Quinto Fábio Máximo Ruliano () foi um político da gente Fábia da República Romana, eleito cônsul por cinco vezes, em 322, 310, 308, 297 e 295 a.C. com Lúcio Fúlvio Curvo, Caio Márcio Rutilo Censorino e Públio Décio Mus nas três vezes seguintes. Foi também ditador em 315 a.C.. e é considerado um dos grandes heróis romanos por seu papel na Segunda e Terceira Guerra Samnita a primeira delas foi resultado de intervenção romana para resgatar a cidade Campânia de Cápua de um ataque samnita, e em Cápua aconteceu o inesperado: Aníbal, instalado nesta cidade com toda a comodidade, interrompe a sua campanha no momento em que Roma está quase indefesa, ao alcance da sua espada. Não se sabe ao certo o motivo pelo qual recebeu o cognome "Máximo" (). LívioLívio, Ab Urbe condita IX, 46 afirma que foi por conta de seus serviços como censor em 304 a.C..

Era filho de Marco Fábio Ambusto, cônsul três vezes e ditador, pai de Quinto Fábio Máximo Gurges e ancestral de Fábio Máximo Cunctator ("o que adia"), da época da Segunda Guerra Púnica. Sucedeu ao pai como príncipe do senado,Plínio, História Natural VII, 41.

Mestre da cavalaria (325 a.C.) thumb|upright=1.25|Mapa do centro da península Itálica, onde se desenrolaram os eventos da vida de Quinto Fábio. Em amarelo, o Lácio, território original de Roma. Em vermelho (direita), Sâmnio, palco das Guerras Samnitas. Em vermelho também (norte), a Etrúria Em 324 a.C. não foram eleitos cônsules e o governo de Roma ficou a cargo do ditador Lúcio Papírio Cursor, que escolheu Quinto Fábio como seu mestre da cavalaria (magister equitum).Lívio, Ab Urbe condita VIII, 30Sexto Júlio Frontino, Stratagemata IV, 1, 39 Pouco depois de assumir o comando, uma dúvida quanto à validade dos auspícios que havia recebido antes de marchar contra o inimigo obrigou Lúcio Papírio a regressar a Roma para refazer o ritual. Quinto Fábio foi colocado no comando, mas com a ordem expressa de evitar qualquer enfrentamento contra os inimigos durante sua ausência. Mesmo assim, Quinto Fábio se deixou arrastar para uma batalha contra o inimigo perto de um local chamado "Imbrinium" ou "Imbrivium" e conseguiu uma grande vitória. Lúcio Papírio se viu obrigado a perdoá-lo, mas jamais esqueceu a ofensa. Quando voltou ao exército, foi considerado um tirano pelas tropas e, por isto, foi derrotado em sua primeira batalha contra inimigo. Retornando a Sâmnio para continuar a campanha, mal visto pelos soldados por causa do conflito, liderou o exército a uma nova vitória numa batalha campal, que só não se transformou num sucesso total por causa do comportamento recalcitrante de seus soldados.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 36. Lúcio Papírio não se desesperou e reconquistou a confiança de suas tropas, liderando-as a uma terceira vitória em combate contra os samnitas, que, derrotados, imploraram a paz ao ditador. Esta vitória lhe valeu um triunfo.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 37. Logo depois, Lúcio Papírio voltou para Roma e realizou um triunfo.

Consciente de que havia desobedecido as ordens do ditador e temendo ser punido, Quinto Fábio buscou a proteção do exército,Lívio, Ab Urbe condita VIII, 31. Lúcio Papírio, exasperado pela falta de disciplina, se apressou em voltar para o comando para castigar o ofensor com a pena de morte. Só o afeto dos soldados o impediu, pois eles simpatizavam com Quinto Fábio e ameaçaram um motim.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 31-32. Sabendo que não ia conseguir se manter protegido entre as tropas, Quinto Fábio fugiu para Roma.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 33.

Lúcio Papírio pediu ao Senado uma punição para Quinto Fábio pela desobediência e chegou a repetir o pedido perante à Assembleia popular, convocada pelo pai dele, Marco Fábio Ambusto, através do mecanismo do provocatio , mas se viu sozinho, pois o Senado e os tribunos da plebe apoiaram Quinto Fábio por causa da vitória.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 33-34. Não foi pequeno o efeito do apaixonado discurso de Marco Fábio, que havia sido ditador e cônsul por três vezes, em prol do filho, mas o dilema principal foi a perigosa indulgência com uma indisciplina contrária ao princípio da "autoridade absoluta" que Lúcio Papírio, como ditador, detinha e era, inequivocamente, a fundação da eficiência do exército romano. Finalmente, Quinto Fábio se lançou aos pés do ditador e implorou seu perdão, apoiado pelos tribunos, senadores e pelo povo. Lúcio Papírio relutantemente concordou em perdoá-lo, apesar dos severos precedentes de Torquato e Lúcio Bruto, que haviam executado seus próprios filhos para preservar o interesse público, alertando:Lívio, Ab Urbe condita VIII, 35.

Primeiro consulado (322 a.C.) e interrex (321 a.C.)

Quinto Fábio foi eleito cônsul pela primeira vez em 322 a.C. com Lúcio Fúlvio Curvo.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 38. Durante seu mandato, durante a Segunda Guerra Samnita, Aulo Cornélio Cosso Arvina foi nomeado ditador para liderar as campanhas contras os samnitas. No ano seguinte, depois do desastre da Batalha das Forcas Caudinas, foi interrex.Lívio, Ab Urbe condita 17

Ditador (315 a.C.) thumb|direita|upright=1.25|Itália central em 315 a.C. Em 315 a.C., foi nomeado ditador e escolhe Quinto Áulio Cerretano como seu mestre da cavalaria. Ele cercou e conquistou Satícula enquanto Quinto Áulio foi morto em combate na Batalha de Láutulas.Lívio, Ab Urbe condita IX, 22. Logo em seguida derrotou os samnitas, que haviam tomado Sora.Lívio, Ab Urbe condita IX, 23.

Segundo consulado (310-309 a.C.) Quinto Fábio foi eleito novamente em 310 a.C., desta vez com Caio Márcio Rutilo Censorino.Lívio, Ab Urbe condita IX, 33. Enquanto Fábio liderou a campanha contra os etruscos, Caio Márcio combateu os samnitas.

Enquanto marchava para ajudar Sutri, que estava cercada pelos etruscos, o exército de Fábio se deparou com um exército inimigo no sopé do monte Cimini já em ordem de batalha. Os romanos conseguiram vencer graças à posição favorável:Lívio, Ab Urbe condita IX, 35.

Os etruscos estavam escondidos na floresta e os romanos estavam temerosos de segui-los. Por isto, antes de adentrar mais em território inimigo, os romanos tentaram e conseguiram uma aliança com os úmbrios. Só depois disto, partindo do alto do monte Cimini, os romanos invadiram a floresta, onde capturaram e massacraram os etruscos, capturando um enorme butim.Lívio, Ab Urbe condita IX, 36.

Neste ponto, os etruscos — e alguns úmbrios — decidiram arregimentar um novo exército e o levaram paras às portas de Sutri, onde estavam acampados os romanos. Os dois exércitos ficaram frente a frete no campo de batalha, sem que nenhum dos dois assumisse a iniciativa ou retornasse ao acampamento ao cair da noite. Mas Fábio, na manhã seguinte, preparou silenciosamente seu próprio exército, que atacou o acampamento inimigo ao raiar do dia, provocando muitas baixas: segundo Lívio, foram feitos prisioneiros inimigos naquele dia.Lívio, Ab Urbe condita IX, 37.

Logo depois da batalha, as maiores cidades etruscas pediram a paz e os romanos firmaram uma trégua de trinta anos. No entanto, uma derrota numa batalha campal contra os samnitas, na qual Caio Márcio acabou ferido, fez com que o Senado resolvesse nomear Lúcio Papírio Cursor, um inimigo jurado de Quinto Fábio, ditador. Por isto, os senadores enviaram uma delegação a Quinto Fábio, que era o responsável por nomeá-lo.Lívio, Ab Urbe condita IX, 38. Porém, sua nomeação não foi fácil, pois Quinto Fábio quase fora condenado à morte por ele. A lembrança dos eventos dezesseis anos antes tornou a decisão muito difícil, mas ele obedece o Senado e nomeia Papírio no meio da noite sem dizer uma palavra.

Naquele ano, no qual os romanos levaram a melhor sobre os etruscos na Batalha do Lago VadimoLívio, Ab Urbe condita IX, 39 e sobre os samnitas perto de Longula,Lívio, Ab Urbe condita IX, 40. Quinto Fábio derrotou o que restava dos exércitos etruscos na Batalha de Perúgia, o que lhe valeu um triunfo e a re-eleição no ano seguinte.

Terceiro consulado (308 a.C.) e proconsulado (307 a.C.) Quinto Fábio foi eleito cônsul pela terceira vez em 308 a.C. com Públio Décio Mus. Fábio conduziu a campanha militar contra os samnitas enquanto Décio lutou contra os etruscos. Depois de ter forçado a rendição de Nucéria Alfaterna, os samnitas foram derrotados numa batalha campal.Lívio, Ab Urbe condita IX, 41. O avanço dos úmbrios em direção a Roma enquanto Públio Décio estava empenhado na luta contra os etruscos obrigou Quinto Fábio a abandonar Sâmnio para seguir para Mevânia, onde chegou obrigando seu exército a uma marcha forçada. Com a chegada súbita das forças romanas, uma das tribos úmbrias, os materinos, aceitaram lutar e sofreram uma dura derrota que resultou na rendição de todos os úmbrios. Por esta vitória, Fábio recebeu, no ano seguinte, já durante o consulado de Ápio Cláudio Cego e Lúcio Volúmnio Flama Violente, o comando do exército romano em SâmnioLívio, Ab Urbe condita IX, 42. com poderes proconsulares e conseguiu uma nova vitória em Alife, que foi forçada a se render.

Censor (304 a.C.) Em 304 a.C., Quinto Fábio foi eleito censor com Públio Décio Mus. Aparentemente Fábio reverteu as modificações introduzidas por Ápio Cláudio Cego durante o seu mandato de censor (312–308 a.C.), limitando os "libertinos" às quatro tribos da cidade. Provavelmente aumentou também a importância dos equestres.Valério Máximo II 2. § 9; Aurélio Vítor, Vir. III 32<ref>Plínio, o Velho, História Natural XV, 4; comp. Dionis. vi. 13, 15</ref>

Quarto consulado (297 a.C.) e proconsulado (296 a.C.)

No início do século III a.C., em 297 a.C., Fábio foi eleito pela quarta vez, novamente com Públio Décio Mus, mesmo tendo inicialmente resistido às diversas propostas recebidasLívio, Ab Urbe condita X, 13.:

thumb|esquerda|upright=1|Mapa da Etrúria em 298 a.C. Os anais sobre a gente Fábia, que Lívio copiou, provavelmente suprimiu a forte oposição à sua reeleição por parte dos partidários de Ápio Cláudio Cego.Lívio, Ab Urbe condita X, 15.

Fábio e Décio levaram seus exércitos para Sâmnio seguindo por dois caminhos distintos: Fábio atravessou o território de Sora e Décio, o dos sidicínios. Fábio encontrou os samnitas perto de Tiferno (moderna Città di Castello) e a Batalha de Tiferno foi duríssima e terminou de forma inconclusiva quando uma parte do exército romano, enviada para as colinas na retaguarda do inimigo, foi confundida por ambos os lados como a chegada do exército de Décio.Lívio, Ab Urbe condita X, 14.

Depois desta vitória, os dois exércitos romanos saquearam Sâmnio sem encontrarem nenhuma resistência e o exército de Fábio conquistou ainda a cidade de Cimetra.

No ano seguinte, 296 a.C., com poderes proconsulares, enquanto os dois cônsules, Lúcio Volúmnio Flama Violente e Ápio Cláudio Cego, enfrentavam um exército reunido de samnitas e etruscos,Lívio, Ab Urbe condita X, 16. Quinto Fábio sufocou uma revolta em LucâniaLívio, Ab Urbe condita X, 18. e, depois, com Décio Mus, interceptou um exército samnita que havia arrasado o território os viscínios, derrotando-o em uma batalha campal.Lívio, Ab Urbe condita X, 20.

Quinto consulado (295 a.C.)

Em 295 a.C., Fábio Máximo foi eleito pela quinta e última vez, novamente com Públio Décio Mus,Lívio, Ab Urbe condita X, 24. mas, apesar do perfeito acordo entre os dois nas vezes anteriores, desta vez acabaram discordando sobre a forma de conduzir as operações na Etrúria. Depois de uma consulta ao Senado e ao povo romano, o comando foi entregue Fábio: