Lúcio Licínio Lúculo () foi um político da gente Licínia da República Romana eleito cônsul em com Aulo Postúmio Albino. Foi primeiro de sua gente a ser alçado ao consuladoPlutarco, Lucull 1; Cícero, Acad. Pr. II 45. Provavelmente era filho de Lúcio Licínio Lúculo, edil curul em , pai de Lúcio Licínio Lúculo, pretor em e general durante a Segunda Guerra Servil, e avô do famoso general Lúcio Licínio Lúculo, cônsul em , e de Marco Terêncio Varrão Lúculo, cônsul em .
Segunda Guerra Celtibera thumb|upright=1.3|Península ibérica em , mostrando os territórios de váceos e lusitanos
Consulado () Depois de ocupar várias posições na magistratura romana, foi nomeado cônsul em com Aulo Postúmio Albino. Foi enviado à Hispânia para substituir Marco Cláudio Marcelo, que já havia acertado uma paz em Numância com a tribo celtibera dos arévacos. Aparentemente, a guerra era impopular em Roma e foi difícil recrutar um exército; a severidade com que o povo foi tratado pelos cônsules, irritados com a demora, acabou incomodando a população e os tribunos da plebe, que mandaram prender os dois cônsules. O conflito só acabou com a intervenção do jovem Cipião Emiliano, que ofereceu-se para servir no exército e reacendeu entre os romanos o fervor militar.<ref>Políbio, Histórias XXXV 3, 4.</ref>Lívio, Ab Urbe Condita Epit. XLVIII.</ref>Apiano, Hisp. 49; Paulo Orósio IV 21
Antes de sua chegada à Hispânia, Marcelo tratou de encerrar a guerra e submeteu todas as tribos revoltosas. O novo cônsul, porém, decidiu atacar os váceos sem o aval do Senado e sem provocação, o que, segundo Apiano, teria sido por puro interesse pessoal. Ele cruzou o Tejo e obrigou o ópido de Cauca, onde acreditava estarem escondidas grandes riquezas, a se render com falsas promessas de piedade. Uma das condições impostas era de que a cidade deveria ter uma guarnição romana, que, assim que foi instalada, assassinou todos os homens adultos, saqueou a cidade e escravizou os sobreviventes (aprox. pessoas foram mortas).
A partir dali, Lúculo avançou até o coração do território inimigo, cruzando o Douro e iniciando um cerco à fortaleza vácea de Intercatia, que, durante um tempo resistiu, mas acabou sendo finalmente obrigada a pagar, em condições favoráveis garantidas pessoalmente por Cipião Emiliano para a retirada dos romanos, sagum (armaduras militares), mas nenhuma prata.
Um ataque posterior contra Palantia foi rechaçado e, finalmente, já sem provisões, Lúculo foi obrigado a retirar-se sob a pressão dos váceos, cruzando novamente o Douro e estabelecendo seu quartel de inverno na região sul da Península Ibérica. Apesar da falta de autorização, Lúculo não foi julgado pelo Senado e continuou na Hispânia com poderes proconsulares.Apiano, Hisp. 50-55.<ref>Plínio História Natural IX 30. § 48.
Proconsulado ()
Passou o inverno em Turdetânia e, na primavera de , invadiu o território dos lusitanos com Sérvio Sulpício Galba, com quem compartilhou, segundo o relato de Apiano, os atos de crueldade e traição realizados contra a população local. Ainda assim, teve mais sorte que Galba, pois não foi julgado ao voltar a Roma.Apiano, Hisp. 55, 59, 61
Nesta época, Lúculo conseguiu amealhar uma pequena fortuna, apesar de a guerra contra os váceos não ter sido muito produtiva. Com parte do dinheiro, construiu um templo dedicado à boa sorte (Felicitas''); para a cerimônia de consagração, Lúculo pediu a Lúcio Múmio Acaico algumas estátuas que ele havia trazido da recém-conquistada Corinto, mas se recusou a devolvê-las depois, alegando que elas já haviam sido consagradas à deusa.Dião Cássio, Fragm. 81; Estrabão, ''Geografia VIII.
Ver também
Bibliografia Fontes primárias
Fontes secundárias
Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século II a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Ano de morte desconhecido Categoria:Segunda Guerra Celtibera Categoria:Guerra Lusitana Categoria:Licinii Categoria:Procônsules da Hispânia