João Artacho Jurado (São Paulo, 3 de setembro de 1907 – São Paulo, 18 de outubro de 1983) foi um arquiteto autodidata e empresário paulista, proprietário da Construtora e Imobiliária Monções S/A, responsável pela construção de diversos edifícios residenciais — alguns de uso misto — nas cidades de São Paulo e Santos.

Filho dos imigrantes espanhóis Ramón Artacho e Dolores Jurado, ambos naturais dum vilarejo próximo à cidade andaluz de Málaga, João começou a trabalhar na década de 1930 e sua produção se aprofundou nas décadas de 40 e 50. Apesar de não ser arquiteto, Jurado idealizava os prédios e pedia para algum arquiteto assinar as plantas. Artacho não frequentou escolas pois seu pai, que era anarquista, se recusava a deixar seu filho jurar à bandeira, cerimônia obrigatória nas escolas da época.Portal Vitruvius - "As primeiras obras de Artacho Jurado em São Paulo" por Ruy Eduardo Debs Franco http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp250.asp

Projetava suas obras ao som de ópera. Sua arquitetura reflete os sonhos hollywoodianos do pós-guerra em uma mistura de estilos e linguagens: o moderno, o nouveau, o déco e o clássico. Visando à classe média-alta e alta, seus edifícios eram projetados com uma série de serviços e opções de lazer: piscina, terraço com bar na cobertura, onde eram promovidas as festas de inauguração.

Iniciou sua carreira entre a publicidade - projetando placas e letreiros em neon — e as feiras, desenhando estandes inspirados no art déco, de 1930 a 1944, ano em que se tornou construtor. Fundou, junto do irmão Aurélio Artacho Jurado, a construtora Anhanguera — construindo casas e pequenos edifícios —, que depois se tornou Construtora e Imobiliária Monções, em 1946, iniciando suas grandes obras.

Constantemente fiscalizado pelo CREA, nas placas de suas obras seu nome não podia figurar em tamanho maior do que o nome do engenheiro responsável. No entanto, Artacho Jurado dificilmente obedecia à imposição, aumentando a ira de alguns arquitetos, que consideravam ultrajante sua atuação profissional, visto que ele não era arquiteto formado.

O reconhecimento de suas obras foi tardio, uma vez que nunca lhe foi permitido assiná-las. Inicialmente refutado, como kitsch, a partir da década de 1990, já após sua morte, recuperou o prestígio.

Principais edifícios miniatura|Edifício Louvre.

Em São Paulo Edifício Duque de Caxias - 1947 - Rua Barão de Campinas, 243 (esquina com Duque de Caxias), Campos Elísios Edifício Pacaembu - 1948 - Avenida General Olímpio da Silveira, 386, Santa Cecília Edifício Piauí - 1949 - Rua Piauí, 428, Higienópolis Edifício General Jardim - 1951 - Rua General Jardim, 370 (esquina Rua Amaral Gurgel), Vila Buarque Edifício Cinderela - 1956 - Rua Maranhão, 163 (esquina com Rua Sabará), Higienópolis Edifício Viadutos - 1956 - Praça General Craveiro Lopes, 19 (na confluência dos viadutos Nove de Julho e Jacareí), Centro Edifício Planalto - 1956 - Rua Maria Paula, 279 - Centro Edifício Parque das Hortênsias - 1957 - Avenida Angélica, 1106, Higienópolis Edifício Apracs - 1957 - Avenida Higienópolis, 578, Higienópolis (originalmente "Edifício Parque das Acácias") Edifício Saint-Honoré - 1958 - Avenida Paulista, 1195, Jardim Paulista Edifício Louvre - 1958 - Avenida São Luís, 192, Centro Novo Edifício Bretagne - 1959 - Avenida Higienópolis, 938, Higienópolis Conjunto Tradição Brasileira - 1959/1963 - Avenida Higienópolis, 195, Higienópolis (Edifícios: Brasil República, Império e Colônia)

Em Santos Edifício Nosso Mar - 1955 - Avenida Afonso Celso de Paula Lima, 31 Edifício Parque Verde Mar - 1957 - Avenida Vicente de Carvalho, 6 Edifício Enseada - Avenida Bartolomeu de Gusmão, 180

Informações miniatura|Edifício Viadutos. A revista inglesa Wallpaper apontou o Bretagne como um dos melhores edifícios para se viver no mundo.Revista Quem - "Túnel do tempo" por Cinthia Rodrigues http://revistaquem.globo.com/Quem/0,6993,EQG927769-2157,00.html Ao tombar o Edifício Viadutos, o Patrimônio exigiu a retirada do luminoso,Estado de São Paulo - 11/12/06 "O empreiteiro que virou o mais paulistano dos arquitetos" por Lilian Primi http://txt.estado.com.br/editorias/2006/12/11/cid-1.93.3.20061211.14.1.xml que foi concebido no projeto original para aplacar os custos condominais. O Parque das Acácias, que foi concluído pela família Scarpa, tem, entre seus destaques arquitetônicos, um grande pátio de colunas próximo ao jardim, cujo teto é significativo: no teto pastilhado foram produzidos desenhos em formas que lembram "amebas" coloridas. O Edifício Viadutos possui 12 elevadores.Site Administrador.net - "Raio-X: Condomínio Edifício Viadutos" http://www.administradornet.com.br/materias/viaduto.htmPortal Sindiconet - "Viadutos tenta acertar o caixa" http://www.sindico.com.br/informese/view.asp?id=1247#viadutos O Viadutos foi um dos primeiros edifícios na cidade a possuir painel luminoso em sua cobertura. O filme Domésticas, de Fernando Meirelles e Nando Olival (2001) foi rodado no Edifício Cinderela. Há um CD-ROM sobre a vida e a obra de Artacho Jurado chamado de Uma Arquitetura Cênica de 1999, autoria de Ricardo Barreto e Paula Perissinoto. O CD-ROM, foi realizado a partir de uma série de documentos pertencentes ao arquivo pessoal de João Artacho Jurado. Contempla 106 fotos da época de prédios construídos pelo arquiteto e seu irmão Aurélio Artacho, além de desenhos e plantas de sua autoria.

Ligações externas

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