Oi, anteriormente conhecida como Telemar, foi uma empresa que atuava no segmento de telecomunicações no Brasil. Foi a maior operadora de telefonia fixa e até então uma das maiores empresas do setor de telecomunicações na América do Sul.. Atuava no país inteiro além de possuir um instituto de inovação e criatividade para impacto social, o Instituto Oi Futuro.
No total, a Oi possuía concessões para a oferta de serviços de telefonia fixa em 25 estados brasileiros, além do Distrito Federal, atuando também através de autorizações nas regiões atendidas pela Vivo, Algar Telecom e Sercomtel. A empresa oferece serviços de telefonia e soluções de Tecnologia da Informação e Comunicação para o segmento corporativo.
Em 2013, a Oi entrou em processo de fusão com a Portugal Telecom, mas vendeu os ativos operacionais portugueses em 2015 para a empresa de telecomunicações neerlandesa Altice.
Em dezembro de 2020, um consórcio formado por Vivo, TIM e Claro comprou os ativos móveis por R$ 16,5 bilhões e em 31 de janeiro de 2022, a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou a venda da companhia por unanimidade. Já o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou com ressalvas a compra em 9 de janeiro do mesmo ano.
Em 10 de novembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência de grande parte do Grupo Oi, depois de quase 10 anos de recuperação judicial, a maior da história do país em termos de valores. As dívidas da empresa, que chegaram a R$ 65 bilhões em 2016, ainda somavam R$ 15 bilhões.
Em 14 de novembro de 2025, a Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a decretação de falência da Oi e determinou a retomada do processo de recuperação judicial.
Em abril de 2026, foi realizado o leilão judicial da unidade de serviços de telefonia fixa (STFC) da Oi, vencido pela empresa mineira Método Telecom, com um lance de R$ 60,1 milhões.
Em 25 de agosto de 2026, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da Oi pela segunda vez, após ter tido o encerramento suspenso anteriormente.
História Telemar
thumb|direita|Mapa da região inicialmente atendida pela Oi/Telemar entre 1998 e 2009. Em 1998, o Ministério das Comunicações decidiu privatizar o Sistema Telebrás em doze companhias: três holdings das concessionárias regionais de telefonia fixa, uma holding da operadora de longa distância e oito holdings das concessionárias da telefonia móvel Banda A. A maior delas era a Tele Norte Leste Participações S.A. (TNL).
A Tele Norte Leste (TNL) foi adquirida por um consórcio formado por Andrade Gutierrez (21,2%), Inepar Investimentos (20%), Macal (20%), Fiago/Fundos de Pensão (18,7%), BrasilVeículos (10,05%) e Companhia de Seguros Aliança (10,05%) por R$ 3,4 bilhões. Foi constituída a empresa Telemar Participações S/A (TmarPart) como controladora da Tele Norte Leste.
Em abril de 1999, a Tele Norte Leste teve o seu nome comercial mudado para Telemar. O nome TELEMAR vem de TELE (Telefonia - O serviço que a empresa presta ou, mais precisamente, "TELE") e quer dizer "distância" e MAR, a região na qual a operadora atuava originalmente, que era o litoral do sudeste, nordeste e norte do Brasil.
No mesmo ano, a Telemar criou a Gerência de Relações Institucionais para atender o pedido do Ministério Público de que apenas funcionários da empresa manejassem grampos telefônicos. De acordo com o depoimento de José Luiz da França Neto para a CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, os funcionários tinham contato apenas com a parte técnica da disponibilidade de rede. Até ao menos 2005, o serviço era executado pela Rede de Acesso, que por vezes também checavam denúncias de grampos clandestinos.
Em junho de 1999, o BNDES ingressou no quadro acionário da Telemar. Na condição de financiador do consórcio, o banco converteu suas debentures em ações e passou a deter 25% das ações ordinárias da companhia.
Inicialmente, a Telemar era composta pelas empresas dos 16 Estados de sua área inicial:
TELAIMA - Telecomunicações de Roraima TELAMAZON - Telecomunicações do Amazonas TELASA - Telecomunicações de Alagoas TELEAMAPÁ - Telecomunicações do Amapá TELEBAHIA - Telecomunicações da Bahia TELECEARÁ - Telecomunicações do Ceará TELEMIG - Telecomunicações de Minas Gerais TELEPARÁ - Telecomunicações do Pará TELEPISA - Telecomunicações do Piauí TELERGIPE - Telecomunicações de Sergipe TELERJ - Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro TELERN - Telecomunicações do Rio Grande do Norte TELEST - Telecomunicações do Espírito Santo TELMA - Telecomunicações do Maranhão TELPA - Telecomunicações da Paraíba TELPE - Telecomunicações de Pernambuco
Em julho de 1999, o Banco Opportunity adquiriu debêntures conversíveis em ações da participação que a Inepar detinha na Telemar.
Em 2001, as 16 empresas que compunham a Telemar foram integradas, dando origem a uma empresa única, a Telemar Norte Leste (TMAR). No mesmo ano, a Telemar lançou o Velox, serviço de acesso à internet em banda larga via ADSL, e a Contax, empresa de call center da companhia.
Criação da Oi
252x252px|Poço de visita da Oi|alt=|miniaturadaimagem Em março de 2002, foi criada a divisão de telefonia móvel da Telemar, com o nome de Oi, após a Telemar participar do leilão de frequências das bandas D e E promovido pela Anatel.
Em janeiro de 2005, a Oi instalou um moderno sistema de telecomunicação, totalmente nacional, na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), base antártica pertencente ao Brasil localizada na ilha do Rei George, na baía do Almirantado, na Antártida. Com o sistema, foi possibilitada a integração da EACF aos sistemas da Marinha do Brasil, proporcionando acesso à internet de alta velocidade.
Em 2006, a Oi comprou a operadora de televisão por assinatura mineira Way TV por R$ 132 milhões, dois anos depois é lançada no mercado a Oi TV.
Em 2007, unificou todos os seus serviços em uma só marca, a Oi (Oi Fixo, Oi Móvel, Oi Velox), abolindo assim a marca Telemar. Também foi criado Oi Conta Total, agrupando os serviços de telefonia fixa, telefonia móvel e acesso à Internet na mesma cobrança.
No mesmo ano, comprou a Amazônia Celular, que foi incorporada em 2009.
Em 2008, a Oi iniciou suas operações em São Paulo (Região 3).
Aquisição da Brasil Telecom thumb|direita|Mapa da região incorporada à área de cobertura da Oi após a aquisição da Brasil Telecom, e antes do início das operações da empresa no estado de São Paulo em 2008.
A Oi fez uma oferta de 5,8 bilhões de reais para comprar a operadora de telefonia fixa e móvel Brasil Telecom. Na intenção de expandir a Oi, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva permitiu por meio de um decreto presidencial a compra da Brasil Telecom pela Oi, algo que não poderia ser regulamentado naquela época. O negócio foi acertado entre as duas empresas e a Oi incorporou a Brasil Telecom no dia 17 de maio de 2009 e passou a operar em todo o país.
Em 2008, ocorreu uma reestruturação societária na Telemar no processo de aquisição da Brasil Telecom, com recursos de R$ 2,569 bilhões do BNDES e R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil.
Foi aprovado um aumento de capital na Telemar Participações no valor de R$ 1,239 bilhões, que foi totalmente subscrito pela BNDESPAR na forma de ações preferenciais resgatáveis. Com esses recursos, foram compradas a participação de três grupos acionistas: Asseca (GP Investimentos e Macal), Lexpart (Citibank e Opportunity) e Alutrens (Banco do Brasil e seguradoras Brasilcap e Brasilveículos).
O BNDESPAR também subscreveu valores mobiliários no total de R$ 1,330 bilhão, emitidos por AG Telecom (do grupo Andrade Gutierrez) e LF TEL (do grupo La Fonte), financiando as duas empresas, que ampliaram sua participação acionária na Telemar. Com a operação, a AG Telecom (19,34%), LF TEL (19,34%) e a Fundação Atlântico (fundo de pensão dos funcionários da Oi) (11,5%) passaram a formar o novo bloco de controle da Telemar, com 50,18% das ações com direito a voto.
Em 1 de janeiro de 2010, a Portugal Telecom assinou um contrato com vista à aquisição de 22,4% da Oi iniciando uma parceria estratégica entre ambas as empresas. No mesmo ano, é anunciado a compra da Portugal Telecom pela Oi.
Em 2010, o BNDES vendeu por R$ 891 milhões uma participação de 14,47% na Telemar para os fundos de pensão Petros e Funcef.miniaturadaimagem|Orelhão da TelemarEm 13 de abril de 2011, Luiz Eduardo Falco anunciou aos colaboradores da companhia seu desligamento, alegando o fim de um ciclo na companhia.
Em 28 de fevereiro de 2012, a Oi anuncia a permuta de ações para reestruturação da empresa, passando a deter 10% das ações ordinárias da Portugal Telecom.
Em junho de 2012, foi concluída a reorganização societária da Oi, pela qual a TNL e Coari foram incorporados pela Oi S.A. (nova denominação da Brasil Telecom S.A.) e a TMAR tornou-se sua subsidiária integral, tendo seus acionistas incorporados.
Fusão com a Portugal Telecom
Em 2 de outubro de 2013, a Oi e a Portugal Telecom formalizam a fusão das duas companhias, tendo envolvido os acionistas da Oi, da Portugal Telecom e da Telemar, com sede no Brasil e operações no Brasil e em Portugal. A fusão resultaria na criação da CorpCo, tendo sido feita uma captação de R$ 8,25 bilhões no mercado, com aporte de seus acionistas e investidores internacionais, além de a Oi receber R$ 5,71 bilhões em ativos da PT (incluindo ativos da empresa na África e na Ásia).
A aquisição da Portugal Telecom foi conturbada, tendo sido descoberto em 2014 um rombo no caixa financeiro da Portugal Telecom, deixando a Oi sem capital adicional. Principal acionista da fusão das duas empresas, a Rioforte, holding da Espirito Santo Investment Bank, acabou não pagando o montante de uma dívida em notas promissórias no valor de 1,2 bilhão de dólares que deveria ser paga à Portugal Telecom para pagamento dos títulos em julho de 2014. Com isso, a Oi teve que assumir o calote após a fusão e diminuir a participação dos antigos acionistas da empresa portuguesa. A Telemar Participações (TmarPart) foi incorporada pela Oi, simplificando a estrutura societária e extinguindo o acordo de acionistas.
Também em 2014, a Oi foi umas das patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo FIFA de 2014, oferecendo uma infraestrutura robusta para o evento, com mais de 500 km de cabos, 62 km de fibra ótica, 8 000 pontos de rede cabeada e 700 antenas Wi-Fi. A empresa também forneceu serviços de dados, internet móvel (3G e 4G), voz e Wi-Fi para os doze estádios-sede. O resultado foi a transmissão de mais de 80 milhões de fotos e 74 terabytes de dados, com quase 405 000 aparelhos se conectando aos estádios.
Em 2015, a Oi se desfez dos ativos operacionais portugueses, vendendo-os para a multinacional Altice.
Recuperação judicial
Primeiro pedido A Oi entrou com pedido de recuperação judicial em 20 de junho de 2016, com uma dívida de R$ 65 bilhões. Entre os fatores apontados para o comprometimento da saúde financeira da Oi foramː a política de expansão com a aquisição de outras empresas e assumindo suas dívidas, a queda da receita na telefonia fixa e multas junto a Anatel.
Na data 22 de setembro de 2017, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou que a empresa China Telecom aplicasse investimento para aumento de capital na empresa. Apesar disso, a China Telecom decidiu recuar com sua oferta.
Após a aprovação e homologação do plano de recuperação judicial da operadora na data 8 de janeiro de 2018, a dívida com os acionistas foi reduzida com a conversão das dívidas em troca de 75% do capital da companhia. A Oi encerrou o primeiro trimestre de 2018 com uma dívida total de R$ 13,5 bilhões.