thumb|Quarta geração do Golf (modelo City Golf) destinado ao mercado canadense A Volkswagen do Brasil é uma subsidiária do Grupo Volkswagen, fundada em 1953 com a montagem local do Volkswagen Tipo 1, a partir de peças importadas da Alemanha.
A Volkswagen do Brasil tem desenvolvido modelos próprios e variantes adequadas para diversos mercados na América Latina e África, substituindo ou complementando modelos projetados para a Europa.
A Volkswagen do Brasil possui três fábricas de automóveis, em São Bernardo do Campo (SP), São José dos Pinhais (PR) e Taubaté (SP) e uma de motores em São Carlos (SP). Atualmente, fabrica os modelos Polo, Virtus, Nivus, Saveiro e T-Cross.
Histórico A fábrica de montagem da Volkswagen no Brasil foi criada depois que o governo brasileiro proibiu a importação de veículos totalmente montados em 1953. Seu primeiro presidente foi Friedrich Schultz-Wenk, que havia emigrado para o Brasil em 1950, após um breve período como prisioneiro de guerra, seguido de uma temporada em Wolfsburg. A primeira fábrica ficava em Ipiranga, São Paulo, e funcionava exclusivamente com kits desmontados. Em dois anos, 2.268 Fuscas e 552 Kombis foram montados ali manualmente. Depois que os programas de substituição de importações de Juscelino Kubitschek começaram a surtir efeito, a Volkswagen foi obrigada a abrir uma fábrica propriamente dita em São Bernardo do Campo. As obras da fábrica tiveram início em meados de 1957. Inicialmente, apenas a Kombi era fabricada localmente a partir de setembro de 1957, mas, a partir de janeiro de 1959, o Fusca de 1.200cc também passou a ser produzido localmente, com um índice cada vez maior de peças de fabricação local. Em 1959, a VW iniciou a produção na fábrica próxima a São Paulo.Komplizen? - VW und die brasilianische Militärdiktatur. Das Erste, ARD, documentary, 24.07.2017 Em 1961, a Volkswagen havia ultrapassado a Willys-Overland e se tornado a maior fabricante de veículos do Brasil.
União com a Ford na Autolatina De 1987 a 1995, a história da Volkswagen do Brasil foi marcada pelo acordo Autolatina Brasil entre a Ford Motor Company e o Grupo Volkswagen.Durante a vigência desse acordo, ambas montadoras foram beneficiadas com trocas tecnológicas. A Ford passou a usar motores da linha Volkswagen AP e transmissões alemãs em seus carros (Escort, Verona, Del Rey, Belina e Pampa), além da plataforma do Santana/Quantum que deu origem aos modelos da Ford, Versailles e Royale. Já a Volkswagen passou a usar o motor CHT 1.6, rebatizado de AE1600 nos modelos Gol, Voyage, Parati e Saveiro, em 1990 uma versão VW para o Verona, chamada de Apollo e em 1993 o Logus e o Pointer.
De 1979 a 1999, a Volkswagen do Brasil criou e desenvolveu a divisão de Caminhões e Ônibus. Em dezembro de 2008, foi anunciado que a Volkswagen Caminhões e Ônibus seria vendida para a MAN.MAN acquires Brazil based VW Truck and Bus MAN 15 December 2015
Em 1986, a Volkswagen firmou um acordo com a Paccar para vender seus caminhões com a marca Peterbilt ou Kenworth nos Estados Unidos. Isso permitiria que os revendedores da Paccar oferecessem caminhões da Classe 7 sem precisar recorrer à concorrência. Os caminhões da Volkswagen na América Latina sempre foram fabricados com uma estrutura muito mais robusta do que em outras partes do mundo, onde esse setor tem sido principalmente de responsabilidade da MAN.
A partir de 1958, o Tipo 1 (“Fusca”) manteve-se por 24 anos como o carro mais vendido no Brasil. De 1987 a 2012, o Gol ocupou o primeiro lugar em vendas.
A empresa ocupa uma posição estratégica a nível mundial dentro da organização da Volkswagen tendo sido encarregada da produção do Fox para todos os mercados no mundo em que este modelo esteve presente. A empresa também produziu para o Canadá e para diversos mercados na América Central e do Sul a quarta geração do Golf, tendo produzido a sétima geração do Golf até 2020.
Controvérsias Os trabalhadores vêm acusando a Volkswagen do Brasil de espioná-los desde a década de 1970, período que coincidiu com a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. Os ex-funcionários acusaram a empresa de permitir que seus trabalhadores fossem detidos e torturados durante o regime militar no Brasil. O pessoal de segurança da VW informava a polícia sobre eventuais atividades de oposição. Em 1976, ocorreram prisões em massa e alguns funcionários da VW foram torturados. Em 1979, trabalhadores brasileiros da VW viajaram para Wolfsburg para informar o presidente da empresa pessoalmente.Agence France Presse Volkswagen aided Brazil dictatorship’s repression: historian Business Recorder REPORT, 25 July 2017
Em 2014, a “comissão da verdade” convocada pela presidente Dilma Rousseff encontrou documentos que revelavam que “dezenas de empresas, incluindo a Volkswagen e outras montadoras estrangeiras, ajudaram os militares a identificar ativistas sindicais”, entre os quais Luiz Inácio Lula da Silva.Brian Winter spied on Lula, other Brazilian workers in 1980s 5 September 2014 Reuters Em audiências posteriores perante a comissão estadual de São Paulo, os advogados da VW negaram as acusações e alegaram que não havia nenhum documento que comprovasse que a empresa tivesse violado os direitos humanos.Brian Winter Brazil probe of dictatorship period not satisfied by Volkswagen testimony Reuters, February 28, 2015
Em 2015, ativistas e ex-funcionários da VW no Brasil se manifestaram publicamente, acusando a empresa de manter silêncio sobre a perseguição aos seus trabalhadores.VW worked hand in hand with Brazil's military dictatorship 24.07.2017 Deutsche Welle
Condenação por práticas escravistas A Volkswagen do Brasil foi condenada em 2025 por suas “práticas escravistas” nas décadas de 1970 e 1980. Centenas de trabalhadores de uma fazenda de gado na zona rural da Amazônia foram mantidos em servidão por dívidas e vigiados por guardas armados enquanto trabalhavam.
Presidentes
Friedrich Schulz-Wenk (1953–1969)Wolfe, p. 129 – primeiro presidente e responsável pela implantação da marca no país. A Volkswagen fabricou 850 mil veículos sob seu comando. Rudolf Leiding (1969–1973) – responsável pelo aval na criação de diversos lançamentos como a Brasília em 1973, do SP1 e SP2 em 1972. Wolfgang Sauer (1973–1993) – responsável pelo aval na criação do Gol e por trazer diversos lançamentos como o Passat em junho de 1974. Noel Philips (1986–1992) Pierre Alain de Smedt (1992–1997) Herbert Demel (1997–2002) Paul S. Fleming (2002–2003) Hans-Christian Maergner (2004–2007) Thomas Schmall (2007–2015) David Powels (2015–2017) Pablo Di Si (2017–2022) Ciro Possobom (2022–presente)
Ver também Autolatina
Ligações externas
Site oficial da Volkswagen Brasil Site oficial da Volkswagen Caminhões e Ônibus FlatOut. SP2, Brasília e Gol: O nascimento dos Volkswagen brasileiros e a história de seu criador Volkswagen antes do Virtus: do pioneiro "Zé do Caixão" ao mico do Apollo - Apollo: 1990-1992 De Vitor Matsubara - Portal UOL em São Paulo - edição de 11/02/2018
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