thumb|upright|right|Uma bola de cristal de quartzo do tipo comumente usado para adivinhação ou perscrutação Uma bola de cristal é uma bola de cristal ou vidro comumente usada na leitura da sorte. Em geral, está associada à prática da clarividência e da perscrutação por meio da observação de cristais. Usadas desde a Antiguidade, as bolas de cristal adquiriram ampla reputação em associação com a bruxaria, inclusive nos tempos modernos, com atos de charlatães e entretenimentos em locais de circo, festivais etc. Outros nomes para o objeto incluem esfera de cristal, orbuculum, bola de perscrutação, shew/show(ing) stone e outras variantes conforme o dialeto.

História Por volta do século V d.C., a perscrutação com bolas de cristal era difundida no Império Romano e foi condenada pelo cristianismo primitivo como herética (a magia já era condenada desde a Era Apostólica, por exemplo, no capítulo 2 da Didaquê).

O túmulo de Quilderico I, rei dos francos do século V, continha um globo transparente de berilo com 3,8 cm (1½ polegada) de diâmetro.Besterman, 1995, p. 45. O objeto é semelhante a outros globos encontrados posteriormente em túmulos do período da dinastia merovíngia na Gália e do período saxão na Inglaterra. Alguns deles estavam completos com uma armação, sugerindo tratar-se de um objeto ornamental.Besterman, 1995, p. 46. Foi apontado que essas armações são idênticas às de globos posteriores que também se acredita terem sido usados para magia ou adivinhação, indicando que esses globos de cristal podem ter sido usados para cristalomancia.

John Dee foi um conhecido matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo e consultor britânico da rainha Isabel I. Dedicou grande parte da vida à alquimia, à adivinhação e à filosofia hermética, na qual o uso de bolas de cristal era frequentemente incluído.

A observação de cristais era um passatempo popular na era vitoriana, e alegava-se que funcionava melhor quando o Sol se encontrava em sua declinação mais ao norte. Imediatamente antes do aparecimento de uma visão, dizia-se que a bola ficava enevoada por dentro.

O uso de bolas de cristal para adivinhação também possui uma longa história entre os ciganos. Os adivinhos, conhecidos como drabardi, usam tradicionalmente bolas de cristal, bem como cartas, para buscar conhecimento sobre acontecimentos futuros.

Arte da perscrutação

thumb|upright|A Bola de Cristal, de John William Waterhouse (1902)

O processo de perscrutação frequentemente envolve o uso de cristais, especialmente bolas de cristal, em uma tentativa de prever o futuro ou, de outra forma, adivinhar informações ocultas. A perscrutação com bola de cristal é comumente usada para buscar orientação sobrenatural ao tomar decisões difíceis na vida (por exemplo, questões de amor ou finanças).

Quando a técnica da perscrutação é usada com cristais, ou com qualquer corpo transparente, ela é conhecida como cristalomancia ou observação de cristais.

No ilusionismo As bolas de cristal são acessórios populares usados em números de mentalismo por mágicos de palco. Essas rotinas, nas quais o artista responde a perguntas do público por meio de diversos artifícios, são conhecidas como números de observação de cristais. Um dos artistas mais famosos do século XX, Claude Alexander, era frequentemente anunciado como "Alexander, o Vidente de Cristal".

Óptica thumb|Farol de Hanstholm, na Dinamarca, visto através de uma bola-lente

Opticamente, uma bola de cristal é uma lente esférica. Para materiais típicos, como quartzo e vidro, ela forma uma imagem de objetos distantes ligeiramente além da superfície da esfera, no lado oposto. Ao contrário das lentes convencionais, as propriedades de formação de imagem são omnidirecionais (independentes da direção que está sendo observada).

Essa focalização omnidirecional pode fazer com que uma bola de cristal funcione como uma lente de queima quando é colocada sob luz solar plena. A imagem do Sol formada por uma grande bola de cristal queimará a mão de quem a estiver segurando e pode incendiar material inflamável de cor escura colocado próximo a ela. Esse efeito é utilizado pelo heliógrafo de Campbell–Stokes para produzir um registro da duração da luz solar.

Bolas de cristal famosas thumb|A maior esfera de quartzo sem imperfeições encontra-se no Museu Nacional de História Natural, em Washington, D.C.

Uma bola de cristal estava entre os bens funerários do rei merovíngio Quilderico I (). Os bens funerários foram descobertos em 1653. Em 1831, foram roubados da biblioteca real na França, onde estavam guardados. Poucos objetos foram recuperados. A bola de cristal não estava entre eles.

O Cetro da Escócia possui uma bola de cristal em seu remate, em homenagem à tradição de seu uso por druidas pagãos. Foi feito na Itália no século XV e foi um presente para Jaime IV do Papa Alexandre VI.

O Penn Museum, na Filadélfia, exibe a terceira maior bola de cristal como objeto central de sua Rotunda chinesa. Pesando 22 kg, a esfera é feita de cristal de quartzo de Myanmar e foi moldada ao longo de anos de rotação constante em um recipiente semicilíndrico preenchido com esmeril, pó de granada e água. O tesouro ornamental teria sido feito para a imperatriz viúva Cixi (1835–1908) durante a Dinastia Qing no século XIX, mas não existem provas sobre sua origem real. A bola de cristal e uma estatueta do Antigo Egito que representava o deus Osíris foram roubadas em 1988. Elas foram recuperadas três anos depois, sem que nenhum dos objetos tivesse sofrido danos.

Ver também Crânio de cristal Palantír Salvator Mundi (Leonardo), pintura "Salvador do Mundo" de da Vinci que representa Cristo segurando uma bola de cristal Cristalomancia

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Ligações externas

Categoria:Bolas Categoria:Objetos mágicos