A Casa de Frederick C. Robie é um museu-casa localizado dentro do campus da Universidade de Chicago no bairro de Hyde Park da cidade de Chicago, no Illinois, Estados Unidos. Foi projetada pelo arquiteto Frank Lloyd Wright no estilo Prairie originalmente para servir de residência da família de Frederick C. Robie, um executivo de manufatura. Além de Wright, seus arquitetos associados Hermann V. von Holst e Marion Mahony também ajudaram no projeto, enquanto George Mann Niedecken supervisionou o desenho do interior. A casa foi uma das últimas que Wright projetou em seu estúdio em Oak Park.
Robie comprou o terreno em maio de 1908 e a construção começou no ano seguinte, com as famílias Robie, Taylor e Wilber ocupando a residência em rápida sucessão até 1926, quando foi comprada pelo Seminário Teológico de Chicago. Foi depois disso usada como dormitório, espaço de reuniões e sala de aula, com o seminário tentando demoli-la em 1941 e 1957. O incorporador William Zeckendorf comprou a casa em 1958 e a doou em 1963 para a Universidade de Chicago, que renovou o edifício. Foi em seguida ocupada pelo Instituto Adlai E. Stevenson de Assuntos Internacionais e pela associação de ex-alunos da universidade até ser arredando em 1997 pelo Fundo Nacional para a Preservação Histórica, que opera a casa como museu junto com o Fundo Frank Lloyd Wright. Os interiores e exteriores foram renovados nas primeiras décadas do século XXI.
A casa tem três andares e quatro dormitórios com uma garagem anexa para três carros. O edifício tem uma planta aberta que consiste em dois retângulos grandes e desalinhados. A fachada e os muros do perímetro são feitos principalmente de tijolos romanos com guarnições de concreto, decorações em pedra cortada e janelas de vidro artístico. A casa tem uma área de metros quadrados e é dividida em espaços comunais no retângulo sul e aposentos de serviço no retângulo norte. No primeiro andar estão uma sala de bilhar, uma sala de jogos e vários aposentos utilitários. A sala de estar, sala de jantar, cozinha, quarto de hóspedes e quartos dos empregados ficam no segundo andar, enquanto no terceiro andar estão outros três quartos.
A Casa de Frederick C. Robie influenciou vários outros projetos e ajudou a popularizar em residências detalhes arquitetônicos como janelas panorâmicas, telhados protuberantes e garagens em anexo. A casa já foi bastante analisada arquitetonicamente pelo passar das décadas, também tendo aparecido em várias obras midiáticas, incluindo livros e exibições de museu. Foi designada um Marco Histórico Nacional dos Estados Unidos em novembro de 1963 e um Patrimônio Mundial da UNESCO em 2019 junto com outras sete estruturas como parte do conjunto Arquitetura do Século XX de Frank Lloyd Wright.
Local A Casa de Frederick C. Robie está localizada no número 5757 da Avenida South Woodlawn, na esquina com a Rua 58 no bairro de Hyde Park da cidade de Chicago em Illinois, Estados Unidos. O terreno mede 18,3 metros de largura por 54,8 metros de comprimento, com esta dimensão paralela oeste-leste na Rua 58. A casa em si mede 18,3 por 47,2 metros. A Casa Robie e outras vizinhas estão recuadas em 10,6 metros da Avenida South Woodlawn por causa de um convênio existente no local.
O quarteirão imediatamente ao sul estava vazio na época da construção, com o edifício mais próximo ao sul estando a 430 metros de distância, do outro lado do parque Midway Plaisance. O local não era especialmente proeminente por causa da topografia relativamente plana do sul de Chicago. As casas ao norte, ao longo da Avenida South Woodlawn, estavam recuadas da rua e ficavam 61 centímetros a cima da calçada. Estas casas eram feitas principalmente de tijolos. O arquiteto Frank Lloyd Wright caracterizou a residência como uma "moradia urbana", porém na época era mais parecida com uma casa suburbana em um subúrbio de bonde cheio de casas unifamiliares. Ao oeste está a Capela Rockefeller e o Instituto para o Estudo de Culturas Antigas. Ao sul está o edifício da Escola de Negócios Booth da Universidade de Chicago.
História A casa foi encomendada por Frederick Carlton Robie, um executivo de manufaturas que na década de 1900 trabalhava na Excelsior Supply Company de seu pai. Ele se casou em 1902 com Lora Hieronymus e se mudou para Hyde Park dois anos depois, mudando-se novamente em 1907 para outra residência no mesmo bairro. Robie queria uma casa que incorporasse as mais recentes inovações arquitetônicas, em vez de um edifício convencionais com detalhes antiquados. Ele esboçou alguns planos e os mostrou para vários empreiteiros, que lhe disseram "Você quer uma daquelas malditas casas Wright". Robie e Wright conversaram pela primeira vez no final de 1906.
Desenvolvimento Aquisição do terreno e projeto Robie decidiu construir sua casa no número 5757 da Avenida South Woodlawn, próximo da Universidade de Chicago, a alma mater de Lora, onde ela ainda era socialmente ativa. Ele concordou em abril de 1908 em comprar terreno executivo de maquinários de mineração Herbert E. Goodman, mas com a condição de que fosse usado apenas para propósitos residenciais. A compra foi feita em 19 de maio. Como condição da compra, ele precisava gastar pelo menos vinte mil dólares na casa.
Wright foi contratado para projetar a casa. Robie comentou em 1958 que queria uma casa iluminada por luz natural, com espaços ininterruptos, acessórios simples e bricabraque mínimo. Ele também queria vários quartos, um berçário e um quintal fechado para seus filhos, também desejando olhar para a rua sem que pedestres conseguissem olhar para dentro. Robie queria evitar estilos arquitetônicos mais antigos, como o estilo Cape Cod, também não desejando uma construção monumental ou closets escuros. Além disso, queria uma casa à prova de fogo, especialmente uma feita de aço e concreto. O historiador Joseph Connors escreveu que as memórias de Robie talvez tivessem sido contaminadas porque ele morou na casa e leu a autobiografia de Wright, já o historiador Donald Hoffmann afirmou que Robie acabou adotando como seus muitos aspectos da filosofia de projeto de Wright. Segundo Hoffmann, a casa seria "radical e masculina", pois o arquiteto projetou a estrutura levando em conta principalmente as necessidades de Robie, não de sua esposa. O orçamento original era de sessenta mil dólares, aproximadamente dez vezes o custo de uma casa comum na época.
Wright projetou a Casa Robie em seu estúdio em Oak Park, também em Illinois; ele na época estava preocupado com vários outros projetos, assim a residência para Robie não era algo especialmente urgente. Wright primeiro elaborou os planos para a casa mentalmente; diferentemente de seus contemporâneos, ele se focava na simetria e proporções do edifício em vez das dimensões exatas. O arquiteto sentou-se certa noite com um papel em branco e esboçou os primeiros três diagramas da casa. Wright prestou tanta atenção aos detalhes arquitetônicos que chegou a elaborar plantas apenas para os carpetes. Os planos originais da casa talvez tenham sido descartados ou destruídos, porém plantas e renderizações ainda existem. Robie assinou as plantas de trabalho no final de março de 1909, com a construção começando pouco depois.
Construção A H. B. Barnard Co. foi contratada como empreiteira. A casa não precisou de fundações profundas e o núcleo estrutural, a chaminé, foi construído rapidamente. Robie afirmou que o próprio H. B. Barnard inspecionava a alvenaria toda vez que os trabalhadores colocavam duas ou três fileiras de tijolos. Frederick Robie Jr., filho de Robie, comentou que brincava em montes de areia (material usado na argamassa da fachada) e andava pelas passarelas que os construtores tinham erguido. Parte da alvenaria precisou ser desmontada depois dos pedreiros terem construído acidentalmente cinco pegões, em vez de dois pegões e três postes de armação, sob a varanda sul.
Os trabalhos no interior ocorreram pelo final de 1909, com Wright indo para a Europa na mesma época. Ele contratou o projetista de interiores George Mann Niedecken para mobilhar a casa. Niedecken supervisionou a decoração do interior e o esquema de cores. Também se envolveram no projeto o arquiteto Hermann V. von Holst e a desenhista Marion Mahony. A casa estava quase completa no início de 1910. A mobília chegou em fevereiro, as cortinas em março e os carpetes em abril.
Uso como residência thumb|esquerda|250px|A fachada sul da Casa Robie em 1911 A casa foi usada como residência por menos de vinte anos. Durante este período, foi ocupada em sucessão por três famílias diferentes: primeiros os Robie, seguidos pelos Taylor e por fim os Wilber. A família Robie, composta por Frederick e Lora mais seus filhos Frederick Jr. e Lorraine, se mudaram em maio de 1910, porém a maior parte das decorações só foram finalizadas vários meses depois. Robie afirmou em 1958 que a casa custou 59 mil dólares, dos quais catorze mil foram do terreno, 35 mil para o projeto e construção e dez mil para as mobílias. Isto era muito mais do que o estúdio de Wright em Oak Park, que custou 4,7 mil dólares em 1889; a Casa Winslow, que custou vinte mil em 1892; ou a Casa de Ward W. Willits, que custou vinte mil em 1903.
Os Robie, apesar da enorme quantia que gastaram com a casa, foram donos da casa por apenas dois anos e meio, vivendo nela por pouco mais de um ano. O pai de Robie morreu pouco depois da família se mudar e Robie se ofereceu para pagar as dívidas de seu pai, que supostamente totalizavam por volta de um milhão de dólares. Lora, que afirmou que seu marido era infiel, se mudou para fora da casa em abril de 1911 e depois pediu por divórcio, que foi finalizado no final do ano seguinte. Robie se mudou para Nova Iorque enquanto Lora e os dois filhos foram para Springfield. Robie Jr. afirmou que a família levou apenas uma cama quando se mudaram. Robie declarou falência em 1913 e relatou que tinha ativos que totalizavam dólares, quase tudo consistindo de um empréstimo hipotecário de 25 mil da Union Trust Company sobre a casa. Wright, apesar dos diversos problemas pessoais de Robie, posteriormente falaria que a residência de Hyde Park era "uma boa casa para um bom homem".
A casa foi vendida em dezembro de 1911 para David Lee Taylor, na época o presidente da agência de publicidade Taylor-Critchfield Company. O preço final da venda foi aproximadamente vinte por cento menor do que o custo de construção. Phillips, filho de Taylor, tinha dez anos quando seu pai comprou a casa e anos depois relembrou que frequentemente corria voltas ao redor da sala de estar e da sala de jantar, porém não era acompanhado por seus irmãos. Taylor morreu dentro da casa em 22 de outubro de 1912, menos de um ano depois de comprar a residência. Ellen Taylor, sua viúva, vendeu em novembro a casa e a maior parte de seu conteúdo para Marshall Dodge Wilber, o tesoureiro da Wilber Mercantile Agency. Wilber supostamente pagou 45 mil dólares pela residência. Ele, sua esposa Isadora e suas duas filhas viviam na época perto dali em uma casa na Avenida Dorchester. Segundo Phillips, os únicos objetivos que sua mãe levou foram uma luminária, uma cadeira e um humidor.