A língua suana (ლუშნუ ნინ, transl. lushnu nin, ) é falada no nordeste da Geórgia, em uma região conhecida como Suanécia, ao longo das partes superiores dos rios Ingúri e Cxenis-c'q'ali e na república autônoma da Abecásia. Com uma população de 35.000 a 40.000 falantes, o suano é considerado uma língua ameaçada de extinção, devido à preferência de muitos jovens da região pelo aprendizado do Georgiano em detrimento do suano, especialmente nas maiores aldeias suanas e entre famílias que residem fora da Suanécia. Todos os falantes de suano são bilíngues, falando georgiano juntamente com o suano, sendo este último usado apenas como meio de comunicação familiar, enquanto o georgiano é a língua da administração e do ensino escolar em todas as áreas onde o suano é falado. É evidente a partir de fontes históricas que o impacto do georgiano perdura há séculos, com a cristianização servindo como um estímulo primário. O suano faz parte das línguas cartevélicas, um grupo que engloba diversas outras línguas faladas na região do Cáucaso.

Etimologia O suano possui uma posição distinta dentro da família cartevélica devido à sua separação precoce (antes de 1930), caracterizando-se pela preservação de elementos arcaicos e pelo desenvolvimento de inovações influenciadas por idiomas estrangeiros. O termo "suano" significa "um dos povos cartevelianos ou georgianos do Cáucaso que habitam a parte superior do rio Ingúri". Em suano "lushnu nin" significa "língua" ou "fala". O vocabulário suano carrega vestígios de longas relações culturais com seus vizinhos através do Cáucaso, em particular os falantes das línguas do noroeste caucasiano. Embora a língua do nordeste caucasiano não faça fronteira com o suano atualmente, é possível que tenha feito em algum momento. Certamente, a comunidade linguística suana se estendeu mais para o leste em tempos passados. Sabe-se pouco sobre a origem do suano (termo exônimo) e do "lushnu nin" (termo endônimo), já que a origem exata desses termos não é bem documentada. Existem muitas teorias, mais nenhuma delas é confirmada.

Distribuição

Distribuição geográfica O suano é a língua materna de cerca de suanos, uma subdivisão étnica do povo georgiano que habita as montanhas do Suânia, ao longo dos rios Ingúri, Tskhenistskali e Kodori. A língua suana, é falada nos altos vales ao sul do Monte Elbrus, no Cáucaso, e na região da Suanécia, localizada no noroeste da Geórgia. Amplamente dispersa pela região, essa língua é predominante em várias aldeias, notavelmente em Mestia, Ushguli, Lentekhi e Latali, que se encontram em vales montanhosos remotos. Esses vilarejos, aninhados nas montanhas, desempenham um papel crucial na preservação tanto da língua quanto da cultura tradicional suana. Embora haja presença de falantes de suano em outras partes da Geórgia, especialmente em centros urbanos como Tiblíssi, onde a migração resultou na dispersão da população suana, a maioria desses falantes ainda reside na Suanécia, onde a língua é parte integrante da vida cotidiana há séculos. Alguns falantes do suano vivem na república autónoma da Abecásia; embora as condições atuais do país impeçam que o seu número seja estimado com precisão, acredita-se que sejam cerca de 2 500 pessoas. miniaturadaimagem|359x359px|Distribuição das línguas cartevélicas na Geórgia O idioma é utilizado apenas para a comunicação social de caráter informal e familiar. Não existe língua escrita ou status oficial; a maioria dos falantes também fala o georgiano, idioma oficial do país, e o usam como língua literária e de negócios. Não existe ensino oficial no suano, e o número de falantes está declinando devido à dispersão da população suana diante de crescentes dificuldades econômicas. O idioma é tido como ameaçado, já que sua fluência é limitada entre os jovens que o falam.

Dialetos A língua suana exibe várias variações dialetais e subdialetais, cada uma com suas características distintivas. Estes incluem:

Dialeto Alto Bal (cerca de 15.000 falantes): falado em uma sucessão de comunidades, de Latal a Ushgul, ao longo do alto Ingúri e seus rios adjacentes. Esta região, conhecida anteriormente como "Suanécia Livre", foi a única parte da Suanécia não sujeita a dominação feudal entre os séculos XVI e XIX (Ushgul, Kala, Ipar, Mulakh, Mestia, Lenzer, Latal). Dialeto Baixo Bal (cerca de 12.000 falantes): falado ao longo do vale do Ingúri, de Qaysd a Becho, e em comunidades mais recentemente estabelecidas no vale de Nensk'ra (Becho, Tskhumar, Etser, Par, Chubekh, Lakham). Dialeto Lentekh: falado ao longo do vale de Cxenis-c'q'ali, de Rcxmeluri à comunidade de Cholur, e nas aldeias localizadas no vale de Xeledur. Dialeto Lashkh: encontrado no vale de Cxenis-c'q'ali, rio acima de Lentekh (Kheled, Khopur, Rtskhmelur, Cholur).

Particularidades O suano manteve a consoante /qʰ/ (oclusiva aspirada surda), e as semivogais /w/ e /j/. Tem um repertório de vogais maior que o do georgiano; o dialeto do Alto Bal é a língua caucasiana meridional com o maior número de vogais, apresentando tanto as versões longas quanto as curtas de /a ɛ i ɔ u æ ø y/ mais /ə eː/, totalizando 18 vogais diferentes (o georgiano, por exemplo, possui apenas 5).

A sua morfologia é menos regular que a das suas três línguas-irmãs, e existem diferenças significantes nas declinações verbais.

História O suano é o mais diferenciado dos quatro idiomas caucasianos meridionais, e não é inteligível pelos falantes dos outras três (georgiano, laz, e mingrélio). Acredita-se que o suano tenha se separado dos outros idiomas do grupo no segundo milênio a.C., ou até mesmo antes, cerca de mil anos antes do georgiano se separar dos outros dois. Devido a essa divisão precoce, o suano é marcado tanto pela preservação de arcaísmos, quanto pelo desenvolvimento de inovações devido à influência estrangeira.

Embora tenham havido algumas tentativas de criar uma base para escrever o suano já no meio do século XIX (Anban 1864), o suano nunca desenvolveu um padrão escrito. O primeiro exemplar do suano falado disponível para investigação acadêmica é a gravação de um falante do dialeto Alto Bal feita por A. Dirr em 1909, preservada no Phonogrammarchiv da Academia Austríaca (Viena), que foi editada por Gippert (1986). A única publicação web do suano é a gravação em fita de um texto Lashkh preparado por Gippert em 1984.

Fonologia Consoantes  BilabialDentalPalatalVelarUvularGlotalOclusiva   Fricativa  Africada ʦʰ ʦʼʧʰ ʧʼ   Nasal    Líquida ,    O inventário dos fonemas consonantais dos dialetos suanos é essencialmente o mesmo que o do Georgiano Clássico. O sistema consonantal exibe as três maneiras de articulação características de todas as línguas Cartevélicas e Caucasianas: tensa (sem voz, subglotal), relaxada (com voz), ejetiva (glotal oclusiva, supraglotal, glotalizada). Esta diferenciação também se aplica aos č- africados e c-, mas não às fricativas, que carecem da série ejeta. Além disso, suano não possui /v/ como fonema distinto, mas possui o glide labiovelar /w/.

Vogais O suano possui um sistema vocálico relativamente simples em comparação com suas consoantes. Tipicamente, ele consiste em cinco fonemas vocálicos, embora variações dialetais possam ocorrer. Alguns dialetos apresentam vogais longas fonologicamente distintas, enquanto outros não possuem essa característica. Vogais longas fonologicamente distintas ocorrem nos dialetos Alto Bal e Lashkh, embora o número de pares mínimos distinguíveis pela duração seja surpreendentemente pequeno. Os dialetos Lentekh e Baixo Bal não possuem vogais longas. O Alto Bal tem um conjunto completo de nove vogais, bem como seus correlatos longos, totalizando 18 fonemas de vogais; O Baixo Bal e o Lentekh possuem as mesmas nove vogais sem uma distinção de duração; e o Lashkh tem seis vogais curtas e longas, totalizando 12.  AnteriorCentralPosteriornão-arredondadaarredondadanão-arredondadaarredondada curta longa curta longa curta longa curta longaFechada    Semifechada            Semi-aberta  Aberta         As letras em negrito são a forma padrão em todos os dialetos.

Varia livremente entre ə e ɨ Diacríticos não costumam ser grafados

Tons O suano é um sistema de dois tons, consistindo em tons altos e baixos. Esses tons podem ocorrer tanto em vogais quanto em consoantes, resultando em melodias tonais que contribuem para a pronúncia geral das palavras.

O tom alto é caracterizado por uma altura de tom ou intensidade mais alta na pronúncia, enquanto o tom baixo está associado a uma altura de tom ou intensidade mais baixa. Esses tons podem ocorrer independentemente ou em combinação, formando vários padrões tonais.

Fonotática A estrutura silábica do suano é notavelmente direta, geralmente consistindo em uma única vogal ou em uma consoante seguida por uma vogal. As sílabas podem ser classificadas como abertas, terminando em uma vogal, ou fechadas, encerrando-se em uma consoante, com uma prevalência maior das últimas.

No suano, as combinações de sons estão sujeitas a restrições fonotáticas específicas, influenciando a formação e a pronúncia das palavras. Notavelmente, a língua apresenta características distintivas, como a presença de consoantes e vogais ejetivas. Estas, articuladas com um aumento repentino da pressão de ar, exercem um impacto significativo nas restrições fonotáticas, determinando quais sequências de sons são aceitáveis ou preferenciais em contextos linguísticos específicos.

Ortografia miniaturadaimagem|Placa na língua suana, com escrita em suano e em alfabeto latino. O suano não possui status oficial na Geórgia e não tem uma forma escrita padronizada. Embora alguns materiais em suano tenham sido produzidos utilizando o alfabeto cirílico, a falta de um sistema de escrita padronizado e a baixa alfabetização em suano resultaram em materiais escritos relativamente escassos. A maioria das comunicações escritas na Suanécia e entre os falantes de suano é realizada em georgiano, a língua oficial da Geórgia. A língua permanece principalmente uma tradição oral, transmitida de geração em geração através da comunicação verbal. Geralmente, quando escrito, uma versão do alfabeto georgiano é utilizada, embora os alfabetos cirílico e latino também sejam ocasionalmente empregados. centro|miniaturadaimagem|308x308px|Alfabeto georgiano adaptado para o suano

Gramática

Particularidades da família Como todas as línguas da família caucasiana meridional, o suano possui um grande número de consoantes. Apresenta concordância entre sujeito e objeto, e um sistema morfossintático ergativo-absolutivo. Os verbos variam de acordo com o aspecto, a evidencialidade e a "versão".

Substantivos Os substantivos em suano são flexionados para número e caso; não há categoria de gênero gramatical, nem mesmo para pronomes.

Número O suano possui dois números, singular e plural. Na maioria dos casos, o plural é marcado por um afixo que antecede os sufixos, uma técnica de arranjo morfológico que corresponde ao tipo de flexão aglutinativa. Os substantivos em suano empregam uma variedade de "pluralizadores", nenhum dos quais é claramente cognato com o plural em Georgiano e Zan. O alomorfo mais frequentemente usado é -ær e suas variantes -ælæl-æ:r:r-æ:l,,-i:r (Lashkh: -ar/-al/-a:r/-e:l). As variantes que terminam -l são usadas com raízes contendo /r/, com alguma variação entre dialetos se a raiz contiver tanto /l/ quanto /r/ como no Alto Bal->azural-ae:r e no Lashkh: zural-e:l (mulheres). Termos que possuem parentesco são pluralizados com um circunfixo la- -a, que pode ter origem participia: læ-dj-aj(mães) <-di (mãe). Outros tipos de substantivos com formas especiais de plural incluem particípios agentivos me/mə- e substantivos derivados com -a:r (plural -u); substantivos de profissão mə- (plural -a, -e:r) e o plural coletivo -ra de nomes de plantas e árvores.

Casos gramaticais