Ana, Princesa Real e Princesa de Orange (Hanôver, – Haia, ) foi a filha mais velha do rei Jorge II da Grã-Bretanha e da rainha Carolina de Ansbach. Foi a esposa de Guilherme IV, Príncipe de Orange e primeiro estatuder hereditário das Províncias Unidas dos Países Baixos. Ana foi a segunda detentora do título Princesa Real. Também foi regente dos Países Baixos de 1751 até sua morte em nome de seu filho Guilherme V

Primeiros anos A duquesa Ana de Brunsvique-Luneburgo nasceu no Palácio de Herrenhausen, em Hanôver, cinco anos antes de o seu avô paterno, o príncipe-eleitor Jorge I Luís, ter sucedido ao trono britânico como Jorge I. Foi baptizada pouco depois de nascer no mesmo palácio onde nasceu. Recebeu o nome em homenagem à prima em segundo grau do seu avô, a rainha Ana da Grã-Bretanha.Van der Kiste, p. 24

thumb|esquerda|250px|Ana com as suas irmãs Amélia e Carolina em 1721. Pintura por Martin Maingaud, parte da Royal Collection. Ana aprendeu a falar alemão, francês e inglês,Van der Kiste, p. 84 e teve lições de música, canto, cravo e composição de Georg Friedrich Händel. Händel não gostava de ensinar, mas disse que faria uma excepção apenas para Ana, flor das princesas.Van der Kiste, p. 85 Ana foi uma apoiante do compositor toda a sua vida, estando sempre presente nas suas óperas e informada sobre as suas músicas mais recentes.

Em 1720, Ana contraiu e conseguiu sobreviver a um ataque de varíola,Van der Kiste, p. 73 e, dois anos depois, a sua mãe ajudou a popularizar a prática da variolização (um tipo de vacinação primitivo contra a varíola), que tinha sido testemunhada por Lady Mary Wortley Montagu e Charles Maitland em Constantinopla. Por ordem de Carolina, seis prisioneiros condenados tiveram a oportunidade de escolher testar a variolização e ser executados: todos sobreviveram, assim como seis crianças órfãs que foram submetidas ao mesmo teste. Convencida da sua importância médica, Carolina também ordenou que os seus filhos Amélia, Carolina e Frederico fossem vacinados contra a varíola da mesma forma.Arkell, pp. 133–135; Van der Kiste, p. 83 O rosto de Amélia ficou marcado pela doença, o que fez com que a princesa não fosse considerada tão bonita como as irmãs.Van der Kiste, p. 78

Princesa real A 30 de agosto de 1727, Jorge II concedeu a Ana o título de Princesa Real. O rei Carlos I de Inglaterra tinha criado esse título para sua primogênita Maria (mãe de Guilherme III), em 1642. Entretanto, caiu em desuso até o reinado de Jorge II. A sua tia paterna Sofia Doroteia de Hanôver, que era casada com o rei da Prússia, teria direito a ele, mas jamais o recebeu.Van der Kiste

Casamento Um possível contrato de casamento entre Ana e o rei Luís XV da França acabou por não acontecer quando os franceses insistiram que Ana se deveria converter ao catolicismo. A 25 de Março de 1734 (no Novo Calendário), Ana casou-se com Guilherme IV, Príncipe de Orange na Capela Real do Palácio de St. James.Van der Kiste, p. 132 Guilherme sofria de uma deformidade na coluna, algo que prejudicava o seu aspecto físico, mas Ana disse que se casaria com ele mesmo "se fosse um babuíno".Van der Kiste, p. 131 Deixou de usar os seus títulos britânicos em favor do título que obteve com o casamento. A música que foi tocada no seu casamento, "This is the Day" [Chegou o Dia], foi composta por Händel, que se baseou em palavras escolhidas pela própria princesa que se tinha inspirado nos Salmos 45 e 84.Van der Kiste, p. 133 Ana e o irmão Frederico acabariam por se zangar por causa da escolha.

Guilherme e Ana viajaram para a Holanda depois de passar a lua-de-mel em Kew. Ana não demorou até sentir saudades de casa e, quando o marido partiu para o campo de batalha em Rhineland, decidiu visitar a Inglaterra, acreditando que estava grávida. Eventualmente, o seu pai e o seu marido obrigaram-na a regressar à Holanda.Van der Kiste, pp. 135–136 Em Abril de 1735, tornou-se claro que, afinal, Ana não esperava um filho.Van der Kiste, p. 136 Em 1736, conseguiu engravidar, mas a criança, uma menina, nasceu morta.Van der Kiste, p. 150

Regência Quando o seu marido morreu aos quarenta anos de idade, Ana foi nomeada regente do seu filho de três anos, o príncipe Guilherme V de Orange. Ana era muito trabalhadora, mas arrogante e imperiosa, o que a tornou muito pouco popular.Van der Kiste, p. 198 Esta característica iria ajudar Guilherme mais tarde, na sua dura vida. A década de 1750 foi uma de grande tensão e rivalidade comercial entre a Holanda e a Grã-Bretanha, o que ajudou a dificultar a posição de Ana.Van der Kiste, p. 209

Últimos anos

Ana continuou a ser regente até morrer devido a um edema, em 1759, na cidade da Haia, nos Países Baixos, altura em que foi substituída pela sua sogra, a condessa Maria Luísa de Hesse-Cassel, e pelo duque Luís Ernesto de Brunsvique-Luneburgo. Quando Maria Luísa morreu, a filha mais velha de Ana, Carolina, foi nomeada regente até 1766, altura em que Guilherme completou dezoito anos de idade.

A cidade Princess Anne, no Marilândia, recebeu o nome em sua honra.

Descendência Filha natimorta (19 de dezembro de 1736) Filha natimorta (22 de dezembro de 1739) Carolina de Orange-Nassau (28 de fevereiro de 1743 - 6 de maio de 1787), casada cm o duque Carlos Cristiano de Nassau-Weilburg; com descendência. Ana de Orange-Nassau (15 de novembro de 1746 - 29 de dezembro de 1746), morreu com um mês de idade. Guilherme V de Orange (8 de março de 1748 - 9 de abril de 1806), casado com a princesa Guilhermina da Prússia; com descendência.

Ancestrais

Bibliografia

Van der Kiste, John (1997) George II and Queen Caroline. Stroud, Gloucestershire: Sutton Publishing. ISBN 0-7509-1321-5

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