A colonização espanhola do Paraná teve forte influência principalmente na região oeste do Paraná, onde era comum a vinda de espanhóis, que anteriormente colonizaram o Paraguai e a Argentina, muitos deles eram padres jesuítas, que entre os séculos XVI e XVII, catequizavam pacificamente os indígenas no sul do Brasil, nas comunidades espanholas que fundavam.
A colonização espanhola presente no atual território do estado brasileiro do Paraná começou em meados do século XVI, quando a solução dada pelo governador do Paraguai, Domingos Martínez de Irala foi a fundação de vilas na região de Guairá, cujos objetivos foram:
a subordinação dos indígenas que ali se encontravam. Estes povos autóctones pertenciam acima de toda a grande família tupi-guarani. A população indígena era mais de 200 mil; a detenção da continuidade das penetrações vindas de Portugal, que aprisionavam indígenas, dirigindo-se para a parte ocidental da linha do Tratado de Tordesilhas; A conquista de um porto marítimo no futuro para Assunção, no Oceano Atlântico, como aparecimento de Paranaguá para ser o lugar de maior indicação para tanto.
Província de Vera Durante o século XVI, no quadrilátero das terras banhadas pelos rios Paraná, Tibaji e Iguaçu, viviam muitos indígenas. O grupo étnico da maioria da população indígena da região foram os tupis-guaranis. O colonizador europeu que fez o percurso da região pela primeira vez foi o vicentino Aleixo Garcia, que ali iniciou a penetração como comandante de uma bandeira. Fez a ultrapassagem do rio Paraná na região das Sete Quedas e sua chegada em direção à Cordilheira dos Andes.
Em 1541 Álvaro Nunes Cabeza de Vaca fez a travessia da região. Fez uma viagem de partida com a numerosidade de sua comitiva da ilha de Santa Catarina e dirigindo-se até Assunção, no Paraguai, onde recebeu do rei sua nomeação para governador. Em 1541 fez a travessia do Iguaçu, depois atravessou o rio Tibaji, fez uma viagem de volta ao rio Iguaçu e a navegação em canoas em direção aos saltos de Santa Maria, onde teve a perda de algumas de suas embarcações. Com as outras fez o contorno dos saltos com suas próprias pernas e logo abaixo iniciou a tomada simbólica do rio Paraná a ser empossado, em nome do rei da Espanha.
Devido a esses objetivos espanhóis, o adelantado (governador) de Assunção fez o envio em 1554 de oitenta homens armados, que iniciaram a fundação da vila de Ontiveros, às margens do rio Paraná, há pouca distância da foz do rio Ivaí. Esta cidade foi o primeiro assentamento permanente que os espanhóis fundaram em território paranaense. Possuía muitos índios encomendados (escravizados). Mas dois anos depois, o capitão Ruy Dias de Melgarejo promoveu a transferência da povoação para bem próximo da foz do rio Piquiri.
Neste novo lugar o núcleo recebeu o nome de Ciudad Real de Guairá. Os espanhóis deram continuidade à exploração da região. No ano de 1579, às margens do rio Ivaí, perto da foz do rio Corumbataí, o mesmo espanhol, capitão Ruy Dias de Melgarejo, iniciou a fundação da cidade de Vila Rica do Espírito Santo. Esta denominação de Vila Rica é devido ao fato de os espanhóis ali derem de encontro na região com muitos cristais de rochas (ágatas), que fizeram o julgamento de que as rochas são pedras preciosas muito valiosas. Tiveram recolhimento e a decisão dos espanhóis era o seu retorno à Espanha, com o objetivo de usufruto da riqueza que encontraram. Mas Ruy Dias Melgarejo decretou a proibição de que saíssem os colonos da região. Então foram amotinados, mas se submeteram. A cidade de Vila Rica do Espírito Santo tem se tornado num importante centro de escravidão indígena.
Estas vilas que os espanhóis fundaram no atual território paranaense, receberam o nome de República do Guairá. Durante aquela época, os espanhóis fizeram uso de um sistema de colonização sob fracasso que estava relacionado com o indígena. Eram os adelantados e encomiendas; os jesuítas; as reduções; a organização; o ensino, o urbanismo e a justiça; os conflitos e interesses; os mamelucos; a destruição; e a extinção de Vila Rica.
Adelantados e encomiendas As autoridades vindas da Espanha deram incumbência às pessoas possuidoras de alguns bens para a conquista das terras que os indígenas ocupavam. Eram chamados de adelantados, como por exemplo Balboa, Pizarro, Pedro de Mendoza, Pedro Álvarez Nunes Cabeza de Vaca e muitos outros. De acordo com o que determinava a coroa espanhola, o dever da população indígena era o aprendizado do catecismo, que servia de defesa contra os inimigos e os adelantados, tendo início num ofício. Em troca disto, os índios fariam o pagamento de uma taxa, ou fariam a prestação de serviços. Eram chamado de encomiendas esse sistema, que acabou em degeneração porque os espanhóis eram gananciosos, causando a escravidão do indígena.
Esse sistema também foi posto em prática no Paraná, na Ciudad Real e Vila Rica. Como o governador do Paraguai, Hernando Arias Saavedra deu de encontro com os índios que resistiram fortemente em aplicar tal sistema, incluindo a frequência de revoltas, deu sugestão ao governo espanhol que tenha confiança em pacificar e converter os indígenas da região aos padres da Companhia de Jesus, o que teve aceitação de imediato.
Jesuítas miniaturadaimagem|Tesoro de la Lengua Guaraní, 1639, escrito pelo jesuíta peruano Antonio Ruiz de Montoya. Foi o primeiro dicionário guarani-espanhol. Naquela época, a preocupação dos padres era o fato de que faltava eficiência do método de catequese que os jesuítas empregavam até então. O método de catequese consistia em continuar peregrinando entre as aldeias indígenas, onde os padres faziam a pregação e o batismo. Mas este sistema não tinha muita eficiência, visto que se faltasse o sacerdote numa aldeia teria como consequência o fato de que os novos indígenas convertidos fossem desleixados e não se interessassem pela religião cristã, voltando com facilidade a praticar as antigas superstições. Guairá foi a primeira região a fazer a experiência do sistema que os jesuítas adotavam: as reduções.
Consiste este na atração de aumentar possivelmente o número de indígenas para uma povoação, que se chamava redução. Ali, os indígenas moravam numa habitação com a sua família; o missionário também ali fazia fixação de residência, daí não tendo a necessidade de o deslocamento frequente para outras regiões. Estiveram à procura dos jesuítas, assim, realizando a conquista de alguma coisa que durasse enquanto trabalhassem como na missão jesuítica. Os padres jesuítas julgavam o pensamento de que não fosse o suficiente para fazer o lançamento da palavra de Deus ao acaso como era feito em tempos antigos, mas precisavam fazer a vigilância da palavra de Deus, propriamente dita, até frutificar.
Ambas as povoações da região não recebiam muito bem os jesuítas, isto porque, os espanhóis se acostumavam em explorar os índios pelo sistema das encomiendas, não faziam falta para eles o fato de estarem presentes os maiores homens que defendiam os direitos dos indígenas; realizavam a fuga de suas encomiendas em maior número e o refúgio nas reduções jesuíticas. A situação nos dois centros espanhóis agravou-se muito porque faltava gente para trabalhar, havendo a insuficiência do número de seus indígenas para a trabalhar na lavoura e plantar a erva-mate. As duas povoações passaram a declinar nitidamente, até que os bandeirantes paulistas finalmente destruíram.
Reduções Os dois primeiros núcleos indígenas que os jesuítas fundaram, na região, foram os de Nossa Senhora de Loreto e Santo Inácio Mini, que se localizavam na margem esquerda do Paranapanema, sendo que fundaram o de Loreto em 1610, na foz do rio Pirapó.
Nesta região, mais de 200 famílias foram encontradas pelos jesuítas, que batizaram anteriormente. Esta foi a mais antiga redução jesuítica onde o povo guarani morava. O primeiro núcleo teve rápída prosperidade e tem se tornado a capital das reduções, onde passou a ser residência do padre superior da província do Guairá, o novo nome da antiga Província de Vera.
Os padres corajosos, fortemente fiéis e dinamicamente invulgares contribuíram para a rapidez de semeadura no vasto território onde estavam localizadas as missões, o aumento da quantidade destes aldeamentos, os quais somaram treze, que ficavam nas margens dos mais importantes rios, como o Piquiri, Ivaí, Paranapanema, Tibagi e Iguaçu.
Esta obra de catequizar e civilizar os indígenas que os padres da Companhia de Jesus faziam não se compara paralelamente com outra qualquer em benefício da civilização, tal era vultuosa e ampla esta civilização, propriamente dita. Em alguns anos, estes missionários intrépidos realizaram com êxito o aldeamento de aproximadamente 100 mil indígenas; e o que é mais importante: os jesuítas realizaram a penetração nos indígenas animados o fato de sentirem-se trabalhadores sistemática e disciplinadamente, o que até então ninguém realizou.
Organização Um missionário dirigia uma destas reduções. Este missionário, propriamente dito, era chamado pelos índios de pai-tuya (pai velho); um assistente coadjutor, o pai-mini (pai novo), auxiliava o diretor das reduções. De modo indiscutível, a suprema autoridade que dirigia uma redução era o pai-tuya. Os jesuítas não tiveram a quebra de hierarquia da vida que as tribos tinham, com a qual era o costume que os índios tinham; fizeram a adaptação dos cargos usuais de administração que regiam as vilas espanholas, aos chefes que dirigiam as aldeias indígenas. Dessa forma, os índios desempenharam a ocupação do cargo de capitão, alcaide (espécie de oficial do poder judiciário que tinha o direito de fazer a punição que os criminosos mereciam), alferes (que corresponde razoavelmente à hierarquia militar de sargento), regedor (que administrava a redução), etc.
Qualquer pessoa no dia em que se casava com outra teve o recebimento de um terreno, o qual tinha a obrigação de fazer o cultivo. Além de existir esta propriedade privada, havia as que tinham coletividade. Os índios cuidavam e plantavam as propriedades coletivas em turnos. As propriedades coletivas eram chamadas pelos índios de tupã-mbe (propriedade de Deus).
A pecuária equina, bovina, avícola, etc., também tinha coletividade. Os indígenas armazenavam o produto deste trabalho em depósitos públicos, donde qualquer família teve o recebimento do que necessitava para sustenta-la. Esta distribuição, que se limitava a qualquer família, era para que não sejam desperdiçados os gêneros alimentícios e para que as donas de casa indígenas não estivessem acostumadas com gastos exagerados. Destes depósitos comuns era retirado também o necessário para participar das missas e pagar impostos, que serviam como pagamento religioso à coroa espanhola.
Pelos missionários espanhóis não era introduzido o fato de usar a moeda entre os indígenas, para evitar o despertar da cobiça, que até então não existia. Mas a cada ano era feita descida pelos indígenas das reduções até Santa Fé ou Buenos Aires, que quem chefiava foi um missionário, que assumia o cargo de procurador das missões, para vender seus produtos e realizar a aquisição de suas mercadorias de que necessitavam. Um procurador missionário presente trabalhava para a defesa dos indígenas dos vexames possivelmente infligidos pelos colonos, bem como para não fraudar e roubar.
Ensino, urbanismo e justiça O mais importante edifício que existia numa redução jesuítica era a igreja, que por tradição ficava na praça principal, assim como era de praxe entre os colonizadores vindos de Portugal em solo brasileiro. O alinhamento das residências era feito com a formação de quarteirões. Os quarteirões eram possuidores de modo geral de uma espécie de área com cobertura e continuidade, fazendo a ligação das casas entre si, no trânsito dos pedestres que se protegiam da luminária do dia e da precipitação pluviométrica.