thumb|350px|Ciclo de vida de Laminaria mostrando a produção de zóides. Zooide (do grego zoeidés, «semelhante a animal»),Zooide. ou mais raramente zóide, é a designação dada em botânica e em outros ramos das ciências biológicas às células reprodutivas especializadas (gâmetas e zigotos sensu lato) que apresentam motilidade através do uso de um ou mais flagelos, capazes por isso de movimento próprio e autónomo, quando produzidas por plantas ou algas.Hoek, C. van den, Mann, D. G. and Jahns, H. M. (1995). Algae : An introduction to phycology, Cambridge University Press, UK. O termo não é geralmente usado para descrever os espermatozoides móveis flagelados encontrados em animais, embora seja comum o seu uso para designar os zoósporos assexuais dotados de motilidade encontrados em algas, fungos e protozoários. O termo «zooide» também é frequentemente confundido com zooide, um indivíduo que faça parte de um animal colonial.Zooide. Zooid. Accessed 4/15/12. Descrição Em botânica, um zooide (ou zóide) é uma célula especificamente destinada à reprodução sexual que apresenta um ou mais flagelos, sendo por isso capaz de movimento próprio. Os zóides podem ser esporos reprodutivos assexuados ou gâmetas sexualmente reprodutivos. Nos gâmetas sexualmente reprodutivos, os zóides podem ser masculinos ou femininos, dependendo da espécie. Por exemplo, algumas algas castanhas (classe Phaeophyceae) reproduzem-se produzindo gâmetas masculinos e femininos multi-flagelados que se recombinam para formar os esporângios diploides.Heesch, S. and Peters, A.F. (1999). Scanning electron microscope observation of host entry by two brown algae endophytic in Laminaria saccharina. Phycological Research. Japan.
A produção de zóides é encontrada primariamente entre as diatomáceas, as algas verdes, as algas castanhas,Lobban, Christopher S. and Wynne, Michael James. (1981). The biology of seaweeds. University of California Press, US. as plantas avasculares (os atraqueófitos),Paolillo, Dominick J. Jr. (1981). The swimming sperms of land plants. Bioscience. Volume 31. Issue 5. pp 367-373. University of California Press. e algumas plantas vasculares (fetos, cicadáceasNorstog, Knut J. and Gifford, Ernst M. and Stevenson, Dennis W. (2004). Comparative development of the spermatozoids of Cycads and Ginkgo biloba. The Botanical Review. Volume 70. pp 5-15. The New York Botanical Garden. e Ginkgo bilobaOgura, Y. (1967). History of discovery of spermatozoids in Ginkgo biloba and Cycas revoluta. Phytomorphology. Volume 17. pp 109-114. University of Tokyo, Japan.). Contudo, o agrupamento taxonómico em que é mais comum a produção de zóides corresponde aos heterocontes (Heterokonta ou Stramenopiles), que inclui as algas verdes, as algas castanhas, os oomicetos e alguns outros protistas.Anderson, Robert A. (2004). Biology and systematics of heterkont and haptophyte algae. American Journal of Botany. Volume 91. Issue 10. pp 1508-1522. St. Louis, MO.
Diversidade entre os zóides Um zóide típico contém um ou mais flagelos para motilidade. Entre as várias espécies que produzem zóides, existe elevada diversidade no número de flagelos produzidos. Os heterocontes geralmente produzem zóides com dois flagelos (biflagelados), enquanto Ginkgo biloba produz zóides com dezenas de milhar de flagelos. A posição dos flagelos e o arranjo dos microtúbulos também varia entre as espécies. As secções seguintes descrevem sucintamente as características gerais dos zóides encontrados em cada agrupamento taxonómico em que eles são mais frequentes, além de fornecer exemplos específicos.
Organismos heterocontes Os heterocontes são um grupo de organismos eucariotas, muito diverso, que inclui diatomáceas, algas verdes e algas castanhas. A característica definidora deste agrupamento taxonómico é a presença de um zóide móvel biflagelado.Patterson, David J. (1999). The diversity of eukaryotes. The American Naturalist. Volume 154. Issue S4. pp S96-S124. The University of Chicago Press. USA. Nestes organismos, os dois flagelos são mais frequentemente posicionados apical ou sub-apicalmente, dependendo do tipo de heteroconte. Um flagelo, o flagelo mastigonemado, geralmente mais longo, é assim designado por apresentar pelos ciliares tubulares em forma de pente (os mastigonemas). Os outros flagelos são tipicamente mais curtos, por vezes mesmo reduzidos a apenas um corpo basal, quando presentes são geralmente lisos e parecidos com chicotes.
Fungos Os fungos são um grupo muito diversificado de organismos com ciclos de vida muito diversos. A maioria reproduz-se através de esporos pelo que a vasta maioria das espécies não recorre a zóides para sua reprodução. No entanto, uma classe específica de organismos que está intimamente relacionada do ponto de vista morfológico a fungos usa um zóide semelhante ao dos heterocontes: são os Oomycetes (antigamente Oomycota), ou bolores de água, um grupo de organismos eucarióticos potencialmente patogénicos semelhantes a fungos que utilizam zóides bi-flagelados como esporos reprodutivos. Os zóides são libertados apenas em ambientes aquáticos. Membros deste agrupamento taxonómico têm sido responsáveis por surtos de fitopatologias, como a morte súbita dos carvalhos e a requeima da batateira (que esteve na origem da grande fome de 1845–1849 na Irlanda).Walker, Claire A. and van West, Pieter. (February 2007). Zoospore development in the oomycetes. Fungal Biology Reviews. Volume 21. Issue 1. pp 10-18.
Algas verdes As algas verdes têm um ciclo de vida heteromórfico que inclui alternância de gerações.Lewis, Louise A. and McCourt, Richard M. (2004). Green algae and the origin of land plants. American Journal of Botany. Volume 91. pp 1535-1556. St. Louis, MO. Em certas algas verdes, os zóides podem ser encontrados tanto nas fase haploide e como na diploide do seu ciclo de vida. Nestes organismos, o número de flagelos é uma característica que auxilia na classificação de diferentes tipos.
Os zóides são libertados através de poros ou pela lise das células produtoras de zóides no gametângio ou no esporângio.Lersten, Nels R. and Voth, Paul D. (1960). Experimental control of zoid discharge and rhizoid formation in green alga. Botanical Gazette. Volume 122. pp 33-45. The University of Chicago Press. A maioria dos zóides produzidos neste grupo são bi-flagelados ou quadri-flagelados. Para representar a diversidade de zóides encontrados nas alga verde, exemplifica-se com os géneros da família Monostromataceae (integrada no filo Chlorophyta):Bast, Felix and Shimada, Satoshi and Hiraoka, Masanori and Okuda, Kazuo. (2009). Asexual life history by biflagellate zoids in Monostroma latissimum. Aquatic Botany. Volume 91. Issue 3. pp 213-218. Género Monostroma — produz gâmetas bi-flagelados e zoósporos quadri-flagelados; Género Gayralia — produz zóides bi-flagelados na forma monomórfica assexual; Género Protomonostroma — produz zóides quadri-flagelados; Género Ulvopsis — produz gâmetas bi-flagelados, zoóides assexuais bi-flagelados e zoósporos quadri-flagelados; Género Ulvaria — produz gâmetas biflagelados e zoósporos quadri-flagelados.
Algas castanhas As algas castanhas (classe Phaeophyceae) reproduzem-se tanto sexuada como assexuadamente, dependendo da espécie. No entanto, todas as células reprodutivas móveis produzidas por organismos integrados nesta classe são flageladas e nela não existem organismos flagelados de vida livre. A estrutura anatómica e a morfologia das algas castanhas consoante a família e o género, pelo que em consequência os zoóides são produzidos de várias maneiras. Os gâmetas e os zoósporos assexuados podem ser produzidos em zoidângios pluriloculares nos talos maiores das algas castanhas. No entanto, em talos menor ocorrem zoidângios uniloculares que produzem células reprodutivas sexuadas ou assexuadas.Heesch, S. and Peters, Akira F. (1999). Scanning electron microscopy observation of host entry by two brown algae endophytic in Laminaria saccharina. Phycological Research. Volume 47. pp 1-5.
A complexidade morfológica das estruturas reprodutoras das algas castanhas levou a desenvolvimento de uma terminologia específica: Plurilocular — muitos lóculos (câmaras), cada um dos quais produz um zóide; Unilocular — uma lóculo, mas que em alguns casos pode produzir vários gâmetas; Gametângio plurilocular — estrutura que possui muitos lóculos que produzem gâmetas haplóides; Esporângio plurilocular — estrutura que possui muitos lóculos que produzem esporos diplóides; Zoidângio plurilocular — termo colectivo para designar o conjunto dos gametângios plurilocular e esporângios pluriloculares; Plurizóide — zóide produzidos num zoidângio plurilocular; Esporângio unilocular — pode produzir meiósporos ou esporos assexuais; Zoidângia unilocular — sinónimo de esporângio unilocular; Unizóide — zóide produzido num zoidângio unilocular.
Os zóides de algas castanhas têm os mesmos dois flagelos básicos presentes nos restantes heterocontes, mas a orientação dos flagelos é única nas Phaeophyceae. Em geral, os flagelos são ambos inseridos lateralmente. Diatomáceas Os zóides não são tão comuns entres as diatomáceas quanto nas famílias de algas verdes e castanhas. As diatomáceas são geralmente divididos em duas categorias, as diatomáceas cêntricas e as diatomáceas penadas. Destas duas categorias, apenas as diatomáceas cêntricas produzem zóides e apenas os gâmetas masculinos apresentam flagelos. Verificou-se que mesmo os gâmetas masculinos móveis possuem apenas um flagelo, sem sinais de um segundo flagelo, mesmo que rudimentar.Sato, Shinya and Beakes, Gordan and Idei, Masahiko and Nagumo, Tamotsu and Mann, David G. (October 2011). Novel sex cells and pheromones in diatoms. http://www.plosone.org. Volume 6. Issue 10. Accessed 4/15/12. Esta ausência de um segundo flagelo desvia-se da definição padrão de um heteroconte e ppor isso as diatomáceas são frequentemente classificadas como Stramenopiles.
Plantas não vasculares Entre as plantas não vasculares, especialmente entre os briófitos (Bryophyta sensu lato), as espécies que se reproduzem sexualmente utilizam zóides como gâmetas. Muitas espécies de briófitos são principalmente estruturas anatómicas especificamente destinadas à reprodução assexuada, que se reproduzem por fragmentação ou clonagem.Frey, Wolfgang and Kurschner, Harald. (March 2011). Asexual reproduction, habitat colonization, and habitat maintenance in bryophytes. Flora - Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants. Volume 206. Issue 3. pp 173-184 Quando os briófitos se reproduzem sexualmente, os zóides masculinos devem nadar desde os anterídio onde são produzidos até aos arquegónios. Estes zóides são geralmente bi-flagelados, mas essa é uma característica que varia de espécie para espécie.Renzaglia, Karen S. and Bernhard, Douglas L. and Garbary, David J. (January 1999). Developmental ultrastructure of the male gamete of Selaginella. International Journal of Plant Sciences. Volume 160. Issue 1. pp 14-28. Neste caso, a planta verde macroscópica é na realidade um gametófito, um organismo haplóide no qual o embrião diplóide se desenvolve e se transforma num esporófito maduro.
Plantas vasculares