"Like a Rolling Stone" é uma canção do músico e compositor norte-americano Bob Dylan. Sua letra de confronto surgiu de uma versão estendida de um verso que escreveu em junho de 1965, quando estava exausto de uma cansativa turnê pela Inglaterra. Dylan organizou este esboço em quatro versos e um refrão. A música foi gravada algumas semanas mais tarde como parte das sessões para o futuro álbum Highway 61 Revisited, lançado em agosto daquele ano.

Durante uma difícil pré-produção de dois dias, o cantor lutou para encontrar a essência da música, não obtendo sucesso em compasso ternário. No entanto, houve um progresso quando fez um experimento da canção no gênero rock, e o novato músico de estúdio Al Kooper improvisou o riff de órgão pelo qual a música se tornou conhecida. No entanto, a Columbia Records estava descontente com sua duração de mais de seis minutos e seu som elétrico pesado, estava hesitante em lança-lá. Foi só quando, um mês depois, uma cópia vazou para um clube novo de música popular, formada por DJs influentes que a a ouviram. Então, a canção foi lançada como um single. Embora as estações de rádio estivessem relutantes em tocar uma música tão longa, "Like a Rolling Stone" alcançou o topo no Cashbox e o segundo lugar nas paradas musicais da Billboard dos Estados Unidos, ganhando assim projeção e reconhecimento internacional.

Críticos descreveram a faixa como revolucionária na sua combinação de diferentes elementos musicais, o som jovem e cínico da voz de Dylan e a franqueza na pergunta do refrão: "Como se sente?". "Like a Rolling Stone" transformou a carreira do músico, sendo considerada até hoje como uma das composições mais influentes do pós-guerra na música popular. De acordo com o site agregador de resenhas Acclaimed Music, "Like a Rolling Stone" é estatisticamente a música mais aclamada de todos os tempos. A revista Rolling Stone a classificou como a maior canção de todos os tempos em sua lista de 2004. Foi regravada por vários artistas, desde o Jimi Hendrix Experience, até os Rolling Stones, os Wailers e o Green Day. Em um leilão em 2014, as letras manuscritas da música foram vendidas por 2 milhões de dólares, um recorde mundial para um manuscrito da música popular.

Composição e gravação Na primavera de 1965, voltando de uma turnê na Inglaterra documentada no filme Don't Look Back, Dylan estava descontente com as expectativas de seu público, assim como a direção que sua carreira estava tomando, e considerou seriamente abandonar o negócio da música. Em uma entrevista para a revista Playboy em 1966, descreveu sua insatisfação: "Na última primavera, eu achava que ia parar de cantar. Estava muito drenado, e como as coisas estavam indo, era uma situação muito chata ... Mas "Like a Rolling Stone" mudou tudo. Quero dizer que era algo que eu mesmo poderia gostar. É muito cansativo ter outras pessoas te dizendo o quanto eles cantam você, se você mesmo não canta".Hentoff, Nat. Playboy, Março de 1966, reimpresso em

A base da canção veio de uma parte maior de um verso. Em 1966, o músico descreveu a gênese de "Like a Rolling Stone" para o jornalista Jules Siegel:

Durante 1965, Dylan compôs prosas, poemas e datilografou canções incessantemente. Seu filme numa suíte do Hotel Savoy, em Londres, capta esse processo em Don't Look Back. Mas ele disse para dois entrevistadores que "Like a Rolling Stone" começou como um longo pedaço de "vômito" (10 páginas, de acordo com um relato, 20 de acordo com outro), que depois adquiriu forma musical.Heylin, 2009, p. 240. Este autor especula que Dylan escreveu um longo pedaço de "vômito" como "muito possivelmente uma imitação consciente da lendária versão 'pergaminho' de On the Road, de Jack Kerouac." Ele nunca falou publicamente de escrever qualquer outra composição importante dessa maneira. Em entrevista à rádio CBC em Montreal, chamou a criação da canção de um "avanço", explicando que mudou sua percepção de onde estava indo em sua carreira. Disse que encontrou-se escrevendo "esse longo pedaço de vômito, 20 páginas, e com isso eu escrevi 'Like a Rolling Stone' e a fiz como um single. E eu nunca tinha escrito nada assim antes e de repente veio a mim que era o que eu deveria fazer ... Depois de ter escrito que não estava interessado em escrever um romance, ou tocar. Eu já tinha o suficiente, queria compor músicas".Entrevista de Dylan para Marvin Bronstein, CBC, Montreal, 20 de fevereiro de 1966. Citado por

De uma versão estendida num papel, Dylan trabalhou nos quatro versos e o refrão em Woodstock, Nova Iorque. Em 2014, quando as letras manuscritas foram levadas a leilão, o manuscrito de quatro páginas revelou que o refrão completo do coro não aparece até a última página. Um terceiro verso rejeitado, "como um cão sem osso" dá lugar a "agora você é desconhecido (a)". Mais cedo, Dylan considerou trabalhar o nome de Al Capone no esquema de rima, e ele tentou construir um arranjo de versos para "como se sente?", escrevendo "parece real", "se sente real", "cale-se e lide", "desça e se ajoelhe" e "acordo bruto". A canção foi escrita num piano vertical em tom de A bemol e foi mudada para C com a guitarra no estúdio de gravação. O cantor convidou Mike Bloomfield, guitarrista da banda de blues de Paul Butterfield, para tocar na sessão de gravação. Perguntado por Dylan para visitar sua casa em Woodstock durante o fim de semana para conhecer a nova música, Bloomfield recordou mais tarde: "A primeira coisa que ouvi foi 'Like a Rolling Stone'. Eu percebi que ele queria uma sequencia reflexiva de blues, porque é isso que eu faço. Ele disse, 'ei, cara, eu não quero nada dessas coisas de B. B. King'. Então tá, eu realmente desmoronei. Que diabos ele quer? Nós brincamos com a música. Toquei da maneira que ele cantou, e ele disse que ficou legal".

As sessões de gravação foram produzidas por Tom Wilson entre 15 e 16 de junho de 1965, no Studio A da Columbia Records, na 799 Seventh Avenue, em Nova Iorque. Esta seria a última música que ele produziria para Dylan. Além de Bloomfield, outros músicos convidados foram Paul Griffin no piano, Joe Macho, Jr. no baixo, Bobby Gregg na bateria, e Bruce Langhorne no pandeiro, todos contratados por Wilson. Gregg, Griffin e Langhorne já tinham trabalhado com Dylan e o produtor em Bringing It All Back Home.

thumb|direita|210px|Al Kooper, um músico de sessão com 21 anos, improvisou o riff de órgão da canção. Na primeira seção, em 15 de junho, cinco partes da canção foram gravadas em um estilo marcadamente diferente (uma valsa em compasso ternário, com Dylan no piano) do eventual lançamento. A falta de partituras significava que a música tinha de ser tocada naturalmente. No entanto, sua essência foi descoberta no decurso da caótica sessão de gravação. Eles não chegaram ao primeiro refrão até a quarta seção, mas após a seguinte sequência de gaita, Dylan interrompeu dizendo: "Cara, minha voz se foi. Você quer tentar de novo?" Esta tomada foi posteriormente lançada em The Bootleg Series Volumes 1–3 (Rare & Unreleased) 1961–1991. A sessão terminou pouco depois.

Quando a sessão recomeçou no dia seguinte, em 16 de junho, Al Kooper juntou-se à produção. Na época ele era um guitarrista de 21 anos e não devia originalmente participar, mas estava presente como convidado de Wilson. No entanto, quando o produtor saiu ele sentou-se com sua guitarra com os outros músicos, na esperança de participar da sessão de gravação. No momento em que Wilson retornou, o guitarrista, que foi convidado a tocar com Bloomfield, estava de volta à sala de controle. Depois de participar de alguns ensaios, o produtor tirou Griffin do órgão Hammond para o piano. Posteriormente ele foi até Wilson, dizendo que tinha uma boa parte para o órgão. Ele menosprezou suas habilidades ao tocar o instrumento, mas não o proibiu de tocar. Como Kooper disse mais tarde, "ele apenas zombou de mim ... Ele não disse 'não' — então eu fui lá". Wilson ficou surpreso ao vê-lo no órgão, então lhe permitiu participar da canção. Ao ouvir a reprodução da música, Dylan insistiu que o órgão fosse transformado num mix, apesar dos protestos do produtor de que o jovem guitarrista "não era tocador de órgão".

Esta sessão foi gravada em 15 tomadas. A canção tinha até agora evoluído para sua forma conhecida, em compasso ternário com Dylan na guitarra. Após a quarta sessão — a principal em que foi lançada como um single, show 32, faixa 3. — Wilson satisfeito comentou: "Isso soa bem para mim". No entanto, Dylan e a banda persistiram em gravar a canção por mais de 11 vezes.

As sessões de gravação completas que produziram "Like a Rolling Stone", incluindo todas as 20 tomadas e as "etapas" individuais que compõem a mestre de quatro faixas, foram lançadas em novembro de 2015 nas versões de 6 e de 18 discos de The Bootleg Series Vol. 12: The Cutting Edge 1965–1966.

Temas Ao contrário dos hits convencionais de sua época, "Like a Rolling Stone" caracteriza letras que foram interpretadas como expressões de ressentimento em vez de amor. O autor Oliver Trager descreveu as letras como o "desprezo de Dylan a uma mulher que caiu em desgraça e é reduzida a se defender sozinha de um mundo hostil e desconhecido". Até o momento, o alvo da música, "Senhora Solitária", tomou o caminho mais fácil — frequentou as melhores escolas e desfrutava de amigos de alto nível social — mas agora que sua situação tornou-se difícil, ela não tem experiências significativas para definir seu caráter. As linhas de abertura da canção estabelecem a antiga condição da mulher:

Once upon a time you dressed so fine Threw the bums a dime in your prime, didn't you?Era uma vez, você se vestia tão bem Jogava esmola aos mendigos em seu auge, não é?

E o primeiro verso termina com letras ridicularizando sua condição atual:

Now you don't talk so loud Now you don't seem so proud About having to be scrounging your next mealAgora você não fala tão alto Agora você não parece tão orgulhosa Tendo que roubar sua próxima refeição

Apesar do sarcasmo, o narrador da música também mostra compaixão pela "Senhora Solitária", assim como alegria em respeito à liberdade de perder tudo. Jann Wenner comentou que "tudo foi arrancado. Você está no seu próprio país, está livre agora ... Você é tão indefesa e agora não tem mais nada. Você é invisível — já não tem segredos — isso é tão libertador. Você não tem nada a temer". O último verso termina com as frases:

When you ain't got nothing, you got nothing to lose You're invisible now, you got no secrets to concealQuando você não tem nada, não tem nada a perder Você está invisível agora, não tem mais segredos a ocultar

O refrão enfatiza estes temas:

How does it feel How does it feel To be on your own With no direction home Like a complete unknown Like a rolling stoneComo se sente? Como se sente? Por estar por sua conta? Sem direção alguma para casa Como uma completa estranha? Como uma pedra a rolar?

Robert Shelton, um biógrafo de Dylan, resumiu o significado da música como "uma canção que parece saudar a vida abandonada de quem pode sentir compaixão por aqueles que foram expulsos da burguesia. 'Rolling Stone' é sobre a perda da inocência e a dureza da experiência. Mitos, adereços e crenças antigas caem para revelar uma realidade muito desgastante".

Em uma veia humorística, o músico comentou sobre a perspectiva moral de "Like a Rolling Stone", numa entrevista coletiva no estúdio de televisão KQED em 3 de dezembro de 1965. Uma repórter sugeriu a Dylan que a música tem uma opinião dura sobre uma menina, e perguntou: "Você é duro [com as pessoas em suas canções] porque quer atormentá-las? Ou mudar suas vidas e fazê-las se conhecerem?" Rindo, Dylan respondeu: "Quero irritá-las".