A Troca (do original em inglês: Changeling) é um filme estadunidense de 2008, dos gêneros drama, policial e suspense, dirigido por Clint Eastwood, com roteiro de J. Michael Straczynski baseado em eventos ocorridos na Los Angeles de 1928.

A Troca é estrelado por Angelina Jolie, como uma mulher que acredita ter reencontrado seu filho desaparecido e confronta as autoridades da cidade, que a difamam como doente mental e mãe incapaz. O filme é inspirado no caso real de sequestro e assassinato chamado "Galinheiro de Wineville" e explora a impotência feminina, corrupção policial, abuso infantil e as repercussões da violência. Ron Howard tinha a intenção de dirigir, porém conflitos em seu cronograma o fizeram sair e ser substituído por Eastwood. Howard e Brian Grazer, ambos parceiros na Imagine Entertainment, produziram A Troca junto com Eastwood e Robert Lorenz da Malpaso Productions. A Universal Pictures financiou e distribuiu o filme.

Straczynski passou um ano pesquisando os arquivos históricos depois de saber do caso através de um contato na prefeitura de Los Angeles. Ele afirmou que 95% do roteiro foi tirado de mais de seis mil páginas de documentos. O roteiro de filmagem foi o primeiro rascunho de Straczynski e seu primeiro roteiro para o cinema. Várias atrizes tentaram conseguir o papel principal; Eastwood escolheu Jolie por achar que seu rosto se encaixava com o período histórico. O elenco também é composto por Jeffrey Donovan, Jason Butler Harner, John Malkovich, Michael Kelly e Amy Ryan. A maioria dos personagens são baseados em pessoas reais, apesar de alguns serem amalgamas de dois ou mais indivíduos. As filmagens começaram em 17 de outubro de 2007 e terminaram em dezembro de 2007, ocorrendo principalmente em Los Angeles e no Sul da Califórnia. A direção discreta de Eastwood levou os atores e a equipe a comentar sobre a tranquilidade do cenário e os curtos dias de trabalho. Na pós-produção, várias cenas foram complementadas com horizontes, fundos, pessoas e veículos gerados por computação gráfica.

A Troca estreou no Festival de Cannes em 20 de maio de 2008, sendo muito elogiado. Outras exibições em festivais precederam sua estreia limitada nos Estados Unidos em 24 de outubro. O filme teve um lançamento geral na América do Norte no dia 31 de outubro, 26 de novembro no Reino Unido e 5 de fevereiro de 2009 na Austrália. A recepção variou muito mais do que em Cannes; as atuações e a história foram elogiadas, com as críticas se focando na encenação convencional e na falta de sutileza. A Troca arrecadou pouco mais de 113 milhões de dólares mundialmente, recebendo três indicações ao Oscar e oito ao BAFTA.

Enredo

Na Los Angeles da década de 1920, a mãe solteira Christine Collins volta para casa depois do trabalho e descobre que seu filho de nove anos, Walter, desapareceu. O Reverendo Gustav Briegleb espalha o caso de Christine e critica o Departamento de Polícia de Los Angeles por sua incompetência, corrupção e punições extrajudiciais inflingidas pelo esquadrão liderado pelo Capitão James E. Davis. Vários meses depois do desaparecimento de Walter, a polícia informa Christine que ele foi encontrado vivo. Um reencontro público é organizado porque acredita-se que a publicidade positiva irá ajudar a afastar as críticas contra o departamento. Apesar de "Walter" afirmar ser o filho de Christine, ela diz o contrário. O Capitão J. J. Jones, chefe da divisão de menores da polícia, insiste que o menino é Walter e pressiona Christine a levá-lo para casa.

Depois de Christine confrontar Jones com as diferenças físicas entre "Walter" e seu filho verdadeiro, o policial envia um médico para visitá-la. Ele diz a Christine que "Walter" está mais baixo do que antes de desaparecer porque o trauma reduziu sua espinha, e que a pessoa que o sequestrou o circuncidou. Briegleb afirma que a polícia implantou isso para desacreditá-la. Os professores e o dentista de Walter entregam a Christine cartas confirmando que "Walter" é um impostor. Ela conta sua história para a imprensa; como resultado, Jones a manda para a "ala psicopática" do Hospital do Condado de Los Angeles. Ela faz amizade com Carol Dexter, que conta a Christine ser uma de várias mulheres presas por desafiar a autoridade da polícia. O Dr. Steele avalia Christine como doente mental e a força a tomar pílulas reguladoras de humor. Steele afirma que irá deixá-la ir embora se ela afirmar estar errada sobre "Walter". Ela diz não.

O Detetive Ybarra viaja para uma fazenda em Wineville, Condado de Riverside, para cuidar da deportação de Sanford Clark para o Canadá. O tio do menino, Gordon Northcott, fugiu depois de Ybarra involuntariamente tê-lo alertado sobre sua visita. Clark conta que o tio o forçou a ajudá-lo a sequestrar e matar por volta de vinte meninos, identificando Walter como um deles. Jones conta a Briegleb que Christine está sob custódia depois de um colapso mental. Jones ordena a deportação de Clark, porém Ybarra força o menino a revelar o local dos assassinatos. Briegleb consegue fazer com que Christine seja solta depois de mostrar a Steele um jornal que conta a história das mortes de Wineville e que lista Walter como uma possível vítima. "Walter" revela que foi para Los Angeles para poder ver seu ator favorito, Tom Mix, e que a polícia o mandou fingir ser o filho de Christine. A Real Polícia Montada do Canadá captura Northcott em Vancouver. O advogado de Christine consegue uma ordem judicial para libertar as outras mulheres injustamente aprisionadas.

No dia da audiência pública sobre o caso, Christine e Briegleb chegam na prefeitura encontrando centenas de protestantes exigindo respostas da cidade. A audiência é entrecortada com o julgamento de Northcott. O conselho decide que Jones e Davis devem ser removidos do serviço e que internações extrajudiciais feitas pela política devem ser revistas. O júri de Northcott o considera culpado de assassinato e ele é condenado a morte pela forca. Dois anos depois, Christine ainda não desistiu de encontrar Walter. Ela recebe uma mensagem de Northcott dizendo que ele está disposto a contar a verdade sobre Walter se ela visitá-lo antes de sua execução. Ela se encontra com ele, porém Northcott se recusa a contar se matou ou não o menino. Ele é executado no dia seguinte.

Em 1935, David Clay – um dos meninos que acreditava-se ter sido assassinado – é encontrado vivo. Ele revela que um dos meninos que estava preso com ele era Walter, que corajosamente voltou para ajudá-lo a passar por arames farpados. David, Walter e outros dois garotos escaparam, porém se separaram. David não sabe se Walter foi recapturado, dando a Christine esperanças que seu filho ainda esteja vivo.

Elenco

Angelina Jolie como Christine Collins John Malkovich como Rev. Gustav Briegleb Jeffrey Donovan como J.J. Jones Michael Kelly como Det. Lester Ybarra Colm Feore como Chefe James E. Davis Jason Butler Harner como Gordon Stewart Northcott Eddie Alderson como Sanford Wesley Clark Amy Ryan como Carol Dexter Geoff Pierson como Sammy "S.S." Hahn Denis O'Hare como Dr. Jonathan Steele Frank Wood como Ben Harris Peter Gerety como Dr. Earl W. Tarr Reed Birney como Mayor Cryer Gattlin Griffith como Walter Collins

Contexto histórico thumb|left|O Rancho Northcott em 1928 Em 1926, Sanford Clark, de treze anos de idade, foi levado de sua casa em Saskatchewan, Canadá, (com permissão de seus pais) por seu tio Gordon Stewart Northcott, de dezenove anos. Northcott levou Clark até sua fazenda em Wineville, Califórnia, onde ele regularmente bateu e abusou sexualmente do garoto. A situação continuou até agosto de 1928, quando a polícia tomou a custódia de Clark depois de Jessie Clark, sua irmã, ter contado às autoridades sobre a situação. O menino revelou que foi forçado por Northcott e sua mãe, Sarah Louise Northcott, a ajudá-los a matar três garotos que seu tio havia sequestrado e molestado. A polícia não encontrou corpos na fazenda – Clark afirmou que eles foram jogados no deserto – porém descobriram partes, machados cobertos de sangue e itens pessoais que pertenciam aos desaparecidos. Os Northcott fugiram para o Canadá, mas foram presos e extraditados para os Estados Unidos. Sarah Louise inicialmente confessou os assassinatos, incluindo o de Walter Collins. Ela mais tarde desmentiu a afirmação; Gordon, que havia confessado ter matado cinco meninos, fez o mesmo.

Depois de Christine Collins ter sido solta do Hospital do Condado de Los Angeles, ela processou o departamento de polícia duas vezes, vencendo o segundo. Foi ordenado que Capitão Jones pagasse US$ 10.800 para Collins, porém ele nunca o fez. Uma audiência perante o conselho da cidade recomendou que Jones e o chefe de polícia James E. Davis deixassem seus cargos, mas ambos posteriormente foram reinstituídos. As leis do estado da Califórnia mais tarde foram alteradas tornando ilegal a condenação de alguém a um hospital psiquiátrico sem um mandado. Northcott foi condenado pelo assassinato de Lewis Winslow (12), Nelson Winslow (10) e de um menino mexicano não identificado; depois de sua condenação ele supostamente admitiu vinte assassinatos, apesar de mais tarde ter negado a afirmação. Northcott foi executado em 1930 aos 23 anos de idade. Sarah Louise foi condenada pelo assassinato de Walter Collins e serviu quase doze anos na prisão. Em 1930, os habitantes de Wineville alteraram o nome da cidade para Mira Loma com a intenção de fugir da notoriedade negativa trazida com o caso.

Produção Desenvolvimento O roteirista e ex-jornalista J. Michael Straczynski, antes de começar a escrever A Troca, foi contatado por uma fonte na Prefeitura de Los Angeles. A fonte disse que funcionários estavam planejando queimar vários documentos antigos, e dentre eles estava "algo que [Straczynski] deveria ver". A fonte descobriu uma transcrição da audiência do conselho da cidade sobre Collins e as consequências do desaparecimento de seu filho. Straczynski ficou fascinado com o caso; ele realizou uma pesquisa e escreveu um roteiro especulativo chamado The Strange Case of Christine Collins. Vários estúdios e produtores independentes interessaram-se pelo roteiro, porém ele nunca encontrou um comprador. Straczynski achava que não tinha tempo para se dedicar a história e fazê-la funcionar, retornando ao projeto apenas em 2004 após o cancelamento de sua série de televisão Jeremiah. Depois de vinte anos como roteirista e produtor de televisão, ele achava que era necessário mudar de meio, então passou um ano pesquisando sobre o caso de Collins através dos registros criminais, do tribunal do condado, prefeitura e necrotério. Ele coletou mais de seis mil páginas de documentos sobre Collins e os assassinatos de Wineville antes de "descobrir como contá-la". Ele escreveu um primeiro rascunho do novo roteiro em onze dias. O agente de Straczynski passou o roteiro para o produtor Jim Whitaker. Ele então passou para Ron Howard, que comprou imediatamente.