thumb|direita|350px|Um Missal Romano aberto na página com o texto e as rubricas da primeira oração do Cânon Romano, o Te Igitur. Missal impresso por Renatus Beck, Estrasburgo, em 1511. Museu de Bremen, Alemanha.
O Texto e rubricas do Cânon Romano referem-se às orações, normas e instruções do Missal Romano para a sua primeira anáfora, chamada oficialmente de Oração Eucarística I, também referida como o Cânon Romano ou o Cânon da Missa. Antes da revisão de 1970 do Missal Romano, a missa teve apenas essa Oração Eucarística; desde a revisão, algumas mudanças mínimas no texto foram feitas, embora com maior proeminência nas rubricas. No Missal Anglicano, essa oração é chamada de "O Cânon da Missa Romana".
O texto e as rubricas do Cânon começam com a oração Te Igitur, até o Pater Noster; antes do Te Igitur, há ainda o diálogo introdutório, o Prefácio, e o Sanctus, partes que não foram alterados em 1970, exceto pela adição de novos prefácios. Na tradução do Missal Romano na forma ordinária, feita pela CNBB em 1970, foi incluído após cada oração do Cânon, feita pelo sacerdote, um responso dito pelo povo; essa prática, porém, só existe na Igreja do Brasil, e fora autorizada pela Santa Sé seguindo a doutrina litúrgica da Sacrosanctum Concillium, que faculta às Conferências Episcopais tais inovações. Recitação inaudível do Cânon
Na Missa Tridentina, o sacerdote fala o Cânon de maneira inaudível,Em latim, secreto (Ritus servandus in celebratione Missae, VIII, 1) com apenas duas exceções: ele pronuncia a frase Nobis quoque peccatoribus com a voz um pouco audível, e diz ou canta em voz alta a frase final da doxologia: per omnia saecula saeculorum, de modo a permitir que o acólito-coroinha, ou o coro, saibam quando dizer ou cantar Amém. Este silêncio por parte do sacerdote está associado ao fato de que, na Missa Tridentina, o sacerdote diz todas as partes da Missa (exceto as respostas como Et cum spiritu tuo, e Amém), mesmo que o coro as cante também. Tornou-se habitual para o sacerdote dizer o "Sanctus" rapidamente, não esperando o coro terminar o canto, e continuar imediatamente, em voz baixa, o resto da Cânon.
Razões místicas eram atribuídas às orações silenciosas do Cânon, puramente sacerdotais, pertencentes exclusivamente e apenas ao sacerdote, com o silêncio crescente sendo uma reverência ao momento mais sagrado da missa, e removendo a Consagração do uso vulgar comum.
Na Missa do Vaticano II, é proibido recitar o Cânon em silêncio, sendo considerado parte de sua natureza ser dito de forma audível, bem como recomenda o canto de suas partes. A Instrução Geral do Missal Romano, n. 147, afirma: "É muito conveniente que o sacerdote cante as partes da Oração Eucarística para os quais a notação musical é fornecida".
Te Igitur Na missa tridentina, o padre começa a oração levantando um pouco as mãos, juntando-as, olhando rapidamente para o céu, e depois se curvando profundamente diante do altar e colocando as mãos sobre ele. Ele então diz: "Te Igitur, clementissime Pater, por Iesum Christum Dominum nostrum Filium tuum, supplices rogamus, ac petimus" ("A vós, Pai clementíssimo, por Jesus Cristo vosso Filho e Senhor nosso, humildemente rogamos e pedimos"). Em seguida, ele beija o altar, junta as mãos diante de seu peito e continua: "Uti accepta habeas et benedicas" ("aceiteis e abençoeis"). Em seguida, ele faz o sinal da cruz três vezes sobre a hóstia e o cálice, enquanto diz: "haec 10px dona, haec 10px munera, haec sancta 10px sacrificia illibata" (estes 10px dons, estas 10px dádivas, este 10px santo sacríficio ilibado.).
Na Missa do Vaticano II, o sacerdote apenas abre os braços e ao dizer "benedicas" faz um só sinal da cruz (o único em todo o curso do Cânon) sobre a hóstia e o cálice.
Na Missa Tridentina, o sacerdote, ao abrir os braços, adota uma variação da postura de oração (a postura "Orantes") representada em pinturas das catacumbas: o Ritus servandus in celebratione Missae, V, 1, prescreve manter as mãos diante de seu peito, nem acima nem mais largo que os ombros, com os dedos polegar e indicador unidos e as palmas voltadas uma para a outra. No Missal Romano, tal como revisto em 1970, ele não é obrigado a manter as mãos diante de seu peito e pode adotar a verdadeira postura "Orantes".
In primis - Oração da Igreja O sacerdote então com os braços abertos continua:
in primis, quae tibi offerimus pro Ecclesia tua sancta catholica: quam pacificare, custodire, adunare, et regere digneris toto orbe terrarum: una cum famulo tuo Papa nostro N. et Antistite nostro N. et omnibus orthodoxis atque catholicae et apostolicae fidei cultoribus.
Em primeiro lugar, nós Vo-los oferecemos, pela vossa santa Igreja católica, à qual vos dignai conceder a paz, proteger, conservar na unidade e governar, através do mundo inteiro, e também pelo vosso servo o nosso Papa..., pelo nosso Bispo..., e por todos os (bispos) ortodoxos, aos quais incumbe a guarda da fé católica e apostólica.
A expressão "juntamente com" (una cum), ligada ao verbo "offerimus", indica que o sacerdote está oferecendo a Missa em união com o Papa e o Bispo, não por eles. Variações passadas desta oração incluíam a menção ao governante civil (imperador ou rei), que o Papa Pio V removeu em sua revisão de 1570 do Missal, mas que continuou em uso no Sacro Império Romano até 1806 e depois no Império da Áustria até 1918. A oração também incluía, ao mesmo tempo, uma menção especial ao próprio sacerdote, embora não citasse seu nome.
O "Ritus servandus in celebratione Missae" do Missal tridentino dizia que, na oração pelo Papa, o sacerdote abaixasse a cabeça ao falar o nome do Papa.V - De Oratione, 2 O Missal, revisto em 1970, requer tal gesto só "quando as três Pessoas Divinas são nomeadas em conjunto e com os nomes de Jesus, da Virgem Maria, e do Santo em cuja honra se celebra missa ("Instrução Geral ", 275).
Primeiro Memento - Memória dos vivos
Memento, Domine, famulorum, famularumque tuarum N. et N. et omnium circumstantium, quorum tibi fides cognita est, et nota devotio, pro quibus tibi offerimus: vel qui tibi offerunt hoc sacrificium laudis, pro se, suisque omnibus: pro redemptione animarum suarum, pro spe salutis et incolumitatis suae: tibique reddunt vota sua aeterno Deo, vivo et vero.
Lembrai-vos, Senhor, de vossos servos e servas N. e N., e de todos os que aqui estão presentes, cuja fé e devoção conheceis, e pelos quais vos oferecemos, ou eles vos oferecem, este sacrifício de louvor, por si e por todos os seus, pela redenção de suas almas, pela esperança de sua salvação e de sua conservação, e consagram suas dádivas a vós, o Deus eterno, vivo e verdadeiro.
"O sacrifício de louvor" é uma frase tirada do Livro dos Salmos 49/50, 23. A palavra "salus" pode se referir tanto à saúde do corpo, como à salvação espiritual.
No ponto em que são mencionados os nomes daqueles pelos quais o padre deve, o sacerdote junta as mãos e, por eles, reza breve e silenciosamente.
Em uma missa concelebrada, essa oração e a seguinte são ditas individualmente pelos concelebrantes.
Communicantes: Memória dos Santos No Missal Tridentino, a oração seguinte é precedida pela rubrica "Infra Actionem" (Dentro da Ação), que foi originalmente uma indicação para esta oração, colocada então entre outras orações para certas festas, que ela estava a ser inserida no Cânon. As festas em que essas variações são usadas ainda são o Natal, Epifania, Páscoa, Ascensão e Pentecostes, e durante toda as suas Oitavas. Desde 1970, só o Natal e a Páscoa têm oitavas.
Communicantes, et memoriam venerantes, in primis gloriosae semper Virginis Mariae, Genetricis Dei et Domini nostri Iesu Christi: sed et beati Ioseph, eiusdem Virginis Sponsi, et beatorum Apostolorum ac Martyrum tuorum, Petri et Pauli, Andreae, (Iacobi, Ioannis, Thomae, Iacobi, Philippi, Bartholomaei, Matthaei, Simonis et Thaddaei: Lini, Cleti, Clementis, Xysti, Cornelii, Cypriani, Laurentii, Chrysogoni, Ioannis et Pauli, Cosmae et Damiani) et omnium Sanctorum tuorum; quorum meritis precibusque concedas, ut in omnibus protectionis tuae muniamur auxilio. (Per Christum Dominum nostrum. Amen.)
Unidos na mesma comunhão, veneramos primeiramente a memória da gloriosa e sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e Senhor Nosso Jesus Cristo, e também de S. José, o Esposo da mesma Virgem, e dos vossos bem-aventurados Apóstolos e Mártires: Pedro e Paulo, André, (Tiago, João e Tomé, Tiago, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Simão e Tadeu, Lino, Cleto, Clemente, Sisto, Cornélio, Cipriano de Cartago, Lourenço, Crisógono, João e Paulo, Cosme e Damião,) e a de todos os vossos santos. Por seus méritos e preces, concedei-nos, sejamos sempre fortalecidos com o socorro de vossa proteção. (Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.)
Em sua revisão do Missal, o Papa Pio V removeu alguns nomes de santos e outras cláusulas que foram incluídas tardiamente, apesar de alguns casos sobreviveverem localmente. As palavras beati Joseph, eiusdem Virginis Sponsi foram adicionados pelo Papa João XXIII, profundamente devoto de São José. Desde 1970, as partes entre parênteses podem ser omitidas.
Hanc Igitur
Esta oração, como a precedente, tem variações em muitas poucas celebrações. Tais ocasiões eram originalmente muito mais numerosas: o Sacramentário gelasiano tem como 38 formas especiais a serem intercaladas para todos os tipos de intenções especiais, incluindo missas de Réquiem e de Casamento.
O texto usual é:
Hanc igitur oblationem servitutis nostrae, sed et cunctae familiae tuae, quaesumus, Domine, ut placatus accipias: diesque nostros in tua pace disponas, atque ab aeterna damnatione nos eripi, et in electorum tuorum iubeas grege numerari. (Per Christum Dominum nostrum. Amen.)
Por isso, vos rogamos, Senhor, aceiteis favoravelmente a homenagem de servidão que nós e toda a vossa Igreja vos prestamos, firmai os nossos dias em vossa paz, arrancai-nos da condenação eterna, e colocai-nos entre os vossos eleitos. (Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.)
A conclusão entre parênteses pode ser omitida, porém as rubricas continuam a exigir que o sacerdote junte as mãos aos pontos em todo o Cânon nos quais ele pode dizer o omitir Per Christum Dominum nostrum e que abra os braços novamente no início da seguinte oração.
Em uma missa concelebrada, a oração é dita só pelo celebrante principal.
No Missal Tridentino, o sacerdote estende as mãos sobre as oferendas durante esta oração. No Missal do Vaticano II, é durante a próxima parte do Cânon que o padre, juntamente com quaisquer sacerdotes concelebrantes, realiza este gesto, como na epiclese pré-Consagração de outras Orações Eucarísticas.
Quam oblationem: Epiclese pré-consagração Segue-se a oração:
Quam oblationem tu, Deus, in omnibus, quaesumus, benedictam, adscriptam, ratam, rationabilem, acceptabilemque facere digneris: ut nobis Corpus et Sanguis fiat dilectissimi Filii tui, Domini nostri Iesu Christi
Nós vos pedimos, ó Deus, que esta oblação seja por vós em tudo, abençoada, aprovada, ratificada, digna e aceitável a vossos olhos, afim de que se torne para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, vosso diletíssimo Filho e Senhor Nosso.)
O texto Tridentino insere cruzes assim: bene10pxdictam, adscrip10pxtam, ra10pxtam, rationabilem, acceptabilemque facere digneris: ut nobis Cor10pxpus et San10pxguis; e o sacerdote faz o sinal sobre as ofertas em cada uma das palavras indicadas.
Na Missa do Vaticano II, a partir desta epiclese pré-consagração até a epiclese pós-consagração, as palavras são faladas ou cantadas por todos os concelebrantes juntos.
Embora esta oração não mencione explicitamente o Espírito Santo, trata-se de uma epiclese, na qual, o Espírito Santo é invocado para efetuar a mudança do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo. Assim, a edição 1970 do Missal Romano dirige o sacerdote para estender as mãos sobre as oferendas enquanto a recita. Na forma tridentina da Missa, o sacerdote diz a oração com as mãos juntas, com exceção ao fazer os cinco sinais da cruz prescrito dessa forma do rito.