Primeira-dama do Brasil é o título da anfitriã do Palácio da Alvorada, tradicionalmente a esposa do presidente do Brasil. Embora o papel da primeira-dama nunca tenha sido definido oficialmente, ela figura proeminentemente na vida política e social da nação. Rosângela Lula da Silva é a atual primeira-dama do Brasil, como esposa do 39.º presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
Mariana da Fonseca, esposa de Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil (1889–1891), é considerada a primeira primeira-dama do Brasil.
O papel da primeira-dama mudou consideravelmente. Ele passou a incluir o envolvimento em campanhas políticas, causas sociais e representação do presidente em ocasiões oficiais e cerimoniais. Além disso, ao longo dos anos, as primeiras-damas exerceram influência em vários setores, desde a moda até a opinião pública sobre políticas.
Há cinco ex-primeiras-damas vivas: Maria Thereza Goulart, viúva de João Goulart; Marly Sarney, esposa de José Sarney; Rosane Malta, ex-esposa de Fernando Collor; Marcela Temer, esposa de Michel Temer; e Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro.
História Inspirado pelo modelo norte-americano, o título, teoricamente, tem o propósito de preencher lacunas deixadas pela agenda presidencial. Isso se traduz em liderar ou participar ativamente de iniciativas sociais, como campanhas de caridade e voluntariado, com o objetivo de auxiliar os menos favorecidos. Essa posição, embora não tenha uma definição oficial na constituição, desempenha um papel crucial na representação social e humanitária do governo, focalizando questões relevantes. O impacto das primeiras-damas no Brasil, assim, se estabelece como um componente significativo da vida política e social do país.
A única ex-primeira-dama a ingressar na disputa por cargos públicos foi Rosane Malta, em 2018. No entanto, a figura mais marcante na história do país foi Maria Thereza Goulart, destacando-se por sua juventude, beleza, carisma e elegância. A mais jovem a assumir o posto foi Catita Alves, com apenas 23 anos em 1902,LUSTOSA, Isabel. Histórias de presidentes: a República no Catete. Editora Vozes, 1989 enquanto Ruth Cardoso detém o título de mais velha, assumindo aos 64 anos. Nair de Teffé estabeleceu um recorde notável ao permanecer como ex-primeira-dama por impressionantes 67 anos, enquanto Clélia Bernardes detém o título de ex-primeira-dama mais longeva, vivendo até os 96 anos.https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2020/02/09/interna_politica,1120492/livro-conta-a-historia-das-primeiras-damas-do-brasil.shtml
Darcy Vargas ocupou a função por um período extenso de 18 anos, contrastando com Graciema da Luz, que deteve o posto por apenas três dias. Entre todas as primeiras-damas, Guilhermina Penna ostenta o recorde de mais filhos, totalizando doze. Por outro lado, Mariana da Fonseca e Rosane Malta não tiveram filhos.
Em 2019, Michelle Bolsonaro se tornou a primeira primeira-dama brasileira a discursar no parlatório do Palácio do Planalto durante uma posse presidencial. Ela que faz parte do Ministério de Surdos e Mudos da Igreja Batista Atitude, na qual atuou como intérprete de Libras nos cultos, quebrou protocolo discursando em Língua Brasileira de Sinais.
Rosângela Lula da Silva tornou-se a trigésima oitava primeira-dama do Brasil com o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. Durante a cerimônia, apareceu usando um terno dourado, sendo a primeira primeira-dama brasileira a usar tal peça numa solenidade de posse.
O uso do título Dona como forma de tratamento para as primeiras-damas brasileiras é uma tradição marcada por cortesia e respeito. Essa prática é uma expressão cultural que reflete a valorização da posição e do papel social dessas mulheres. Ao utilizar o termo "Dona" seguido do nome da primeira-dama, é reforçado um gesto de deferência e reconhecimento à importância da sua função dentro da sociedade e do cenário político brasileiro. Esse costume, enraizado na etiqueta e nas normas sociais, contribui para a construção de uma imagem respeitosa e formal em relação às primeiras-damas.
Não cônjuges na função É notável destacar que três filhas de presidentes brasileiros assumiram o papel de primeira-dama quando seus pais ficaram viúvos. Catita e Marieta Alves, filhas de Rodrigues Alves, e Antonietta Castello Branco, filha de Humberto Castello Branco, exerceram temporariamente as funções associadas a esse papel protocolar durante períodos nos quais seus pais estavam viúvos. Essa dinâmica singular ressalta a flexibilidade e adaptação das normas sociais em situações específicas, proporcionando uma visão única sobre a evolução das representações na esfera presidencial brasileira.
Galeria de casais presidenciais
Esposas que não se tornaram primeiras-damas
Alice Prestes, esposa de Júlio Prestes, não se tornou oficialmente primeira-dama, visto que seu marido foi impedido de tomar posse, mas ele deve constar como ex-presidente por força da Lei. Mariquita Aleixo, esposa de Pedro Aleixo, não se tornou oficialmente primeira-dama, visto que seu marido foi impedido de tomar posse, mas ele deve constar como ex-presidente por força da Lei. Risoleta Neves, esposa de Tancredo Neves, não se tornou oficialmente primeira-dama, visto que seu marido morreu antes de tomar posse, mas ele deve constar como ex-presidente por força da Lei.
Esposas que foram primeiras-damas de estados brasileiros
Minas Gerais: 5 — Guilhermina Penna, Maria Pereira Gomes, Francisca Ribeiro, Clélia Bernardes e Sarah Kubitschek. São Paulo: 4 — Adelaide de Morais Barros, Anna Gabriella de Campos Salles, Sophia Pereira de Sousa e Eloá Quadros. Alagoas: 1 — Rosane Collor. Maranhão: 1 — Marly Sarney. Rio de Janeiro: 1 — Anita Peçanha. Rio Grande do Sul: 1 — Darcy Vargas. Santa Catarina: 1 — Beatriz Ramos.
Função A posição da primeira-dama no Brasil não é conquistada por meio de eleição e, predominantemente, envolve responsabilidades cerimoniais. Apesar disso, as primeiras-damas têm ocupado uma posição proeminente na sociedade brasileira, e ao longo dos séculos, o papel desempenhado por elas passou por uma evolução significativa. A principal função da primeira-dama é atuar como anfitriã do Palácio da Alvorada, organizando e participando de cerimônias e eventos oficiais do Estado, muitas vezes em conjunto com o presidente ou em seu lugar.
No decorrer do século 20, tornou-se crescentemente comum que as primeiras-damas escolhessem causas específicas para promover, geralmente aquelas que não são politicamente divisivas. A contratação de uma equipe para apoiar essas atividades tornou-se uma prática comum. Mary Pessoa defendeu os direitos das mulheres; Darcy Vargas foi pioneira no assistencialismo social, oferecendo suporte a famílias de militares;https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1502833022_ARQUIVO_ALegiaoBrasileiradeAssistenciaeoprocessodeinteriorizacaodaspoliticasassistenciaisemespacoescolar_final.pdf Ruth Cardoso incentivou o combate à extrema pobreza; Marcela Temer promoveu iniciativas em prol da primeira infância; e Michelle Bolsonaro, prestou auxílio a pessoas com deficiência, portadores de síndromes e à comunidade surda, além de apoiar o voluntariado.
Além de suas atividades sociais e filantrópicas, muitas primeiras-damas tornaram-se notáveis formadoras de tendências na moda. Algumas delas exerceram um grau considerável de influência política, desempenhando o papel crucial de conselheiras importantes para o presidente.
Trabalhos sociais miniaturadaimagem|Sarah Kubitschek inaugurando o Centro de Reabilitação que leva seu nome.miniaturadaimagem|Ruth Cardoso em evento do Programa Comunidade Solidária.miniaturadaimagem|Marcela Temer no Global Child Forum.|alt=miniaturadaimagem|Michelle Bolsonaro na Cerimônia de Comemoração ao Dia Internacional do Voluntariado.As primeiras-damas ocupam uma posição altamente visível na sociedade brasileira, tendo um papel evolutivo ao longo dos séculos. O papel, em seu começo, estava atrelado ao desempenho de atividades benemerentes que visavam o amparo e proteção de grupos sociais que viviam em situação de risco. O assistencialismo no país sob o comando da primeira-dama brasileira começou já na república velha.
Legião da Mulher Brasileira Mary Pessoa com suas obras de caridades, fundou em 1919, a primeira obra de caridade da Casa de Santa Ignez, oferecendo tratamento para trabalhadoras domésticas vítimas de tuberculose, contando com a colaboração das religiosas da Congregação Filhas de Sant'Anna. Foi também presidente de honra da Legião da Mulher Brasileira, instituição destinada a elevar o nível da moral feminina e proteger, sobre múltiplos e nobres aspectos a mulher brasileira.
Legião Brasileira de Assistência Darcy Vargas foi precursora do assistencialismo no país por meio de propagandas com a criação da Legião Brasileira de Assistência. Inicialmente, ajudou as famílias dos soldados que participaram da Segunda Guerra Mundial, mas logo se tornou abrangente, com destaque em mães e famílias que viviam na pobreza. Com um estilo inteiramente feminino, a LBA era comandada em cada Estado, pelas esposas dos governadores e, consequentemente, pelas esposas dos prefeitos.http://periodicos.unesc.net/seminariocsa/article/viewFile/4686/4284 A partir de então, todas as primeiras-damas do país assumiam a presidência de honra da Legião Brasileira de Assistência.
Organização das Voluntárias Carmela Dutra criou a Organização das Voluntárias, instituição filantrópica criada por para auxiliar o voluntariado em os hospitais, maternidades, creches e demais organizações de caridade.http://memoria.bn.gov.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=221961_02&pagfis=47987&url=http://memoria.bn.gov.br/docreader# Em 1964, já contava com 17 mil pessoas em todo o país e possuía 380 núcleos espalhados em todo o território nacional. No Rio de Janeiro, a Organização das Voluntárias funcionava na Capela de Santa Teresinha do Palácio Guanabara.http://memoria.bn.gov.br/pdf/030015/per030015_1964_00240.pdf
Pioneiras Sociais Sarah Kubitschek inovou com a Fundação das Pioneiras Sociais. A organização foi criada quando ainda era primeira-dama de Minas Gerais, oferecendo apoio à crianças, mães e mulheres grávidas, estendendo-se as famílias mais pobres. A Fundação ganhou independência quando seu marido assumiu a Presidência da República.http://www1.inca.gov.br/rbc/n_58/v03/pdf/03_artigo_fundacao_pioneiras_sociais_contribuicao_inovadora_controle_cancer_colo_utero_brasil_1956_1970.pdf A inspiração de Sarah para tal obra decorre, fundamentalmente, de sua experiência enquanto mãe e os problemas de coluna de sua filha Márcia e os cuidados específicos que ensejavam.
Comunidade Solidária e Comunitas Ruth Cardoso O programa foi criado para o combate da extrema pobreza. Em 2000, ela criou a organização não governamental Comunitas, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento dos investimentos sociais corporativos e estimular a participação da iniciativa privada no desenvolvimento social e econômico do país, na qual atuou até sua morte.Monteiro, Filipe (27 de junho de 2008), «Ruth Corrêa Leite Cardoso (1930-2008)», Revista de História da Biblioteca Nacional, consultado em 21 de maio de 2010 Foi precursora de um dos maiores programas sociais da história do país, o Bolsa Família, .. inclusive por meio do Comunidade Solidária.https://portal.aprendiz.uol.com.br/content/ruth-cardoso-e-personagem-por-tras-do-bolsa-familia Ruth ainda se notabilizou por sua intelectualidade, tendo sido a primeira esposa de um presidente a conquistar um diploma universitário.
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