Nazismo no Brasil caracteriza-se pela disseminação de propagandas políticas e a influência política direta do Partido Nazista Alemão no período entre 1920 e o fim da Alemanha Nazista, em 1945, e o surgimento, na história recente, de grupos e ideologias neonazistas no Brasil. Os primeiros sinais de influência nazista apareceram ainda antes da Segunda Guerra Mundial, quando a Organização Estrangeira do Partido Nazista, sediada em Berlim, organizou uma série de instalações internacionais a fim de propagandear os ideais nazi-fascistas pelo globo.

A imigração organizada de alemães para o Brasil teve início em 1818 e, durante o século XIX, quase 80 mil alemães chegaram ao país. Contudo, foi na primeira metade do século XX que a imigração foi mais numerosa, em particular nas décadas de 1920 e 1930, quando milhares de alemães imigraram para o Brasil, sobretudo movidos pelos problemas socioeconômicos enfrentados pela Alemanha de Weimar e a recessão em que ela mergulhou após a Primeira Guerra Mundial. Essa nova onda de imigração alemã viria a formar os primeiros grupos nazistas no Brasil. Os imigrantes em questão mantinham laços mais fortes com a Alemanha do que os imigrantes que chegaram ao país no século XIX, sobretudo pelo nacionalismo que emergia na Alemanha de Hitler.

Embora nunca tenha havido um Partido Nazista organizado no Brasil, legal ou clandestinamente, vários membros da comunidade teuto-brasileira foram membros da Seção Brasileira do Partido Nazista da Alemanha. A organização obteve certo sucesso, constituindo a maior célula de adeptos fora da Alemanha, com 2.822 integrantes. Como era uma organização estrangeira, somente alemães natos podiam se filiar. Brasileiros descendentes de alemães podiam atuar somente como simpatizantes.

Essa organização funcionou no Brasil de 1928 a 1938, sem ser incomodada pelo governo brasileiro, então presidido por Getúlio Vargas. Nesse último ano, após a implantação da ditadura do Estado Novo, o partido nazista e todas as outras agremiações políticas estrangeiras foram colocadas na ilegalidade.

História Imigração alemã e distribuição no território brasileiro miniatura|direita|200px|Crianças fazem a saudação nazista em Presidente Bernardes, São Paulo (c. 1935) A imigração organizada de alemães para o Brasil começou em 1818, com a fundação da Colônia Leopoldina, no atual estado da Bahia.Utopia, imigração e a Colônia alemã de Una, Bahia no contexto histórico Em 1824, 350 imigrantes alemães foram encaminhados para a Colônia de Nova Friburgo, no atual estado do Rio de Janeiro. Contudo, devido ao das colônias baiana e fluminense, elas são frequentemente ignoradas pela historiografia, que acabou por consagrar a Colônia de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, fundada em 1824, como o marco inicial da imigração alemã no Brasil. Segundo o IBGE, entre 1824 e 1969, entraram no Brasil 250.166 imigrantes alemães, com a maior concentração entre 1920 e 1930, quando entraram 75.801.

A imigração alemã para o Brasil ocorrida no século XIX deu origem a diversas colônias espalhadas pelo país, mais concentradas na Região Sul. Na época do surgimento do nazismo na Alemanha, na década de 1920, a comunidade germano-brasileira já estava há pelo menos três gerações no Brasil. Essa comunidade mantinha diversos hábitos culturais alemães; contudo, a distância geográfica e o lapso temporal, visto que a imigração alemã no Brasil remonta desde 1818, trouxeram mudanças culturais notáveis.

O maior fluxo de imigrantes alemães para o Brasil ocorreu durante a República de Weimar, na década de 1920, pois, devido às consequências da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha encontrava-se numa crise econômica. Concomitantemente, o Brasil passava por um desenvolvimento industrial, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Devido à demanda por mão de obra qualificada e técnica, muitos alemães migraram para o país nessa época. Evidentemente, esses novos imigrantes tinham um vínculo maior com a Alemanha do que os que chegaram no século XIX. Aqueles recém-chegados da Alemanha diferenciavam-se dos teuto-brasileiros, sobretudo nas identificações culturais; os primeiros denominavam-se , ao passo que os segundos eram os . miniaturadaimagem|201x201px|Reunião de membros do Partido Nazista da cidade de Bela Aliança (SC) Em meados da década de 1930, havia mais de um milhão de alemães e descendentes no Brasil, a maior parte em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em 1940, alemães e descendentes faziam parte de 22,34% da população de Santa Catarina e de 19,3% no Rio Grande do Sul. A comunidade alemã no país preservava sua cultura e a sua língua, compreendidos como uma manifestação do germanismo, o que era possível por meio da existência de sociedades, de uma imprensa em língua alemã e, principalmente, de escolas. O censo de 1940 mostrou que 640 mil pessoas usavam o alemão como língua principal do lar no Brasil. Com base na elevada proporção de membros da comunidade germânica que usava o alemão em casa (mais de 70%), conclui-se que havia um fraco nível de assimilação cultural dessa comunidade.

Em 1939, viviam no Brasil 87.024 imigrantes alemães, dos quais 33.397 estavam em São Paulo, 15.279 no Rio Grande do Sul, 12.343 no Paraná e 11.293 em Santa Catarina. Embora os membros do partido nazista no Brasil fossem menos de 5% da comunidade alemã do país, seus 2.822 filiados o tornavam o segundo maior do mundo, depois do partido nazista na Alemanha. Os nazistas estavam espalhados por 17 estados brasileiros, de norte a sul do país. O maior número de nazistas "filiados" estavam em São Paulo (785), seguido de Santa Catarina (528) e do Rio de Janeiro (447). O estado de São Paulo foi o destino preferencial dessa nova onda de imigração alemã, sobretudo pela oportunidade de empregos e a concentração de nascidos alemães. Naquela altura, também havia 900 mil brasileiros descendentes de alemães, mas estes não podiam se filiar ao partido, que era reservado aos alemães natos. miniaturadaimagem|Reportagem de jornal sobre a atuação do Partido Nazista em Pernambuco.

Antecedentes Desde o século XIX, existiam instituições, como associações esportivas, culturais e econômicas, que veiculavam a ideias de uma identidade teuto-brasileira. Essas instituições, que se viam pouco prestigiadas pela Alemanha da República de Weimar, começaram a sentir novo alento com o nazismo no poder e isso rendia simpatias ao regime dentro do Brasil.

Desenvolvimento Em 1928, foi fundado em Timbó, Santa Catarina, a seção brasileira do Partido Nazista. Naquela época, viviam no Brasil cerca de 100 mil alemães natos e cerca de um milhão de descendentes. A maior parte deles vivia em comunidades isoladas no sul do Brasil, que preservavam a língua e a cultura alemã. Com a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de chanceler, na Alemanha, os teuto-brasileiros passaram a ser assediados pela propaganda feita pelo nazismo para atrair seguidores no exterior.

Aparentemente, não era do interesse do Terceiro Reich participar das eleições brasileiras, e o partido nunca foi registrado na Justiça Eleitoral. Segundo o embaixador da Alemanha no Brasil na época, Karl Ritter, havia orientações expressas de que o partido não deveria se intrometer em assuntos internos do Brasil.

Incidência do nazismo na comunidade alemã do Brasil Calcula-se que cerca de 5% dos imigrantes alemães então residentes no Brasil estiveram, em alguma altura, associados ao Partido Nazista alemão. A porcentagem de nazistas no Brasil foi inferior à registrada no Chile, onde mais de 8% dos imigrantes alemães eram filiados ao Partido Nazista, a maior proporção na América Latina. Por sua vez, na Alemanha, ao menos 10% da população era filiada ao Partido Nazista, na mesma época.

Os membros se distribuíam em pelo menos 17 estados brasileiros, a maior parte deles no estado de São Paulo.

Entretanto, não se pode afirmar que a maioria dos imigrantes alemães no Brasil tenham aderido, em geral, à ideologia nazista; apesar de importantes segmentos dessa comunidade terem sido influenciados. Os nazistas no Brasil concentraram-se sobretudo entre as classes empresariais urbanas da comunidade alemã, muito mais que nas colônias germânicas rurais, se distribuindo primeiramente na região Sudeste e secundariamente na Região Sul do país. Nem todos os associados aos primeiros grupos nazistas no Brasil engajaram-se por uma questão ideológica; na verdade, muitos o fizeram tendo em busca benefícios econômicos que essa organização poderia proporcionar.

A tabela a seguir mostra o número de filiados ao Partido Nazista no Brasil e a proporção de filiados entre a comunidade alemã de cada estado:

Filiados ao partido nazista no Brasil, entre alemães natos (1930/1940)Estado Filiados População nascida na AlemanhaProporção de filiados entre os imigrantesSão Paulo785 33.3972,35%Santa Catarina 528 11.2914,67%Rio de Janeiro44711.5193,88%Rio Grande do Sul 43915.2792,87%Paraná18512.3431,49%Minas Gerais66 2.0003,3%Pernambuco 436726,39%Espírito Santo41 6236,58%Bahia 395427,19%Outros/sem informação 2491.40517,72%Total 2.82289.0713,16%

Verifica-se, pela tabela acima, que o maior grupo de nazistas estava no estado de São Paulo, que recebeu a maior parte dos imigrantes alemães chegados nas décadas de 1920 e 1930 e, portanto, tinha a maior população de cidadãos alemães no Brasil. Por essa razão, São Paulo foi escolhido como sede do partido, em 1934. Verifica-se também que o Rio de Janeiro tinha mais nazistas do que o Rio Grande do Sul, embora a comunidade nascida na Alemanha fosse maior nesse último estado. Segundo Taís Campelo Lucas, "o fracasso no Rio Grande do Sul foi latente. Apesar da visibilidade ganha através de manifestações públicas e da propaganda, a adesão ao nazismo no estado foi baixíssima". Em termos proporcionais, a comunidade alemã do estado da Bahia tinha a maior porcentagem de filiados ao nazismo (7,19% da comunidade), ao passo que a comunidade alemã do estado do Paraná tinha a menor porcentagem de nazistas (1,49%). Depois da Bahia, as comunidades alemãs do Espírito Santo (6,58%) e de Pernambuco (6,39%) tinham as maiores proporções de nazistas. Vale destacar que o Nordeste apresentou ligações nazistas também, assim como a maioria das regiões brasileiras, atuando especialmente em Pernambuco, onde os nazistas se organizaram em um partido extraoficial, mesmo sendo quantitativamente baixo o número de alemães na região.

O Brasil figurava como o país com o maior número de membros do Partido Nazista fora da Alemanha, com cerca de três mil filiados. Esse número era pequeno, quando se compara, por exemplo, aos dezenas de milhares de integrantes da Internacional Comunista que moravam no Brasil, naquela época.

A adesão ao nazismo