então conta que conseguiu convencer Andre a não desistir e procurar Luis e Ricardo para juntos continuarem uma banda nova.

Paulo Baron também conta que os primeiros shows da banda, mais precisamente em Balneário Camboriú/SC, não tinham nem 100 pessoas na plateia, o ocorrido preocupou a banda, e estavam pensando em desistir logo no começo, alegando que a banda não iria vingar. O empresário pediu para que tivessem persistência, e conforme as datas iam passando, o público ia aumentando.

O grupo tentou trazer o nome Angra como nome de seu grupo, porém o nome pertencia a empresários ligados a antiga banda de Andre, Luis e Ricardo. Então, tiveram de escolher outro nome para o grupo. O nome escolhido para a nova banda, Shaman (sugerido por Luis Mariutti inspirado no título da música "The Shaman", composta por Andre Matos para o Holy Land, álbum do Angra de 1996), significa "aquele que enxerga no escuro", e é representado de maneira geral pelos sacerdotes que curam através dos elementos da natureza. De origem siberiana, os shamans ganharam o mundo e se disseminaram em praticamente todas as culturas. No Brasil, os shamans (também grafado como xamãs) são representados principalmente pelos pajés indígenas.

O Shaman logo começou trabalhando arduamente para se tornar conhecido e firmar seu nome dentro do cenário heavy-metal. Iniciou com uma turnê de estreia no começo de 2001, que passou pela Europa e América Latina, obtendo grande receptividade da crítica e do público, o primeiro show da banda foi realizado dia 10 de fevereiro de 2001 na cidade de Recife. O primeiro show internacional ocorreu no Festival NTS Records em Columbes, na França, no dia 31 de maio de 2001. Ao todo foram 13 shows em 2001, passando por México, Argentina e Chile; neste ano, no Brasil foram apenas 3 shows, São Paulo, Recife e Curitiba. Inclusive o show de São Paulo foi registrado profissionalmente em vídeo, alguns anos mais tarde foi postado no YouTube. Nessa época, a banda também tocou no programa Musikaos na TV Cultura, apresentado por Gastão Moreira.

O fato curioso é que para essa primeira mini turnê mundial, como não tinha nenhum álbum lançado até então, o set list era composto por poucas músicas novas, muitas músicas do Angra, além de covers de Viper, Metallica, Iron Maiden, Deep Purple, Ozzy Osbourne, Black Sabbath, Motorhead, Judas Priest e Avantasia. Vale destacar que a música "Be Free" foi tocada na turnê, mas posteriormente não entrou no álbum. Para executar os teclados ao vivo a banda pode contar com o amigo e ex-parceiro de Angra, Fábio Ribeiro.

Ritual Mesclando heavy metal, música clássica e world music, a banda deu início às gravações de seu primeiro álbum, intitulado Ritual, em janeiro de 2002. O disco foi inteiramente gravado na Alemanha, com exceção das percussões e instrumentos étnicos, totalmente captados e produzidos no Brasil. A produção ficou a cargo do renomado produtor Sascha Paeth (Angra, Edguy, Avantasia, Rhapsody, Virgo, Epica).

Lançado em junho de 2002, Ritual foi bem recebido no Brasil e em todo mundo, sendo lançado em mais de 15 países. O álbum teve mais de 500 mil cópias vendidas. A turnê World Ritual Tour durou dois anos e meio, passando por diversos lugares do Brasil, Ásia, América Latina e Europa. Foram mais de 130 shows neste período, alguns reincidentes. A turnê começou no Recife em abril de 2002 e terminou em Belo Horizonte em dezembro de 2004.

Em agosto de 2002, a música "Fairy Tale", sétima faixa do disco, entra na trilha sonora da telenovela O Beijo do Vampiro, vira sucesso e faz do Shaman a primeira banda de heavy metal brasileira a ter uma música em uma novela da Rede Globo.

Durante o ano de 2003, o Shaman esteve nos primeiros lugares das votações da mídia especializada, e a grande surpresa foi ter seu único álbum até então lançado eleito como o melhor disco de 2002 e 2004 pelos leitores da Folha de S. Paulo, veículo o qual abrange uma gama extensa de leitores de diferentes perfis.

Ainda em 2004, a banda abriu o show do Iron Maiden no estádio do Pacaembu, em São Paulo, para aproximadamente 45.000 pessoas. Destaque para o show realizado no Espaço das Américas (São Paulo) no Festival Rock The Planet, no dia 2 de outubro de 2004, nessa ocasião também tocaram as bandas: Viper, Kotipelto e Edguy, que foi o headliner.

O primeiro DVD: RituAlive A banda então aproveitou para lançar o show gravado ao vivo em 2003 na casa de shows paulistana Credicard Hall com a participação de vários convidados especiais (Tobias Sammet, Marcus Viana, Andi Deris, Sascha Paeth, George Mouzayek e Michael Weikath). O novo trabalho, saiu em CD e DVD, intitulado RituAlive, recebeu ótimas críticas e vendeu muito bem. Infelizmente muitas músicas foram cortadas, algumas por problemas de captação do áudio e outras por serem do Angra.

Segundo disco: Reason e mudança de nome Em 2005, com o segundo álbum de estúdio praticamente finalizado e pronto para o lançamento, foi anunciada uma alteração em sua marca. A alteração ocorreu devido ao fato de já existir um outro grupo com o nome "Shaman". Como as leis que regem direitos autorais são diferentes e seguem tratados internacionais, o grupo preferiu evitar complicações futuras. A banda (ou pelo menos a maioria dentro dela) decide acrescentar um A em seu nome, passando a se chamar Shaaman, porém este ajuste não afetaria na pronúncia do nome. Em 2008, Ricardo Confessori viria a dizer que nunca houvera problemas jurídicos e que mudança ocorreu após uma consulta com um numerólogo, que orientou o acréscimo de um "A" para que a carreira da banda decolasse de vez.

Nos meses seguintes, chega às lojas o álbum Reason. Com uma "pegada mais direta", o novo álbum mostrou uma banda mais madura e segura, sem medo de quebrar rótulos e inovar. O resultado de Reason, que dessa vez foi gravado no Brasil pelo mesmo produtor do primeiro disco, Sascha Paeth, é o resgate de todo o peso, feeling e espírito do heavy-metal dos anos 80, incluindo aí a presença de elementos eletrônicos. Enquanto Ritual privilegiava a inegável virtuose dos músicos. A música ficou mais orgânica, o que ajudou a evidenciar o contraste entre guitarras pesadas, teclados em estilo new age e batidas tribais de world music. Essa mudança, entretanto, desagradou uma grande maioria de fãs, levando a banda, mais uma vez, a repensar sua carreira.

Mesmo assim, a banda continuava forte no cenário e o single do disco, “Innocence”, chegou às rádios e logo dividiu o ranking entre as mais pedidas do país. O sucesso se repetiu na TV, com a estreia de um videoclipe. Apesar da boa divulgação, problemas de logística afetariam a distribuição do disco. O mesmo se diz do fator internet e ainda um alto nível de rejeição à “nova fase” do som da banda, contribuíra para uma baixa vendagem de discos. Somada ainda a entrada da banda numa gravadora de porte menor, os resultados gerais não estariam à altura do que a banda já havia conquistado. O segundo single e clipe viria a ser "More", uma faixa “cover” da banda inglesa Sisters of Mercy.

A turnê começou no Rio de Janeiro, em março de 2005, e terminou em maio de 2006; o último show com a formação original foi no Bar Opinião, em Porto Alegre. Nessa turnê, houve somente duas apresentações fora do Brasil, que aconteceram na Argentina. Destaque para show realizado no Estádio Canindé, no Festival Live N' Louder, no dia 12 de outubro de 2005. Nessa ocasião também tocaram as bandas Tuatha de Danann, The 69 Eyes, Dr. Sin, Rage, Destruction, Nightwish e Scorpions.

Férias, separação e segunda formação A banda fez uma boa turnê com o Reason, mas problemas entre os integrantes começaram a ocorrer, e a banda resolveu tirar férias do palco. Depois de seis meses parados, o baterista Ricardo Confessori anunciou uma pausa nas atividades do Shaman no dia 10 de outubro de 2006 através de um comunicado ao fã clube oficial For Tomorrow. Os demais se pronunciaram numa carta aos fãs, alegando “perda da unidade dentro da banda” e por fim, se diziam fora do Shaman. Ricardo Confessori em entrevista a revista especializada sobre bateria e percussão ("BATERA" - dezembro/2006) confirma que a banda iria regressar as atividades com uma nova formação. Após muitos boatos, a banda finalmente retorna com seu nome original (SHAMAN, com esta grafia), contando com um time de peso de renomados músicos e novos talentos do metal nacional. Shaman assim voltaria com: Thiago Bianchi assumindo os vocais, Fernando Quesada no baixo e Léo Mancini, antigo membro do Tempestt, na guitarra. Com essa reestruturação, o passo seguinte foi o lançamento do álbum Immortal.

Paulo Baron, em entrevista ao Heavy Talk em julho de 2019, conta que acabou largando a parte empresarial por seus motivos pessoais. Baron conta que só ele conseguia lidar com cada membro do Shaman fazendo todos se darem bem, já que os membros eram bem distintos na hora de tomar alguma atitude. Também alegou que se tivesse continuado empresariando a banda, talvez a mesma não teria acabado.

Em 2009, Paulo Baron organizou uma comemoração de 20 anos de sua empresa, TopLink, revelou que todos os membros do Shaman original estavam na festa, mas nenhum membro se encontrou durante a festa.

Immortal A escolha do nome para o álbum que marcaria o retorno, foi Immortal, que segundo Confessori, representava bem o momento em que a banda estava vivenciando. Com elementos atmosféricos e étnicos que nos remete ao primeiro álbum do Shaman, o Ritual (2002). O álbum saiu em setembro de 2007. Permaneceu durante alguns meses entre os discos mais vendidos do mercado japonês na categoria Rock, posto antes nunca atingido pelo grupo.

O primeiro single do CD foi “In the Dark”, uma canção que também ganharia registro em vídeoclipe, dirigido por Marcel Marluco. A balada teve sua estreia em canais de música como MTV e VH1.