thumb|280px|Mapa do Muro da Cisjordânia (2011) O Muro da Cisjordânia é uma barreira física que está sendo construída pelo Estado de Israel, passando em torno e por dentro dos Territórios Palestinos Ocupados (Cisjordânia e Jerusalém Oriental). A barreira tem uma extensão aproximada de 760 km, ou seja, duas vezes o comprimento da Linha do Armistício de 1949 (Green Line) entre a Cisjordânia e Israel. O muro é ladeado por uma faixa de 60 metros de largura (área de exclusão) em 90% da sua extensão, e a muralha de concreto chega a 8 metros de altura em 10% da sua extensão. A maior parte da barreira foi construída na Cisjordânia, e uma parte menor segue a Linha do Armistício de 1949. 12% da área da Cisjordânia ficaram no lado israelense da barreira.Separation Barrier: Statistics. B'Tselem, Janeiro de 2007.
A barreira também é chamada de "Cerca de Separação" ou "Cerca de Segurança", pelo governo israelense, segundo o qual, o propósito da construção seria o de evitar a infiltração de terroristas em Israel.Entenda por que Israel precisa de uma cerca, por Benjamin Netanyahu. Enquanto os palestinos geralmente se referem à barreira como Muro de Segregação Racial, e por vezes como Muro do Apartheid.The Plot of the Eastern Segregation Wall . 16 de julho de 2005. Para a Autoridade Nacional Palestina, o muro visa criar fatos consumados na incorporação de partes dos Territórios Palestinos ao Estado Israel.
A existência e o traçado da construção, são contestados sob os aspectos políticos, humanitários e legais. O Tribunal Internacional de Justiça de Haia o declarou ilegal em 2004, pois a barreira corta terras palestinas e isola cerca de 450 000 pessoas.Assembleia Geral das Nações Unidas. Parecer da Corte Internacional de Justiça sobre as consequências legais da construção de um muro nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental Resolução adotada pela Assembleia Geral. 2 de agosto de 2004. Israel não acatou o parecer da Corte Internacional, e a construção da barreira prossegue.
Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA - sigla em inglês), a maioria das barreiras físicas ou burocráticas impostas atualmente à mobilidade e acessibilidade dos palestinos visa proteger os 500 mil colonos judeus que ocupam assentamentos na Cisjordânia - em contravenção à lei internacional -, bem como garantir uma reserva de terras para a expansão futura desses assentamentos e melhorar as ligações viárias entre esses assentamentos e Israel.UNITED NATIONS. Office for the Coordination of Humanitarian Affairs occupied Palestinian territory. Movement and access in the West Bank, setembro de 2011. Duas outras barreiras do mesmo tipo, também construídas pelo governo israelense, são igualmente controversas: a que separa Israel e a Faixa de GazaInternational Middle East Media Center. Palestinians Protest The Israeli Wall Surrounding The Gaza Strip. 11 de março de 2010.Israel Builds Triple Barrier Around Gaza Ahead of Pullout. 30 de outubro de 2009. e a que separa a Faixa de Gaza e o Egito, atualmente sob controle egípcio.Army building new Gaza barrier - Israel News, Ynetnews. Por Hanan Greenberg. Ynet, 14 de abril de 2005.
História A proposta de uma barreira física que separasse os territórios disputados entre palestinos e israelenses surgiu em 2001, e foi apresentada na Knesset (o parlamento de Israel) pelo então primeiro-ministro Ehud Barak (à época filiado ao Partido Trabalhista), mas a construção só se iniciou durante o governo de Ariel Sharon, sucessor de Barak.Desde as lixeiras à cerca de segurança thumb|esquerda|upright|O Muro da Cisjordânia
A barreira é um misto de cercas físicas, barreiras eletrônicas vigiadas por câmeras, fossos antitanques, pontos de observação e patrulha e vedações com trincheiras rodeadas por uma área de exclusão média de 60 metros (ao longo de 90% da extensão do muro) e por paredes de concreto de até 8 metros de altura.Israel High Court Ruling Docket H.C.J. 7957/04: International Legality of the Security Fence and Sections near Alfei Menashe, publicado pela Suprema Corte de Israel a 15 de Setembro de 2005. Acesso em 16 de Abril de 2007. Em certos lugares, como na região da cidade palestina de Calquília, o muro chega à altura de oito metros. Em alguns pontos, a construção tem 45 metros de largura; em outros, pode chegar a 75 ou 100 metros. No entanto, apenas 5% do total da barreira projetada consiste em muros.Israel Security Fence Ainda segundo o Governo de Israel, os muros foram instalados apenas em locais onde possíveis atiradores pudessem mirar civis em áreas sob controle israelense.
Com extensão prevista de 763 km, a cerca engloba também partes da Cisjordânia e o setor oriental de Jerusalém, anexado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), e onde os palestinos pretendem construir um dia a capital do seu Estado.Saiba mais sobre o "muro de proteção" da Cisjordânia. Folha Online, 10/02/2004
Apenas uma pequena parte da muralha (cerca de 20%) coincide com a Linha Verde, entre a Cisjordânia e Israel; os 80% restantes situam-se dentro da Cisjordânia,Informe da OCHA-OPT, 9 de julho de 2007, pág. 2 Preliminary Analysis of the Humanitarian Implications of February 2005 Barrier Projections , informe da OCHA-OPT, 8 de março de 2005.Mapa da barreira israelense na Cisjordânia, B´Tselem, actualização em fevereiro de 2008 . onde adentra até 22 km, em alguns lugares, para incluir colônias israelenses densamente povoadas, situadas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, tais como Ariel, Gush Etzion, Emmanuel, Karnei Shomron, Guiv'at Ze'ev, Oranit e Ma'ale Adummim.Informe do Secretário Geral, preparado em cumprimento ao disposto na resolução ES-10/13 da Assembleia Geral , A/ES-10/248, 24 de novembro de 2003, p. 7.Separation Barrier, informe do B'Tselem, Centro de informação israelense sobre direitos humanos nos Territórios Ocupados.Palestinians: Israel hands out land confiscation notices. CNN, 7 de novembro de 2003.
Desta forma, o Muro corta ou isola aldeias palestinas, separa agricultores de suas plantações e torna extremamente difícil a sobrevivência das comunidades de base agrícola. Como resultado, a atividade econômica caiu drasticamente, e muitos palestinos simplesmente deixaram seus lares.
Visita de Bento XVI à Cisjordânia thumb|direita|Muro da Cisjordânia em 2004 Durante sua viagem à Terra Santa, o Papa Bento XVI visitou a Cisjordânia, em 13 de maio de 2009. Em discurso pronunciado em uma escola, Bento XVI disse que o muro, que separa Belém de Jerusalém, pode ser derrubado, desde que Israel e os palestinos derrubem os muros em torno dos seus corações.
"Embora muros possam ser construídos facilmente, todos sabemos que eles não duram para sempre. Eles podem ser derrubados. Primeiro, porém, é necessário remover os muros que construímos em torno dos nossos corações. Meu desejo mais sincero a vocês, o povo palestino, é que isso aconteça em breve", disse o pontífice. Na escola, o muro criava um cenário dramático, com pichações de frases como "Os oprimidos viraram opressores" e "Pontes, não muros!". O papa disse ainda que o muro faz uma sombra sobre grande parte de Belém, separa vizinhos e divide famílias, e que a obra é "um lembrete cruel do impasse a que parecem ter chegado as relações entre israelenses e palestinos". E, dirigindo-se aos palestinos:
Os palestinos, apoiados pelo Tribunal Internacional de Justiça de Haia, afirmam que o muro é ilegal, pois rouba parte de seu território e divide suas terras.
Para ir de Jerusalém a Belém, um trajeto de poucos quilômetros, o comboio do papa precisou atravessar portões de aço no meio da sequência de muros de concreto, bloqueios (checkpoints) e torres de vigilância. Em Israel, o papa, que é alemão, foi acusado de insensibilidade com relação ao Holocausto dos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de um discurso emocionado no memorial do Holocausto em Yad Vashem, quando disse que o grito dos que foram mortos pelo regime sob o qual ele cresceu "ainda ecoam em nossos corações", dois altos funcionários de Yad Vashem criticaram o Pontífice por não usar as palavras "nazistas" ou "assassinato" em seu discurso. Papa diz que muro de Belém "pode ser derrubado". Reuters/Uol, 13 de maio de 2009Pope visits Bethlehem in wake of Nazi row. The Guardian, 13 de maio de 2009.
Impactos na população palestina Agricultura thumb|esquerda|Crianças palestinas em uma plantação ao lado da barreira Quase a metade do território palestino cultivado é ocupado por oliveiras, de cujos frutos vivem cerca de cem mil famílias. De fato, a oliveira, mais do que uma fonte de renda, é um símbolo da ligação com a terra e parte fundamental da cultura do povo palestino. No entanto, o período da colheita da azeitona há muito deixou de ser um tempo de alegria. Além do Muro, que impede os agricultores de terem acesso às suas terras, existe a destruição sistemática dos olivais pelo governo israelense, para a construção de assentamentos judeus, e os ataques perpetrados pelos colonos judeus. Entre janeiro e setembro de 2011, segundo dados das Nações Unidas, colonos judeus arrancaram, cortaram e queimaram 7 500 oliveiras. Em 91% dos casos denunciados, ninguém foi acusado. A associação israelense de defesa dos direitos humanos Yesh Din registrou 35 atos de vandalismo contra oliveiras, videiras e árvores frutíferas, entre setembro de 2011 e julho de 2012. Segundo o Yesh Din, "o fracasso da polícia em fazer aplicar a lei e proteger as propriedades dos palestinos estimula o avanço do fenômeno, pois os criminosos que seguem impunes não hesitam em recomeçar".ONU condena destruição de oliveiras palestinas por israelenses. Folha de S. Paulo, 14 de outubro de 2012. Segundo o Ministério da Economia palestino, desde que começou a ocupação israelense, em 1967, Israel destruiu mais de 800 mil oliveiras, o que implica uma perda anual de US$ 55 milhões. O Exército israelense impede milhares de palestinos de entrar em suas plantações para regar, cuidar e podar suas árvores, alegando 'motivos de segurança'. Na Faixa de Gaza, os agricultores palestinos não podem retirar o produto do território nem cultivar em terras situadas a menos de 1,5km da fronteira com Israel. Depois que produzem o azeite, os agricultores ainda precisam passar por vários dos mais de 500 bloqueios (checkpoints) israelenses existentes na Cisjordânia, para fazê-lo chegar às lojas. A espera na fila pode durar muitas horas.
Todos os anos, a ONG Rabinos pelos Direitos Humanos organiza brigadas de voluntários israelenses e estrangeiros para ajudar os palestinos na colheita. "Viemos, além da ajuda, por outros dois motivos: como símbolo de nossa identificação com os agricultores e para que saibam que os apoiamos, que nem todos os israelenses são iguais", declarou o rabino ortodoxo Kobi Weiss. "No próximo ano, talvez não haja aqui nenhuma árvore", disse, apontando as oliveiras situadas entre o muro e o assentamento judeu, construído em território palestino ocupado por Israel.
Ocupação e anexação de terras
thumb|Traçado do muro em Jerusalém (2007) thumb|Vista aérea de Modi'in Illit. Com cerca de 60 mil habitantes, a cidade é a maior colônia israelense no território ocupado da CisjordâniaBronner, Ethan and Kershner, Isabel. Unsettled; In West Bank Settlements, Sign of Hope for a Deal, NY Times, 26 de julho de 2009. Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA - sigla em inglês), a maioria das barreiras físicas ou burocráticas impostas atualmente à mobilidade e acessibilidade dos palestinos visa proteger os 500 mil colonos judeus que ocupam assentamentos na Cisjordânia - em contravenção à lei internacional -, bem como garantir uma reserva de terras para a expansão futura desses assentamentos e melhorar as ligações viárias entre esses assentamentos e Israel.UNITED NATIONS. Office for the Coordination of Humanitarian Affairs occupied Palestinian territory. Movement and access in the West Bank, setembro de 2011.