A bandeira das Ilhas Cayman (em português brasileiro) ou Caimão (em português europeu) () é a bandeira nacional e, consequentemente, um dos símbolos oficias desse território ultramarino britânico localizado no Caribe.
Ao longo da história das Ilhas Cayman, diversas bandeiras foram usadas. Essas mudanças refletiram as diferentes soberanias de impérios coloniais, como o espanhol e o britânico, bem como seus diferentes estados como território diretamente administrado a partir de Londres ou como associado à Jamaica. Considera-se que a primeira bandeira própria do território foi adotada em 14 de maio de 1958, data na qual foi concedido um brasão de armas exclusivo ao arquipélago. Esse brasão, desenhado pelo College of Arms e concedido pela rainha Isabel II, é o mesmo até a atualidade. Essa primeira bandeira própria consistia no brasão aplicado aplicado em um disco branco no lado direito de um pavilhão britânico de campo azul. Seu desenho atual, oficializado em 1999, é comum às bandeiras de diversos territórios britânicos e consiste no brasão de armas nacional aplicado diretamente no lado direito de um pavilhão britânico azul. Embora exista apenas um desenho oficial, as duas versões ainda são usadas na atualidade.
Além da representação simbólica do pavilhão britânico em si, que representa os laços históricos e políticos com o Reino Unido, boa parte de seu significado está contido no brasão que carrega. Esse simbolismo está majoritariamente associado a aspectos de sua história, geografia e religiosidade. O pavilhão vermelho, que é a bandeira marítima oficial do arquipélago, possui grande prestígio internacional. As vantagens do registro atraem proprietários de embarcações de todo o mundo.
História Período colonial e território associado miniaturadaimagem|200px|Pintura de Dióscoro Puebla (1831–1901) ilustrando o primeiro desembarque de Colombo no Novo Mundo. Na pintura, o navegador porta o Estandarte da Coroa de Castela enquanto seus auxiliares carregam um estandarte processional de Jesus Crucificado e a bandeira pessoal de Colombo, com a cruz pátea e as iniciais "F" e "Y", dos Reis Católicos Fernando e Isabel As Ilhas Cayman foram descobertas por Cristóvão Colombo em 10 de maio de 1503 durante sua quarta viagem à América. Nenhuma colonização imediata ocorreu após a descoberta de Colombo; no entanto, uma variedade de colonos de várias origens moravam nas ilhas, incluindo piratas, marinheiros naufragados e desertores do exército de Oliver Cromwell. Apesar dos ataques piratas, a soberania permaneceu com os espanhóis. Consequentemente, nesse período, a bandeira do território foi a do Império Espanhol. Em decorrência da Guerra Anglo-Espanhola de 1625–1630, as ilhas, juntamente com a vizinha Jamaica, foram ocupadas pela Inglaterra. A soberania só foi reconhecida oficialmente pela Espanha através do Tratado de Madri de 1670. A partir desse momento, com a soberania britânica, a Bandeira da Grã-Bretanha e depois a Bandeira do Reino Unido foram usadas, respectivamente. Após várias tentativas malsucedidas de se estabelecer, a primeira população permanente de língua inglesa nas ilhas data da década de 1730.
miniaturadaimagem|200px|Cerimônia de inauguração da Federação das Índias Ocidentais pela princesa Margaret em Port of Spain, Trinidad e Tobago. Acima do trono, três bandeiras da Federação das Índias Ocidentais No início do século XIX, as ilhas deixaram de ser administradas diretamente e passaram a dependência da Jamaica, permanecendo nessa situação até 1959. A relação legal entre Cayman e a Jamaica permaneceu ambígua até 1863, quando um ato do parlamento britânico instituiu formalmente as Ilhas Cayman como dependência da Jamaica. Nesse período, a bandeira do Reino Unido foi usada até a adoção de uma bandeira específica para a Jamaica em 1875. Na sequencia, de 1875 a 1958, foram usadas as sucessivas versões da bandeira jamaicana. Por um curto período de tempo, o arquipélago possuiu bandeira própria na qual foi inserido o brasão designado ao arquipélago de 14 de maio do mesmo ano, como resultado de uma resolução para o brasão de nacionais aprovada em 1957 pela Assembléia Legislativa local. Contudo, como Jamaica passou a fazer parte da Federação das Índias Ocidentais, a bandeira da Federação passa a ser a também bandeira oficial do território durante esse período. Com a dissolução da Federação, em 1962, as Ilhas Cayman tornaram-se um território ultramarino britânico, enquanto a Jamaica conquistou sua independência no âmbito da Comunidade Britânica de Nações.
Bandeira própria 200px|miniaturadaimagem|Versão usada entre 1962 e 1999, no qual o brasão está inserido em um disco branco. Fotografia de bandeira hasteada em Georgetown, Grande Caimão 200px|miniaturadaimagem|Versão usada desde 1999, no qual o brasão está aplicado diretamente no campo azul. Bandeira hasteada no Ministério das relações Exteriores do Reino Unido, em Londres Quando a Jamaica alcançou a independência em 1962, as Ilhas Cayman optaram por permanecer sob a soberania da Coroa Britânica. Com isso, um administrador nomeado por Londres assumiu as responsabilidades anteriormente assumidas pelo Governador-Geral da Jamaica. Assim, foi reintroduzida a bandeira própria adotada em 1958 com o status de bandeira nacional.
Embora tenha sido adotada originalmente em 1958, o atual desenho é de 1999. As diferenças entre a versão atual e a anterior estão no fato de que, na versão anterior, o escudo estava sobre um disco branco - que foi removido na atual versão, além do aumento do tamanho do brasão na versão mais recente. Essa alteração aconteceu porque, em 1999, o Ministério da Defesa do Reino Unido, encarregado das bandeiras dos territórios britânicos, decidiu, em consulta com o College of Arms, que os brasões em muitas bandeiras britânicas eram muito pequenos e isso dificultava sua identificação. Além disso, elas também não estavam alinhadas às bandeiras mais recentes concedidas pela rainha Isabel II por meio do College of Arms, que possuíam brasões muito maiores. Assim, o Ministério da Defesa decidiu aumentar os brasões e retirar os círculos brancos onde estavam localizados os respectivos brasões. Além disso, um pavilhão britânico vermelho com um brasão foi usado durante anos sem autorização em embarcações particulares e como pavilhão civil. O uso de ambas as bandeiras foi legalizado em 1988.
Características Desenho e proporções 200px|miniaturadaimagem|Proporções comuns dos pavilhões britânicos
Seu formato consiste em um retângulo de proporção entre comprimento e largura totais de 2:1. Seu desenho é o de um pavilhão britânico de campo azul carregado com o escudo do brasão de armas das Ilhas Cayman no batente, ou seja, do lado direito da bandeira. As proporções gerais de desenho são comuns às encontradas nos diversos pavilhões usados como bandeiras oficiais dos territórios ultramarinos britânicos, ou seja, a parte ocupada pelo cantão é equivalente a metade da largura e por metade do comprimento total da bandeira. Quanto ao brasão, suas medidas quando comparadas à largura e ao comprimento da bandeira são na razão de, 72:120 e 54:240, respectivamente.
Brasão miniaturadaimagem|200px|Brasão de armas
O brasão é composto por um escudo do tipo clássico orlado uma estreita faixa branca (fímbria) com partição cortada, ou seja, dividido horizontalmente em duas partes. A parte superior, mais estreita, é vermelha e possui um leão heráldico passante amarelo-ouro com garras azuis e voltado para a esquerda. A parte inferior mostra seis faixas, três brancas e três azuis, alternadas e onduladas; sobre essa parte há três estrelas de cinco pontas de cor verdes e bordas amarelas dispostas em forma de triângulo com duas estrelas alinhadas horizontalmente acima e uma abaixo. Os elementos superiores do brasão são o virol e o timbre. o timbre é composto por tartaruga-verde voltada para a esquerda sobre um virol de cordas azuis e brancas. Acima da tartaruga há um abacaxi e algumas folhas da bromélia, todas em amarelo-ouro. Abaixo do brasão há um listel na cor amarelo-ouro e verso vermelho no qual há a inscrição do lema das ilhas na língua inglesa: He hath founded it upon the seas () em letras em caixa alta, serifadas e na cor verde.
Cores As cores que ocupam a maior parte da área são, no sistema pantone, além do branco, o azul 281C, e o vermelho, 186C. Essas cores, em função do uso do pavilhão britânico, são as mesmas da bandeira do Reino Unido. Além dessas, há as cores do brasão que são: o verde 348C, o verde 361C, o azul 292C e o amarelo 109C. Além da versão com o pavilhão britânico azul, dede 1988, o pavilhão vermelho com o mesmo desenho e proporções é usado como pavilhão civil.
+ Cores padrão da Bandeira das Ilhas Cayman Cor Sistema Pantone CMYK RGB HexBranco0.0.0.0255, 255, 255#FFFFFFAzul 281C100.78.0.570, 32, 91#00205BVermelho 186C0.100.80.5200, 16, 46#C8102EVerde 348C93.0.98.170, 132, 61#00843DVerde 361C68.0.100.067, 176, 42#43B02AAzul 292C55.13.0.0105, 179, 231#69B3E7Amarelo 109C0.5.100.0255, 209, 0#FFD100
Simbolismo Pavilhão britânico azul thumb|180px|O pavilhão azul é usado pelo governo britânico e pela administração dos territórios O pavilhão britânico azul vem sendo usado desde 1801 por instituições britânicas ligadas ao governo. A partir de 1865, através da "Lei de defesa Colonial" (), seu uso foi estendido aos navios pertencentes ou que estivessem a serviço das colônias ou do sistema de administração colonial. Nesse caso, o pavilhão deveria sempre estar associado ao uso do brasão, escudo ou selo da colônia no campo direito. Assim, desde então, mais de 100 bandeiras com essas características já estiveram em uso, como nas bandeiras coloniais de Quênia, Uganda, Mianmar (Burma), Sri Lanka (Ceilão), Dominica e Granada, ou estão em uso até a atualidade, como no caso da Austrália, Nova Zelândia, Fiji, Tuvalu, Estado de Victoria e Estado de Nova Gales do Sul. Desse modo, seu uso representa sua ligação histórica e política com o Reino Unido.
Brasão
Cada um dos elementos do brasão, por sua vez, também têm seus respectivos significados:
Virol e timbre
Os elementos superiores do brasão são o virol e o timbre. O virol é formado por faixas azuis e brancas entrelaçadas no qual tartaruga está apoiada representa as "corda das Cayman", um tradicional produto da indústria local fortemente associado à pesca e ao comércio marítimo. O timbre é composto pela combinação de uma tartaruga-verde superposta por um abacaxizeiro. A tartaruga-verde representa a fauna local e os inúmeros quelônios que ainda habitam o arquipélago. Além disso, remete ao nome das ilhas dado pelos espanhóis (em espanhol) Ilas de Las Tortugas () e a indústria caimanesa de pesca de tartarugas. O abacaxi representa a flora da ilha, assim como os laços históricos comuns com a Jamaica, país cujo brasão de armas tem cinco abacaxis em seu desenho. A Bandeira Pessoal da Rainha Isabel II do Reino Unido na Jamaica, aprovada para uso em 1962, também apresenta os mesmos elementos.
Escudo
O três elementos do escudo são o leão heráldico passante, as ondas e as estrelas. O leão denota a ligação histórica e política, além da lealdade para com a Inglaterra. O escudo com três leões heráldicos passantes em um fundo vermelho é um tradicional símbolo inglês, tendo sido adotado pela primeira vez como as armas pessoais dos reis da Dinastia Plantageneta no final do século XII. A partir daí continuou a simbolizar a Inglaterra e seus monarcas, inclusive na atualidade, onde os leões ainda são o principal elemento das Armas Reais e do Estandarte Real Inglês. As três estrelas simbolizam as ilhas que compõem o arquipélago: Grande Caimão, Caimão Brac e Pequena Caimão. As listras onduladas e alternadas nas cores azul e branco sugerem o mar do Caribe. O simbolismo das três estrelas e das ondas é tão fortemente associado às ilhas que permanecem, inclusive, na bandeira proposta para as Ilhas Cayman independentes.
Lema