O Palazzo Farnese é um dos mais importantes monumentos da cidade de Placência. Situado na Piazza Cittadella, hospeda os Musei Civici (Museus Cívicos) da cidade, assim como o Arquivo de Estado.

A distribuição das exposições presentes é a seguinte: Piso térreo: Museu das Carruagens e Museu Arqueológico; Mezzanino: Museu do Risorgimento; Piso elevado: Escultura, Secção Medieval, Armaria, Esplendores de Alessandro Farnese, Duque de Parma e Piacenza, e do Papa Paulo III; Primeiro andar: Esplendores de Isabel, Pinacoteca e Capela Ducal; Segundo andar: Arquivo de Estado.

História Localização e plano inicial thumb|280px|left|Aspeto da cidadela viscontea, atualmente parte traseira do Palazzo Farnese.

Na actual Piazza Cittadella, zona norte da cidade a um passo das muralhas e do Rio Po, já existia, desde 1352, uma fortaleza mandada construir por Galeazzo II Visconti, Duque de Milão e, na época, senhor da cidade. A localização não era casual: essa permitia controlar a povoação mas, em caso de necessidade, possibilitava um fácil acesso à Lombardia – e, deste modo, à capital viscontea, Milão - através do vizinho rio.

Em 1545, o Papa Paulo III, membro da família Farnese, destacou as cidades de Placência e Parma dos Estados da Igreja – dos quais faziam, então, parte – para erigi-los em ducado autónomo (precisamente o Ducado de Parma e Piacenza) sob o comando do filho Pierluigi Farnese. Este escolheu Placência para sua residência e foi obrigado a viver na cidadela viscontea, único exemplo de fortaleza militar da cidade: achando-a, porém, antiquada e inadequada para responder às exigências bélicas do seu tempo, deitou mão à sua transformação em poderosa fortaleza. A localização do palácio era, de facto, óptima e por razões opostas às dos Visconti: para aqueles, a fortaleza era a última defesa antes de se retirarem para as leais terras lombardas; para os Farnese, este era a porta de entrada do ducado em caso de invasão da parte dos poderosos espanhóis, instalados no Ducado de Milão (os quais, por outro lado, viam Parma e Placência como parte do Ducado de Milão, e portanto suas).

O duque chamou tanto Michelangelo como Antonio da Sangallo o jovem a elaborar numa série de projetos para mudar o rosto do palácio. Tais projetos tiveram uma execução inicial mas rapidamente foram postos de lado devido à conspiração que causou a morte violenta de Pierluigi, conspiração urdida pelos nobre de Placência e apoiada pelo governador espanhol de Milão, Ferrante Gonzaga, o qual, não por acaso, ocupou a cidade em nome do Imperador Carlos V.

Projeto e desenvolvimento thumb|left|280px|Aspeto da fachada do Palazzo Farnese.

O filho de Pierluigi, Ottavio Farnese, conseguiu manter o título ducal e, com uma notável dose de paciência e habilidade, tornou-se num dos mais confiáveis aliados do imperador. Deste modo, fez com que lhe restituíssem Placência e obteve a mão de Margarida da Áustria, filha natural de Carlos V passada à história com o sobrenome de "Madama" (dela toma nome o Palazzo Madama em Roma, sede do Senado da República).

thumb|180px|A fachada incompleta do Palazzo Farnese.

As alianças nas quais estava envolvido o novo duque exigiram, certamente, uma mudança de percurso: por um lado privilegiou Parma como capital (é bom confiar, mas com precaução...); por outro, tornava-se inútil a construção dum aparato militar imponente (a aliança com o Império garantia soldados em abundância). A consolidação do estatuto de soberanos independentes e o parentesco com a Família Imperial, porém, obrigavam os Farnese a fazer exibição do fausto exigido à sua posição hierárquica, e desta exigência nasceu a ideia de retomar o desejo de Pierluigi, embora construindo, desta vez, não uma fortaleza mas um esplêndido palácio de representação. Por outro lado, é preciso ter em conta que a nova duquesa amava Placência, tanto que decidiu ser sepultada nesta cidade. Um primeiro projeto foi encomendado, em 1558, ao urbinense Francesco Paciotto, mas o projeto original remonta aos anos 1560-1564 e deve-se a Vignola. Os trabalhos duraram até 1602 e foram interrompidos pela mudança de situação do pequeno ducado: de facto, naqueles cinquenta anos, os Farnese passaram de parentes de Papas e genros de Imperadores a peões menores da política imperial na Itália. Adaptaram-se ao novo curso renunciando aos sonhos de glória e refugiando-se no luxo e no ócio do seu pequeno Estado. Aquele palácio de Placência, ainda a meio do projeto original, já era mais que suficiente para as exigências ducais e, portanto, a sua extensão passou de provisória a definitiva.

Através de modificações ocorridas no decorrer dos séculos XVI e XVII, procurou adaptar-se o palácio a segunda corte dum pequeno ducado, e assim torná-lo um pouco menos imponente e um pouco mais íntimo, embora sem renunciar a igualar a busca de fausto das outras famílias principescas da região, como por exemplo os Gonzaga, em Mântua, ou os Este, em Modena. De facto, durante o século XVII providenciaram-se contínuas melhorias nas salas, nas decorações e nos mobiliários. Prova disso são: o Apartamento Estucado (1586-1589), ou do Duque; a Capela Ducal (1595-1598); o Apartamento Dourado (1675), ou da Duquesa; os Fasti Farnesiani (finais do século XVI – meados do século XVIII).

Saque e abandono thumb|280px|left|Detalhe da fachada do Palazzo farnese.

Os três últimos duques eram irmãos: Odoardo II, Francesco e Antonio. Destes, só Odoardo II teve prole: uma filha, Isabel, que veio a casar com Filipe V de Bourbon, Rei de Espanha (era o segundo matrimónio do monarca).

Em 1731, com a morte do último duque, Antonio, a linha masculina dos Farnese extinguiu-se: os direitos sucessórios ao ducado passaram para o filho mais velho de Isabel e Filipe, o Rei Carlos III de Espanha. Nomeado duque, tomou imediatamente posse do seu estado mas, pela ocorrência da Guerra da Sucessão Polaca, obteve, em 1734, a investidura como Rei de Nápoles e da Sicília, tendo que deixar o trono de Parma aos Habsburgo. De partida para Nápoles decidiu, portanto, levar consigo (além, obviamente, do ouro da tesouraria ducal) todo o recheio das residências farnesianas - quadros, estátuas, cortinas e, até mesmo, camas e tapeçarias - alojando-o nos palácios napolitanos, principalmente na Reggia di Capodimonte. Também o palácio de Placência foi completamente esvaziado, só ficando para trás os estuques e os afrescos. Por outro lado, Carlos de Bourbon considerava-se (e efetivamente era) herdeiro da Casa Farnese, o que legitimava a sua ação; porquê deixar as coleções de família em mãos austríacas?

Em 1748, porém, com o Tratado de Aquisgrão, o Ducado de Parma foi restituído à família na pessoa do irmão mais novo de Carlos, Filipe de Bourbon, o qual foi investido como novo duque. Quando este chegou ao ducado pediu ao irmão para lhe ceder a coleção Farnese, agora que o Estado estava de novo em mãos "amigas": Carlos fez orelhas de mercador. Filipe voltou-se, então, para o poderoso primo Luís XV, Rei de França, que intercedeu de bom grado, fazendo-lhe chegar, pelo menos, algum mobiliário e camas onde dormir.

thumb|180px|Aspeto do pátio do palácio.

O palácio, contudo, não foi recomeçado: em 1803, o pouco que tinha, foi novamente saqueado pelas tropas napoleónicas. Em 1822 foi usado como caserna da guarnição austríaca e, por fim, serviu de abrigo aos sem teto no final da Segunda Guerra Mundial.

Recuperação Em 1965 foi constituída a Ente per il Restauro e L'Utilizzazione di Palazzo Farnese ("Entidade para o Restauro e a Utilização do Palazzo Farnese"). Desde então, as intervenções no palácio evoluíram em duas direções: restauros à estrutura para a sua utilização como sede dos Musei Civici di Piacenza (Museus Cívicos de Placência) e de outras coleções. Os restauros estão, em grande parte, concluídos: resta somente a organização do segundo andar, a implementar quando se encontrar uma nova sede para os Arquivo do Estado; acordos (embora nem sempre exatamente pacíficos) com o Museu de Capodimonte para a restituição dos quadros originais do palácio removidos em 1734. Uma grande parte foi devolvida em 1928; nos últimos anos, a essa foram acrescentadas, a vários títulos (transferências, depósitos gratuitos, empréstimos), novas concessões com outras pinturas, que estão a devolver o palácio ao seu original esplendor.

Função e arte Como já foi brevemente referido, o sítio mudou diversas vezes de função no decorrer dos séculos; melhor ainda, os projetos que se fizeram à sua volta modificaram-no, pelo menos teoricamente. Cidadela viscontea, fortaleza militar, palácio de representação: só a primeira e a última destas funções permanecem visíveis na incompleta e imponente mole que se oferece ao viajante quando encara a cidade depois de ter superado o Po.

O palácio não foi habitualmente habitado pelos duques com exceção do primeiro, Pierluigi Farnese: no entanto, este não residiu no palácio tal como ele agora se apresenta, mas sim na cidadela que flanqueia o edifício até hoje, a oeste, com a imponente ponte levadiça, a torre angular e a cerca muralhada.

Deste modo, o palácio, durante o ducado farnesiano, servia de: Residência ducal, tanto para visitas normais como por necessidade (por exemplo, da Duquesa Maria Luísa, forçada a refugiar-se ali por ocasião dos motins de 1830 que a afastaram de Parma); Sede do Governador de Placência (pelo menos até à construção do Palácio do Governador de Lotario Tomba, finais do século XVIII) e dos gabinetes ducais; Residência de representação para os hóspedes ilustres; Graças à magnífica capela e às celebrações realizadas, centro de agregação da nobreza de Placência em torno do poder do duque.

A capela, não presente no projeto de Vignola, foi elaborada na década de 1590 por Bernardo Panizzari, dito il Caramosino. Servia de “igreja da nobreza”, que ali celebrava matrimónios e funções na presença dos duques (os quais, em geral, para as devoções quotidianas, utilizavam as capelinhas dos seus apartamentos).

Por outro lado, merecem ainda destaque os Faustos Farnesianos (“Fasti farnesiani”): verdadeira epopeia familiar encomendada a diversos pintores para celebrar as grandes personagens da Casa Farnese ao longo dos séculos, foram idealizados junto ao Apartamento Estucado (Appartamento Stuccato) como galeria que revigorasse o poder da família nos visitantes, na nobreza e nos súbditos.

Planta do Palazzo Farnese Ilustrações dos diversos pisos do edifício com a indicação das funções primitivas das várias salas.

Piso subterrâneo right|180px|thumb|Planta do piso semienterrado.

Exposições hospedadas: Museu das Carruagens e Museu Arqueológico.

O piso subterrâneo destinava-se a acolher os alojamentos da criadagem, as cozinhas e os armazéns necessários para guardar os bens indispensáveis para a vida do palácio, como alimentos e lenha, por exemplo.

Salas

T1. Local de refeições para a criadagem; T2. Cozinha grande do palácio (para a preparação dos banquetes oficiais); T3. Lavatório e armazém para as louças com pequena cozinha (para refeições não oficiais); T4. Sala com poço e monta-cargas para levar os alimentos aos andares superiores; T5. Sala intermédia entre as cozinhas e os banhos; T6. Sala de banho do duque; T7. Fogueira (posicionada para facilitar a alimentação pelo aquecimento dos banhos) T8. Sala de banho da duquesa e das damas em seguida T9. Despensa T10. Átrio de saída

Mezzanino Exposições hospedadas: Museu do Risorgimento.

Acolhia alojamentos e gabinetes dos funcionários ao serviço do duque.

Piso realçado Exposições hospedadas: Escultura, Secção medieval, Armaria, Faustos de Alessandro Farnese e do Papa Paulo III.

O piso realçado hospeda as salas de representação e os apartamentos do duque. O acesso é feito pela escadaria colocada entre as salas R1 e R2.