A harmina é um alcalóide harmano fluorescente pertencente à família de compostos da beta-carbolina. Ocorre num número de diferentes plantas, notadamente na harmala (Peganum harmala), do Oriente Médio, e no cipó-mariri (Banisteriopsis caapi), da América do Sul. A harmina é um inibidor reversível da monoamina oxidase (IMAO) e um estimulante do sistema nervoso central.
O subtipo β da monoamina oxidase (MAO-β), contudo, não é inibido.GERARDY J. Effect of moclobemide on rat brain monoamine oxidase A and B: comparison with harmaline and clorgyline. Departamento de Farmacologia, Universidade de Liège, Sart Tilman, Bélgica. Usos
Como inibidor da MAO, a harmina inibe a clivagem de monoaminas por enzimas chamadas monoamina oxidases. Dentre as monoaminas estão os neurotransmissores serotonina, dopamina, o hormônio melatonina e drogas, inclusive muitos alucinógenos (psilocibina, dimetiltriptamina, mescalina, bufotenina etc.). Por reduzir o metabolismo de neurotransmissores, os IMAOs podem ajudar na manutenção dos níveis normais desses compostos, e muitos IMAOs são usados como antidepressivos. A harmina não tem sido objeto freqüente de pesquisa médica para o tratamento da depressão, em parte devido às restrições legais em muitos países, bem como a existência de muitos IMAOs sintéticos com menos efeitos colaterais.
Peganum harmala e Banisteriopsis caapi são usados tradicionalmente por seus efeitos psicoativos. B. caapi geralmente é usado com plantas que contêm DMT, e é tradicionalmente consumido como uma beberagem com ou sem plantas produtoras de DMT (ver ayahuasca). O DMT normalmente não tem efeito quando administrado por via oral, mas usuários relatam efeitos bastante diversos quando o DMT está presente em tais bebidas. Até hoje, a harmina e substâncias correlatas têm sido usadas em conjunto com muitas outras drogas. Muitos alucinógenos parecem ter sua potência aumentada quando usados desse modo.
thumb|right|175px|Fluorescência da harmina e da harmalina sob luz ultravioleta. As três extrações indicam que a do meio tem maior concentração dos dois compostos.
A harmina é um útil indicador fluorescente de pH. Quanto maior o pH, menor é a emissão de fluorescência da harmina.
Com o isótopo radioativo carbono-11, a harmina é usada em tomografias por emissão de pósitrons para examinar sua ligação à MAO-A.GINOVART, N. MEYER, J H. BOOVARIWALA, A. HUSSEY, D. RABINER, E A.; HOULE, S. WILSON, A A. Positron emission tomography quantification of [11C]-harmine binding to monoamine oxidase-A in the human brain. Journal of Cerebral Blood Flow & Metabolism: 2006. vol. 26. pages = 330–344
À harmina encontrada em secreções das raízes de Oxalis tuberosa tem sido atribuídas propriedades inseticidas.VIVANCO, J M. HALLIGAN, K M. STERMITZ, F R. PARK, S-W. Exudation of fluorescent b-carbolines from Oxalis tuberosa L. roots. Phytochemistry, 18 de junho de 2002, v. 61, pp. 539-543.
Anticâncer Segundo JahanianiJAHANIANI, F. Xanthomicrol is the main cytotoxic component of Dracocephalum kotschyii and a potential anti-cancer agent. Phytochemistry, vol. 66, p. 1581. Acessado em 23 de abril de 2009, a harmina apresentou citotoxicidade contra linhagens de células HL60 e K562. Isso explicaria o efeito citotóxico da P. harmala nessas células. Efeitos adversos
A harmina é um inibidor reversível da MAO-α, o que significa que ela não induz à "síndrome do queijo", causada pela ingestão de alimentos contendo tiramina com alguns medicamentos IMAO, já que a tiramina é metabolizada principalmente pela MAO-β.McKENNA, CALLAWAY et al. "Scientific Investigation of Ayahuasca" in Scientific Investigation of Ayahuasca. Acesso em 23 de abril de 2009.. A harmina e plantas contendo quantidades significaticas de harmina e outros harmanos, geralmente não são consideradas como tratamentos seguros para depressão pela comunidade médica; contudo, este é um preconceito histórico elaborado formado por décadas de experiência com fármacos IMAO não-específicos que bloqueiam tanto a MAO-α quanto a MAO-β, que não são mais usados por essa mesma razão.YARNELL, E. ABASCAL, K. Botanical treatments for depression. Alternative & Complementary Therapies, vol. 7, pp. 138–143. Acesso em 23 de abril de 2009. Fontes naturais
A harmina é encontrada numa variedade de diferentes organismos, a maioria deles plantas. Alexander Shulgin lista cerca de trinta espécies diferentes que comprovadamente contêm harminaSHULGIN, Alexander; SHULGIN Ann. TiHKAL: the continuation. Berkeley, Transform Press: 1997, pp. 713–4. ISBN 0963009699., inclusive sete espécies de borboleta da família Nymphalidae. As plantas que contêm harmina incluem o tabaco, duas espécies de maracujá e muitas outras.
Além do B. caapi, pelo menos três espécies de malpiguiáceas contêm harmina; são elas: duas espécies de Banisteriopsis e a planta Callaeum antifebrile. Callaway, Brito e Neves (2005)CALLAWAY, J C. BRITO, G S. NEVES, E S. Phytochemical analyses of Banisteriopsis caapi and Psychotria viridis. Journal of Psychoactive Drugs, 2005, vol. 37, pp. 145–50. encontraram níveis de harmina entre 0,31 e 8,43% em amostras de B. caapi.
A família das zigofiláceas, à qual pertence a harmala, contém pelo menos duas outras plantas que produzem harmina: Peganum nigellastrum e Zygophyllum fabago.
Ver também Inibidor da monoamina oxidase
Referências
Ligações externas Harmina encontrada em Oxalis tuberosa (em inglês).
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