Hélio Romão de Paula, mais conhecido no universo do carnaval como Hélio Bagunça (São Paulo, 1936 — São Paulo, 30 de maio de 2007), foi um sambista, compositor e dirigente de carnaval brasileiro. É reconhecido historicamente como um dos fundadores e o primeiro presidente da escola de samba Tom Maior, além de ter sido uma liderança estrutural na reestruturação do cordão carnavalesco Camisa Verde e Branco.

Biografia Nascido em São Paulo, filho de mãe paulistana e pai carioca, viveu a maior parte de sua vida nos bairros da Bela Vista e da Barra Funda. Seu primeiro contato com o carnaval ocorreu em 1951, quando desfilou no salão do Campos Elíseos, ligado ao antigo cordão carnavalesco da Barra Funda. Em 1953, Bagunça integrou o núcleo de sambistas liderado por Inocêncio Tobias (o "Mulata") para recriar a agremiação, fechada desde 1939. O movimento resultou na fundação do Cordão Carnavalesco Camisa Verde e Branco, que viria a vencer o carnaval comemorativo do IV Centenário de São Paulo em 1954. Na agremiação, Bagunça tornou-se uma das principais lideranças operacionais, atuando ao lado de figuras históricas da cultura afro-paulistana, como Tia Sinhá e Walter Gomes de Oliveira (o "Pato N’Água"), exercendo a função de diretor de harmonia e mestre de cerimônias.

Na década de 1970, Hélio e sua companheira, a cantora Maria Helena (posteriormente reconhecida como Maria Helena Tom, embaixatriz do samba paulistano), transformaram sua residência na Barra Funda — e mais tarde na Rua Albuquerque Lins — em um núcleo de articulação cultural. O espaço abrigava os ensaios do "Chic Samba Show", grupo musical focado em exportar a música popular brasileira operado por Hélio e no qual Maria Helena atuava como vocalista. O local passou a atrair estudantes universitários da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, promovendo a intersecção entre o movimento estudantil e os sambistas tradicionais. Esse arranjo sociológico resultou, em 14 de fevereiro de 1973, na fundação da escola de samba Tom Maior. A agremiação foi idealizada em conjunto pelo casal. O batismo da escola foi uma escolha de Hélio, inspirado na canção homônima de 1969 do compositor carioca Martinho da Vila. Segundo a historiografia do carnaval, Hélio costumava cantar os versos da música para Maria Helena durante a gestação da filha do casal, Fernanda, firmando a promessa de fundar a entidade. Hélio assumiu o posto de primeiro presidente da escola. Sua filha, Fernanda, também seguiu carreira no samba, atuando como porta-bandeira em diversas agremiações paulistanas.

Ao longo de sua trajetória, além do Camisa Verde e Branco e da Tom Maior, atuou como coreógrafo e diretor em agremiações como Barroca Zona Sul, Nenê de Vila Matilde e Unidos do Peruche. Na dimensão institucional do carnaval, participou da fundação da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, ministrou cursos para jurados na Federação das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas do Estado de São Paulo e integrou a Embaixada do Samba Paulista, recebendo o título de Cidadão do Samba (1995–1998).

Em seus últimos anos, manteve-se ligado ativamente ao Camisa Verde e Branco. Hélio Bagunça faleceu na madrugada de 30 de maio de 2007, aos 71 anos, na cidade de São Paulo. A causa exata do óbito não foi divulgada na ocasião, mas o sambista sofria da doença de Alzheimer e de complicações urológicas. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Chora Menino.

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